domingo, 7 de dezembro de 2025

Por que cantar é surpreendentemente bom para a saúde

Do cérebro ao coração, cantar oferece uma ampla série de vantagens, especialmente quando feito em grupo

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Do cérebro ao coração, cantar oferece uma ampla série de vantagens, especialmente quando feito em grupo




Está chegando a época do ano em que o ar se enche de vozes angelicais ou ressoa com hinos vigorosos, enquanto grupos de cantores de Natal espalham sua dose de alegria festiva.

Esses cânticos e essas solenidades típicas dos corais mantêm o clima alegre e triunfante.

E talvez esses grupos de cantores enfeitados podem estar certos sobre alguma coisa. Mesmo sem perceber, ao aparecer em shoppings, estações de trem, asilos e nas ruas com músicas alegres, eles também estão beneficiando a própria saúde deles.

Do cérebro ao coração, cantar oferece uma ampla série de vantagens, especialmente quando feito em grupo. A prática aproxima as pessoas, prepara o corpo para combater doenças e até ajuda a aliviar a dor.

Então, talvez valha a pena você também soltar a voz e entrar no clima


"Cantar é um ato cognitivo, físico, emocional e social", explica Alex Street, pesquisador do Instituto de Cambridge para Pesquisa de Musicoterapia, no Reino Unido, que estuda como a música ajuda crianças e adultos na recuperação de lesões cerebrais.

Psicólogos já notam há muito tempo que cantar em grupo cria um forte senso de união, o que envolve até os participantes mais tímidos.

Estudos indicam que pessoas que não se conhecem podem formar vínculos inesperados depois de cantar juntos por uma hora



E também não é surpresa que cantar faça bem aos pulmões e ao sistema respiratório.

Pesquisadores chegam a usar o canto como terapia para pessoas com doenças pulmonares, por exemplo.

Cantar com outras pessoas pode ser mais benéfico do que cantar sozinho

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Boas vibrações


Cantar também gera outros efeitos físicos mensuráveis. Foi comprovado que melhora a frequência cardíaca e a pressão arterial. Cantar em grupos ou corais pode até fortalecer o sistema imunológico de maneiras que apenas ouvir música não consegue.

Há diferentes explicações para isso. Do ponto de vista biológico, se acredita que o canto ative o nervo vago, que está diretamente conectado às cordas vocais e aos músculos da parte posterior da garganta.

A expiração prolongada e controlada envolvida no canto libera endorfinas associadas ao prazer, ao bem-estar e à supressão da dor.

O canto ativa uma ampla rede de neurônios em ambos os lados do cérebro, estimulando regiões ligadas à linguagem, ao movimento e à emoção. Isso, somado à atenção necessária à respiração, faz do canto um eficaz redutor de estresse.

"As respostas de 'bem-estar' ficam claras nas vozes, nas expressões faciais e na postura", disse Street, da Instituto de Cambridge para Pesquisa de Musicoterapia.

Pode haver razões profundas para esses benefícios. Alguns antropólogos acreditam que nossos antepassados hominídeos cantavam antes de falar, usando vocalizações para imitar sons da natureza ou expressar sentimentos. Isso pode ter sido fundamental para o desenvolvimento de dinâmicas sociais complexasexpressão emocional e rituais.

Street afirmou que não é por acaso que o canto faz parte da vida de todo ser humano, seja ele músico ou não, observando que nossos cérebros e corpos estão sintonizados desde o nascimento a responder positivamente à música.

"Cantamos canções de ninar para crianças, e depois as cantamos em funerais", explicou. "Aprendemos a tabuada cantando e o alfabeto com estruturas rítmicas e melódicas."

Unidos pelo canto

Nem todos os tipos de canto são igualmente benéficos. Cantar em grupo ou em coral, por exemplo, demonstrou promover maior bem-estar psicológico do que cantar sozinho. Por isso, pesquisadores da área de educação usam o canto para estimular a cooperação, o desenvolvimento da linguagem e a regulação emocional em crianças.

Médicos também recorrem ao canto para melhorar a qualidade de vida de pessoas com diferentes condições de saúde. Em todo o mundo, pesquisadores estudam corais comunitários formados por sobreviventes de câncer e AVCpessoas com Parkinson e demência, e seus cuidadores. No caso do Parkinson, por exemplo, o canto ajuda a manter a capacidade de articular palavras, que costuma se deteriorar com a progressão da doença.

Cantar também pode melhorar a saúde de forma geral, funcionando como um exercício muitas vezes subestimado, comparável a uma caminhada rápida. "Cantar é uma atividade física e pode trazer benefícios semelhantes aos do exercício", disse Adam Lewis, professor associado de fisioterapia respiratória da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

Um estudo sugere que cantar, junto a exercícios vocais usados por cantores profissionais para aprimorar o ritmo e a afinação, representa um exercício comparável para o coração e os pulmões a caminhar em ritmo moderado na esteira.

Pesquisadores destacam os benefícios, muitas vezes subestimados, do canto em grupo para a saúde mental de pessoas com doenças crônicas de longa duração. Para Street, da Instituto de Cambridge para Pesquisa de Musicoterapia, a prática ajuda esses pacientes a focarem no que conseguem fazer, em vez do que não podem.

"Isso cria igualdade no grupo: cuidadores deixam de ser apenas cuidadores e profissionais de saúde cantam junto da mesma forma. Poucas atividades conseguem fazer isso", disse Street.

Cada vez que você respira

Entre os maiores beneficiados estão pessoas com doenças respiratórias crônicas, foco das pesquisas de Keir Philip, professor de medicina respiratória do Imperial College London, também no Reino Unido. Philip alerta que cantar não cura essas doenças, mas pode ser uma abordagem holística complementar.

"Para algumas pessoas, conviver com a falta de ar pode levar a uma mudança na forma como respiram, tornando-a irregular e ineficiente", disse Philip. "Algumas abordagens baseadas no canto ajudam nisso, trabalhando os músculos usados, o ritmo e a profundidade da respiração, o que pode contribuir para melhorar os sintomas."

Um de seus estudos mais notáveis envolveu adaptar um programa de respiração desenvolvido com cantores profissionais da English National Opera e aplicá-lo em um ensaio clínico randomizado com pacientes de covid longa.

Ao longo de seis semanas, os resultados mostraram que o programa melhorou a qualidade de vida dos participantes e aliviou parte das dificuldades respiratórias.

O canto parece ser especialmente benéfico para o cérebro e para a respiração

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Legenda da foto,O canto parece ser especialmente benéfico para o cérebro e para a respiração

Ao mesmo tempo, cantar não é isento de riscos para pessoas com condições de saúde preexistentes. Durante a pandemia de covid-19, o canto em grupo esteve ligado a eventos de superdisseminação, já que a prática pode liberar grandes quantidades de vírus no ar.

"Se você estiver com uma infecção respiratória, o melhor é faltar à aula de coral naquela semana, para não colocar os outros em risco", orienta Philip, do Imperial College London.

Mas talvez o benefício mais notável do canto seja seu efeito na recuperação cerebral. Isso pode ser ilustrado pela história de Gabrielle Giffords, ex-congressista dos EUA, que sobreviveu a um atentado em 2011, quando foi baleada na cabeça. Ao longo de vários anos, Giffords reaprendeu a andar, falar, ler e escrever, com terapeutas usando músicas da infância dela para ajudá-la a recuperar a fluência verbal.

Pesquisadores têm usado abordagens semelhantes para ajudar sobreviventes de AVC a recuperar a fala, já que o canto permite longas horas de repetição, necessárias para criar novas conexões entre os hemisférios cerebrais, frequentemente afetados pela doença.

Acredita-se também que cantar estimula a neuroplasticidade do cérebro, permitindo que ele se reorganize e forme novas redes neurais.

Cada vez mais iniciativas usam o canto como terapia para ajudar pacientes com diferentes tipos de condições

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Legenda da foto,Cada vez mais iniciativas usam o canto como terapia para ajudar pacientes com diferentes tipos de condições

Há teorias de que o canto pode beneficiar pessoas com declínio cognitivo, devido à intensa demanda que impõe ao cérebro, exigindo atenção contínua e estimulando a memória verbal e a busca de palavras.

"Há um número crescente de evidências sobre os benefícios cognitivos do canto em adultos mais velhos", disse Teppo Särkämö, professor de neuropsicologia da Universidade de Helsinque, na Finlândia.

"Ainda sabemos pouco sobre o potencial do canto para retardar ou prevenir o declínio cognitivo, pois isso exigiria estudos de grande escala com acompanhamento por vários anos", ponderou ele.

Para Street, da Instituto de Cambridge para Pesquisa de Musicoterapia, todas as pesquisas que mostram os efeitos do canto, seja no nível social ou neuroquímico, reforçam porque ele é uma parte tão universal da vida humana.

Uma de suas preocupações, porém, é que, à medida que as pessoas passam mais tempo conectadas à tecnologia do que umas com as outras em atividades como o canto, poucos estão experimentando esses benefícios.

"Estamos descobrindo muito, especialmente na reabilitação de lesões cerebrais", disse.

"Os estudos mostram que o canto pode ter esses efeitos, mesmo em pessoas com danos significativos, estão apenas começando a surgir. Faz sentido que possamos nos beneficiar tanto dele, porque o canto sempre teve um papel enorme em conectar comunidades."

Talvez este seja mais um motivo para aproveitar algumas canções de Natal ao redor da árvore este ano.   Por: David Cox | BBC


Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

INIMIGOS DO BRASIL: Congresso impõe derrota a Lula e 'ressuscita' pontos polêmicos da lei do licenciamento ambiental dias após COP

Terreno aberto perto de floresta

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Legenda da foto,Parlamentares abriram caminho para a supressão de floresta nativa da Mata Atlântica, bioma que coincide com região densamente povoada do Brasil
  • Thais Carrança, Mariana Alvim e Leandro Prazeres
  • Role,Da BBC News Brasil em São Paulo e Brasília


Congresso Nacional derrubou nesta quinta-feira (27/11) parte dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, chamada por ambientalistas de "PL da Devastação".

Com a derrubada dos vetos pela Câmara e pelo Senado, voltam a valer algumas regras que haviam sido estabelecidas pelos parlamentares para o licenciamento ambiental e que Lula havia tentado tirar da legislação, sem sucesso.

Assim, a versão dos parlamentares entrará em vigor na forma de nova lei, numa derrota política para o governo.

Foi derrubado o veto de Lula a 52 pontos da lei, como o que amplia a possibilidade de licenciamento autodeclatório e que reduz a participação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em processos do tipo.

Produtores que estejam com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) pendente também foram liberados da necessidade de licenciamento.


A discussão e decisão sobre a Licença Ambiental Especial (LAE) ficará para depois, já que o tema é tratado por uma medida provisória (MP) ainda sob análise do Congresso.

A LAE é voltada para empreendimentos considerados estratégicos pelo governo.

A organização Observatório do Clima afirmou em nota que a votação desta quinta no Congresso "mata" o licenciamento ambiental no Brasi


"Na prática, os parlamentares reconstruíram o PL da Devastação, que enterra o licenciamento no país. É o pior retrocesso legislativo ambiental da história brasileira desde a aprovação da Política Nacional do Meio Ambiente, em 1981", disse o observatório, afirmando que organizações ambientalistas vão recorrer à Justiça para tentar derrubar a nova lei.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia vetado 63 dos quase 400 artigos do projeto de lei que regulamenta o processo de licenciamento ambiental para empreendimentos no Brasil.

Lula vetou artigos como o que facilitava o desmatamento na Mata Atlântica e o que reduzia exigências para empreendimentos considerados de médio porte.

Os vetos foram anunciados no início de agosto por ministros, no último dia que o governo tinha para tomar essa decisão.

O projeto foi batizado como "PL da devastação" por ambientalistas, de um lado; do outro, defendido por segmentos como a bancada do agronegócio no Congresso como uma medida para "destravar" obras e empreendimentos econômicos.

Segundo representantes do Planalto, a estratégia adotada pelo governo foi a de vetar pontos considerados prejudiciais ao meio ambiente e propor, por meio de um novo projeto de lei ou de MP, alternativas ao texto aprovado pelo Legislativo, criticado por cientistas e ambientalistas.

Ambientalistas já criticavam a possibilidade de derrubada dos vetos mesmo antes dela se confirmar nesta quinta-feira.

"A derrubada dos vetos seria um ataque aos fundamentos da nossa política ambiental, conflitando com tudo o que o país defendeu na COP30. Colegiados como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o próprio papel regulamentar da União ficam esvaziados", afirmou Suely Araújo, do Observatório do Clima, antes da votação no Congresso, segundo a Agência Brasil.

Relembre os vetos de Lula e as mudanças decididas pelos parlamentares.

Lula gesticulando em palanque, com painel da COP30 atrás

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Derrota para o governo Lula ocorre poucos dias depois do fim da COP30

Licença simplificada para empreendimentos

O governo havia vetado um trecho do projeto aprovado pelo Congresso que determinava que empreendimentos de pequeno e médio potencial poluidor pudessem passar pelo Licenciamento por Adesão e Compromisso (LAC).

Com o veto, apenas os projetos com pequeno potencial poluidor poderiam ser submetidos a este tipo de licenciamento.

Mas os parlamentares voltaram a permitir que empreendimentos de médio porte façam o LAC.

Esta modalidade de licenciamento é mais simples pois não há necessidade de o responsável pelo empreendimento apresentar ou realizar estudos de impacto ambiental.

Para obter a licença, o responsável pelo empreendimento deverá apresentar apenas um Relatório de Caracterização do Empreendimento (RCE).

Autodeclaratório, esse documento deverá conter informações como a localização, dimensões e atividade que se pretende desenvolver.

Para o Observatório do Clima, essa é uma das mudanças mais preocupantes a ser confirmada nesta quinta-feira.

"Com isso, cerca de 90% dos licenciamentos estaduais – que representam a imensa maioria dos licenciamentos do país – poderão ser feitos automaticamente, num apertar de botão. A medida contraria jurisprudência do STF, que já havia vetado autolicenciamento para projetos de médio porte", disse a organização.

Regionalização de critérios para o licenciamento

O governo também havia vetado um trecho do projeto que delegava aos Estados e municípios a possibilidade de estabelecer seus próprios tipos de LAC e critérios sobre potencial poluidor de um empreendimento.

"A proposição legislativa é inconstitucional, pois desconsidera a competência da União para definir regras gerais", dizia um trecho do veto publicado pelo governo em agosto.

Com a derrubada dos vetos pelos parlamentares, os governos locais voltam a ter maior autonomia.

O temor entre ambientalistas é que esta regionalização dos critérios possa reduzir os padrões e exigências ambientais feita por Estados ou municípios.

Mata Atlântica

O governo havia vetado o trecho da lei que retirava o regime de proteção especial previsto na Lei da Mata Atlântica nos casos de supressão da floresta nativa.

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do Brasil e se entende pela costa brasileira, uma região densamente povoada.

Antes das novas regras de licenciamento ambiental, cabia ao governo federal avaliar o status de conservação do bioma e sua capacidade para suportar eventuais supressões de vegetação nativa.

Com a derrubada do veto de Lula, a lei tira do governo federal essa atribuição.

Povos indígenas e quilombolas

Foto de indígenas sentados usando cocares vermelhos e pintura vermelha no corpo

Crédito,AFP via Getty Images

Legenda da foto,Novas regras de licenciamento ambiental reduzem participação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)

Os parlamentares reverteram o veto de Lula a um dos trechos mais polêmicos da lei que havia sido aprovado pelo Congresso Nacional: o que liberava o processo de licenciamento ambiental sem consulta à Funai e à Fundação Palmares em terras indígenas e quilombolas que ainda não foram homologadas (a última etapa do processo de demarcação desse tipo de território).

Pelas regras anteriores à nova lei, as duas entidades precisavam ser consultadas em processos de licenciamento com impacto direto ou indireto em terras indígenas ou quilombolas, mesmo que estas não tivessem sido homologadas.

Agora, com a decisão do Congresso, comunidades não homologadas não precisarão mais ser consultadas.

Ambientalistas afirmam que essa mudança prejudicará dezenas de povos indígenas e comunidades quilombolas, pois a maioria das terras em que há presença dessas populações ainda não foi homologada.


Professor Edgar Bom Jardim - PE

Michelle e Jair Renan visitam Bolsonaro em prisão na Polícia Federal



Bolsonaro preso na sede da PF


Bolsonaro
A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (Foto: Divulgação)

Na terça-feira (25), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes decidiu manter Bolsonaro na sede regional da PF. O magistrado oficializou a condenação definitiva do ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão pela acusação de liderar uma trama golpista.

Bolsonaro ficará preso na PF na chamada sala de Estado-Maior, espaço onde ele não convive com outros detentos e no qual há maior conforto do que num presídio. A estrutura atual é um quarto de 12 m², com televisão, ar-condicionado, banheiro privado e uma escrivaninha.

Bolsonaro estava em prisão domiciliar até o último sábado (22), quando foi levado para a sede regional da PF por ordem de Moraes.

A medida preventiva foi tomada sob o argumento de risco de fuga e não como parte da pena imposta a ele por tentativa de golpe de Estado, o que ocorrerá agora, após o trânsito em julgado da ação penal no Supremo sobre o caso.

Fonte: ICLNOTÍCIAS



Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Museu de Bom Jardim comemora novembro da consciência com exposição e documentário no Youtube








Neste documentário, "O Despertar da Consciência", o Museu de Bom Jardim promove diálogos, reflexões sobre a história e o cotidiano de bonjardinenses sobre suas vivências, experiências e conhecimentos, memórias, parâmetros, perspectivas e seus próprios valores sobre consciência negra. Inscreva-se em nosso canal e clique no sininho para ser notificado das novidades. Compartilhe arte, cultura, educação, história. Cultura é currículo. Acesse as redes do Museu de Bom Jardim Instagram: instagram.com/museudebomjardimpe Site: https://museudebomjardim.blogspot.com/ YouTube: @museudebomjardim228 Faceboook: facebook.com/Museu-de-Bom-Jardim FICHA TÉCNICA Direção| Produção Cultural: Edgar Severino dos Santos Imagens: Eliel Souza| Gabriel Braz Trilha Sonora: Ei, Preto! - Autor| Cantor Douglas Bonfhá Hueshya Mananá - Esdeihewe Personalidades Participantes: Ricardo Luis do Nascimento, Lindaci Maria da Silva bezerra, Maria Francisca Pereira da Silva, Taisa Janaina da Silva Leite, José Joaquim, Edgar Severino dos Santos Bom Jardim, 19 de novembro 2025
Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Precisamos tratar Bolsonaro como ele é: um criminoso




Por Cleber Lourenço.

Bolsonaro não é mártir, não é símbolo de resistência, não é vítima do sistema. Bolsonaro é um criminoso — e dos mais obcecados em testar até onde poderia ir sem ser contido. A dificuldade de parte da imprensa em admitir o óbvio só prolonga a farsa que acompanhamos há anos. É hora de romper o feitiço: não existe perseguição quando se aplica a lei a quem a violou repetidamente.

A prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes não foi um capricho. Foi a resposta institucional a uma trajetória marcada por afrontas sistemáticas ao Estado de Direito. O Código de Processo Penal, no artigo 312, não deixa margem de interpretação: a preventiva cabe diante do risco à ordem pública, do risco à aplicação da lei penal, da possibilidade de obstrução e do descumprimento de medida cautelar. Bolsonaro conseguiu reunir todos os requisitos — uma espécie de currículo exemplar da delinquência política.

A situação da tornozeleira é a síntese perfeita: Bolsonaro admitiu ter mexido no equipamento, como se manipular um instrumento de monitoramento judicial fosse um detalhe doméstico, uma anomalia técnica, uma “solda mal colocada”. No mundo real, isso é tentativa de driblar a Justiça. No universo paralelo de seus seguidores, é tratado como obra do acaso. Mas a Justiça não vive em fantasia — vive de fatos.

E os fatos não param aí. À tentativa de violar o monitoramento se somou a velha coreografia de intimidação política. Flávio Bolsonaro, sempre pronto a transformar crise em palco, convocou uma vigília em tom solene, religioso, quase místico. Mas a embalagem não engana: era o velho ritual de tensão que já vimos antes, carregado de insinuações golpistas, discursos inflamados, clima de confrontação e aquela retórica de injustiça divina feita sob medida para inflamar a base radicalizada.

Essa mobilização não foi ignorada pela Justiça. Já aprendemos — a duras penas — que, quando o clã Bolsonaro acende fósforos, o país inteiro corre risco de incêndio. O Judiciário não tinha motivo algum para repetir a ingenuidade que precedeu o 8 de janeiro.

E então chegamos ao ponto que escancara o abismo moral: enquanto milhões de brasileiros enfrentaram hospitais colapsados, filas intermináveis e a brutalidade da pandemia — agravada pela sabotagem deliberada ao Sistema Único de Saúde — Bolsonaro hoje desfruta de atendimento médico permanente na carceragem da Polícia Federal. Ironia não falta: quem minou políticas públicas, ridicularizou medidas sanitárias, atrasou vacinas e estimulou aglomerações agora tem médicos de prontidão, supervisão constante e cuidados que boa parte do país jamais conheceu.

Durante a pandemia, milhares morreram sem ar em Manaus, famílias imploraram por atendimento, profissionais de saúde trabalharam até o limite humano e milhões convivem até hoje com sequelas graves. Tudo isso enquanto Bolsonaro patrocinava desinformação, desacreditava especialistas, promovia cloroquina como elixir milagroso e tratava o colapso como “mi-mi-mi”. A comparação entre sua atual mordomia e o abandono nacional que ajudou a provocar não exige esforço analítico — ela se impõe, cruel e evidente.

Mas o contraste vai além da saúde. O verdadeiro escândalo está no espanto de alguns ao ver Bolsonaro sendo tratado como o que é. Seu legado institucional é uma coleção de crimes políticos: ataques coordenados às instituições, tentativa de golpe, uso da máquina pública para perseguir adversários, estímulo à desordem, corrosão premeditada da confiança no processo eleitoral, manipulação das forças de segurança e construção de um ecossistema de mentira como arma política.

E ainda há quem tente lucrar politicamente com esse teatro. Tarcísio de Freitas, por exemplo — sempre pronto para interpretar o papel necessário ao público da vez — correu para denunciar injustiça. O homem que se apresenta como defensor da segurança jurídica quando quer agradar o mercado transforma a aplicação da lei em abuso quando atinge seu líder político. Uma incoerência que não surpreende, mas revela muito.

Bolsonaro nunca foi vítima. Foi sempre agente — e agente ativo — da intimidação, da quebra institucional e do caos planejado. Agora, diante da primeira consequência efetiva de seus atos, tenta vestir a fantasia de mártir. Mas não há narrativa religiosa que transforme descumprimento de cautelar em milagre. Não há retórica épica que transforme criminoso em perseguido. Não há cela arrumada que apague o rastro de destruição institucional que ele deixou.

Bolsonaro está preso — e, dadas as circunstâncias, ainda vive com mais conforto do que mereceria. O mínimo, absolutamente o mínimo, é chamá-lo pelo nome adequado: criminoso



Fonte:

iclnoticias.com.br/

Foto:pt.org.br


Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Raquel Lira em Bom Jardim

Em Bom Jardim, governadora Raquel Lyra autoriza início das obras da PE-088 e firma convênio para construção de duas escolas




Além dos anúncios, a chefe do Executivo estadual visitou o Parque da Pedra do Navio e a fábrica J. Confort durante a agenda no município.

Em mais um movimento para acelerar a interiorização das ações estaduais, a governadora Raquel Lyra anunciou, neste domingo (23), dois investimentos estratégicos para Bom Jardim. A chefe do Executivo estadual autorizou o início das obras de requalificação da PE-088, que receberá R$ 27,8 milhões, e confirmou a construção de duas escolas em tempo integral, fruto de convênio com a prefeitura. As iniciativas atendem demandas históricas e reforçam a presença do Estado no Agreste Setentrional. Durante a passagem pela cidade, a governadora também visitou o Parque da Pedra do Navio e a fábrica de estofados J. Confort.

“O povo de Bom Jardim sonhava com a PE-088 virando realidade. Essa obra foi prometida diversas vezes, mas será realizada pela nossa gestão. A requalificação da estrada vai ampliar o acesso a serviços essenciais, garantindo mais dignidade para o povo do Agreste. Só nesta região, já investimos mais de R$ 350 milhões em requalificação de vias. Atendendo a um pedido do prefeito, também estamos destinando quase R$ 10 milhões para a construção de duas escolas em tempo integral, cada uma com capacidade para cerca de 500 alunos. Nosso governo segue chegando a onde poucos chegaram, apoiando os municípios para que possam cumprir seu papel”, destacou a chefe do Executivo estadual.

Com 31 quilômetros de extensão, a PE-088 liga Bom Jardim à divisa com a Paraíba. A obra prevê serviços de reciclagem e restauração do pavimento, drenagem superficial e profunda, sinalização, instalação de defensas metálicas e ações de proteção ambiental, incluindo a revegetação de áreas degradadas.

O secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura, André Teixeira Filho, reforçou que, além de fortalecer a mobilidade regional, a requalificação da rodovia terá impacto direto na economia do Agreste Setentrional. “A estrada vai beneficiar diretamente os municípios de Orobó, João Alfredo e Salgadinho, que têm na PE-088 sua principal via de acesso, garantindo o escoamento da produção local e ampliando as conexões da região”, explicou o titular da pasta.

Na área da educação, foi anunciado a construção de duas escolas em tempo integral no município, por meio de convênio firmado com a prefeito, através do programa Juntos pela Educação. A unidade do distrito de Tamboatá já está em obras e deve ser concluída até o fim do próximo ano, enquanto a escola de Umari inicia sua construção nos próximos dias. Cada unidade receberá investimento previsto de R$ 4,7 milhões.

“A governadora tem a meta de gerar 15 mil novas vagas de ensino fundamental em tempo integral nos municípios. Os convênios firmados hoje vão justamente nesse sentido, ampliando a oferta para os estudantes e fortalecendo a educação em todas as etapas, da primeira infância até o ensino médio”, afirmou o secretário executivo de Educação, Nathanael Silva.

Para o prefeito de Bom Jardim, Janjão, o Estado tem retomado o protagonismo no apoio aos municípios por meio de entregas e políticas públicas estruturadas. “Além dos anúncios de hoje, que são muito importantes, já temos diversas parcerias. São ônibus escolares, cozinhas comunitárias, além de 700 mulheres beneficiadas pelo Mães de Pernambuco. É um compromisso da gestão estadual com o fortalecimento da educação e do desenvolvimento”, declarou o gestor municipal.

Ainda durante a visita ao município, a governadora esteve no Parque da Pedra do Navio, uma das principais atrações turísticas da cidade, e também nas instalações da fábrica J. Confort, empresa do setor de colchões e estofados que movimenta o polo industrial da região. As autorizações de início de obras foram oficializadas durante a inauguração da Arena Umariense Fábio Lima, em um momento que reuniu diversas outras ações da prefeitura.

Presente nas agendas, o deputado federal Fernando Rodolfo pontuou que o Governo de Pernambuco tem atuado de forma próxima e parceira com os municípios, atendendo às principais demandas da população. “Os investimentos feitos aqui hoje mostram que o relacionamento do governo com os prefeitos é algo que não se via em Pernambuco há muito tempo. Hoje temos uma gestão que dialoga, trabalha e resolve. Isso faz toda a diferença, não só para os prefeitos e prefeitas, mas para o cidadão que está na ponta”, afirmou.

Acompanharam a agenda o diretor-presidente do Departamento de Estradas e Rodagem de Pernambuco (DER), André Fonseca; os prefeitos Paquinha (Macaparana), Juliana de Chaparral (Casinhas), Joel Gonzaga (Feira Nova), Lidonaldo da Farinha (Frei Miguelino), Joia (Salgadinho), Dr. Histênio Sales (Vertente do Lério) e Zé Luiz (Lagoa do Carro). Também estiveram presentes os vice-prefeitos Dão da Lavanderia (Vertentes), Miltão Filho (Ribeirão) e Arsênio do Minério (Bom Jardim); o presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, além de vereadores, secretários municipais e outras lideranças da região.

Foto: Janaína Pepeu/Secom

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Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 16 de novembro de 2025

INFLUENCIADORES DIGITAIS E A CULTURA DE PERIFERIA






CANAL PRETO

Tendo transformado a paisagem das comunicações no Brasil das duas últimas décadas, a presença de influenciadores negros e negras na rede de computadores faria da centralidade conseguida a narrativas historicamente invisibilizadas ativo de reafirmação da trajetória político-intelectual da negritude que, no continente e na diáspora, memorializa feitos, glórias, dores, conquistas, resistências e protagonismos do grupo em distintos âmbitos da vida comunitária. Criativa a despeito da escassez feita compulsória, a cultura de periferia é laboratório de linguagens, de estéticas e de modos de consumo cuja força reverbera para além do território de pertencimento as lutas, os sonhos e as tecnologias sociais de uma juventude negra ansiosa por ver acolhidas sua potência e sua humanidade. Sem desprezar os efeitos do racismo algorítmico sobre a disputa simbólica por relevância digital e sobre a materialidade de lucros e de remunerações desiguais, admita-se, o compartilhamento de vivências e a aproximação de marcas de públicos antes marginalizados do grande consumo tensionam o mercado ao operar entre o rearranjo de imaginários coletivos a moldura de novos horizontes. O Canal Preto da semana discute o papel da influência digital periférica na reconfiguração do imaginário sobre as negritudes e na afirmação do pertencimento e da identidade negros entre distintas gerações. Fontes de pesquisa: TV Cultura, Digital Favela, Fala Roça e Folha de S.Paulo. AGRADECIMENTO O Canal Preto agradece aos convidados o apoio, a confiança e a partilha de conhecimento, pois suas falas são a maior referência utilizada na e para a construção de todo o conteúdo publicado ao longo da semana


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