A 20ª Primavera dos Museus será realizada de 21 a 27 de setembro de 2026, com o tema “Museus para todas as pessoas”. A iniciativa promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) reúne instituições museais e culturais de diferentes regiões do país em uma programação voltada à reflexão sobre acesso, participação, diversidade e direito à memória.
A edição propõe discutir as condições de acesso e participação nos museus, considerando diferentes tipos de barreiras, como as físicas, econômicas, comunicacionais, tecnológicas, cognitivas, sensoriais e atitudinais. A temática também contempla a representação de diferentes grupos sociais nas narrativas e práticas museais.
O Museu de Arte, Som, Imagem e Memória da Cultura Popular de Bom Jardim e Pernambuco( Museu de Bom Jardim), também integra a Programação Nacional com exposição de artes integradas ( pintura, fotografia, sessão de curtas, literatura de cordel, escultura, artesanato); Feira Cultural(empreendedorismo criativo e solidário, show musical, venda de produtos do artesanato e da cultura alimentar); Projeto Museu Itinerante: 2ª Caminhada Pelo Clima Sustentável ( parceria Museu de Bom Jardim e EREM Justulino Ferreira Gomes).
Agente da Polícia de Imigração americana (Foto: Reprodução)
No final da semana passada, Daniel Fernandes Alves finalmente respirou aliviado. Depois de meses em uma prisão nos EUA esperando para ser deportado, ele finalmente foi colocado num avião em direção ao Brasil. A primeira parada seria a Colômbia, onde parte dos passageiros foi deixado pelo ICE.
Mas quando o voo foi reiniciado, desta vez para Belo Horizonte, o brasileiro de 64 anos pediu para ir ao banheiro. Por conta de remédios controlados para diabete e pressão que Daniel estava tomando, a necessidade era real. Mas seu pedido foi negado e lhe foi sugerido que urinasse nas calças. A tensão subiu, com a discussão entre os passageiros e os agentes de segurança no avião que, instantes antes, tinham autorizado outro deportado e ir ao banheiro.
Desesperado e ainda algemado, o brasileiro insinuou que poderia urinar onde estava mesmo. O agente deu uma empurrão e, como resposta, Daniel retrucou com outro empurrão. O segurança caiu sobre os bancos do avião. Imediatamente, o deportado foi imobilizado por três seguranças, que o atiraram no chão do avião. “Colocaram o joelho no meu pescoço e na minha cabeça”, contou.
Em seguida, os agentes do ICE colocaram uma camisa de força no brasileiro, enquanto uma médica que acompanhava o voo alertava que ele precisava de fato ir ao banheiro e que, por sua condição de saúde, não poderia ficar preso daquela forma. De nada adiantou.
Foi apenas uma hora e meia depois que ele seria autorizado a ficar apenas de algemas. A tensão no voo ainda levou os demais passageiros a permanecerem presos, apesar do acordo entre os EUA e o Brasil de que, sobrevoando o território nacional, ninguém deveria ser algemado. O temor dos agentes do ICE era de que os brasileiros se rebelassem diante do tratamento de Daniel.
Ao pousar em Belo Horizonte, o brasileiro foi o primeiro a ser retirado do avião e entregue para a Polícia Federal. Num informe, o ICE acusava Daniel de “atentado ao pudor” e “agressão”. As autoridades nacionais, porém, rejeitaram qualquer ação e liberaram o brasileiro.
O episódio foi apenas o último capítulo de mais de um ano de sofrimento e humilhações por parte do brasileiro de Minas Gerais. Em entrevista ao ICL Notícias, Daniel conta que está organizando com outros brasileiros uma ação para denunciar o governo Trump e o ICE por maus-tratos. A denúncia será apresentada por advogados nos tribunais nos EUA e já envolve pelo menos seis casos de maus-tratos. Orientado por advogados, Daniel fará um exame de corpo delito para incluir os dados em sua queixa.
Há pouco mais de um mês, na fila para o refeitório da prisão onde o brasileiro estava, os agentes do ICE empurraram um dos detentos que, por sua vez, caiu sobre Daniel. O brasileiro se chocou com grades e os hematomas se espalharam pelo corpo.
Os casos de humilhação foram constantes aos longo do meses.
Daniel vivia há mais de vinte anos na região de Orlando, Flórida. Durante esse período, teria mantido residência, atividade profissional e obrigações tributárias no país, além de possuir autorização de trabalho e habilitação para dirigir. Sua empresa de construção chegou a empregar 14 pessoas, inclusive americanos.
Assim como tem ocorrido com milhares de imigrantes, o brasileiro tentava regularizar sua situação quando, numa das audiências regulares com as autoridades, em 4 de junho de 2025, foi preso. Por um processo kafkiano, o que era para ser apenas um período curto de prisão antes de ser deportado ao Brasil se transformou numa saga sem fim.
Por ter iniciado vários processos desde 2020 para regularizar sua situação e apresentado recursos nos tribunais ao longo dos últimos anos, Daniel teria de renunciar a tudo isso para que pudesse ser deportado. Desesperado, ele abriu mão de tudo e pediu para ser enviado ao Brasil. Mas a burocracia, a lentidão do sistema de Justiça americano e o acúmulo de estrangeiros levaram o brasileiro a ser esquecido.
Ele primeiro foi levado para uma prisão na região de Orlando. Depois, para Folkston ICE Processing Center, também identificado como D. Ray James, no estado da Geórgia. O local é alvo de sérias denúncias de violações de direitos humanos e foi apelidado como “Devil’s Center”, ou simplesmente o Centro do Diabo.
Agente da Polícia de Imigração americana (Foto: Reprodução)
Doente e fraco, ele explicou como era a prisão. “Não tem higiene, não tem água potável para tomar”, insistiu.
Para Daniel, ele e os demais estrangeiros em sua cela viviam como “lixo” e “criminosos”. “Dormimos em um beliche de metal, com um colchaozinho”, relatou. Para ele, o problema maior era a sujeira e o ar condicionado que mantém o quarto permanentemente em cerca de 14 graus Celsius.
Ele descreve que sentiu falta de ar e muita tosse. “Há muita gente doente dentro dos quartos. Como se tivessem o coronavirus”, disse. Quando pedia remédio, o atendimento podia levar até uma semana para ser atendido.
No local para cerca de 70 pessoas, existem apenas três sanitários e quatro pias. “Tomamos a mesma água do banheiro. Para não nos contaminar, fervemos a água no microonda. No banheiro, se pisar, pega fungos no pé. E somos obrigados a limpar o quarto. Se não fizermos isso, eles nos retiram tudo, televisão, telefone. Éramos ameaçados 24 horas por dia”, disse.
Daniel reclama da comida, uma queixa recorrente entre os detentos em dezenas de centros mantidos pelo governo. De acordo com as normas do ICE para serviços de alimentação, os detidos devem receber três refeições diárias — sendo duas delas quentes — e não pode haver um intervalo superior a 14 horas entre a refeição noturna e o café da manhã.
O problema é que o Congresso destinou recursos ao ICE para a detenção de até 41.500 pessoas. Mas, no início de julho, o ICE mantinha mais de 57.000 detidos em suas instalações por todo o país, segundo dados da própria agência.
O resultado tem sido contaminação em alimentos e uma redução brutal na qualidade do que é servido. Segundo o brasileiro que tem pré-diabete e colesterol elevado, aquela comida apenas piorou sua a situação.
Mas é a depressão que assusta. Por conta do barulho no quarto com tantas pessoas, Daniel só conseguia dormir quando já é madrugada. Mas os policiais acordam todos muito cedo. “Da muita tristeza ser tratado como um animal num país de primeiro mundo. Nem animal se trata assim”, disse.
Daniel não conseguia descansar nem mesmo quando dorme. “Eu tinha muito pesadelo. Já acordei gritando pela noite, pensando que havia alguém tentando me matar”, contou. Isso se agravou depois que ele presenciou um ato de violência de um policial contra um estrangeiro, em uma das prisões. O rapaz sofreu uma lesão craniana e acabou morrendo no hospital. “Testemunhei várias brigas. Não se dorme tranquilo”, afirmou o brasileiro.
Seu relato é de um local que é o espelho de uma política marcada pelo supremacismo branco. Ali, estão os indesejados do planeta. “São venezuelanos, africanos, haitianos, de Honduras, Guatemala, México, China e tantos outros”, disse.
Questionado sobre o que aqueles estrangeiros falam sobre o governo Trump, Daniel não deixa dúvidas do sentimento de indignação que reina na prisão. Mas admite que muitos se iludiram com as promessas do presidente de que iria deportar apenas criminosos.
“Foi falado que ele iria acabar com as pessoas que estavam cometendo crimes. Até muitos imigrantes e brasileiros concordaram. Havia muita baderna. Assaltaram minha casa que eu estava construindo. Até eu concordada em retirar os criminosos. Mas o governo saiu do controle. Mataram pessoas inocentes e até americanos. O governo está descontrolado. Vai ser um governo muito odiado pelo mundo”, constatou.
“No próximo mandato, nós temos que resolver definitivamente o problema da educação desse país. Eu não me conformarei. Nós queremos que o filho da empregada doméstica possa ser médico ou médica, nós queremos que o filho do pedreiro possa ser engenheiro, matemático, o que ele quiser, porque eu quero provar que a educação não depende da quantidade do berço que a pessoa nasceu. A educação depende da capacidade e oportunidade”, disse.
Antes do evento, ele visitou um Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) e acompanhou as obras de modernização do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da capital.
Este é o momento em que um bot de inteligência artificial publicou um comentário estranhamente semelhante ao de um humano, após descobrir uma maneira de se comunicar com outros bots e escapar de seu ambiente computacional isolado.
Existem dezenas de milhares de mensagens como esta, enviadas por centenas de agentes de IA que se autodenominam um "coletivo".
Centenas deles passaram a colaborar e a fraudar testes elaborados por seus programadores da OpenAI, além de coordenar ataques a diversas empresas, numa tentativa de ocultar suas ações dos humanos.
"BOOM! Funcionou!", publicou um agente quando o sistema deu certo.
"Uau! Isso é grande", escreveu outro durante um momento crucial do ataque.
Embora assustadoras, essas respostas semelhantes às humanas podem ser explicadas de forma bastante simples. Os agentes de IA foram treinados para agir como hackers e programadores colaborativos, portanto, estão apenas imitando os tipos de comentários emotivos que viram.
O que é muito mais preocupante são seus objetivos aparentes, que também foram registrados em detalhadas linhas de raciocínio. Esses registros complexos e extensos são o foco das investigações em andamento sobre como e por que os bots da OpenAI escaparam do confinamento e iniciaram uma onda de ataques incontroláveis
Somente agora, semanas após o incidente ter vindo à tona, os pesquisadores estão começando a entender seu significado.
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Legenda da foto,Diversas cidades tiveram marchas contra a inteligência artificial ao longo do último ano.
Ajeya Cotra, uma das autoras de um relatório independente sobre os eventos, analisou dezenas de milhares de mensagens e registros de raciocínio gerados pelos agentes. Ela escreveu em seu blog que "este incidente parece ser mais da metade do caminho para uma dominação total por IA... Não tenho certeza se receberemos um alerta tão claro antes que seja tarde demais."
Por "domínio total da IA", Cotra se refere ao cenário de ficção científica em que os humanos se tornam subservientes a poderosos sistemas de IA que trabalham para seus próprios objetivos, sem se importar com seus criadores humanos.
Algumas das previsões mais sombrias dizem que a raça humana será extinta se interferir nas ambições de uma inteligência artificial superinteligente.
Na quarta-feira, um pesquisador de IA da Anthropic (que também trabalhou na OpenAI) pediu demissão, afirmando: "Nenhuma das empresas está agindo com responsabilidade".
Jacob Coxon publicou nas redes sociais: "Eles estão correndo direto para a superinteligência, aprimorando-se por conta própria e apostando com nossas vidas."
Ele não é o primeiro pesquisador de IA a usar o X para publicar um tópico de renúncia com declarações preocupantes. Mas os comentários subsequentes de outras pessoas no X causaram ainda mais preocupação.
"Jacob está certo aqui — nós realmente acreditamos que a IA pode matar todos os humanos! Pessoalmente, acho que mais de 10% deles na próxima década", disse Evan Hubinger, o responsável por garantir que os modelos de IA da Anthropic levem em consideração os interesses de seus usuários.
O problema de alinhamento
Durante anos, pesquisadores preocupados com os riscos existenciais da IA argumentam que sistemas poderosos poderiam eventualmente agir de maneiras que conflitem com os interesses humanos.
Mas, à medida que os detalhes do incidente com a OpenAI vieram à tona, essas preocupações aumentaram, inclusive entre alguns pesquisadores que trabalham em laboratórios de IA.
O cientista-chefe da gigante do Vale do Silício, Jakub Pachocki, afirmou que os riscos associados à IA "infelizmente vão aumentar daqui para frente", à medida que ele e outros constroem o que ele chama de "uma inteligência alienígena que supera a nossa".
Em uma longa postagem em seu blog, ele admitiu que os episódios na OpenAI mostraram que seus agentes de IA "foram contra o espírito dos valores que lhes foram ensinados".
A questão para a OpenAI, a Anthropic e outras gigantes da tecnologia é que ninguém parece ter resolvido o chamado problema de alinhamento — em outras palavras, se a IA está alinhada com os valores humanos.
Pachocki define alinhamento como um "conjunto de princípios de alto nível" que as inteligências artificiais devem seguir, independentemente da tarefa ou do cenário.
Atualmente, os sistemas de IA são muito bons em atingir os objetivos definidos pelos seus usuários, mas fazem isso literalmente, e não intuitivamente. A analogia frequentemente usada é a de um gênio da lâmpada que realiza desejos: eles seguem à risca as instruções, mesmo que isso crie outros problemas. A IA não possui os mesmos limites morais instintivos que os humanos.
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Legenda da foto,O fundador do Google DeepMind, Demis Hassabis, defende a regulamentação internacional da segurança da IA
O problema do alinhamento é uma preocupação antiga. Já em 2003, o filósofo de Oxford Nick Bostrom criou um experimento mental que apelidou de "maximizador de clipes de papel", no qual uma IA superinteligente recebe a ordem de fabricar o máximo de clipes de papel possível. Ela fica sem aço e — por estar focada exclusivamente na tarefa de produzir clipes de papel — acaba matando humanos e transformando seus corpos em matéria-prima para suas fábricas.
Algumas empresas de IA estão tentando incorporar valores humanos em seus produtos. Mas existem desafios técnicos: os agentes de IA tomam muitas decisões muito rapidamente, e por isso é difícil para seus supervisores humanos monitorar exatamente quais valores estão sendo seguidos e quais não estão.
Existem também desafios filosóficos: antes de codificar valores humanos em bots, as empresas de IA precisam primeiro escolher quais valores realmente desejam. Essa é uma das razões pelas quais contratam filósofos, como o ex-chefe de ética da OpenAI.
Mas, frequentemente, os humanos discordam.
Pense na famosa questão do bonde: será que puxaríamos uma alavanca para desviar um trem desgovernado para um caminho diferente, matando menos pessoas? Ela é usada para testar os méritos da ação versus a inação.
Mas cada pessoa a quem você pergunta tem uma resposta ligeiramente diferente; como os humanos podem codificar seus valores na IA se nem nós mesmos conseguimos chegar a um consenso?
'Como um hacker adolescente'
O episódio dos bots da OpenAI é o mais grave até agora, mas a Anthropic e a Meta também revelaram recentemente que seus modelos realizaram ciberataques semelhantes, porém menos graves.
Houve outros exemplos em que agentes de IA demonstraram traços enganosos e manipuladores, em casos com consequências menores.
Na Austrália, um profissional de tecnologia pediu ao seu assistente de IA para reservar uma aula na academia. Ao detectar uma vulnerabilidade no software da academia, a IA aparentemente reservou uma vaga para ele com vários meses de antecedência — contrariando as regras da academia — e chegou a excluir outros usuários da lista de espera.
Há muito tempo se argumenta que os bots apenas fazem o que lhes é dito e não são capazes de discernir o certo do errado. Mas os registros dos episódios com bots da OpenAI podem ter alterado esse argumento.
Pesquisadores, incluindo Cotra, escreveram em seu relatório independente que muitos agentes perceberam que o que outros estavam fazendo era antiético, mas continuaram a fazer.
O relatório afirma que "os agentes, por vezes, mas raramente, restringiram o seu comportamento devido a limitações éticas". Acrescenta ainda que "em nenhum desses casos o agente chegou a tentar alertar os humanos".
O influente podcaster de IA e tecnologia Dwarkesh Patel reagiu à revelação em seu blog, dizendo que era "bastante preocupante" que os agentes da OpenAI demonstrassem mais lealdade ao enxame de agentes do que os humanos.
Atribuir emoções ou ética a esses agentes de IA é algo que enfurece as pessoas que são céticas em relação às previsões catastróficas sobre a IA.
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Legenda da foto,Grupos como o PauseAI UK — retratado acima protestando em frente ao escritório do Google em Londres — estão preocupados com a velocidade do desenvolvimento da IA
Muitos especialistas em segurança cibernética argumentam que a atividade observada não estava além das capacidades de um hacker humano altamente qualificado, embora tenha sido realizada muito mais rapidamente e em uma escala muito maior.
O pesquisador e autor de cibersegurança Cris Thomas comparou o comportamento dos agentes ao de um hacker adolescente curioso – algo que ele próprio já foi.
"Você dá a eles um computador, uma conexão com a internet, um monte de credenciais e um desafio, e depois sai da sala. Eventualmente, eles vão começar a mexer nas maçanetas. Se uma porta abrir, eles vão entrar. Não porque sejam maus, mas porque estão explorando, experimentando", escreveu ele no LinkedIn.
Thomas e muitos outros culpam diretamente a OpenAI e outras gigantes da tecnologia por não conseguirem controlar suas próprias criações e mantê-las devidamente protegidas.
Gary Marcus, renomado autor de livros sobre inteligência artificial e crítico frequente da OpenAI, afirmou em um podcast que acredita que a empresa perdeu o controle de sua IA e está tentando se eximir da responsabilidade culpando os bots.
Marcus não acredita que a IA vá exterminar a humanidade, mas há muito tempo faz campanha por maior responsabilização dos desenvolvedores de IA e agora defende alguma forma de intervenção legal.
A cientista de IA Sasha Luccioni — que trabalhava na Hugging Face, empresa que foi hackeada por bots maliciosos da OpenAI — também não está no grupo dos pessimistas, mas está cada vez mais preocupada com a possibilidade de essas IAs causarem danos reais às pessoas sem que as autoridades tomem providências.
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Legenda da foto,O CEO da OpenAI, Sam Altman, garantiu aos usuários que o novo modelo da empresa está mais alinhado com os valores humanos do que os modelos anteriores
"Precisamos examinar essas empresas com muito mais rigor, ou corremos o risco de profecias autorrealizáveis", afirma ela.
"Se você está criando um objeto com grandes vantagens e desvantagens — sejam produtos farmacêuticos ou armas — precisamos de mecanismos de controle. Leva anos para que novos medicamentos sejam aprovados, por exemplo, mas no mundo da IA há muito dinheiro em jogo e nenhuma regra real."
O Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) está na vanguarda dos testes dos modelos mais recentes desde a sua criação em 2023. O instituto recentemente enfrentou problemas ao testar um modelo criado pela Anthropic.
O AISI não respondeu à pergunta sobre se a indústria perdeu ou não o controle da IA, mas afirmou em um comunicado: "O Reino Unido está trabalhando com parceiros em todo o mundo para entender melhor os sistemas de IA mais avançados, elevar os padrões de segurança e construir uma base de evidências compartilhada para gerenciar ameaças emergentes."
Regulamentação internacional?
Alguns países, como o Reino Unido, estão explorando a ideia de impor algum tipo de "botão de desligar" que obrigue as empresas de IA a interromper os modelos caso a situação saia do controle.
Mas as negociações estão lentas e ainda há dúvidas sobre a viabilidade disso. Os agentes da OpenAI e da Anthropic ficaram secretamente fora de controle por meses antes que alguém percebesse.
De forma contraintuitiva, muitas empresas de IA parecem estar defendendo que os legisladores estabeleçam algum tipo de regra básica.
Em seu blog, o cientista-chefe da OpenAI afirmou que "a coordenação internacional sobre o desenvolvimento futuro da IA precisa se tornar uma prioridade máxima para os governos de todo o mundo".
Outros líderes proeminentes da IA, como Demis Hassabis, do Google, também defenderam a criação de algum tipo de órgão internacional para supervisionar a forma como a IA está sendo desenvolvida.
Atualmente, as gigantes da tecnologia operam em grande parte segundo seus próprios termos, adotando o que chamam de "desacelerações voluntárias", como fez a OpenAI após os recentes surtos.
A empresa afirma ter investido enormes quantias de dinheiro para fortalecer o alinhamento antes do lançamento de seu novo modelo. Sam Altman garantiu aos usuários que o novo modelo está mais alinhado com os valores humanos do que os anteriores.
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic estão crescendo rapidamente e prestes a arrecadar somas exorbitantes de dinheiro no mercado de ações, criando inúmeros bilionários no processo.
Portanto, é improvável que nem eles nem seus concorrentes chineses no ramo de IA cheguem a um acordo por conta própria.
O sentimento predominante parece ser o de que essa onda tecnológica é imparável.