sexta-feira, 3 de abril de 2026

Paixão de Cristo: como foi a morte de Jesus, segundo a ciência



Vitral ilustrando o Batismo de Jesus. A figura central de Jesus está nas águas azuis do Jordão, enquanto João Batista, vestido com peles de animais, realiza o rito. Três anjos alados com vestes brancas aguardam à esquerda, e uma pomba, representando o Espírito Santo, desce de uma luz divina acima. A obra de arte em arco apresenta cores ricas e vibrantes e a tradicional escrita Ge'ez na base.

Crédito,Getty Images

    • Author,Edison Veiga
    • Role,De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

Religiosidade à parte, poucos duvidam que tenha vivido há 2 mil anos um homem chamado Jesus, em parte do que hoje é Israel.

E que ele foi um judeu dissidente que acabou liderando um grupo de seguidores. Sua atuação acabou incomodando o Império Romano. E, às vésperas da Páscoa judaica, ele acabou condenado, torturado e morto por crucificação — uma prática de pena capital comum na época.

Depois de sua morte, seguidores se encarregaram de espalhar seus ensinamentos. Terminava a história e começava o mito, a religião, a teologia.

Essa transição ocorreu principalmente graças a um profícuo escritor da época, pioneiro da Igreja Cristã e autor de muitos textos que hoje estão na Bíblia: Paulo de Tarso (c. 5-67). Na década de 50 do primeiro século da nossa era, cerca de 20 anos depois da morte de Jesus, ele produziu sete cartas cujos textos sobreviveram ao tempo.

"Nessas cartas reparamos que há uma mudança de enfoque. Paulo não mais trabalha com o Jesus histórico, ele trabalha com o Jesus da fé", explica o historiador André Leonardo Chevitarese, autor de, entre outros, Jesus de Nazaré: Uma Outra História, e professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


Diante disso, a primeira conclusão é que, desconsiderando a religiosidade decorrente da figura de Jesus, ele foi um condenado político.

"Jesus histórico conheceu uma morte política. Religião e política são coisas muito unidas, principalmente quando estamos tratando de uma liderança popular", acrescenta Chevitarese.

"Não há como separar as andanças [de Jesus] como algo só político ou só religioso. As fronteiras são muito fluidas. E isso acaba sendo chave para compreender o movimento de Jesus com Jesus [ainda vivo] e o movimento de Jesus sem Jesus [depois da morte dele, com as pregações dos primeiros seguidores]."


Paixão e morte


A morte na cruz, cujo simbolismo acabou se confundindo com a própria religiosidade cristã, não era um acontecimento raro naquela época.

"A crucificação era a pena de morte usada pelos romanos desde o ano 217 a.C. para escravos e todos aqueles que não eram cidadãos do Império", explica o cientista político, historiador especializado em Oriente Médio e escritor italiano Gerardo Ferrara, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma.

"Era uma tortura tão cruel e humilhante que não era reservada a um cidadão romano. Era precedida pelo açoite, infligido com vários instrumentos, conforme a origem e a proveniência social dos condenados."


"A crucificação não foi invenção romana mas estava amplamente disseminada no Império Romano. Fazia parte de uma rotina dentro dos territórios que hoje chamamos de Israel", pontua Chevitarese. "Mais ou menos uns 40 anos depois da morte de Jesus, quando houve a tomada de Jerusalém, milhares de judeus foram crucificados."

Obra de Jesus sendo erguido na cruz, de Rubens

Crédito,Domínio Público

Legenda da foto,A crucificação não foi invenção romana mas estava amplamente disseminada no Império Romano, diz pesquisador. Acima, obra de Jesus sendo erguido na cruz, de Rubens

Os Evangelhos dedicam-se também a narrar as últimas horas de Jesus, detalhando seu sofrimento. De acordo com as escrituras sagradas, ele teria sido levado de uma instância a outra nessas horas de julgamento, com certa hesitação entre as autoridades. Chevitarese diz que historicamente isso não pode ser verdade.

Isto porque, a julgar pelos relatos, Jesus foi morto na antevéspera da Páscoa judaica. "A festa da Páscoa é uma festa política, pois é quando se celebra a passagem da escravidão para a liberdade, a saída do povo hebreu do Egito para a 'terra onde corre o leite e o mel'", lembra o historiador.

"Então imaginemos: uma cidade abarrotada de judeus, como a autoridade romana vai botar um judeu para carregar uma cruz pela cidade, no meio de tantos judeus? Seria um convite à rebelião. Com uma pessoa como Jesus ninguém poderia perder tempo. Foi pego e imediatamente crucificado."

Para Chevitarese, os relatos que existem dando conta de acontecimentos entre a prisão de Jesus, na madrugada de quinta para sexta, e sua crucificação, horas mais tarde, não são históricos; são teologia.

Alguns dias antes, no que acabou se eternizando como Domingo de Ramos, Jesus tinha entrado em Jerusalém. Foi uma rara aparição dele em uma grande cidade, o que teria transformado-o em alvo fácil das autoridades.

Mas por que ele incomodava? Porque liderava um grupo justamente proclamando um novo reino, o Reino dos Céus, ou reino de seu pai. E seu discurso era de um reino diametralmente oposto ao Império Romano, segundo quatro pilares básicos. "Ele se torna messias por conta dessa ideia", defende Chevitarese.

O primeiro pilar do reino defendido por Jesus era a justiça. Não qualquer justiça, mas a justiça divina. "E ele se referia a Deus como papai, seu pai celestial. Essa justiça tão equilibrada, era claro, se opunha a outro reino, aquele que já estava instalado e que controlava a Judeia: o dos romanos", compara o historiador. "Ele está dizendo: aqui no meu reino tem justiça; o do César é o reino da injustiça."

O segundo ponto é que Jesus proclamava um reino de paz, também em oposição ao estado bélico do governo imposto pelos romanos, um império que avançava sobre outros povos.

O terceiro pilar é comensalidade: comida, bebida, fartura na mesa dos pobres, dos camponeses. "O grupo que acompanhava Jesus ouvia sua pregação e, de alguma maneira, achava interessante o que ele estava dizendo", diz Chevitarese. Por fim, Jesus falava de um reino de igualdade, com a coparticipação de todos. "O ministério de Jesus é de homens e mulheres, iguais", nota o historiador.

"O importante é que [nesses discursos] política, religião, economia, sociedade, tudo isso se inseria num programa messiânico. Não estava claro onde começava a política e terminava a religião, nem onde terminava a religião e começavam as questões sociais. Tudo estava interligado", completa.

"Jesus morre por causa de um reino, o reino de Deus. Esse é o movimento de Jesus com Jesus. A geração seguinte, o movimento de Jesus sem Jesus, ressignifica a morte dele como uma morte sacrificial, que ganha dimensão estritamente religiosa."

As autoridades romanas que serviam na região já estavam mapeando os movimentos de Jesus. E encontraram a oportunidade perfeita quando ele resolveu entrar em Jerusalém. "Viram-no criando confusão no templo, às vésperas da Páscoa, com a cidade cheia de judeus vindos das mais diferentes regiões e pensaram: rapidamente esse homem tem de ser preso, crucificado", diz o historiador.

Cristo retratado em obra de Ticiano

Crédito,Domínio Público

Legenda da foto,Discurso de Cristo era de um reino diametralmente oposto ao do Império Romano; acima, ele retratado em obra de Ticiano

"Todos os evangelistas concordam em situar a morte de Jesus em uma sexta-feira, dentro do feriado da Páscoa", comenta Ferrara. Autor do livro Vita di Gesù Cristo, o padre, biblista e arqueólogo italiano Giuseppe Ricciotti (1890-1964) reuniu várias informações históricas, cruzou-as e concluiu que o mais provável é que a execução tenha ocorrido no equivalente ao 7 de abril do ano 30.

A morte na cruz

Eram três as maneiras de se executar um condenado na Roma antiga. Segundo explica Chevitarese, um objetivo as unia: não permitir a preservação de vestígios de memória — em outras palavras, impossibilitar que restos mortais fossem sepultados.

Geralmente aos circos romanos eram destinados os condenados por crimes como assassinato, parricídio, crimes contra o Estado e estupros. Na arena, esses criminosos enfrentavam feras até a morte — seus restos eram devorados pelos bichos. Uma segunda forma de execução era a fogueira, que também não deixava muitos resíduos do corpo.

A crucificação era a pena destinada a escravos que atentavam contra a vida dos seus senhores e aqueles que se envolviam em rebeliões. Além de todos os que não eram cidadãos romanos, caso de Jesus. "Ainda vivos, na cruz, aves de rapina já começavam a comer o condenado. Três ou quatro dias depois, a carne desse indivíduo, apodrecendo, caía da cruz e cães e outros animais terminavam de fazer o serviço", contextualiza Chevitarese.

No início dos anos 2000, o médico legista norte-americano Frederick Thomas Zugibe (1928-2013), professor da Universidade de Columbia e ex-patologista-chefe do Instituto Médico Legal, fez uma série de experimentos com voluntários para monitorar os efeitos que uma crucificação teria sobre o corpo humano. Os resultados foram publicados no livro A Crucificação de Jesus.

Para seus estudos, ele utilizou uma cruz de madeira com 2,34 metros na vertical e 2 metros na horizontal. Indivíduos — todos adultos jovens, na faixa dos 30 anos — foram suspensos nela e tiveram suas reações monitoradas eletronicamente, com eletrocardiograma, medição de pulsação e aferição de pressão sanguínea.

Atados assim, os voluntários não conseguiam encostar as costas na cruz e relataram fortes cãibras causadas pelo desconforto da posição, além de formigamentos constantes nas panturrilhas e nas coxas.

Na época de Jesus diferentes formas de cruz eram utilizadas nas execuções. As principais eram a em forma de T e a em forma de punhal. Não há consenso entre pesquisadores sobre qual teria sido a utilizada por Jesus. Ferrara acredita que teria sido a segunda.

Crucificação retratada pelo artista Rubens

Crédito,Domínio Público

Legenda da foto,"Detalhes da punição são confirmados pelo uso romano e por documentos históricos: os condenados eram amarrados ou pregados no patíbulo com os braços estendidos e erguidos no mastro vertical já fixado"; acima, crucificação retratada pelo artista Rubens

Para o médico Zugibe, Jesus carregou, em seu caminho até o local da execução, apenas a parte horizontal. Ele escreveu que a estaca vertical costumava ser mantida no local das crucificações, fora da cidade.

E baseou-se no fato de que a parte horizontal pesava cerca de 22 quilos. A soma de ambas as partes tinha entre 80 e 90 quilos, o que tornaria impossível de ser carregada em uma longa caminhada — que, conforme seus estudos, teria sido de 8 quilômetros no caso de Jesus.

"Detalhes da punição são confirmados pelo uso romano e por documentos históricos: os condenados eram amarrados ou pregados no patíbulo com os braços estendidos e erguidos no mastro vertical já fixado", esclarece Ferrara.

"Os pés eram amarrados ou pregados, por outro lado, ao poste vertical, sobre o qual uma espécie de assento de apoio se projetava na altura das nádegas. A morte era lenta, muito lenta, e acompanhada por um sofrimento terrível. A vítima, levantada do solo a não mais de meio metro, estava completamente nua e podia ficar pendurada por horas, senão dias, sacudida por espasmos de dor, náuseas e a impossibilidade de respirar corretamente, já que o sangue nem sequer podia fluir para os membros que estavam tensos a ponto de exaustão."

O que é um entendimento quase unânime entre os pesquisadores é que as cravas eram pregadas nos pulsos, e não nas palmas das mãos — por conta da compleição óssea, as mãos "se rasgariam" com o peso do corpo. "A estrutura das mãos e a ausência de ossos importantes impediriam o suporte de um peso tão grande e a carne das mãos seria dilacerada", ressalta Ferrara.

O médico Zugibe concluiu que os pregos tinham 12,5 centímetros de comprimento. Ele defendia que Jesus tinha sido pregado, sim, nas mãos, mas não no centro da palma e sim pouco abaixo do polegar. Já suspenso na cruz, os pés de Jesus também foram fixados com cravas — segundo o médico, um ao lado do outro, e não sobrepostos como o imaginário consagrou. Essas perfurações, por atingirem nervos importantes, teriam sido causadoras de dores insuportáveis e contínuas.

"Quanto tempo um indivíduo leva para morrer assim? Morre-se de cãibra, que vai atrofiando seus músculos e levando-o a morrer por falta de ar, com muitas dores, dores gigantescas no corpo todo", narra Chevitarese. Ferrara, por sua vez, defende que Jesus tenha morrido por infarto do miocárdio, em decorrência do esforço exaustivo.

Por meio de seus experimentos, Zugibe analisou as três hipóteses mais aceitas para a morte de Jesus: asfixia, ataque cardíaco e choque hemorrágico. Sua conclusão é que Jesus teve parada cardíaca em virtude da hipovolemia, ou seja, a diminuição considerável do volume sanguíneo depois de toda a tortura e das horas pregado na cruz. Teria morrido, portanto, de choque hemorrágico.

"[A morte na cruz] é uma morte de violência física absurda. O tempo dependia das condições físicas em que se encontrava o crucificado. Se a tortura anterior tivesse sido muito intensa, isso de certa forma poderia fazer com que ele morresse mais rápido", diz Chevitarese. Ferrara acredita que "a agonia de Jesus não tenha durado mais do que algumas horas, talvez até menos do que duas, provavelmente devido à enorme perda de sangue devido à flagelação [anterior]".

Torturas

'A flagelação de Cristo', de Caravaggio

Crédito,Domínio Público

Legenda da foto,A morte na cruz é uma morte de violência física absurda, lembra pesquisador. Acima, 'A flagelação de Cristo', de Caravaggio

Se o condenado à morte de cruz era visto pelos romanos como parte de uma "escória", um não cidadão considerado criminoso e oriundo dos estratos sociais mais baixos, é de se supor que os carrascos não poupassem esses indivíduos de toda sorte de agressões. Para tanto, o instrumento utilizado na tortura era um chicote específico chamado de azorrague.

No caso de Jesus, Ferrara acredita que tenha sido utilizado um com bolas de metal com pontas feitas de osso, capaz de rasgar a pele e arrancar pedaços de carne. "Justamente por ele ser um 'criminoso' de baixa classe social e de origem não nobre, no caso um judeu de pequena província oriental do império", justifica ele.

De acordo com as pesquisas realizadas pelo médico Zugibe, o modelo de chicote utilizado para o açoitamento de Jesus era feito com três tiras. Condenados assim costumavam receber 39 golpes com o instrumento — na prática, portanto, era como se fossem 117 chibatadas, já que essas pontas feitas de osso de carneiro funcionavam como objetos perfurocortantes.

Isso, segundo explicações do médico, resultaria em tremores e até desmaios, e um quadro de hemorragias intensas, danos no fígado e no baço e acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões.

No caminho até o local de crucificação, não havia limites para as torturas. Eram espancados, ridicularizados, vítimas de intensa violência. Relatos bíblicos afirmam que, por sarcasmo, uma coroa de espinhos teria sido cravada na cabeça de Jesus.

Zugibe queria descobrir qual era a planta utilizada para a tal coroa. Depois de entrevistar botânicos e estudiosos de biomas do Oriente Médio, chegou a duas possíveis espécies que seriam capazes de fornecer espinhos grandes o suficiente. Conseguiu as sementes e cultivou ele próprio as árvores para, depois, analisá-las.

Acabou concluindo que foram utilizados ramos de uma árvore conhecida como espinheiro-de-cristo-sírio. Segundo o legista, os ferimentos causados por esse espinho na cabeça seriam capazes de, mais do que provocar intenso sangramento na face e no couro cabeludo, atingir nervos da cabeça — causando dores imensas.

Sepultamento

Chevitarese defende que a crucificação de Jesus, ao contrário do que narra a Bíblia, tenha ocorrido longe de testemunhas oculares, justamente porque tudo teria sido feito rapidamente e de modo a não provocar uma revolta da população.

E que, também ao contrário do relato religioso, não houve sepultamento de Jesus, tampouco restos mortais preservados. "Crucificados não eram enterrados. Ficavam na cruz e, ainda vivos, aves de rapina já sabiam que eles não podiam se mexer. E comiam olhos, nariz, bochecha, aquilo ficava abarrotado de aves de rapina comendo o corpo ainda vivo", explica ele.

"[O corpo] passava alguns dias ali, quatro, cinco dias, pendurado. A carne começava a apodrecer. Caía. Despencava. Cães e outros animais se aproveitavam desses restos humanos para fazer seu banquete", relata.

Para ele, o que prova essa tese é que milhares de escravos foram crucificados no período e não há registros de cemitérios ou mesmo de ossadas descobertas dos mesmos. "Historicamente, crucificado não era enterrado", crava. "Teologicamente, é claro que Jesus precisava ser enterrado — para depois ressuscitar."

Esta reportagem foi publicada originalmente em abril de 2021 e republicada em março de 2026


Fonte: BBC
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Pé-de-Meia reduz abandono escolar no Ensino Médio em 43% em dois anos




Por Daniella Almeida — Agência Brasil 

Desde a sua criação, há dois anos, o Programa Pé-de-Meia reduziu o abandono escolar no Ensino Médio em 43%. Em 2024, a taxa de evasão era de 6,4% e caiu para 3,6% no ano passado.

O anúncio foi feito pelo ministro da Educação (MEC), Camilo Santana, acompanhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã desta quarta-feira (1º), em Fortaleza, durante a cerimônia de inauguração da primeira fase das obras do campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará.

O presidente Lula afirmou que seu governo tem feito investimentos no setor da educação que não vinham sendo priorizados em gestões anteriores.

“Na história da humanidade, nenhum país se desenvolveu no planeta Terra sem antes investir na formação do seu povo, que dá conhecimento, cidadania e, inclusive, dá soberania.”

O Pé-de-Meia funciona como uma poupança para incentivar a permanência de jovens nos estudos até a conclusão do Ensino Médio. O ministro da Educação — que deixará o cargo até sábado (4) para concorrer nas eleições de outubro — reforçou que o objetivo é que nenhum aluno fique fora da escola pública em todo o país.

Camilo Santana destacou a importância do incentivo financeiro na queda de quase metade do número de estudantes que abandonam os estudos antes de concluírem a educação básica.

“Os alunos do Pé-de-Meia sabem o que significa o programa. Muitos colegas [deles] tiveram que abandonar a escola para ajudar no orçamento familiar e melhorar a vida de seus pais.”

Efetividade

O MEC também afirma que o Pé-de-Meia é responsável pela redução da taxa de reprovação escolar em 33% no mesmo período (2024 e 2025).

O ministro da Educação também comemorou a queda de 27,4% do atraso escolar (distorção idade-série).

“Isso significa que o aluno está passando de ano. Somente no 3º ano do Ensino Médio, a distorção idade-série dos alunos caiu 63%.”
Pé-de-Meia

Desde sua criação, o Pé-de-Meia já beneficiou 5,6 milhões de estudantes, o que corresponde a mais da metade (54%) do total de alunos do Ensino Médio público do país.

Confira o número de beneficiários por unidade da federação.

O investimento do governo federal na chamada Poupança do Ensino Médio totalizou R$ 18,6 bilhões ao longo dos anos letivos de 2024 e 2025.

Poupança

O Ministério da Educação esclarece que a participação no Pé-de-Meia ocorre de forma automática para os estudantes matriculados na rede pública de saúde e com inscrições ativas no Cadastro Único (CadÚnico).

Considerando todas as parcelas de incentivo, os depósitos anuais e o adicional de R$ 200 pela participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os valores do Pé-de-Meia podem chegar a R$ 9,2 mil por aluno.

O estudante pode consultar os status de pagamentos (rejeitados ou aprovados), informações escolares e regras do programa na página eletrônica do Pé-de-Meia, com login da plataforma digital Gov.br.

Se precisar de ajuda, o estudante ainda conta com outros canais de atendimento, como o Fale Conosco, no telefone 0800-616161



Fonte: Agencia Brasil / iclnoticias.com.br
Foto por Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 1 de abril de 2026

José Dirceu derrota discurso de Flávio Bolsonaro, Jovem Pam e da direita brasileira. "O Brasil não quer guerra, o Brasil quer Lula para enfrentar a realidade que estamos enfrentando no mundo de hoje"





Foto: GovBR. / Divulgação.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

Estados Unidos contra Trump: Drone mostra a gigantesca marcha contra Trump tomou as ruas de Nova York. Assista!





Chocante! Drone mostra a gigantesca marcha contra Trump tomou as ruas de Nova York
MídiaNINJA


Imagem BBC Brasil

Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 31 de março de 2026

Paulo Vieira ironiza ‘PowerPoint do Vorcaro’ em premiação na Globo










Banco Master e Daniel Vorcaro

O Banco Master foi citado pela primeira vez na CPMI do INSS no depoimento do advogado Eli Cohen, em 1º de setembro do ano passado, dois meses antes de o Banco Central determinar a dissolução do banco e de Vorcaro ser preso preventivamente pela primeira vez, junto com outros executivos do Master – também alvos das comissões.

Cohen, considerado o primeiro a investigar de forma privada e depois denunciar o esquema de descontos indevidos de aposentados e pensionistas, acusou bancos de operarem fraudes em empréstimos consignados para aposentados, entre eles o Master. Na ocasião, porém, poucos parlamentares deram atenção à menção ao Master. Dois deputados chegaram a apresentar requerimentos para convocar Vorcaro, mas eles não foram pautados de imediato.

O cenário mudou depois que o banqueiro e outros dirigentes foram presos em 18 de novembro e após a CPMI, no mesmo mês, receber informações da Secretaria Nacional do Consumidor. Segundo o órgão, o Master era um dos bancos com maior número de reclamações relacionadas à produtos de crédito consignado, o que motivou novos pedidos para convocá-lo e prestar esclarecimentos sobre a atuação do banco.

Fachada da sede dp Banco Master (Foto: Divulgação)

No início de dezembro, os parlamentares aprovaram a convocação de Vorcaro e as quebras de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. A coisa, porém, não andou: o ministro do STF Dias Toffoli, então relator do inquérito sobre o Master, impediu que a CPMI tivesse acesso aos dados das quebras de sigilos. Essa decisão só foi revertida no final de fevereiro por André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso depois da saída de Toffoli.

Por alguns dias, os parlamentares, munidos de papel e caneta (já que o uso de equipamentos eletrônicos foi proibido), puderam acessar os dados em uma sala-cofre. Não durou muito. Depois de vazamentos de conversas íntimas de Vorcaro com sua ex-namorada Martha Graeff, Mendonça voltou atrás e, no último dia 16, determinou que todos os documentos fossem devolvidos à Polícia Federal para que o conteúdo sobre a vida privada do banqueiro fosse excluído.

Já a CPI do Crime Organizado, assim que retomou os trabalhos em fevereiro, se voltou para Vorcaro e para o Master por entender que as relações dele com a Reag se encaixam em um dos principais objetivos da comissão: compreender como o crime organizado se infiltrou no sistema financeiro. Já na segunda sessão do ano, em 25 de fevereiro, os senadores aprovaram a convocação de Vorcaro e a quebra de sigilos do Master.

“É necessário apurar se houve a prática de ‘cegueira deliberada’, por meio da qual a gestão do banco teria optado por ignorar a origem criminosa de aportes bilionários para inflar artificialmente seus balanços e, subsequentemente, tentar transferir esses ativos de origem ilícita para instituições públicas (como o BRB)”, afirmou Vieira, autor de um dos requerimentos aprovados.

Já Eduardo Girão afirmou que a suspeita de uso de estruturas financeiras operadas pela rede do Master para ocultar e reinserir valores “oriundos do PCC” mostrariam a conexão do esquema do Master ao crime organizado, “demonstrando que o caso transcende mera fraude bancária e alcança dimensões de segurança pública e infiltração criminal no sistema financeiro nacional”, como escreveu ele.


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A igreja e os " cafetões da fé" no centro do Roda Viva








Em um dos momentos mais profundos de sua participação no Roda Viva, a deputada Erika Hilton fez um resgate de sua história pessoal em um lar evangélico para confrontar o que chama de "cafetões da fé". A parlamentar utilizou a retórica cristã para desmontar o pânico moral usado contra a comunidade LGBTQIA+ e defendeu a educação e a cultura como escudos contra o autoritarismo.





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Fabiano Zettel e Igreja Lagoinha Global

Cunhado de Vorcaro e considerado pela PF como o operador financeiro da organização criminosa supostamente liderada pelo banqueiro, o empresário e ex-pastor Fabiano Zettel também está preso e na mira das comissões no Congresso, mas, amparado por habeas corpus, ele não prestou depoimento aos parlamentares.

A CPI do Crime Organizado aprovou a quebra de vários sigilos de Zettel (bancário, fiscal, telefônico e telemático – este último são dados de plataformas digitais, como Meta e Google) para analisar sua proximidade com Vorcaro e a eventual participação em estruturas societárias que estão sendo investigadas. Recentemente, a CPMI do INSS pediu o compartilhamento desses dados. Além disso, o senador Humberto Costa (PT-PE) apontou as conexões de Zettel com a Reag, investigadas na Carbono Oculto.

“Fundos de investimentos controlados por Zettel, como o fundo Arleen, foram utilizados para realizar operações financeiras com pivôs da Carbono Oculto, servindo como duto para a lavagem de recursos de origem ilícita. A quebra de sigilo de Fabiano Zettel é fundamental para rastrear o fluxo financeiro entre seus fundos, a Reag, o Banco Master e os operadores do PCC, identificando os beneficiários finais das operações e a extensão da infiltração do crime organizado no sistema financeiro formal através de estruturas familiares e religiosas”, afirmou o senador. O fundo Arleen é justamente aquele que comprou parte da participação de uma empresa da família do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no Paraná.

Estruturas religiosas supostamente ligadas a Zettel também apareceram na CPMI do INSS em mais uma rede complexa de conexões pela possível relação com os descontos ilegais em aposentadorias.

Em vários momentos, o deputado Rogério Correia (PT-MG) apontou para a proximidade entre Zettel e André Valadão, líder da igreja Lagoinha Global. A igreja possui uma fintech, a Clava Forte Bank, suspeita de integrar a fraude do INSS.

“Eu tenho comprovações de que tanto o Vorcaro como o Pastor Zettel, André Valadão e a Clava Forte Bank também receberam recursos que vieram de pessoas aposentadas. Nós precisamos investigar isso, fazer a quebra [de sigilo], para ver se isso era dízimo ou se era lavagem de dinheiro”, afirmou o deputado no início de dezembro.

Valadão, apontado como sócio do sogro de Zettel e pai de Daniel, Henrique Vorcaro, foi alvo de requerimentos para comparecer à CPMI, mas eles ainda não foram analisados. Correia também pediu quebras de sigilos de Valadão e da Clava Forte para investigar se havia um canal de circulação de valores desviados entre a fintech, o Master e outras instituições relacionadas a Zettel. Os requerimentos, porém, também não foram votados pelos parlamentares.

Correia e outros deputados também chamam a atenção para a proximidade entre Valadão e Felipe Machado Gomes, presidente de uma das associações suspeita de fraudar o INSS e investigado no STF por organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato qualificado. Aos 35 anos, Gomes gastava mais de R$ 100 mil por mês em grifes de luxo, como mostrou o Metrópoles, e tinha vários carros de luxo, apreendidos em uma operação da PF em outubro autorizada por Mendonça. Amigo de Valadão, Gomes patrocinou evento de réveillon da Lagoinha em 2024. “Essa movimentação financeira ocorreu no auge da farra dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas”, afirma Correia.

BK Bank e a relação com o crime organizado

O plano de trabalho da CPI do Crime Organizado prevê investigar o uso de fintechs em operações de lavagem de dinheiro. Uma das fintechs na mira é a BK Bank. Em 25 de fevereiro, os senadores aprovaram a quebra dos sigilos bancário e fiscal da BK Bank e o envio, pelo Coaf, de relatórios sobre as movimentações financeiras.

“As apurações conduzidas pela PF e pelo MPF identificaram que o BK Bank operava como uma engrenagem essencial para a movimentação de recursos ilícitos ligados ao PCC. A instituição, sob a roupagem de fintech e emissora de cartões de benefícios, teria sido utilizada como instrumento de ocultação patrimonial, funcionando como verdadeira “caixa preta” que dificultava a rastreabilidade das operações. Foram detectadas transações bilionárias irregulares, estimadas em dezenas de bilhões de reais, que apontam para práticas de lavagem de dinheiro”, afirmou o senador Jaques Wagner (PT-BA), no requerimento que solicitou as quebras de sigilo.

Meses antes, ainda em outubro do ano passado, a relação da fintech com o PCC foi citada na CPMI do INSS, durante o depoimento justamente de Felipe Machado Gomes, que, se valendo de um habeas corpus, permaneceu em silêncio diante das perguntas dos parlamentares.

“A pergunta que não quer calar: os senhores usaram a estrutura do BK Bank, a mesma estrutura usada pelo PCC, o senhor é membro do Primeiro Comando da Capital? O senhor é parte integrante do PCC?”, perguntou o relator Alfredo Gaspar (União-AL).

Dias antes, a PF havia realizado uma operação contra Gomes e outros jovens presidentes de entidades envolvidas no esquema de fraudes do INSS.


Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 30 de março de 2026

A 'facção evangélica' que virou a terceira força do crime organizado do Brasil











Professor Edgar Bom Jardim - PE

Inteligência Artificial: Para Quem Ela É Boa?







Nesta aula exclusiva, o Professor Mario Sergio Cortella revela que a IA é o maior desafio ético da nossa geração. A pergunta central não é o que a máquina faz, mas Cui bono? Para quem ela é boa? Se você quer sair do Reino da Necessidade — a luta diária por sobrevivência e emprego — e finalmente ingressar no Reino da Liberdade, você precisa de uma gestão ética e estratégica da tecnologia . Entenda como a IA pode reduzir o esforço humano para que tenhamos tempo para o que realmente importa: conviver, aprender e fruir a vida





Professor Edgar Bom Jardim - PE

Influência midiática e a construção de estereótipos. Entenda como a mídia contribui para a manutenção de desigualdades no Brasil




Entenda como a influência midiática organiza percepções, define representações sociais e contribui para a manutenção de desigualdades no Brasil.


A influência midiática faz parte da sua rotina. Está no celular, na TV, no streaming, nas redes sociais. Em geral, aparece como informação, entretenimento ou opinião. Mas, quando você observa com mais atenção, percebe que ela também organiza sentidos, define visibilidades e estabelece limites sobre quem pode ser visto, ouvido e reconhecido.

A mídia não funciona como um canal neutro que transmite os fatos e programações de entretenimento. Ela organiza a realidade a partir de escolhas. Decide o que vira notícia, quem aparece, quais vozes são ouvidas e quais ficam de fora.

Tudo isso interfere diretamente na forma como você interpreta o mundo. A circulação de conteúdos, imagens e discursos cria referências sobre o que é considerado normal, desejável ou aceitável. A influência midiática, nesse sentido, atua na construção de subjetividades.

Os meios de comunicação participam da produção de sentido da experiência social. Ao selecionar temas e enquadramentos, contribuem para definir quais questões ganham relevância e como devem ser compreendidas. Isso não acontece de forma isolada, mas dentro de relações sociais marcadas por disputas simbólicas.

Neste artigo, você vai entender como a mídia atua na construção de estereótipos, de que forma isso impacta marcadores como raça, classe e gênero, e por que esse processo está ligado à estrutura de poder no Brasil em uma discussão que passa pela concentração dos meios de comunicação, pela lógica de produção do noticiário e pelas disputas por narrativa no espaço público.

O que são estereótipos e como a mídia ajuda a construí-los?

Os estereótipos são imagens, ideias ou crenças preconcebidas que simplificam a realidade e reduzem a complexidade das pessoas e dos grupos sociais, resumindo-os a padrões de interpretação que passam a orientar o modo como você percebe o outro.

Esses padrões não são neutros. Carregam valores, julgamentos e expectativas sociais. Mais do que distorções, os estereótipos atuam como estruturas que organizam a vida social e ajudam a manter hierarquias.

A repetição é central nesse processo. Quando determinadas imagens e narrativas aparecem de forma constante, elas deixam de ser questionadas e passam a ser vistas como naturais. É assim que se consolidam ideias sobre quem é perigoso, competente, quem pertence a determinados espaços, entre outros estereótipos.

A mídia tem papel direto nessa dinâmica. Ao reproduzir essas representações, contribui para a naturalização de desigualdades. Isso acontece tanto no jornalismo quanto no entretenimento, bem como através das redes sociais.

Raça, classe e gênero: como a mídia define quem ocupa cada lugar na sociedade

A forma como diferentes grupos são retratados na mídia não é aleatória. Existe um padrão recorrente de representação que associa determinados corpos a papéis específicos.

No caso da população racializada, por exemplo, a cobertura midiática historicamente reforçou associações como criminalidade, marginalidade e falta de inteligência. Ao mesmo tempo, há também a invisibilização em espaços de prestígio, como ciência, economia ou política.

Pessoas racializadas historicamente ocupam menos espaço em novelas, publicidade, telejornais e programas de entretenimento. Um cenário que começou a mudar nos tempos contemporâneos. Por muito tempo, quando representadas, eram associadas a estereótipos como pobreza, sexualização e violência.

Um exemplo dessa falta de representação foi identificado em um estudo do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), que analisou peças publicitárias da revista Veja entre 1987 e 2017. Nas imagens observadas, cerca de 80% das pessoas representadas eram brancas.

No entanto, esse cenário não mudou muito ao longo do tempo. Uma atualização do mesmo estudo, feita entre 2018 e 2023, identificou que o número de pessoas brancas representadas na revista no período foi de 83%, ao mesmo tempo em que negros e pardos apareciam em somente 17% as imagens.

Além disso, a lógica de representação baseada em estereótipos também aparece em outras dimensões. Mulheres são frequentemente associadas ao corpo, à aparência e à esfera privada. Pessoas LGBTQIAPN+ são retratadas por meio de caricaturas. A classe trabalhadora aparece de forma limitada, muitas vezes reduzida a situações de vulnerabilidade.

Esses enquadramentos não apenas refletem preconceitos existentes, mas ajudam a reproduzi-los. Ao estabelecer padrões sobre quem pode ocupar determinados espaços, a mídia contribui para limitar possibilidades concretas de reconhecimento e mobilidade social.

Jornalismo policial, criminalidade e o reforço do estereótipo

A forma como crimes são comumente noticiados é um dos exemplos mais visíveis da influência midiática na construção de estereótipos.

A seleção de casos, o destaque para determinados tipos de crime e a associação recorrente com grupos específicos criam uma percepção distorcida da realidade. Isso pode levar à generalização indevida e à construção de imaginários coletivos marcados pelo medo.

Na foto, um policial militar no Complexo da Maré, no ano de 2014. Foto: Mario Tama — Getty Images
Na foto, um policial militar no Complexo da Maré, no ano de 2014. Foto: Mario Tama — Getty Images

Além disso, a cobertura muitas vezes ignora contextos sociais mais amplos. Em vez de explicar as condições que levam a determinadas situações, reforça narrativas simplificadas que associam indivíduos ou grupos a comportamentos criminosos.

Esse processo tem consequências diretas. A estigmatização afeta oportunidades de trabalho, acesso a direitos e relações sociais. Além disso, também influencia decisões institucionais, incluindo o funcionamento do sistema de justiça.

No sistema de justiça criminal, raça e território seguem determinando trajetórias: pessoas racializadas têm menos acesso a acordos que evitariam processos e estão mais expostas à condenação, sobretudo quando vivem em áreas periféricas. Isso indica que as mesmas imagens que circulam na mídia, associando estes grupos à criminalidade, não ficam restritas ao campo simbólico. Elas atravessam instituições, orientam práticas e ajudam a consolidar um padrão de desigualdade que se reproduz do noticiário até a decisão judicial.

Como os estereótipos ajudam a sustentar desigualdades

Os estereótipos não operam isoladamente. Eles estão ligados a estruturas de poder que organizam a sociedade.

Ao associar determinados grupos a papéis específicos, esses padrões ajudam a justificar desigualdades. Tornam aceitável que alguns tenham mais acesso a recursos, oportunidades e reconhecimento do que outros.

A mídia contribui para esse método ao colocar em circulação representações que reforçam visões dominantes. Tais representações passam a orientar comportamentos, expectativas e decisões.

Os estereótipos, nesse sentido, não descrevem a realidade, mas participam de sua construção descrita pela mídia, que influencia como as pessoas se veem e são vistas.

Concentração midiática no Brasil — quem decide o que é representado?

Da esquerda para a direita, José Roberto Marinho, Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho, o Conselho de Administração do Grupo Globo, maior conglomerado de mídia da América Latina. Foto: Tomás Arthuzzi / Grupo Globo
Da esquerda para a direita, José Roberto Marinho, Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho, o Conselho de Administração do Grupo Globo, maior conglomerado de mídia da América Latina. Foto: Tomás Arthuzzi / Grupo Globo

Para entender a influência midiática, é preciso olhar para quem controla os meios de comunicação.

No Brasil, a mídia é altamente concentrada, com presença em quase todo território. Poucos grupos empresariais controlam grande parte da produção e distribuição de conteúdo. Na radiodifusão, cinco conglomerados nacionais e alguns grupos regionais alcançaram praticamente todo o território.

Os nacionais:

  • Rede Globo, comandada pela família Marinho
  • SBT, com a família Abravanel
  • Bandeirantes e a família Saad
  • Record, do bispo Edir Macedo e sua esposa Ester Bezerra
  • Rede TV!, de Amilcare Dallevo

Entre os regionais, destacam-se:

  • Rede Brasil Sul, no Rio Grande do Sul
  • Organizações Jaime Câmara, no Centro-Oeste
  • Rede Amazônica de Rádio e Televisão, atuante em cinco dos sete Estados do Norte
  • Grupo Zahran, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
  • Grupo Verdes Mares, no Nordeste

Essa estrutura limita a diversidade de vozes. A maior parte da programação segue linhas editoriais definidas por esses grupos, com pouca produção local e baixa representação de diferentes realidades culturais.

Além disso, há uma relação próxima entre mídia e poder político. Em muitos casos, veículos de comunicação pertencem a políticos ou grupos ligados a eles. Isso cria um cenário em que interesses econômicos e políticos influenciam diretamente o conteúdo veiculado.

Quando a mídia opera sob essa lógica, a pluralidade informativa fica comprometida. O que circula não é apenas informação, mas também seus próprios interesses.

Como a mídia influencia a política e disputa narrativas?

A influência midiática também se manifesta de forma intensa na política. As disputas por poder passam, cada vez mais, pelos meios de comunicação.

A mídia funciona como espaço central onde narrativas são construídas, disputadas e legitimadas. A visibilidade de atores políticos, a definição de agendas e a forma como os temas são apresentados influenciam diretamente a opinião pública.

Isso não significa que a mídia controla tudo, mas que tem grande poder de influência. Existe uma relação dinâmica entre meios e sociedade. Mas a capacidade de amplificar ou silenciar vozes coloca os veículos de comunicação em uma posição estratégica.

Em períodos eleitorais, esse papel se intensifica. A presença midiática se torna determinante para a existência política de candidatos e propostas.

O papel das mídias independentes como alternativa de representação

Diante desse cenário, a discussão sobre democratização da comunicação ganha relevância. Ampliar a diversidade de vozes significa abrir espaço para outras narrativas, outras experiências e formas de interpretar o mundo. Isso passa por políticas públicas, regulação e também pelo fortalecimento de iniciativas independentes.

Mídias contra-hegemônicas, independentes, têm desempenhado um papel importante ao tensionar representações dominantes e apresentar perspectivas que não encontram espaço nos grandes veículos. Consumir conteúdo de pessoas que são estereotipadas pela mídia tradicional, abre portas para novas perspectivas e interpretações sobre suas vivências.

Essas iniciativas contribuem para mostrar a complexidade de grupos historicamente estereotipados e ampliar o debate público. Ao fazer isso, ajudam a questionar padrões estabelecidos e a produzir novas referências.

Como olhar para os estereótipos da mídia a partir de agora?

Quem define o que é notícia? Quem decide quais histórias merecem atenção? Quem tem acesso aos meios de produção e circulação de informação? Essas perguntas ajudam a entender que a comunicação não é um campo neutro.

É um espaço de disputa, onde diferentes interesses e visões de mundo se confrontam. No Brasil, essa disputa acontece em um cenário marcado por concentração econômica, desigualdade social e diversidade cultural. Isso torna o debate ainda mais relevante.

A forma como você consome informação faz diferença. Entender como a mídia opera permite identificar padrões, questionar narrativas e buscar outras referências. A influência midiática não é um fenômeno distante. Ela atravessa o cotidiano e interfere na forma como você percebe o mundo e se posiciona nele.

Observar quem fala, quem é representado e como essas representações são construídas é um caminho para ampliar a leitura crítica sobre a comunicação. Ao mesmo tempo, acompanhar e fortalecer iniciativas que ampliam a diversidade de vozes contribui para um ambiente informativo mais plural.

Discutir influência midiática é discutir quem define o que você vê, pensa e reconhece como realidade. E a disputa por representação, no fim das contas, é também uma disputa por possibilidades.   Fonte: ICLNOTÍCIA


Professor Edgar Bom Jardim - PE