quarta-feira, 28 de julho de 2021

Brasileiros lideram ranking mundial de sensação de viver em 'país em declínio'





Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Brasília, em junho

CRÉDITO,REUTERS

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Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro em Brasília, em junho; 72% dos brasileiros disseram em pesquisa acreditar que a sociedade do país está "falida"

Uma pesquisa de opinião feita em 25 países traz uma visão desalentadora de boa parte da população global a respeito de suas respectivas instituições políticas — e os brasileiros têm uma percepção negativa acima da média mundial.

Mais de dois terços (69%) dos mil brasileiros entrevistados afirmam que o país está em declínio, o maior índice observado entre todos os países participantes da pesquisa de opinião Broken-System Sentiment in 2021, realizada pela empresa Ipsos.

São 12 pontos percentuais acima da (já alta) média mundial de 57% de pessoas que têm a percepção de viver em países em declínio. Os índices são altos também no Chile, na Argentina e na África do Sul, todos com 68%.

Além disso, 72% dos brasileiros disseram acreditar que a sociedade do país está "falida", índice semelhante aos respondentes da Hungria e só superado pelo da África do Sul (74%).

A média global, nesse caso, é de 56%.


É importante que a liderança em um ranking de sentimentos tão negativos cause desconforto no Brasil, opina Helio Gastaldi, porta-voz da Ipsos.

"Espero que a pesquisa cumpra o papel de dar um chacoalhão. A crítica (às instituições políticas) é generalizada ao redor do mundo, mas não de forma tão aguda quanto no Brasil", afirma Gastaldi à BBC News Brasil.

Esse sentimento já havia se manifestado nas pesquisas anteriores da Ipsos sobre o mesmo tema, em 2016 e 2019.

"É um sentimento que persiste e que coincide com o que notamos em outros estudos e pesquisas que fizemos para clientes, em que se percebe hoje no Brasil um sentimento de decepção e insegurança. Passa uma ideia de grande preocupação com o futuro", prossegue Gastaldi.

Populismo e 'líderes dispostos a quebrar as regras'

De modo geral, a pesquisa traz um panorama de desconexão e decepção das pessoas com suas instituições: na média, 71% dos entrevistados globais concordam com a frase de que "a economia está manipulada para favorecer os ricos e poderosos".

E 68% concordam com a ideia de que partidos e políticos tradicionais não se preocupam com as "pessoas como eu".

E, quanto maior a sensação de viver sob um "sistema falido", maior é também a manifestação de apoio a modelos populistas ou antielite, aponta o Ipsos.

No Brasil, por exemplo, 74% dos entrevistados disseram concordar com a frase "o Brasil precisa de um líder forte para retomar o país dos ricos e poderosos", dez pontos percentuais acima da média global.

Um índice menor, mas igualmente alto (61%) de brasileiros afirmou que "para consertar o país, precisamos de um líder forte, disposto a quebrar as regras". A média global, aqui, é de 44%.

"Isso reforça o discurso populista de que as instituições não servem e de que tem de vir alguém de fora para consertá-las — um remédio que a gente já sabe que não funciona", afirma Helio Gastaldi.

Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro no último sábado, em São Paulo

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Protesto contra o presidente Jair Bolsonaro no último sábado, em São Paulo; pesquisa aponta sensação de desassistência por parte da população

No lugar de depositar as esperanças em um líder que derrote o sistema e milagrosamente resolva os problemas, prossegue Gastaldi, o mais produtivo seria fortalecer as instituições e aumentar a participação popular nelas.

Uma ressalva importante nesse ponto, diz Gastaldi, é de que o apoio a um "líder forte que quebre as regras" é maior entre os mais velhos (acima dos 50 anos) do que entre os mais jovens, "que parecem mais predispostos a (confiar em) soluções institucionais".

De qualquer modo, analisa ele, "é um índice alto, preocupante, que reflete um certo saudosismo da ditadura (militar no Brasil), uma visão nublada e incorreta desse período como sendo um de mais ordem ou de menos corrupção. Isso também alerta para a necessidade de um diálogo intergeracional".

Ainda segundo a pesquisa, 82% dos brasileiros acham que a elite política e econômica não se importa com as pessoas que trabalham duro. Três quartos dos entrevistados (76%) acreditam que a principal divisão da sociedade do Brasil é entre cidadãos comuns e a elite política e econômica.

"As pessoas entendem que quem pode ou tem responsabilidade de fazer algo (para melhorar o país) o faz em benefício próprio", prossegue Gastaldi.

"São vários indicadores negativos em que o Brasil está muito acima da média mundial, mostrando que a população se sente muito desassistida."

Migração

O único ponto da pesquisa em que os brasileiros ficam abaixo das médias internacionais diz respeito a temas migratórios.

Aqui, 53% concordam com a frase "quando os empregos são escassos, empregadores devem priorizar nativos a imigrantes", contra 57% da média global.

E apenas 26% acham que o Brasil seria mais forte se deixasse de receber imigrantes, contra 38% no resto do mundo.

A pesquisa da Ipsos foi feita online com 19 mil respondentes de 16 a 74 anos, entre março e abril, em EUA, Canadá, Malásia, África do Sul, Turquia, Bélgica, França, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Itália, Japão, Espanha, Hungria, México, Holanda, Peru, Polônia, Rússia, Coreia do Sul, Suécia, Argentina, Chile, Colômbia e Brasil.

Segundo a Ipsos, as amostras são representativas da composição populacional dos países — embora, em parte deles (Brasil inclusive), ela reflita a opinião de uma população majoritariamente urbana, próspera e com mais acesso à educação.

BBC

Professor Edgar Bom Jardim - PE

PE: grávidas que tomaram primeira dose de AstraZeneca devem encerrar esquema vacinal contra COVID-19



GestanteGestante - Foto: Pixabay


Seguindo a recomendação do Ministério da Saúde, Pernambuco irá completar com o imunizante da Pfizer/BioNTech o esquema vacinal de gestantes e puérperas que receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19 da Astrazeneca/Oxford/Fiocruz.

A orientação foi passada para a gestão estadual e balizada pelo Comitê Técnico Estadual para Acompanhamento da Vacinação contra a Covid-19 em reunião na tarde dessa segunda-feira (26). 

Com relação à mudança do tipo de vacina na aplicação da segunda dose, o secretário  estadual de Saúde, André Longo, explicou: "De maneira geral, as vacinas contra o novo coronavírus não são intercambiáveis, mas os recentes estudos publicados apontam que o esquema heterólogo, com o imunizante de vetor viral da Astrazeneca e a vacina de RNAm da Pfizer, gerou uma resposta imune robusta e boa segurança, o que nos dá maior tranquilidade em seguir com esta recomendação”, 

No momento, seguindo a orientação do Ministério da Saúde, é essencial completar o esquema vacinal para essas mulheres. "É essencial completar o esquema vacinal das grávidas e puérperas que receberam a primeira dose da Astrazeneca para assegurar a alta eficácia dos imunizantes, principalmente por sabermos que as gestantes, por si só, são consideradas grupo de risco para agravamento da Covid-19", informou o secretário.

Antes a orientação era aplicar a segunda dose da Astrazeneca das gestantes que haviam tomado a primeira dose do mesmo fabricante somente após o puerpério, que dura, em média, 8 semanas. Agora, porém, será possível completar o esquema vacinal com a vacina da Pfizer, respeitando o intervalo normal de até 90 dias após a primeira dose.

“Os municípios devem ficar atentos à nova recomendação e agilizar a vacinação das suas gestantes e puérperas”, reforçou a superintendente Ana Catarina de Melo. 

Suspensão
A suspensão do uso da vacina Astrazeneca em grávidas aconteceu em maio, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi notificada da morte de uma gestante vacinada no dia 10 daquele mês com esse imunizante. À época, apenas as gestantes e puérperas com comorbidades estavam sendo imunizadas contra a doença.

Após a decisão da Anvisa, o Governo de Pernambuco decidiu descentralizar as vacinas da Pfizer para todo o Estado, contemplando as gestantes e puérperas com ou sem comorbidades.  

Com informações de Folha de Pernambuco

Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Domingo tem show de viola: Live dos Meninos de Guriatã



No próximo domingo,01 de agosto 2021, os "Meninos de Guriatã," farão uma grande encontro de cultura popular com a participação de  repentistas e poetas cancioneiros, com transmissão no Youtube, Instagram e Facebook. Tudo começa às 16 horas. Participam do grande show Manoel Mariano, Ramos da Saudade,  Ivanildo Vilanova e Iponax Vilanova. Não percam!

Professor Edgar Bom Jardim - PE

Museu de Bom Jardim busca apoio para manter Escola de Dança



O Museu de Bom Jardim lançou uma campanha para arrecadar recursos financeiros para o Projeto Escola de Dança. A iniciativa busca patrocinadores e padrinhos para doações mensais que vão beneficiar 30 crianças e adolescentes do município. O valor arrecadado será revertido para o pagamento de dois professores, além da manutenção da estrutura do curso e dos protocolos de saúde exigidos por causa da pandemia do coronavírus. As aulas acontecerão no salão do Museu, com divisão das turmas em datas e horários diferenciados.


“Precisamos do seu apoio, solidariedade e patrocínio financeiro para transformar a vida das pessoas por meio da arte, cultura, alegria e paz. Seu esforço e sua doação vão gerar muita felicidade e poderá salvar vidas, estimular e despertar o projeto de vida de nossa juventude, tornar nossa comunidade melhor”, destacou o presidente do Museu de Bom Jardim, Edgar Santos. Clique neste link para preencher o formulário de “padrinho patrocinador”. Nele também estão disponíveis valores de doação, melhor data para doação e outras informações.

Deu no Blog do Agreste - Alfredo Neto
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Rayssa Leal, 13 anos de idade, conquista medalha de prata para o Brasil


Rayssa Leal, 13, medalha de prata no skate street em TóquioRayssa Leal, 13, medalha de prata no skate street em Tóquio - Foto: JEFF PACHOUD / AFP

Rayssa Leal, de 13 anos, teve uma recepção calorosa ao chegar na base do Brasil, dentro da Vila Olímpica. A medalhista de prata foi recebida pela seleção feminina de vôlei, que interrompeu o treino que estava sendo realizado para parabenizar a jovem. 

 

 

Além das atletas do vôlei, as jogadoras da Seleção Feminina de futebol foram registradas comemorando a conquista de Rayssa. No vídeo, as atletas brasileiras gritam “Fadinha”, apelido que a skatista ganhou por um vídeo seu de quando era mais nova, enquanto assistem a conquista da medalha de prata. 

O DAZN, maior serviço de streaming esportivo do mundo, apresenta o melhor das competições esportivas nacionais e internacionais por uma assinatura mensal pelo custo de R$ 19,90. Para quem já é assinante da basta acessar o site ou o app da plataforma. Para quem ainda não tem conta, o serviço disponibiliza 30 dias grátis, bastando clicar neste link para se cadastrar. Você pode acompanhar os eventos pelo computador, no celular, tablet ou até no console do videogame.   

Folha de Pernambuco


Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 25 de julho de 2021

Museu de Bom Jardim pede ajuda de padrinhos e patrocinadores para manter escola de dança




O Museu de Bom Jardim precisa de sua doação como patrocinador e padrinho do Projeto Escola de Dança.
Ajude, faça sua doação para beneficiar 30 crianças e adolescentes de Bom Jardim. Precisamos pagar 2 professores, manter a estrutura do curso e os protocolos de saúde.
A aulas acontecerão no salão do museu com divisão das turmas em datas e horários diferenciados.
Precisamos do seu apoio, solidariedade e patrocínio financeiro para transformar a vida das pessoas por meio da arte, cultura, alegria e paz.
Seu esforço, sua doação vai gerar muita felicidade e poderá salvar vidas, estimular e despertar o projeto de vida de nossa juventude, tornar nossa comunidade melhor.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Bom Jardim 150 anos: Múltiplas leituras da nossa história. Parte 2 - A feira livre





Bom Jardim 150 anos: Múltiplas leituras da nossa história. Parte 2 - A feira livre. A feira é o que há de mais expressivo em qualquer cidade do interior do Brasil. É um fenômeno social, cultural e econômico. Neste cenário a história acontece. Pessoas de classes sociais frequentam a feira, pobres e ricos podem se encontrar. Múltiplas histórias e leituras acontecem. Lugar de relações humanas, trocas comerciais, gente criativa e trabalhadora. Para muitos feirantes esse lugar toma conta do seu tempo. A vida é a feira. Acordar na madrugada, ficar em pé o dia todo esperando o freguês, enfrentar sol, frio e chuva. Cada feira é um desafio, um apelo para as vendas. O Museu de Bom Jardim nestes 150 anos de Emancipação Política registra a história da feira. Faz homenagem aos feirantes, produtores e todos os trabalhadores que fazem a história deste patrimônio imaterial. Reiteramos o incentivo a reflexão da vida real pensando no coletivo da nossa sociedade. Para onde caminha a feira de Bom Jardim? Existirá feira livre em Bom Jardim no futuro? Como será? Que produtos serão comercializados? Qual a origem desses produtos? Que tecnologia será utilizada para produzir os alimentos do futuro? Ainda existirá sítio, agricultor, laranja cravo, laranja bahia, manga espada, manga rosa, caju, jabuticaba, ingá, goiaba, araçá, sapoti, pitomba, carambola, abacate, galinha capoeira, carne bovina no açougue criada exclusivamente no pasto, farinha de mandioca caseira feita na comunidade? Os alimentos da terra serão produzidos com mais ou menos adubos químicos, fertilizantes industrializados? Haverá agroecologia? Haverá água no município de Bom Jardim? Que valor e reconhecimento serão dados aos feirantes? Essa história continua!

Assista também: Bom jardim 150 anos: Múltiplas leituras da nossa história. Parte 1. https://www.youtube.com/watch?v=oGwgU1Ck0gg&ab_channel=MuseudeBomJardim FICHA TÉCNICA Projeto Múltiplas Leituras de Bom Jardim - PARTE 2 Autor/Produtor Cultural: Edgar Severino dos Santos Cinegrafista/ Editor de Imagens: Akires Sabino Roteiro/Direção: Edgar Severino dos Santos Criação de Logo: Edgar Severino dos Santos/Rodrigo Lima Música: Saudade de Bom Jardim- Autora/ Intérprete: Teca Pessoa Bom Jardim, 19 de Julho 2021. Realização: Museu de Bom Jardim.

Assista também: Bom jardim 150 anos: Múltiplas leituras da nossa história. Parte 1. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=oGwgU1Ck0gg&ab_channel=MuseudeBomJardim

Professor Edgar Bom Jardim - PE

País regrediu 20 anos na educação com pandemia, diz secretário

O Secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Maurício Cunha

O Secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente defendeu a volta das crianças ao ensino presencial, sobretudo nas escolas públicas. Segundo Maurício Cunha, que é o entrevistado do programa Brasil em Pauta deste domingo (25), mais de 3 milhões de crianças brasileiras não tem acesso ao ensino remoto.

“Com a pandemia, regredimos 20 anos na educação brasileira”, disse ele. Além disso, fora da escola, essas crianças estão convivendo com problemas nutricionais (muitos tinham a merenda como única refeição do dia), psicológicos, de violência (os professores são uns dos principais denunciantes de violências domésticas praticadas contra crianças) e de socialização.  

O secretário disse, inclusive, que no retorno às aulas presenciais a equipe escolar deverá estar mais preocupada com o acolhimento dessas crianças do que com a administração de conteúdo didático. “Nesse momento o apelo é que as crianças tenham acesso à educação presencial de uma forma planejada, escalonada, respeitando os protocolos de saúde, respeitando as escolhas das famílias, mas que não se prive as crianças desse direito”, disse.
 

Na conversa, o secretário também abordou sobre os 31 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) comemorados neste mês. Segundo ele, o ECA foi um marco na legislação que trata desse público com a inauguração da doutrina da proteção integral, na qual a criança passa a ser vista como sujeito de direitos e não apenas objeto de intervenção.

O estatuto também trouxe o conceito da criança em especial situação de desenvolvimento: ela tem de ser protegida e amada. “A criança não é um pequeno adulto. Ela não tem de ser submetida às regras do mercado de trabalho. Ela tem de estudar, ser protegida e brincar. Temos de semear para que ela floresça na vida adulta”, disse.

Folha de Pernambuco

Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 24 de julho de 2021

O que cidades que já vivem racionamento revelam sobre futuro da crise da água



Represa vazia

CRÉDITO,AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO PARANÁ

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Baixo nível de represas que abastecem Curitiba tem limitado a oferta de água aos moradores

Com ao menos dois meses de período seco ainda pela frente, pelo menos oito cidades nas regiões Sul e Sudeste já estão limitando a oferta de água à população para lidar com a baixa dos reservatórios.

Estão sendo implantados esquemas de rodízio de água em Curitiba (PR), Santo Antônio do Sudoeste (PR), Pranchita (PR), Itu (SP), Salto (SP), São José do Rio Preto (SP), Bauru (SP) e Bagé (RS).

Em Curitiba, que está sob racionamento desde março de 2020, órgãos estaduais chegaram a contratar aviões para induzir precipitações sobre a cidade.

As medidas emergenciais são adotadas enquanto muitos reservatórios nas regiões Sul e Sudeste registram seus menores índices em várias décadas.

O quadro afeta tanto a distribuição de água quanto a produção de eletricidade, pois as hidrelétricas respondem por cerca de 60% da capacidade de geração do país.


Com os reservatórios das usinas também em baixa, o governo recorre a termelétricas, que são mais caras, elevando o preço da energia para os consumidores.

E o cenário tende a se agravar, já que o período chuvoso não costuma se iniciar antes de outubro.

Em maio, o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) emitiu um alerta de emergência hídrica para a região hidrográfica da Bacia do Paraná entre junho e setembro de 2021.

A bacia abarca boa parte dos Estados de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná, além do Distrito Federal.

Ações de curto e longo prazo

Várias cidades já têm adotado medidas pontuais para lidar com a crise — como obras em reservatórios e a busca por outras fontes de água.

Em Curitiba, a companhia paranaense de saneamento testou um método ainda pouco usado no Brasil.

Um avião passou a borrifar água em nuvens para induzir precipitações nos reservatórios da cidade. A empresa não informou se a estratégia teve sucesso.

Para Angelo Lima, secretário-executivo do Observatório da Governança das Águas — entidade formada por 60 instituições e 17 pesquisadores que acompanham a gestão hídrica no Brasil —, o cenário exige ações tanto emergenciais quanto de médio a longo prazo.

Ele diz que, no curto prazo, os órgãos que compõem o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, como os comitês de bacias hidrográficas, deveriam se reunir para debater soluções para a crise.

Imagens de satélite mostram a seca no Lago das Brisas

CRÉDITO,NASA

Legenda da foto,

Comparação mostra impacto da seca no Lago das Brisas (MG): a imagem à esquerda foi registrada em 12 de junho de 2019 e a imagem à direita, em 17 de junho deste ano

As medidas emergenciais, segundo Lima, devem garantir a oferta de água para a população e para a alimentação de animais — ações que devem ser priorizadas em situação de escassez, conforme determina a Lei das Águas, de 1997.

No entanto, no fim de junho, o governo federal publicou uma Medida Provisória (MP) que dá ao Ministério de Minas e Energia peso maior de decisão sobre as ações a serem tomadas para lidar com a crise hídrica.

A MP 1055 tem como fim "garantir a continuidade e a segurança do suprimento eletroenergético no país".

A medida criou um grupo interministerial, chefiado pelo Ministério de Minas e Energia, para coordenar a resposta do governo à crise.

Para Lima, ao colocar o Ministério de Minas e Energia na liderança do grupo, o governo sinaliza que priorizará a geração de eletricidade, o que pode prejudicar ainda mais o abastecimento da população.

Ele afirma que nem mesmo a Agência Nacional de Águas (ANA), órgão federal responsável por regular os serviços de abastecimento, foi colocada no grupo.

A composição do grupo pode ter cálculo eleitoral. Analistas consideram que um apagão no sistema elétrico brasileiro seria uma grande ameaça à candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição.

Lima afirma, porém, que o setor elétrico não aprendeu com crises anteriores e deixou de adotar medidas que poderiam atenuar a emergência atual, como aprimorar a rede de distribuição para reduzir as perdas de energia.

Em 2019, segundo um relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), as perdas representaram 13,8% de toda energia consumida.

Metade das perdas se deveu a falhas técnicas, e a outra metade, a furtos (ligações clandestinas e desvios da rede).

O índice de perdas tem se mantido estável nas últimas décadas. Em 2008, segundo a ANEEL, as perdas respondiam por 13,6% da energia consumida.

Cataratas do Iguaçu

CRÉDITO,KARINE FELIPE/BBC

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As Cataratas do Iguaçu foram impactadas pela baixa vazão dos rios na Bacia do Paraná

Conflitos por água

Angelo Lima diz que também são necessárias medidas para garantir a oferta de água no médio e longo prazo.

Uma das ações prioritárias, segundo Lima, é zerar o desmatamento na Amazônia para assegurar a manutenção do fenômeno conhecido como "rios voadores".

O fenômeno se deve à àgua que as árvores da floresta bombeiam na atmosfera por meio da evapotranspiração. Segundo especialistas, parte dessa água se transforma em chuva e ajuda a irrigar o centro-sul do Brasil.

Conforme a floresta é derrubada, no entanto, os "rios voadores" escasseiam, reduzindo as chuvas ao sul do bioma.

Lima defende ainda a preservação das florestas no próprio centro-sul do país — neste caso, para garantir o bom funcionamento do sistema hídrico local.

Quando a floresta está preservada, diz ele, a água das chuvas tende a infiltrar no solo e a alcançar depósitos subterrâneos, os lençóis freáticos e aquíferos.

São esses depósitos que alimentam as nascentes dos rios durante o ano todo, inclusive no período seco.

Já quando a floresta é derrubada, e o solo fica desprotegido, a água tem mais dificuldade para penetrar no solo, o que dificulta a recarga dos depósitos e diminui a vazão dos rios na seca.

Outra ação importante, diz Lima, é despoluir rios e cuidar de suas margens para evitar assoreamento.

O caso de duas cidades hoje sob racionamento mostra como essas ações poderiam ter impactos benéficos.

Itu e Salto são atravessadas pelo Tietê, um dos maiores rios de São Paulo. Mas, como o rio chega às duas cidades poluído por dejetos despejados em sua maioria na Grande São Paulo, o aproveitamento das águas para o abastecimento público fica prejudicado.

Rio Tietê poluído em São Paulo

CRÉDITO,AGÊNCIA BRASIL

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Despoluição do rio Tietê, na Grande São Paulo, poderia atenuar falta de água em cidades ao longo de seu curso, como Itu e Salto

O que leva a outro ponto importante: para Lima, a gestão das águas (e dos rios) deve ser feita de modo integrado.

Cidades que poluem um rio prejudicam não só seus moradores, como também os que estão rio abaixo. Por isso todas as prefeituras deveriam se sentar à mesma mesa para discutir como gerenciá-lo, diz ele.

Lima afirma que já existem instâncias aptas a lidar com questões desse tipo e mediar conflitos por água: os comitês de bacias hidrográficas.

Os comitês reúnem representantes da comunidade e do poder público (inclusive prefeituras) para deliberar sobre a gestão das águas em cada bacia.

Porém, Lima afirma que muitas vezes faltam recursos para implantar as ações definidas pelos grupos.

"Acredito que a gente precisa discutir a garantia de um orçamento mínimo para esses órgãos, assim como já existe para a Saúde e a Educação", defende.

Também é importante, segundo ele, que a questão hídrica se torne uma agenda política permanente — e não só nos períodos de escassez.

Lima afirma que, se o país continuar a empurrar o problema com a barriga, os conflitos por água tendem a se agravar — especialmente à medida que as mudanças climáticas mudarem os padrões de chuvas no país, como previsto.

O número de conflitos já está em alta. Em 2020, segundo um relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), havia 350 conflitos por água no país.

O número é quase cinco vezes maior do que em 2011 (68), quando o órgão começou a monitorar o tema.

  • João Fellet - 
  • Da BBC News Brasil em São Paulo


Professor Edgar Bom Jardim - PE