domingo, 4 de outubro de 2026

Segundo Turno definirá o próximo Presidente do Brasil. O que dizem os dois candidatos finalistas






Lula: 'Segundo turno será a prova dos nove'

Lula discursa ao lado de Geraldo Alckmin

Em primeiro pronunciamento após o resultado do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que o resultado das eleições muitas vezes é "inesperado" .

O petista falou em um hotel em São Paulo, ao lado de seu vice, Geraldo Alckmin, da primeira-dama, Janja da Silva, e de aliados, como Fernando Haddad e Guilherme Boulos.

"A gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria. Eu confesso que estava convencido de que eu ia ganhar as eleições no primeiro turno, mas eu já pensei isso outras vezes. Eu lembro que pensei que iria ganhar no primeiro turno quando disputei com Alckmin, mas não ganhei. Lembro que pensei que iria ganhar no primeiro turno quando disputei com José Serra, mas não ganhei", disse.

"Mas a gente tem um segundo turno, que é a hora da prova dos nove. É a hora de mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e do Brasil que a gente quer."

Lula afirmou que, no segundo turno, vai focar em apresentar propostas de governo e começar uma nova campanha, com apenas dois candidatos. "A partir de amanhã, a gente começa a mostrar a diferença de propostas para o Brasil."

A gente vai mostrar o que foi feito e o que a sociedade espera que seja feito. Ninguém mais do que nós pode oferecer à sociedade brasileira um futuro."

"O povo tem que escolher. Do outro lado, temos apenas incerteza com a biografia de um passado tenebroso. Não há biografia do pai, do filho ou de outros parentes."


Flávio Bolsonaro: 'É o fim da era do PT'

Flávio Bolsonaro

Em seu primeiro pronunciamento após o resultado do primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o resultado mostra que os brasileiros querem mudança e declarou: “Está decretado o fim da era do PT.”

“Eu estou muito feliz com o resultado que eu assisti agora, quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras me dando voto de confiança para mudança. Essa é a leitura de hoje: o Brasil quer mudança”, afirmou.

"Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país. A era do PT que só está deixando como legado um recorde de mulheres assassinadas, um recorde de brasileiros endividados, um recorde de altos impostos, um recorde de desesperança, um recorde de empresas fechadas."

Flávio também criticou Lula, disse que o petista só pensa em poder e que "só precisa de um mandato" para resolver os problemas do país. O senador ainda afirmou que vai indicar ao menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, "não vão tentar interferir em eleições"

"Eu estou preocupado com o futuro do Brasil. Eu estou disputando o Brasil. E é assim que eu vou continuar me comportando nessas próximas três semanas. Com uma campanha limpa, com alguém que não está preocupado com perpetuação no poder. Eu sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição, porque eu só preciso de um mandato para colocar o brasileiro e a brasileira no centro do meu governo, para que eu possa atacar e resolver os problemas reais do Brasil. Eu quero oportunidade de cuidar do Brasil, eu quero oportunidade de cuidar do povo brasileiro", declarou.


Fonte: BBC


Professor Edgar Bom Jardim - PE

Quem são os governadores eleitos em 2026 e quais Estados terão 2º turno: veja os resultados




Jorginho Mello foi reeleito em Santa Catarina; Jerônimo Rodrigues, na Bahia; e Raquel Lyra, em Pernambuco
Legenda da foto,Jorginho Mello foi reeleito em Santa Catarina; Jerônimo Rodrigues, na Bahia; e Raquel Lyra, em Pernambuco
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Neste domingo (4/10), os 26 Estados e o Distrito Federal escolheram seus próximos governadores.

Essas são os Estados que elegeram os governadores em primeiro turno, segundo os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

  • Alagoas - JHC (PSDB)

Com 52% dos votos, o ex-prefeito de Maceió (2021-2026) João Henrique Caldas (PSDB) foi eleito governador de Alagoas. Antes da comandar a capital, foi deputado estadual e deputado federal.

  • Amapá - Dr Furlan (PSD)

Com 62% dos votos, o ex-prefeito de Macapá foi eleito governador do Amapá. Ele renunciou à prefeitura em março de 2026, um dia depois de ser afastado do cargo em uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitação nas obras de um hospital. Ele nega irregularidades. O TRE-AP aprovou o registro de sua candidatura, mas a decisão foi contestada no TSE. Em 24 de setembro, o relator, ministro Dias Toffoli, votou pelo indeferimento do registro. Um pedido de vista do ministro André Mendonça suspendeu o julgament.

  • Bahia - Jerônimo Rodrigues (PT)

Governador da Bahia desde 2023, foi reeleito com 55% dos votos. Antes de ser governador, foi secretário estadual de Desenvolvimento Rural e de Educação nos governos de Rui Costa (PT)



  • Ceará - Elmano de Freitas (PT)

Governador do Ceará desde 2023, foi reeleito com 52,8% dos votos. Antes de ser governador, foi deputado estadual por dois mandatos e secretário municipal da Educação de Fortaleza.

  • Goiás - Daniel Vilela (MDB)

Governador de Goiás desde março de 2026, após a saída de Ronaldo Caiado (PSD), Vilela foi eleito com quase 59% dos votos. Já havia disputado o governo de Goiás em 2018. Antes, foi vice-governador, deputado federal, deputado estadual e vereador de Goiânia. É filho de Maguito Vilela, ex-governador e ex-senador por Goiás.

  • Maranhão - Eduardo Braide (PSD)

Ex-prefeito de São Luís, foi eleito governador com 54% dos votos. Foi deputado estadual por dois mandatos e deputado federal. Deixou a prefeitura em março de 2026 para disputar o governo do Maranhão.



  • Mato Grosso - Otaviano Pivetta (Republicanos)

Pivetta é governador de Mato Grosso desde março de 2026, após a renúncia de Mauro Mendes (União Brasil), de quem foi vice. Antes, foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos e deputado estadual. Foi reeleito com mais de 60% dos votos

  • Mato Grosso do Sul (MS) - Eduardo Riedel (PP)

Governador de Mato Grosso do Sul desde 2023, Riedel foi reeleito com mais de 67% dos votos. Antes de ser governador, ele foi secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica e, depois, de Infraestrutura no governo Reinaldo Azambuja. Foi eleito governador em 2022, em sua primeira disputa por um cargo eletivo.

Eduardo Riedel foi eleito governador do MS
Legenda da foto,Eduardo Riedel foi eleito governador do MS
  • Minas Gerais - Cleitinho Azevedo (Republicanos)

Senador por Minas Gerais desde 2023, foi eleito com 55% dos votos.. Antes, foi deputado estadual e vereador de Divinópolis. É irmão de Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis, e de Eduardo Azevedo, deputado estadual.

  • Pará - Dr Daniel (Podemos)

Com 51% dos votos, o ex-prefeito de Ananindeua, cidade da Grande Belém, foi eleito governador do Pará. Antes de ser prefeito, foi vereador, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Pará.

  • Paraná - Sérgio Moro (PL)

Senador pelo Paraná desde 2023, o ex-juiz federal foi eleito governador com 50,1% dos votos. Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro. Como juiz, foi responsável em primeira instância pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba e deixou a magistratura em 2018 para integrar o governo Bolsonaro.

  • Paraíba (PB) - Lucas Ribeiro (PP)

O atual governador foi reeleito governador na Paraíba. Ribeiro foi eleito vice-governador em 2022 e assumiu o governo em abril de 2026, com a renúncia de João Azevêdo (PSB). Antes, foi vereador de Campina Grande, principal cidade do interior paraibano, entre 2017 e 2020, e vice-prefeito, entre 2021 e 2022. É filho da senadora Daniella Ribeiro (PP) e neto de Enivaldo Ribeiro, ex-prefeito de Campina Grande.

Lucas Ribeiro
Legenda da foto,Lucas Ribeiro seguirá como governador da Paraíba
  • Pernambuco - Raquel Lyra (PSD)

Governadora de Pernambuco desde 2023, foi reeleita com 53% dos votos. Foi a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco - e agora a primeira reeleita. Antes, foi prefeita de Caruaru por dois mandatos e deputada estadual por dois mandatos.

  • Piauí - Rafael Fonteles (PT)

Governador do Piauí desde 2023, Fonteles foi reeleito com mais de 70% dos votos. Antes de ser governador, foi secretário estadual da Fazenda entre 2015 e 2022. É filho do ex-deputado federal Nazareno Fonteles (PT).

Rafael Fonteles
Legenda da foto,Rafael Fonteles foi reeleito governador do Piauí
  • Rio Grande do Sul - Zucco (PL)

Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul com quase 58% dos votos. Deputado federal pelo Rio Grande do Sul desde 2023 e ex-deputado estadual, cargo que exerceu entre 2019 e 2023. Tenente-coronel da reserva do Exército, deixou a carreira militar em 2019 e foi líder da oposição na Câmara dos Deputados em 2025.

Zucco é eleito governador do RS
Legenda da foto,Zucco é eleito governador do RS
  • Rondônia (RO) - Marcos Rogério (PL)

Senador por Rondônia desde 2019 e ex-deputado federal por dois mandatos, Marcos Rogério (PL) é o novo governador de Rondônia. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, foi vereador de Ji-Paraná. Trabalhou como radialista e jornalista antes de entrar na política.

  • Roraima (RR) - Arthur Henrique (PL)

Ex-prefeito de Boa Vista, eleito em 2020 e reeleito em 2024, Arthur Henrique é o governador de Roraima. Renunciou à prefeitura da capital do Estado em abril de 2026. Foi o mais votado na eleição suplementar para governador, em junho, mas não foi proclamado eleito porque seu registro havia sido indeferido pelo TRE-RR (Tribunal Regional Eleitoral de Roraima), e os votos ficaram sob análise judicial.

  • Santa Catarina - Jorginho Mello (PL)

Governador de Santa Catarina desde 2023, Jorginho foi reeleito com mais de 68% dos votos. Foi senador de 2019 a 2022. Antes, foi deputado federal por dois mandatos e deputado estadual por quatro mandatos, tendo presidido a Assembleia Legislativa. Também foi vereador de Herval d'Oeste no início da carreira política.

  • São Paulo - Tarcísio de Freitas (Republicanos)

Governador de São Paulo desde 2023, foi reeleito com quase 63% dos votos. Foi ministro da Infraestrutura do governo Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022. Antes, foi diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e secretário do Programa de Parcerias de Investimentos no governo Michel Temer.

  • Sergipe - Fábio Mitidieri (PSD)

Governador de Sergipe desde 2023, foi reeleito com quase 60% dos votos. Foi deputado federal por dois mandatos. Antes, foi vereador de Aracaju, secretário municipal de Esporte e Lazer e secretário estadual do Trabalho. É filho de Luiz Mitidieri, ex-deputado estadual por Sergipe.

Os Estados que vão ao 2º Turno

  • Acre - Mailza Assis (PP) x Alan Rick (Republicanos)

Com 49% dos votos, Mailza Assis (PP) vai para o segundo turno na frente. Ela é a atual governadora do Acre, assumindo com a saída de Gladson Cameli (PP). Foi senadora entre 2019 e 2023. Já Alan Rick (Republicanos) foi deputado federal por dois mandatos e é senador pelo Acre desde 2023.

  • Amazonas - Omar Aziz (PSD) x Professora Maria do Carmo (PL)

Omar Aziz, senador pelo Amazonas desde 2015, vai tentar ser governador novamente. Ele governou o Estado entre 2010 e 2014. Teve 40% dos votos.

A professora Maria do Carmo é empresária e reitora da Fametro, universidade privada importante do Amazonas. Nunca exerceu cargo eletivo, mas já concorreu como suplente ao Senado e como vice-prefeita da cidade de Manaus em 2024.

  • Distrito Federal - Celina Leão (PP) x Leandro Grass (PT)

Governadora do Distrito Federal desde março de 2026, quando assumiu definitivamente o cargo após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), Celina Leão terminou com 49% dos votos. Ela vai enfrentar Leandro Grasse (PT), ex-deputado distrital e ex-presidente do Iphan.

  • Espírito Santo - Lorenzo Pazolini (Republicanos) x Ricardo Ferraço (MDB)

Ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini teve 49,6% dos votos no primeiro turno. Em segundo lugar, veio Ricardo Ferraço, com 34% dos votos. Ferraço é o atual governador do Espírito Santo desde abril de 2026, quando sucedeu Renato Casagrande (PSB).

  • Rio de Janeiro - Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD)

Douglas Ruas, deputado estadual em primeiro mandato e presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) desde 2026, teve mais de 49% dos votos. Policial civil de carreira, é filho de Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo.

Ele enfrenta Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito do Rio de Janeiro, eleito quatro vezes para o cargo.

  • Rio Grande do Norte - Allyson Bezerra (União) x Cadu de Lula (PT)

O primeiro turno no RN teve Allyson Bezerra e Cadu de Lula com 36% dos votos, com Allyson um pouco à frente

Allyson é ex-prefeito de Mossoró, eleito em 2020 e reeleito em 2024. Antes, foi deputado estadual por um mandato. Cadu é ex-secretário da Fazenda do Rio Grande do Norte e auditor fiscal do Estado desde 2005. Antes de comandar a Fazenda, foi secretário estadual de Tributação.

  • Tocantins - Professora Dorinha (União) x Vicentinho Júnior (PSDB)

Professora Dorinha (União), senadora pelo Tocantins desde 2023, aparecia na frente no primeiro turno, com 45% dos votos. Vicentinho Júnior, deputado federal pelo Tocantins desde 2015, tem 43%.


Professor Edgar Bom Jardim - PE

Raquel Lyra é reeleita



                  


Professor Edgar Bom Jardim - PE

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Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

domingo, 13 de setembro de 2026

Museu de Bom Jardim convida todos para 20ª Primavera dos Museus







A 20ª Primavera dos Museus será realizada de 21 a 27 de setembro de 2026, com o tema “Museus para todas as pessoas”. A iniciativa promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) reúne instituições museais e culturais de diferentes regiões do país em uma programação voltada à reflexão sobre acesso, participação, diversidade e direito à memória. 

A edição propõe discutir as condições de acesso e participação nos museus, considerando diferentes tipos de barreiras, como as físicas, econômicas, comunicacionais, tecnológicas, cognitivas, sensoriais e atitudinais. A temática também contempla a representação de diferentes grupos sociais nas narrativas e práticas museais. 

O Museu de Arte, Som, Imagem e Memória da Cultura Popular de Bom Jardim e Pernambuco( Museu de Bom Jardim), também integra a Programação Nacional com exposição de artes integradas ( pintura, fotografia, sessão de curtas, literatura de cordel, escultura, artesanato); Feira Cultural(empreendedorismo criativo e solidário, show musical, venda de produtos do artesanato e da cultura alimentar); Projeto Museu Itinerante: 2ª Caminhada Pelo Clima Sustentável ( parceria Museu de Bom Jardim e EREM Justulino Ferreira Gomes). 


Para saber mais acesse: https://visite.museus.gov.br/colecoes/20a-primavera-dos-museus/?metaquery%5B0%5D%5Bkey%5D=38430&metaquery%5B0%5D%5Bvalue%5D%5B0%5D=1363670&metaquery%5B0%5D%5Bcompare%5D=IN&perpage=24&view_mode=cnegrid&paged=1&order=DESC&orderby=meta_value&metakey=38419&metatype=DATETIME&fetch_only=thumbnail%2Ccreation_date%2Ctitle%2Cdescription&fetch_only_meta=


Professor Edgar Bom Jardim - PE

Camisa de força e maus-tratos: brasileiros vão à Justiça contra ICE



Agente da Polícia de Imigração americana (Foto: Reprodução)

No final da semana passada, Daniel Fernandes Alves finalmente respirou aliviado. Depois de meses em uma prisão nos EUA esperando para ser deportado, ele finalmente foi colocado num avião em direção ao Brasil. A primeira parada seria a Colômbia, onde parte dos passageiros foi deixado pelo ICE.

Mas quando o voo foi reiniciado, desta vez para Belo Horizonte, o brasileiro de 64 anos pediu para ir ao banheiro. Por conta de remédios controlados para diabete e pressão que Daniel estava tomando, a necessidade era real. Mas seu pedido foi negado e lhe foi sugerido que urinasse nas calças. A tensão subiu, com a discussão entre os passageiros e os agentes de segurança no avião que, instantes antes, tinham autorizado outro deportado e ir ao banheiro.

Desesperado e ainda algemado, o brasileiro insinuou que poderia urinar onde estava mesmo. O agente deu uma empurrão e, como resposta, Daniel retrucou com outro empurrão. O segurança caiu sobre os bancos do avião. Imediatamente, o deportado foi imobilizado por três seguranças, que o atiraram no chão do avião. “Colocaram o joelho no meu pescoço e na minha cabeça”, contou.

Em seguida, os agentes do ICE colocaram uma camisa de força no brasileiro, enquanto uma médica que acompanhava o voo alertava que ele precisava de fato ir ao banheiro e que, por sua condição de saúde, não poderia ficar preso daquela forma. De nada adiantou.

Foi apenas uma hora e meia depois que ele seria autorizado a ficar apenas de algemas. A tensão no voo ainda levou os demais passageiros a permanecerem presos, apesar do acordo entre os EUA e o Brasil de que, sobrevoando o território nacional, ninguém deveria ser algemado. O temor dos agentes do ICE era de que os brasileiros se rebelassem diante do tratamento de Daniel.

Ao pousar em Belo Horizonte, o brasileiro foi o primeiro a ser retirado do avião e entregue para a Polícia Federal. Num informe, o ICE acusava Daniel de “atentado ao pudor” e “agressão”. As autoridades nacionais, porém, rejeitaram qualquer ação e liberaram o brasileiro.

O episódio foi apenas o último capítulo de mais de um ano de sofrimento e humilhações por parte do brasileiro de Minas Gerais. Em entrevista ao ICL Notícias, Daniel conta que está organizando com outros brasileiros uma ação para denunciar o governo Trump e o ICE por maus-tratos. A denúncia será apresentada por advogados nos tribunais nos EUA e já envolve pelo menos seis casos de maus-tratos. Orientado por advogados, Daniel fará um exame de corpo delito para incluir os dados em sua queixa.

Há pouco mais de um mês, na fila para o refeitório da prisão onde o brasileiro estava, os agentes do ICE empurraram um dos detentos que, por sua vez, caiu sobre Daniel. O brasileiro se chocou com grades e os hematomas se espalharam pelo corpo.

Os casos de humilhação foram constantes aos longo do meses.

Daniel vivia há mais de vinte anos na região de Orlando, Flórida. Durante esse período, teria mantido residência, atividade profissional e obrigações tributárias no país, além de possuir autorização de trabalho e habilitação para dirigir. Sua empresa de construção chegou a empregar 14 pessoas, inclusive americanos.

Assim como tem ocorrido com milhares de imigrantes, o brasileiro tentava regularizar sua situação quando, numa das audiências regulares com as autoridades, em 4 de junho de 2025, foi preso.  Por um processo kafkiano, o que era para ser apenas um período curto de prisão antes de ser deportado ao Brasil se transformou numa saga sem fim.

Por ter iniciado vários processos desde 2020 para regularizar sua situação e apresentado recursos nos tribunais ao longo dos últimos anos, Daniel teria de renunciar a tudo isso para que pudesse ser deportado. Desesperado, ele abriu mão de tudo e pediu para ser enviado ao Brasil. Mas a burocracia, a lentidão do sistema de Justiça americano e o acúmulo de estrangeiros levaram o brasileiro a ser esquecido.

Ele primeiro foi levado para uma prisão na região de Orlando. Depois, para Folkston ICE Processing Center, também identificado como D. Ray James, no estado da Geórgia. O local é alvo de sérias denúncias de violações de direitos humanos e foi apelidado como “Devil’s Center”, ou simplesmente o Centro do Diabo.

Agente da Polícia de Imigração americana (Foto: Reprodução)

Doente e fraco, ele explicou como era a prisão. “Não tem higiene, não tem água potável para tomar”, insistiu.

Para Daniel, ele e os demais estrangeiros em sua cela viviam como “lixo” e “criminosos”. “Dormimos em um beliche de metal, com um colchaozinho”, relatou. Para ele, o problema maior era a sujeira e o ar condicionado que mantém o quarto permanentemente em cerca de 14 graus Celsius.

Ele descreve que sentiu falta de ar e muita tosse. “Há muita gente doente dentro dos quartos. Como se tivessem o coronavirus”, disse. Quando pedia remédio, o atendimento podia levar até uma semana para ser atendido.

No local para cerca de 70 pessoas, existem apenas três sanitários e quatro pias. “Tomamos a mesma água do banheiro. Para não nos contaminar, fervemos a água no microonda. No banheiro, se pisar, pega fungos no pé. E somos obrigados a limpar o quarto. Se não fizermos isso, eles nos retiram tudo, televisão, telefone. Éramos ameaçados 24 horas por dia”, disse.

Daniel reclama da comida, uma queixa recorrente entre os detentos em dezenas de centros mantidos pelo governo. De acordo com as normas do ICE para serviços de alimentação, os detidos devem receber três refeições diárias — sendo duas delas quentes — e não pode haver um intervalo superior a 14 horas entre a refeição noturna e o café da manhã.

O problema é que o Congresso destinou recursos ao ICE para a detenção de até 41.500 pessoas. Mas, no início de julho, o ICE mantinha mais de 57.000 detidos em suas instalações por todo o país, segundo dados da própria agência.

O resultado tem sido contaminação em alimentos e uma redução brutal na qualidade do que é servido. Segundo o brasileiro que tem pré-diabete e colesterol elevado, aquela comida apenas piorou sua a situação.

Mas é a depressão que assusta. Por conta do barulho no quarto com tantas pessoas, Daniel só conseguia dormir quando já é madrugada. Mas os policiais acordam todos muito cedo. “Da muita tristeza ser tratado como um animal num país de primeiro mundo. Nem animal se trata assim”, disse.

Daniel não conseguia descansar nem mesmo quando dorme. “Eu tinha muito pesadelo. Já acordei gritando pela noite, pensando que havia alguém tentando me matar”, contou.  Isso se agravou depois que ele presenciou um ato de violência de um policial contra um estrangeiro, em uma das prisões. O rapaz sofreu uma lesão craniana e acabou morrendo no hospital. “Testemunhei várias brigas. Não se dorme tranquilo”, afirmou o brasileiro.

Seu relato é de um local que é o espelho de uma política marcada pelo supremacismo branco. Ali, estão os indesejados do planeta. “São venezuelanos, africanos, haitianos, de Honduras, Guatemala, México, China e tantos outros”, disse.

Questionado sobre o que aqueles estrangeiros falam sobre o governo Trump, Daniel não deixa dúvidas do sentimento de indignação que reina na prisão. Mas admite que muitos se iludiram com as promessas do presidente de que iria deportar apenas criminosos.

“Foi falado que ele iria acabar com as pessoas que estavam cometendo crimes. Até muitos imigrantes e brasileiros concordaram. Havia muita baderna. Assaltaram minha casa que eu estava construindo. Até eu concordada em retirar os criminosos. Mas o governo saiu do controle. Mataram pessoas inocentes e até americanos. O governo está descontrolado. Vai ser um governo muito odiado pelo mundo”, constatou.


Por Jamil Chade \ ICL Notícias


Professor Edgar Bom Jardim - PE