domingo, 6 de janeiro de 2019

J.M. Coetzee e a despoetização do mundo da mesmice


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Há muitas história soltas. A vida sempre pede narrativas. Não há como limitá-las. A imaginação corre solta e o mundo contemporâneo sofre de peripécias desafiantes. Portanto, é preciso que surjam escritores, que as palavras não se inibam e que as aventuras tenham marcas. Coetzee é um viajante das existências inusitadas. Sacode reflexões e metáforas que desnudam as angústias  cotidianas. Não entra no romantismo, mas propõe longos diálogos com a subjetividade. Ganhou prêmios, espalhou suas fantasias pelo mundo, festeja o lugar comum dos infantilizados..
Impressionou-me sua aridez. Não esconde as dores. Inquieta e não se refugia . Parece que a sociedade é definitivamente excludente. Os espaços são restritos, os escolhidos são poucos. Mesmo assim há quem sonhe, poetize o deserto e ame as mulheres impossíveis. Fico perplexo. O afeto se perde nas decepções enfadonhas. No entanto, a sociedade constrói turbulências, luta-se para fugir das mesmices, embora ela seja persistente. As esperanças ficam presas em absurdos ou injustiças que geram lamentos. Talvez, a paixão disfarce  uma aventurade nada estimulante.
No seu livro, Juventude, mostra que somos atormentados. Moramos em cubículos, quanto, muitas vezes, pensamos em conquistar territórios imensos. Não há sossego e a depressão arma suas surpresas, derruba verdades, desvenda o mesquinho. As disputas não cessam, pois a grana dita normas, se torna a deusa do mundo. Coetzee não mascara as crueldades. Joga como fracasso, com a velhice precoce, como os desejos totalmente traiçoeiros. Alguém se imagina poeta num mundo sem traços de beleza que consiga alcançar e se enlaça com incertezas constantes. A incompletude não é uma invenção qualquer, está infiltrada no absurdo do viver.
O desemparo é uma visita permanente. Existem as ilusões. Ninguém pode desmontá-las de repente. Viver talvez seja sobreviver. Tudo se assemelha a um destino de labirintos sombrios. Será que as transcendências são feitiços? Será que os lugares não dispensam as indiferenças? John é uma apaixonado pela literatura, mas confessa seus escorregões. Não se define, nem arquiteta seus encontros mais profundos. Risca, não compõe a sinfonia, sente-se estranho ou inimigo do que desenhou para ultrapassar seus limites. Sabe-se amargo e anda como um corpo mal programado. Quem consegue afastar os fantasmas de o autor estimula? Na confusão, o eu nem sabe que o outro e vazio e frágil.
Paulo Rezende
Professor Edgar Bom Jardim - PE

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