domingo, 13 de junho de 2021

'Brasil nunca aplicou Paulo Freire', diz pesquisador



José Eustáquio Romão | Foto: Divulgacao

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Amigo pessoal de Freire, Romão diz que críticos do educador "falam bobagem" sobre sua influência na educação brasileira

"Chega de doutrinação marxista. Basta de Paulo Freire". A frase, que aparecia em uma faixa durante a manifestação contra o governo Dilma Rousseff em Brasília, em março de 2015, causou polêmica nas redes sociais e provocou até uma resposta da ONU, defendendo o educador brasileiro famoso mundialmente pela teoria da pedagogia crítica.

Considerado patrono da educação no Brasil desde 2012, Freire dá nome a institutos acadêmicos em países como Finlândia, Inglaterra, Estados Unidos, África do Sul e Espanha, mas, em sua terra natal, tem sido criticado por manifestantes e articulistas pelo que consideram sua "influência esquerdista" no ensino.

O historiador e doutor em Educação José Eustáquio Romão, seu amigo pessoal e especialista em sua obra, discorda: "Paulo Freire nunca foi aplicado na educação brasileira. (...) Ele entra (nas universidades) como frase de efeito, como título de biblioteca, nome de salão."

Foto: Reprodução Twitter

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Manifestantes criticaram Paulo Freire durante protestos anti-governo em março de 2015

Em entrevista à BBC Brasil, ele diz que as ideias e o método de alfabetização de adultos criado por Freire já serviram de base para políticas públicas em diversos países, mas ainda se resumem a experiências pontuais no Brasil.


"Estou convencido de que se aplicarmos hoje (o método), acabamos com o analfabetismo no Brasil em um ano", afirma.

Segundo os dados mais recentes do IBGE, o Brasil ainda possui 13 milhões de analfabetos, apesar da diminuição do índice nos últimos anos.

Romão, que é um dos fundadores do Instituto Paulo Freire e, atualmente, diretor de mestrado e doutorado na Universidade Nove de Julho (Uninove), em São Paulo, passou os últimos 15 anos em busca do manuscrito perdido do livro Pedagogia do Oprimido, obra mais conhecida e traduzida do educador pernambucano, morto em 1997.

O manuscrito, que contém trechos inéditos do livro – publicado nos Estados Unidos em 1970 e proibido pelo regime militar brasileiro até 1974 – sobreviveu à ditadura chilena nas mãos de Jacques Chonchol, ex-ministro de Agricultura no governo de Salvador Allende (1970-1973). Agora, foi devolvido ao Brasil.

Confira alguns dos principais trechos da entrevista.

BBC Brasil: Como o senhor descobriu a existência do manuscrito? E como o encontrou?

José Eustáquio Romão: Foi uma busca de 15 anos. Algumas vezes ele (Paulo Freire) dizia para nós, que éramos amigos mais próximos, que gostaria de rever o manuscrito antes de morrer. Mas, pelo que a gente sabia, os originais do livro tinham sido datilografados.

Paulo era muito desorganizado. Ele escrevia até em guardanapo quando tinha uma boa ideia. Então um de seus amigos juntou essa papelada e datilografou em 1968. Quando Paulo falava de manuscrito, eu achava que ele estava delirandoMas não estava.

Ele foi um dos primeiros a ser preso pelos militares, em abril de 1964, porque havia sido convidado a fazer parte de um projeto do governo João Goulart após o sucesso da sua experiência de alfabetização de camponeses no Rio Grande do Norte, em 1963.

Após 70 dias na prisão, ele conseguiu se exilar na Bolívia e, de lá, foi para o Chile, onde conheceu o ministro Jacques Chonchol, uma figura de destaque na política chilena, que articulou a eleição de Salvador Allende. Chonchol chamou Paulo para trabalhar com ele e os dois ficaram amigos.

Anos depois, Paulo foi convidado a ensinar aos doutores em Harvard (nos Estados Unidos), mesmo sem nenhum título, por causa de seu método de alfabetização de adultos. Antes de ir, decidiu copiar os originais de seu livro e dar este manuscrito de presente ao casal Chonchol.

Só que, depois de Allende, Chonchol era o homem mais visado pela polícia do (general Augusto) Pinochet. Ele só não foi morto no palácio junto com Allende (no golpe militar chileno, em 1973) porque estava em missão, mas chegou a Santiago no dia do golpe. Avisado pelos amigos, ele fugiu pela cordilheira (dos Andes). No fim, foi parar na França e ficou 20 anos no exílio.

A polícia de Pinochet invadiu a casa de Chonchol em Santiago, levou uma série de documentos e queimou livros. Mas o manuscrito de Paulo Freire parecia um documento sem importância, então ficou intacto. Anos depois, a irmã do ex-ministro conseguiu sair do país para visitá-lo na França e levou o manuscrito, achando que poderiam ser documentos pessoais.

Quando eu finalmente consegui localizá-lo, Chonchol me disse que várias vezes teve a tentação de doar o manuscrito para a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em Paris, mas resolveu não fazê-lo. Eu consegui convencê-lo a devolver o manuscrito para o Brasil.

BBC Brasil: Quais são as principais diferenças entre o livro Pedagogia do Oprimido como é conhecido hoje e o manuscrito?

Romão: A parte do livro em que Paulo Freire fala sobre a "teoria da ação revolucionária" não existe em nenhuma edição em nenhuma parte do mundo. O que nos faz supor que os (editores) americanos tiraram diversas partes – eu já fiz uma leitura comparada e comprovei que não estão lá.

Foto: BBC
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Trechos retirados do livro original por editores americanos descreviam, com diagramas, uma "teoria da ação revolucionária"

Eles tiraram coisas que acharam um pouco mais perigosas para a ideologia liberal norte-americana. Não fazem por mal, mas por princípio ideológico. É uma teoria de esquerda mesmo, diz que o sujeito da história não são as lideranças, é o coletivo das massas oprimidas. Americano não vai admitir isso, nem os Democratas.

BBC Brasil: O que a Fundação Paulo Freire pretende fazer com o original?

Romão: A família dele nos autorizou a fazer mil exemplares do texto, mas não a vendê-los. Estamos distribuindo uma versão digitalizada a editores e às grandes bibliotecas do mundo, para que as novas edições se baseiem nisso aqui.

O manuscrito atualmente está escondido, eu o escondi. Ele vale milhões. Além disso, não queremos que suma novamente (risos).

BBC Brasil: Que relevância teria uma nova edição deste livro num momento em que setores da sociedade fazem duras críticas ao PT - do qual Freire foi membro fundador – e à influência dele na educação brasileira?

Romão: Alguns críticos falam muita bobagem, dizem que a educação brasileira está ruim por que Paulo Freire está sendo aplicado. Primeiro, Paulo Freire nunca foi aplicado na educação brasileira. Estamos lutando para ver se ele entra nas universidades até hoje.

Ele entra como frase de efeito, como título de biblioteca, nome de salão. Isso eu já vi no Brasil inteiro. Mas o pensamento dele não entrou até hoje.

BBC Brasil: Por que não?

Romão: Antes eu achava que era porque ele não tinha títulos e o Brasil é um país muito credencialista. Isso a gente deveria aprender com os norte-americanos, que o convidaram para Harvard. Eles não fazem questão de diploma, fazem de competência.

Paulo nunca fez Pedagogia, nunca fez licenciatura. Fez Direito à noite, um curso mal feito, abandonou a profissão na primeira causa. Mas era um gênio.

Lendo com mais calma e profundidade a obra dele, vejo que ele faz uma inversão intelectual tão violenta que os intelectuais tremem nas bases. Todos eles têm a mania de considerar que devemos partir da teoria para iluminar a realidade, e Paulo Freire desmonta isso. Ele diz que a legitimidade do conhecimento só vem da prática.

BBC Brasil: Como você responde a críticas sobre o viés de esquerda na obra de Paulo Freire?

Romão: Eu não tenho o conceito de ideologia que (a filósofa) Marilena Chauí tem. Ela considera que ideologia é algo ruim, para mim é apenas a visão de mundo. Todo discurso é ideológico no sentido de que parte de determinada perspectiva, do olhar de quem olha.

Quem faz esse tipo de crítica está considerando que seu próprio discurso não é ideológico. Ao meu juízo, é menos ideológico (de maneira negativa) quem revela a sua visão de mundo logo no início, porque prepara o interlocutor para dizer "há outras visões de mundo, há outras ideologias que interpretariam isso de maneira diferente".

Há um grupo conservador que considera Paulo Freire de extrema esquerda. E há o grupo de esquerda que considera Paulo Freire conservador, idealista. Quem tenta conciliar teorias, como ele tentou conciliar – sem fazer ecletismo – leva tiro de todos os lados.

BBC Brasil: A obra de Freire também é criticada por ter referências a figuras como Che Guevara (guerrilheiro argentino) e Mao Tsé-Tung (líder comunista chinês).

Romão: Quero que me apontem o texto de Paulo Freire em que ele insiste tanto em Mao Tsé-Tung.

BBC Brasil: Pedagogia do Oprimido tem uma referência...

Romão: Ele faz apenas uma referência a uma teoria das mais amenas de Mao. Marx dizia que o motor da história é a classe operária. E Mao dizia que não, que existe o motor, mas que a fagulha do motor são as classes médias, que desencadeiam acontecimentos.

Ele diz que o povo pode fazer coisas irracionais e, por isso, tem que haver coordenação do processo revolucionário e isso nem sempre ocorre pelo proletariado. Marx e os marxistas ortodoxos, inclusive, devem ter se revirado no túmulo com essa.

Além disso, Paulo não aceita o maoísmo puro, nem o marxismo puro. Aliás, ele usava uma metáfora interessante, dizia que era "um barbudo no meio de dois barbudos": Jesus Cristo e Karl Marx.

Por isso, há repercussões políticas importantes na teoria dele. Os freireanos não propõem eliminar o opressor e, sim, salvá-lo também, a partir do momento em que os oprimidos se libertam.

BBC Brasil: O que Paulo Freire diria sobre a violência no regime comunista chinês, no soviético e no cubano?

Romão: Tem um texto seminal dele, que está na Pedagogia da Autonomia, em que ele diz que somente a consciência fanática, que ele chama de fundamentalismo, leva ao processo de violência e destruição.

Ele diz que a tendência do oprimido – ao incorporar o discurso, os valores e a atitude do opressor – é a violência física ou simbólica.

Por isso mesmo a humanidade só avança quando os oprimidos deixam de tentar imitar seu opressor. Quando eles não querem trocar de lugar com o opressor, mas mudar as relações de opressão. E por isso que é raro na história isso ocorrer.

BBC Brasil: Como você responderia aos críticos que dizem que é ruim ter Paulo Freire sendo lido por estudantes porque isso pode, de alguma maneira, "transformá-los em esquerdistas"?

Romão: Não significa transformá-los em esquerdistas porque o que Paulo Freire mais insiste é "não me repita".

Esse é o princípio fundamental da metodologia freiriana de construir conhecimento: "não me repita, mas se considerar que alguma ideia minha resolve algum problema da realidade, reinvente essa ideia em cada contexto". Não sei que influência maléfica nos alunos seria essa.

Paulo Freire | Foto: Instituto Paulo Freire via MEC

CRÉDITO,INSTITUTO PAULO FREIRE VIA MEC

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No Brasil, Freire é criticado por viés de esquerda em suas obras mais conhecidas

BBC Brasil: Algum país realmente aplicou as ideias de Paulo Freire na educação?

Romão: Um país muito simpático ao conjunto da obra do Paulo Freire é a Finlândia, que avançou muito na educação. Cuba também acabou com o analfabetismo com base no método. A Coreia do Sul também. Para você ter uma ideia, o maior seminário internacional sobre Paulo Freire foi realizado na Universidade Nacional da Coreia do Sul há três anos. Estávamos lá debatendo com todas as autoridades coreanas e todos os freirianos do mundo.

Há projetos freirianos na Hungria, no Japão... tem um grupo trabalhando com a alfabetização de decasséguis que sofrem por ir viver lá e não dominar o idioma. Estão usando o método de Paulo Freire para alfabetizá-los na segunda língua. Os grupos que estão tendo sucesso são os que reinventaram. Aplicaram só os princípios, mas têm pontos de partida que são bem diferentes.

O Brasil não aplica sequer esse método. Há experiências de sucesso pontuais, mas isso não é usado como política. Sei também que na Armênia agora estão fazendo uma grande experiência com as ideias de Paulo Freire. E no País Basco.

Certa vez, eu estava no deserto de Góbi, na Mongólia, com o povo nômade, em missão. Em uma tenda, vi os criadores de cabra sendo alfabetizados por dois professores. Eu não entendia nada do que eles falavam, mas um nome soava meio familiar. Era Paulo Freire. Eles estavam com o último capítulo da Pedagogia do Oprimido nas mãos, traduzido para o chinês, que trata justamente do método de alfabetização.

BBC Brasil: O que há de tão extraordinário no método de alfabetização de adultos de Paulo Freire?

Romão: Fui a Angicos, no sertão do Rio Grande do Norte, porque lá, Paulo Freire, com um grupo de estudantes – nenhum deles de Educação – alfabetizou primeiro uma turma de 30 e, no final, 300 camponeses. Por que hoje a gente começa com uma turma de 30 adultos e termina com três? Por que eles não aguentam o curso?

Conseguimos conversar com os alfabetizados daquela época. Eu saí convencido de que, se aplicarmos hoje o que fizeram lá, acabamos com o analfabetismo no Brasil em um ano. É tão simples.

A pessoa precisa aprender que as letras constroem as palavras, mas não vai ter interesse nenhum se não souber pra que a palavra serve na sua vida. Por isso, um "círculo de cultura" substitui a aula. Nele, você vai discutir a vida das pessoas. Parece que está perdendo tempo, mas em um mês eles são alfabetizados, com 40 horas de aula.

José Eustáquio Romão | Foto: Divulgação

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Manuscrito de Pedagogia do Oprimido "vale milhões" e está escondido, segundo Romão

Tenho uma experiência escrita à mão por uma pessoa que foi alfabetizada por ele em Brasília, a famosa experiência do tijolo. Tijolo foi uma palavra (usada por Paulo Freire como) "geradora" porque (os alunos) eram operários da construção civil, estavam construindo Brasília.

Ele mostrou aos alunos um tijolo físico, o partiu e colou nele as sílabas da palavra tijolo. E pediu que as pessoas formassem outras palavras a partir daquelas sílabas. As pessoas primeiro gravaram mentalmente as sílabas e as combinaram: jiló, laje, etc. Uma senhora, no entanto, fez uma frase: "Tu já lê". Estava alfabetizada.

  • Camilla Costa
  • Da BBC Brasil em São Paulo
Professor Edgar Bom Jardim - PE

G7: Biden quer formar aliança para combater influência global da China




Biden se uniu a outros líderes mundiais como o presidente francês Emmanuel Macron e a chefe da Comissão Europeia Ursula von der Leyen

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Biden se uniu a outros líderes mundiais como o presidente francês Emmanuel Macron e a chefe da Comissão Europeia Ursula von der Leyen em encontro do G7 na Cornualha, Inglaterra

O presidente dos EUA, Joe Biden, deve pedir a líderes de outros países ocidentais que se oponham à crescente influência da China durante o segundo dia da cúpula do G7, disse um auxiliar do líder norte-americano à BBC.

Na reunião, que começou na sexta-feira (11), na Grã-Bretanha, o presidente Biden deve convocar uma nova aliança para rivalizar com os investimentos de Pequim em infraestrutura nos países em desenvolvimento.

Os EUA e seus aliados acusam a China de trabalho forçado e outras violações dos direitos humanos na província de Xinjiang (leia mais abaixo).


No encontro, os líderes do G7 também se comprometerão com um novo plano para impedir futuras pandemias.

As medidas incluem reduzir o tempo necessário para desenvolver vacinas e tratamentos para Covid-19 para menos de 100 dias.

Análise: Um plano dos EUA para se opor à China

Jon Sopel, editor de EUA da BBC

Os americanos veem a sessão de sábado no G7 como uma oportunidade de desafiar o aumento da influência chinesa em todo o mundo.

A iniciativa Rota da Seda, de Pequim, que despejou bilhões de dólares em projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento, deverá ser combatida pelas democracias ocidentais.

Altos funcionários do governo Biden querem provar que os valores ocidentais podem prevalecer. Eles argumentam que os investimentos chineses têm um preço muito alto e miram as denúncias de trabalhos forçados da minoria uigur em Xinjiang como moralmente terríveis e economicamente inaceitáveis, pois impedem a concorrência justa.

As cadeias de suprimentos globais, Joe Biden insistirá, devem estar livres desta modalidade de trabalho. Autoridades americanas dizem que não se trata apenas de confrontar a China, mas de apresentar uma alternativa positiva para o mundo.

Mas o governo Biden tem sido vago sobre como e quanto os países ricos do ocidente poderão contribuir com esse plano de infraestrutura global e em que prazo.

O que está claro é uma determinação renovada entre as potências ocidentais de que precisam agir agora para conter uma China ressurgente e cada vez mais poderosa.

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O que as potências ocidentais fizeram sobre a China até agora?

No início deste ano, os EUA, a União Europeia, o Reino Unido e o Canadá introduziram sanções coordenadas contra a China.

As sanções, incluindo proibições de viagens e congelamento de bens, tiveram como alvo altos funcionários em Xinjiang, que foram acusados de graves violações dos direitos humanos contra a população muçulmana uigur.

Estima-se que mais de um milhão de uigures e outras minorias foram detidos em campos na província do noroeste.

O governo chinês foi acusado de realizar esterilizações forçadas em mulheres uigur e separar crianças de suas famílias.

Campo de detenção para minorias na região de Xinjiang, em 4 de setembro de 2018.

CRÉDITO,REUTERS

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A China criou uma ampla rede de campos de detenção para minorias na região de Xinjiang

Uma investigação da BBC publicada em fevereiro continha depoimentos de primeira mão de estupro sistemático, abuso sexual e tortura de detidos.

A China respondeu com suas próprias sanções às autoridades europeias.

Qual é o plano do G7 para a covid-19?

Os líderes vão emitir a Declaração da Baía de Carbis no sábado. Seu objetivo é prevenir qualquer repetição da devastação humana e econômica causada pela Covid-19.

Globalmente, mais de 175 milhões de pessoas tiveram a doença desde o início da pandemia, com mais de 3,7 milhões de mortes relacionadas à covid, de acordo com a Universidade Johns Hopkins dos Estados Unidos.

G7 leaders

A declaração do G7 deve detalhar uma série de etapas, incluindo:

• Redução no tempo necessário para desenvolver e licenciar vacinas, tratamentos e diagnósticos para qualquer doença futura para menos de 100 dias

• Reforço às redes globais de vigilância e à capacidade de sequenciamento genômico

• Apoio à reforma e fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS)

Espera-se que a declaração incorpore recomendações de um relatório de um grupo de especialistas internacionais provenientes da indústria, governo e instituições científicas.


BBC

Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 12 de junho de 2021

Morre, aos 80 anos, o ex-vice-presidente da República Marco Maciel




O ex-vice-presidente da República Marco Maciel, morreu na madrugada deste sábado (12), aos 80 anos. Eles estava internado em um hospital de Brasília, em decorrência de complicações do Alzheimer. Ele deixa a mulher Anna Maria e três filhos. As informações iniciais dão conta de que o enterro será em Brasília, na tarde deste sábado (12), em cerimônia restrita a familiares por conta da pandemia.


Políticos, como os ex-ministros Ciro Gomes (PDT-CE) e Mendonça Filho (DEM-PE), lamentaram a morte do político. "Homem decente e de espírito publico, dignificou as melhores tradições pernambucanas na política brasileira. Meus sentimentos à família e amigos", disse Ciro."Falar de Marco Maciel é falar de uma história de honradez, de trabalho em defesa do país e dos valores democráticos. Conciliador, foi um homem público que simboliza a seriedade, a honestidade, o trabalho, a integridade e a simplicidade", afirmou Mendonça Filho.


Desde 2014, Maciel sofria do mal de Alzheimer. Segundo familiares, ele recuperou-se da Covid-19 após período de internação em março, mas retornou ao hospital em decorrência de uma infecção. Morreu de falência múltipla dos órgãos. Nascido em 1940, no Recife, Maciel defendeu desde a juventude um ideário liberal. Em 1963, aluno de direito, presidiu a União dos Estudantes de Pernambuco, que lhe deu uma tribuna de onde criticava o governo do presidente João Goulart e do governador de seu estado natal, Miguel Arraes.

Antes de testar sua popularidade nas urnas, Maciel foi secretário-assistente do governador Paulo Guerra. Com a experiência acumulada no executivo, elegeu-se deputado estadual em 1966. Na legislatura seguinte, Maciel já estava em Brasília, para exercer o mandato de deputado federal. Reeleito em 1974, se tornaria, três anos depois, presidente da Câmara dos Deputados.

No governo José Sarney, Maciel foi ministro da Educação e, em 1986, chefe do Gabinete Civil, de onde fez a ponte entre o governo e o Congresso. Em 1987 voltou ao Senado e integrou a Assembleia Nacional Constituinte. Em 1994, ao defender que seu partido não lançasse candidato na eleição presidencial, desempenhou papel importante na costura do acordo entre o PFL e o PSDB, que resultou na eleição do tucano FHC. O acordo pressupunha que o PFL indicaria o nome do vice na chapa. 

No governo, a partir de 1995, Marco Maciel conferiu importância à vice-presidência, posto que usava, com eficiência, para fazer articulações políticas. Em 2002 voltou ao Senado, mas em 2010, já filiado ao DEM, não conseguiu se reeleger. Autor de obras sobre a política brasileira contemporânea, Maciel foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2003.

Depoimentos


Com a morte de Marco Maciel, o Brasil perde um político que sempre esteve aberto ao diálogo e ao entendimento. Ao longo de sua trajetória como deputado, governador, senador, ministro e vice-presidente da República, Marco Maciel defendeu suas posições com ética e elevado espírito público. Características que também o destacaram na Academia Brasileira de Letras. Presto minha solidariedade à dona Anna Maria Maciel, aos filhos e demais parentes e amigos. Fica decretado luto oficial de sete dias, em homenagem a esse grande pernambucano"Paulo Câmara, governador de Pernambuco

Professor Edgar Bom Jardim - PE