quinta-feira, 6 de julho de 2017

BOM JARDIM: quantos jovens desconfiam terem sido infectados pelo HIV/Aids


Lucas Patrick MachadoDireito de imagemEMANOELE DAIANE/BBC BRASIL
Image captionLucas Patrick Machado convive com o HIV há três anos e desistiu de denunciar transmissão intencional por dificuldade de apuração

Lucas Patrick Machado, de 24 anos, conheceu Celso* em uma rede social, em julho de 2014. Ambos vivam em Cáceres (MT), trocaram mensagens por duas semanas e marcaram um jantar no final daquele mês.
"Ele sempre dizia que eu era bonito, legal, que queria me conhecer e que poderíamos ficar juntos. Por isso decidimos sair", lembra Machado. O encontro terminou em um motel, onde mantiveram relações sexuais com preservativo.
"Eu tinha dito que estava sem camisinha e pedi a ele que levasse, porque estava sem dinheiro." Após a primeira relação, Machado estranhou a postura de Celso, que não demonstrou interesse em manter contato.
"Depois que a gente transou, ele se levantou correndo e jogou a camisinha fora. Fomos embora e ele me deixou em casa. Não nos falamos mais nas semanas seguintes. Senti-me usado, porque achava que a gente poderia ter algo sério", diz.
Um telefonema, três meses após o encontro, abalaria Machado, que receberia alta hospitalar naquele dia após um procedimento cirúrgico simples.
"Ele me ligou e eu disse que estava no hospital porque tinha feito uma cirurgia. Então o Celso sugeriu que eu aproveitasse para fazer um exame de HIV, porque ele tinha me deixado um presente na noite em que a gente ficara", conta o rapaz.
Horas mais tarde, Machado recebeu resultados de exames pré-operatórios que havia feito. "O médico confirmou que eu era soropositivo. Fiquei estático. Na hora percebi que talvez ele tivesse furado a camisinha. Para mim a vida tinha acabado."
Apesar de acreditar que tenha sido alvo de transmissão intencional do HIV, ele optou por não denunciar Celso. "Eu tinha 21 anos e não tinha maturidade para pensar em denúncia. Se ocorresse hoje, talvez eu denunciasse. Mas acho muito complicado levar casos assim adiante, porque é muito difícil provar", diz.
Embora sejam fatos isolados dentro de uma população de 827 mil pessoas vivendo com HIV no Brasil, situações como a de Lucas expõem o dilema de soropositivos diante da dificuldade de apuração e o preconceito comumente embutido nesses casos.

Punições em debate

A transmissão de doenças venéreas ou graves já é crime no Brasil. O Código Penal prevê pena de até um ano de prisão a quem expõe o parceiro a doença venérea sabendo que está contaminado - caso a exposição seja intencional, a pena sobe para até quatro anos de cadeia.
No caso do HIV, uma decisão de 2012 do Superior Tribunal de Justiça já enquadrou a transmissão dolosa como lesão corporal gravíssima, delito que pode resultar em até oito anos de reclusão.
Ainda assim, um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados desde 2015, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), quer tornar a prática crime hediondo, que prevê pena de dois a oito anos de cadeia.
Entretanto, entidades que apoiam pessoas com HIV e observatórios de políticas públicas para a doença criticam a iniciativa legislativa. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), por exemplo, afirma que o projeto é "desnecessário" e um "retrocesso".

Deputado Pompeo de MattosDireito de imagemANTONIO AUGUSTO/CÂMARA DOS DEPUTADOS
Image captionProjeto do deputado Pompeo de Mattos quer enquadrar transmissão intencional do HIV como crime hediondo, mas entidades criticam iniciativa como 'retrocesso' em políticas para a doença

O Unaids diz que já há tipificação penal para esses casos e que não há comprovação de que a criminalização da prática traga benefícios à saúde pública. Afirma ainda que há risco de indução a erros graves do Judiciário e de criminalização deliberada de pessoas que vivem com o vírus, entre outros pontos.
"Uma vez sob a ameaça de ser considerada criminosa, a pessoa tende a fugir dos serviços de saúde, evitando o teste para o HIV, tornando-se potencialmente mais propensa a transmitir o vírus de forma involuntária", afirma o programa. Para a entidade, os casos de propagação deliberada são isolados, em razão dos tratamentos com antirretrovirais, que reduzem em 96% as chances de um HIV positivo transmitir o vírus.

Preconceito e incertezas

Vítimas de prováveis transmissões intencionais relatam preconceito no momento das denúncias.
"Fiz a denúncia em uma delegacia, de um homem que transou comigo contra a minha vontade. Começaram a investigar, mas no fim disseram que não existe violência sexual contra homem e não havia como provar que me infectaram intencionalmente. Essa é uma das coisas que mais me abalam, porque nem a polícia quis me ajudar", diz o universitário Luiz*, de 22 anos, do Rio de Janeiro.
Ele diz ter conhecido um homem de 40 anos, que dizia ser diretor de escola, por meio de um aplicativo de relacionamentos, em fevereiro deste ano. Eles conversaram por dois dias e marcaram um encontro em um motel.
"Ele pediu para fazermos sexo sem camisinha e falou que não tinha nenhuma doença. Mas eu não queria. Então ele usou a força contra mim, para me impossibilitar de sair, e transou comigo sem preservativo", conta.
O universitário diz ter bloqueado o homem em todos os meios de comunicação após o ato sexual. "Não sabia o que fazer, porque não ia procurar a minha família nem ninguém. Preferi guardar para mim e torcer para que não tivesse contraído o vírus. Optei por não falar mais com ele."
Ele diz ter sido sua primeira relação sem preservativo. E que um mês após o encontro passou a ficar doente com frequência.
"Tive bastante febre, tomei remédio e não melhorava. Recuperei-me, mas sentia muita dor de cabeça. Em março começaram a aparecer manchas em mim e fui fazer exame de sangue."

LuizDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionCaso de Luiz (nome fictício) teve investigação curta; ele diz ter ouvido da polícia que homem não sofre abuso e que havia feito feito sexo por vontade própria

Dois dias depois, ele recebeu o resultado e descobriu que era HIV positivo. "Minha mãe foi a primeira a saber e me contou. Foi horrível, para mim o mundo tinha acabado. Não sabia o que fazer."
No dia seguinte, o universitário teve a primeira consulta médica e começou o tratamento contra o vírus. Depois foi a uma delegacia prestar queixa contra o suposto abusador.
"Decidi denunciá-lo, mas não se aprofundaram no caso. Ele foi procurado pela polícia, disse que não sabia que tinha HIV, mas teve que fazer o teste e deu positivo."
Para Luiz, restou a incerteza sobre a intencionalidade na transmissão. "É difícil descobrir se foi intencional ou não. Não posso afirmar que ele sabia, mas acredito que sim. Independentemente disso, o que ele fez foi errado, porque fez sexo comigo sem camisinha, mesmo sem meu consentimento."
A Polícia Civil do Rio não respondeu aos contatos da reportagem.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em nota, negou que haja descaso das polícias nessas situações. Afirmou que orienta vítimas de possíveis transmissões propositais a registrarem a ocorrência, e que há análise individualizada dos casos para "tipificação de qual crime o fato se enquadra". Informou ainda que não há levantamento estatístico dessa modalidade criminal.
Acusações
O publicitário Lucas Raniel, de 25 anos, que vive em Ribeirão Preto (SP), experimentou consequências de acusações sobre transmissão intencional de HIV.
Ele convive com o vírus há três anos e chegou a ser acusado de propagar o vírus deliberadamente. "No ano retrasado, criaram um grupo de WhatsApp com uma foto minha e falaram que eu estava passando Aids. Esse boato se espalhou e eu descobri. Fiquei em choque."
Na época, Raniel estava em tratamento contra o vírus e possuía carga viral indetectável. "Eu ia aos bares e sentia que ficavam me olhando. Muita gente se afastou. Fui me fechando. Era da faculdade ao trabalho e do trabalho para casa."

Lucas RanielDireito de imagemMARIA BIAVA
Image captionPublicitário Lucas Raniel diz ter sido alvo de falsos boatos de transmissão intencional do HIV

O publicitário revela que chegou ao extremo de se pendurar na janela de seu quarto por uma noite inteira.
"Pensava em pular. É triste falar isso, mas não gosto de deixar de citar, porque pessoas pensam nisso. E não pode ser assim. Você não pode se suicidar por conta de uma doença. Tem que vencê-la e não se entregar. Mas a maldade e o preconceito fazem com que você se feche e se entregue a uma depressão que nem percebe."
Raniel descobriu ser HIV positivo em dezembro de 2013. Diz acreditar ter sido infectado três meses antes, após encontro com um rapaz que conhecera via aplicativo.
"Tinha chegado em casa bêbado, após uma festa, e conheci o rapaz. Conversamos um pouco e nos encontramos na mesma noite. Fui para a casa dele, continuamos bebendo e acabei perdendo os sentidos. No meio da madrugada, ele me levou ao quarto, mas tenho uma lembrança muito vaga desse dia."
Na manhã seguinte, ele relata que se recordou da relação sexual. "Lembro de pouca coisa dessa noite, mas sabia que ele tinha feito sem camisinha. Eu o questionei sobre isso e ele falou que eu poderia ficar tranquilo, porque ele era 'de boa' e não tinha nada."
Antes de descobrir o vírus, ele diz que chegou a procurar o homem novamente. "Comecei a ficar doente e cheguei a procurá-lo no WhatsApp, falei o que estava acontecendo e disse que não tinha transado sem camisinha com mais ninguém. Ele ficou muito nervoso e me bloqueou de tudo."
Raniel é outro que acredita ter sido vítima de transmissão intencional do HIV, porém optou por não denunciar o caso. "Não há como provar que foi proposital. Além disso, acredito que um erro meu ocasionou isso, porque eu estava bebendo muito, por isso não denunciei. Não tenho mágoa. Espero que ele esteja bem e não faça mais isso. Torço para que esteja se cuidando e vivendo normalmente, como é possível."

Homem com camisinha na mãoDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionAplicativos de paquera facilitaram relações sexuais, o que pode ajudar a explicar aumento da epidemia entre homens

Tendência

Os três jovens citados nesta reportagem integram faixa da população que tem apresentado aumento nos índices de infecção.
Os dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de homens de 15 a 19 anos com Aids mais que duplicou de 2003 a 2015 (de 2,9 casos por 100 mil habitantes para 6,9). O mesmo ocorreu na faixa de 20 a 24 anos (de 18,1 casos por 100 mil habitantes para 33,1).
Especialistas sugerem que as razões estão ligadas a fatores como surgimento de aplicativos que facilitam encontrar parceiros sexuais e diminuição de programas de educação nas escolas.
A orientação do Ministério da Saúde é usar preservativo nas relações sexuais sempre. Em caso de suspeita de exposição ao HIV, o Sistema Único de Saúde oferece a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que é um tratamento com antirretroviral por 28 dias, cujo objetivo é evitar a infecção pelo vírus. O procedimento deve ser iniciado em, no máximo, até 72 horas após o contato com o HIV.
Estima-se que no Brasil existam 112 mil pessoas vivendo com o vírus e que ainda não sabem. Outras 260 mil já saberiam, mas ainda não fazem uso de remédios.
Das 827 mil pessoas vivendo com o HIV no Brasil, 715 mil já foram diagnosticadas - 512 mil deram início ao tratamento e 92% delas possuem carga viral indetectável.
Adele Benzaken, diretora do departamento de DST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, diz que o preconceito faz com que pessoas não busquem tratamento. "Esse estigma sobre o HIV positivo prejudica o tratamento, principalmente em regiões onde não há muito conhecimento sobre o assunto."

remédios para HIVDireito de imagemSCIENCE PHOTO LIBRARY
Image captionA terapia antirretroviral é uma combinação de três remédios ou mais para impedir a multiplicação do vírus HIV no corpo humano.

Ativismo

Lucas Patrick Machado diz que o preconceito é recorrente em sua vida. Atualmente desempregado, ele acredita que o vírus seja um dos fatores que dificultam a busca por trabalho, mesmo estando em tratamento e com carga viral indetectável.
"Nunca escondo o HIV quando vou procurar um emprego. As pessoas, infelizmente, julgam muito os soropositivos. Elas nos tacham como promíscuos, como lixo. Mas ninguém sabe qual foi a trajetória da vida daquela pessoa."
Instigado pelas dificuldades enfrentadas pelas pessoas que convivem com o HIV, Machado se tornou ativista da causa e representa a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids em Mato Grosso.
"Antes somente a minha família sabia. Mas decidi revelar para todo mundo após uma viagem ao Recife em que encontrei outros jovens que vivem com o HIV. Em 2015 fiz uma publicação no Facebook para que todo mundo que conheço soubesse. Depois, virei ativista, para ajudar outras pessoas."
Por meio do trabalho nessa rede, ele descobriu o interesse pela Psicologia. Em junho, foi aprovado no ProUni e conquistou uma bolsa para o curso em uma universidade de Cuiabá. As aulas começarão em agosto.
Além disso, ele possui uma relação sorodiscordante (uma pessoa com HIV e uma sem HIV) há mais de um ano. "Desde que começamos a namorar ele sabia que eu era HIV positivo. Ele sempre me aceitou. Eu me mudei pra Cuiabá por causa dele e hoje moramos juntos", diz.
Luiz contou sobre o HIV somente a parentes e amigos próximos. Ele vem tentando se adaptar à nova realidade, mas ainda encontra dificuldades.
"Sinceramente, não sei o que esperar da minha vida. Perdi a confiança da minha família e em mim mesmo. Isso acabou dificultando tudo. Até hoje, quero que o cara que fez isso comigo pague. Eu continuei levando minha vida adiante, mas é complicado, porque não esqueço essa injustiça terrível que aconteceu", diz .
Lucas Raniel decidiu revelar ser HIV positivo por meio de uma publicação no Facebook. "Fui a uma palestra sobre o HIV e senti vontade de assumir. As pessoas começaram a me parabenizar, disseram que era corajoso, e as coisas foram fluindo aos poucos."
Apesar de ter recebido o apoio de diversos conhecidos, ele diz ainda sofrer preconceito. "Tem muita gente ruim, ainda existem situações em que sou alvo de discriminação, mas não me deixo abater por isso."

Título Original: Os jovens que vivem com a desconfiança de terem sido infectados de propósito com HIV

* Nomes fictícios.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Prisão de empresário carioca faz rememorar casamento luxuoso da filha, protestos e Gilmar Mendes como padrinho

Gilmar Mendes, amigo do Barata

Em 2013, ano das manifestações que tiveram início em protesto contra o aumento de R$ 0,20 das passagens de ônibus no Rio de Janeiro, a filha do empresário Jacob Barata Filho, um dos maiores empresários do ramo de transporte público do Rio, Beatriz Perissé Barata, se casou com o herdeiro do ex-deputado federal do Ceará e dono da maior empresa do setor no estado conhecido por Chiquinho Feitosa, o Francisco Feitosa Filho.
O evento, assim como as manifestações pelo aumento no valor do transporte público, também foi marcado por protestos. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, apadrinhou o casal e esteve presente na recepção, realizada dia 14 de julho daquele ano.
Além do magistrado como convidado, a cerimônia contou com os colecionadores de arte Sergio e Hecilda Fadel, que recentemente receberam a ex-presidenta Dilma Rousseff para jantar em casa, no Rio, e cuja filha é casada com o filho do ex-ministro das Minas e Energia Edison Lobão, além de colunistas sociais do Rio e de Fortaleza.
Em operação deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, no último domingo (2), Jacob Barata Filho foi detido ao tentar embarcar para Portugal no aeroporto internacional Tom Jobim. Investigado pela Lava Jato, ele era monitorado sob suspeita de ter pago milhões de propinas para políticos nos últimos anos. A prisão foi decretada quando os investigadores suspeitaram que ele fugiria do país por portar apenas uma passagem de ida para Lisboa.

Luiz Roberto Lima/Mídia Ninja
Manifestantes protestaram em frente ao Copacabana Palace
O objetivo da investigação era desarticular uma organização criminosa que atuava no setor de transportes urbanos do estado do Rio de Janeiro. A Operação Ponto Final, de acordo com informações da PF, foi realizada nos municípios do Rio de Janeiro e Florianópolis (SC) e envolveu cerca de 80 policiais federais, nove mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 30 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
No casamento da filha, os protestos tiveram início diante da Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo e seguiram para o local da festa, o Copacabana Palace. Um grupo de cerca de 60 pessoas se reuniu com cartazes. Uma jovem vestida de noiva e alguns homens de terno vaiavam convidados e entoavam gritos na porta do local onde ocorria o evento. Além disso, distribuíam baratas de plástico para os convidados. Um dos cartazes dizia: “Dona Baratinha, vá de ônibus para o Copacabana Palace”. Outro tinha os dizeres: “Pego ônibus lotado, me dá um bem casado!”. De acordo com informações de matérias divulgadas à época, o empresário Jacob Barata, avô da noiva, chegou em uma Mercedes Benz.
No Copacabana Palace, o grupo cresceu e chegou a reunir 150 pessoas. A polícia precisou fazer um cordão de isolamento para a passagem dos noivos. Da varanda, convidados rebatiam as provocações verbais atirando bem-casados e aviõezinhos de notas de R$ 20. Um deles atirou um cinzeiro de vidro, que atingiu a cabeça de um manifestante. A vítima precisou levar seis pontos. A tropa de choque foi acionada e jogou bombas de gás lacrimogênio, atirou com balas de borracha e usou spray de pimenta contra os manifestantes.
Na ocasião, a socialite, jornalista e ex-atriz Hildegard Angel publicou relato sobre o evento no blog pessoal que mantém. “No Golden Room, a apoteose do deslumbramento. O decorador Antonio Neves da Rocha plantou no meio do salão uma árvore frondosa, com os galhos alastrando-se por toda a área do teto, de onde pendiam fios com lampadário e buquês de flores. O chão coberto com grama. E a iluminação causava a sensação de se estar numa floresta-lounge, com estofados pretos”, descreveu. “Todo esse décor serviu de cenário à mais fantástica coleção de vestidos jamais reunida numa festa no Rio de Janeiro”, completou.
Fonte: Congresso Em Foco.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Polícia Federal pediu ao STF que inclua Temer na investigação sobre a atuação do PMDB na Caixa


A Polícia Federal pediu que o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) sejam incluídos, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na investigação contra o PMDB na Câmara Federal. O processo, que apura os crimes cometidos por partidos, faz parte de um desmembramento do principal inquérito da Operação Lava Jato.

Em despacho assinado no dia 26 de junho, o delegado da PF, Marlon Oliveira dos Santos, citou a delação premiada feita por integrantes do Grupo J&F. O documento se refere à Operação Patmos, deflagrada no dia 18 de maio, que evidenciou as conversas entre o empresário Joesley Batista e Temer, “onde o primeiro comunica que estaria efetuando pagamentos a Lúcio Bolonha Funaro e Eduardo Cunha, supostamente, para mantê-los em silêncio acerca dos ilícitos envolvendo atividades da J&F Investimentos, além de planos para corromper de juízes e procurador da República responsáveis pelas ações penais decorrentes das investigações das Operações Sépsis, Cui Bono e Greenfield”.

Para o delegado, os “novos relatos” confirmam a atuação do PMDB na Caixa Econômica Federal, “citando o suposto envolvimento de outras pessoas com foro originário no STF”, entre elas Temer, Padilha e Moreira Franco. O processo investiga 15 pessoas, entre elas o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro, o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC), o deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB), a ex-prefeita Solange Almeida e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, um dos delatores da Lava Jato.

O ministro Edson Fachin, que é o relator da Lava Jato no STF, deve decidir sobre a inclusão do nome de Temer e os dois auxiliares somente depois do recesso parlamentar, que termina no dia 31 deste mês.

No início de junho, Lúcio Funaro prestou depoimento à PF e disse que Temer orientou para que fosse paga uma “comissão” de R$ 20 milhões para sua campanha presidencial de 2014, em função de duas operações do FGTS. O presidente também foi denunciado por corrupção passiva e é investigado por obstrução da Justiça, segundo relatório da Polícia Federal, encaminhado ao STF no dia 26 de junho, no qual também vê a mesma conduta criminosa do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que está preso, e de Joesley Batista.

Lula
Ontem, o ex-presidenteLula prestou depoimento como testemunha de defesa de Eduardo Cunha, na ação em que o peemedebista é acusado de ter recebido propina em troca da liberação de recursos da Caixa para empresas. Na ocasião, a defesa de Cunha perguntou se Temer teve participação na indicação de Moreira Franco para uma vice-presidência na Caixa, em 2007, no governo Lula. O ex-presidente respondeu que não, e que, como em outros casos, a indicação partiu de alguma bancada da base, provavelmente a do PMDB. Lula foi questionado, então, se Temer e Moreira foram lhe agradecer pela nomeação em 2010, quando Moreira deixou a Caixa. "Não. Aliás, nem me agradeceram, foram ingratos", colocou.

Marcelo Odebrecht também prestou depoimento. Nele, disse que, pelo que ouviu de um dos executivos da empreiteira, Temer integrava o grupo chamado de "PMDB da Câmara", do qual também faziam parte Cunha e Henrique Eduardo Alves (PMDB) - outro réu na ação sobre desvios no FI-FGTS.
Folha de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 4 de julho de 2017

Náutico tem mais pontos que reticências ...

O Timbu venceu a primeira partida depois de 11 jogos sem vitórias.

Foi tão tempo amargando empates e derrotas que alguns alvirrubros podem ter demorado a perceber que, finalmente, a equipe encerrou o jejum de 11 jogos sem vitória na Série B 2017. Demorou, mas o Timbu conseguiu transformar a promessa de reação em realidade - embora seja preciso bem mais do que um bom resultado para salvar a equipe do rebaixamento à Série C. Diante do ABC, no Frasqueirão, os pernambucanos ganharam por 1x0, nesta terça (4). O Alvirrubro continua na lanterna, mas tem motivos para comemorar pela primeira vez na competição.

Construir uma jogada da defesa até o ataque foi um sacrifício para ABC e Náutico. O problema era o mesmo dos dois lados: as trocas de passe eram rapidamente interceptadas. No Timbu, Erick e Giovanni eram os únicos lúcidos dentro de um conjunto nada harmônico. Faltavam companhias melhores. Já o time potiguar cercava os visitantes, mas as poucas finalizações não assustavam. Sem qualquer chance perigosa, não ficou difícil entender quais razões levaram os times à zona de rebaixamento da Segundona.

O ABC por pouco não iniciou o segundo tempo com a vantagem no placar. Caio Mancha recebeu ótimo passe de Eltinho e carimbou o travessão de Tiago Cardoso. O susto acordou os alvirrubros. Aos 21, Sueliton cruzou na medida para Gilmar testar firme e fazer 1x0. Começou aí o drama alvirrubro para segurar o resultado. 
Os minutos derradeiros foram de pressão potiguar. Uma cabeçada que Breno salvou em cima da linha. Um chute defendido por Tiago e, aos 50 minutos, o apito final. O Náutico, enfim, volta vencer na temporada.
FICHA DO JOGO

ABC 0

Edson; Bocão, Oswaldo, Filipe e Eltinho; Felipe Guedes, Anderson Pedra (Gegê) e Zotti; Erivélton (Dalberto), Echeverria (Marques) e Caio Mancha.Técnico: Geninho

Náutico 1

Tiago Cardoso; Sueliton, Breno Calixto, Feliphe Gabriel e Léo Carioca (Aislan); Darlan, Amaral, Jeanderson (Manoel) e Giovanni (Jobson); Erick e Gilmar. Técnico: Beto

Campos

Local: Frasqueirão (Natal/RN)
Árbitro: Rodrigo D. Alonso Ferreira (SC). Assistentes: Thiaggo Americano Labes e Eder Alexandre (SC)
Gols: Gilmar (aos 21 do 1ºT)
Cartões amarelos: Eltinho, Felipe Guedes, Filipe (A); Sueliton, Léo Carioca (N)
Com informações de Folha de PE
Professor Edgar Bom Jardim - PE

'É uma escalada da ameaça ao mundo': EUA confirma teste de míssil intercontinental pela Coreia do Norte



Lançamento de míssil na Coreia do NorteDireito de imagemREUTERS
Image captionA emissora estatal do país divulgou fotos do teste de um ICBM

Os Estados Unidos anunciaram terem confirmado que a Coreia do Norte testou um míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) nesta terça-feira.
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, classificou o ato como uma "nova escalada da ameaça aos Estados Unidos" e ao mundo e alertou que Washington "nunca aceitará uma Coreia do Norte armada nuclearmente".
Esta foi a primeira vez que a Coreia do Norte anunciou ter realizado esse eito com sucesso, voltando assim a causar preocupação na comunidade internacional.
Autoridades americanas acreditam que o míssil norte-coreano consegue atingir o Alasca, no entanto, especialistas afirmam que ele não seria capaz de atingir com precisão um alvo determinado.
Algumas horas após o teste sobre o Mar do Japão, os Estados Unidos pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir o assunto. A sessão a portas fechadas entre representantes dos 15 membros do conselho será nesta quarta-feira.
Em um comunicado, Tillerson reforçou que uma "ação global é necessária a fim de parar uma ameaça global" e alertou que qualquer nação que ofereça benefícios econômicos ou militares aos norte-coreanos ou não cumpra integralmente a resolução do conselho estará "ajudando e incitando um perigoso regime".

O que a Coreia do Norte disse?

O anúncio feito na TV pela emissora estatal disse que um teste do míssil balístico intercontinental Hwasong-14 foi feito sob a supervisão do líder norte-coreano, Kim Jong-un. Foi informado que o projétil atingiu uma altitude de 2.802 km e percorreu 933 km em 39 minutos antes de cair no mar.
No anúncio, foi dito que a Coreia do Norte agora é uma "potência nuclear completa que possui o mais poderoso foguete intercontinental capaz de atingir qualquer parte do mundo". A agência de notícias oficial, a KCNA, divulgou que Kim Jong-un considerou o teste um "presente" para os americanos ao realizá-lo no dia da independência dos Estados Unidos.
O lançamento é o mais recente de uma série de testes e foi contra o veto a esse tipo de operação pelo Conselho de Segurança da ONU. Mas especialistas avaliam que a Coreia do Norte não é capaz de miniaturizar uma bomba nuclear para encaixá-la em um míssil assim.

Quão longe o míssil pode ir?

Essa é a grande questão, diz Steven Evans, da BBC em Seoul (Coreia do Sul). Seria capaz de atingir os Estados Unidos?
O físico americano David Wright, integrante da ONG Union of Concerned Scientists, diz que, se os relatos estiverem corretos, o míssil poderia "ter um alcance máximo de 6.700 km em uma trajetória padrão". Isso o tornaria capaz de chegar ao Alasca, mas não às maiores ilhas do Havaí ou aos outros 48 Estados americanos, diz ele.
A Coreia do Norte não precisaria apenas de um míssil, acrescenta Evans. Também teria de proteger uma bomba nuclear de sua reentrada na atmosfera, e não está claro se é capaz disso.

Gráfico
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O que significa esse teste? Por Melissa Hanham, especialista em defesa

Novamente, a Coreia do Norte desafiou a sorte e deu uma banana para o mundo com um único lançamento de míssil. O teste mostrou que o país provavelmente é capaz de atingir distâncias intercontinentais com mísseis balísticos, o que coloca o Alasca em risco.
Kim Jong-un havia expressado há tempos seu desejo de fazer um teste assim, e tê-lo realizado em 4 de julho é apenas a cereja de seu imenso bolo.
Apesar desse êxito técnico, é provável que muitos fora da Coreia do Norte se mantenham céticos, pedindo por provas de que o país é capaz de guiar seu míssil e controlar sua reentrada ou de que tem uma bomba nuclear.
No entanto, do ponto de vista técnico, seus foguetes são capazes de cumprir distâncias de um ICBM, e essa pode ser apenas a primeira das diversas formam com que a Coreia do Norte pode obter um ICBM de autonomia ainda maior.

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Os vizinhos e potências nucleares estão preocupados?

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, cobrou do Conselho de Segurança medidas contra o país vizinho.
Um forte alerta veio do diretor de operações dos Líderes das Forças Armadas do país. Cho Han-Gya disse que "o regime de Kim Jong-un será destruído" se "ignorar os alertas militares e prosseguir com as provocações".
O Japão afirmou que "repetidas provocações como essa são totalmente inaceitáveis", e o primeiro-ministro Shinzo Abe disse que o país "se uniria fortemente" aos Estados Unidos e a Coreia do Sul para pressionar a Coreia do Norte.
O presidente americano, Donald Trump, aparentemente se referiu ao líder norte-coreano em sua conta no Twitter ao dizer: "Esse cara não tem nada melhor para fazer da vida?".
"Difícil crer que a Coreia do Sul e o Japão vão aguentar isso por muito mais tempo. Talvez a China aja com força sobre a Coreia do Norte e dê fim a esse absurdo de uma vez por todas."

Kim Jong Un supervisiona teste do míssil Hwasong-14Direito de imagemKCNA/REUTERS
Image captionRealizar um teste de um míssil balístico intercontinental era um desejo antigo do líder norte-coreano

Trump já fez diversos apelos para que a China, principal aliado econômico dos norte-coreanos, pressione o país a encerrar seus programas de mísseis e nuclear.
Sobre as chances da Coreia do Norte ser capaz de atacar os Estados Unidos, ele publicou em janeiro: "Não vai acontecer". No entanto, especialistas dizem que isso será possível dentro de cinco anos ou menos.
Enquanto isso, o secretário de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, disse que a comunidade internacional "precisa redobrar seus esforços para impor um preço a esse regime que faz de tudo para construir armas nucleares e lançar mísseis ilegalmente enquanto o povo da Coreia do Norte sofre com a fome e a pobreza".Professor Edgar Bom Jardim - PE

Acontece no mundo atual


Professor Edgar Bom Jardim - PE

De volta para casa sem atendimento no Banco do Brasil de Bom Jardim

                                       FOTOGRAFIA Edgar S. Santos.

Clientes do campo e da cidade de Bom Jardim - PE, distante 110 Km de Recife e de outros municípios ficaram sem ter acesso ao interior da agência do Banco do Brasil, nesta segunda-feira, 03 de julho de 2017.

Muita  gente madrugou na calçada para pegar o melhor lugar na fila. Enfrentar frio e chuva ao relento, ficar com fome na fila não é fácil. Na hora de entrar no interior da agência para pegar a senha de atendimento, muitas pessoas ficam barrados porque não conseguem medir força no empurra- empurra, são atropeladas por "espertos" ao tentar passar na porta giratória. Idosos, mulheres, pessoas da zona rural, sofrem mais que outros. É na prática uma lei da selva... Haja inconformismos dada a situação:
"Tem gente que chega depois e consegue ser atendida, reclama Dona Maria da Conceição Silva, agricultora, 62 anos. Dona Cecília, agricultora, aposentada, moradora do distrito de Umari também voltou pra casa depois de uma  longa espera sem atendimento nesta segunda. Espera ser atendida nesta terça(4). Cada pessoa é uma situação, um dilema, uma necessidade.

Sugerimos ao gerente que fosse dada uma ficha para quem ficou sem atendimento no dia hoje. Essa ficha serviria como passaporte para o dia seguinte. A pessoa portadora da ficha teria acesso a senha do atendimento dentro da agência. A sugestão pode ser muito importante para organizar o atendimento nos dias de pico. Outra vantagem é que criaria uma cultura de organização e respeito pelas pessoas. Fizemos um vídeo e encaminhamos para gerência e recebemos a seguinte justificativa:
" O espaço da agência é pequeno, o número de funcionários é insuficiente para atender o público que necessita dos serviços bancários, disse Fernando, o gerente da agência". Algo precisa ser feito pela gerência, população, dirigentes municipais no sentido de possamos ter uma melhora no atendimento.

A população não deve abrir mão de seus direitos de clientes e  de cidadãos. Torcer para banco fechar ou ser privatizado não é boa ideia como defende alguns.
Por:
Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Forró dos amigos com Nelson do Acordeon no Catolé

 Ausência de festejos promovidos pelo poder público em 2017.
A comunidade do Catolé com apoio de um grupo de vereadores promoveram uma forró pé de serra com o sanfoneiro Nelson do Acordeon. Uma festa bem tradicional para festejar o São Pedro na cidade de Bom Jardim.
Fotos: Enio Andrade.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

São João com Cristo na Comunidade Jurema de Bom Jardim

Arraiá da Jurema.
 Mesmo que o poder público esteja distante da cultura a comunidade estando unida busca alternativas para que sua história, memória e tradições sejam preservadas.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

Flexibilização do Ensino Médio: ainda há mais perguntas do que respostas

Quatro meses após a aprovação da reforma do Ensino Médio, professores, escolas e até mesmo parte do poder público ainda têm muitas dúvidas sobre o novo modelo. Reunidas em São Paulo para o debate “Desafios Curriculares do Ensino Médio: implementação e flexibilização”, realizado pelo Instituto Unibanco, as secretarias estaduais de Educação mostraram o que têm feito sobre a reforma e os problemas que devem ser enfrentados para que ela aconteça de fato. No entanto, alguns pontos ainda são uma incógnita até mesmo para esses atores.

Os estados já lançaram ações para avançar nessa discussão e planejar como se dará a reforma. Grupos de estudo e de trabalho foram formados para questões como desenhar uma proposta curricular flexível (uma das principais características do novo modelo), conhecer melhor o perfil socioeconômico de cada região de forma a compreender a oferta e demanda dos jovens e estabelecer parcerias de assistências técnicas com institutos e organizações privadas. Os planejamentos mudam de acordo com a realidade de cada estado, mas preveem organização de arranjos entre escolas, formação inicial e continuada do corpo docente e gestores, novas formas de contratação de professores, apoio técnico para revisão dos currículos e implementação do novo modelo.

As discussões, porém, ficam limitadas pelas incertezas em alguns pontos. Confira os principais:

Estados perdidos com tantas possibilidadesA flexibilização abre muitos caminhos para os estudantes do Ensino Médio. Além dos cinco percursos propostos à escolha do aluno (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica e Profissional), há a possibilidade de misturá-los, já que não é obrigatório que as escolas ofereçam todos. A opção de Formação Técnica e Profissional abre outra infinidade de alternativas e cada unidade – independente da rede – pode optar pelo formato que cabe melhor dentro de sua realidade.

Como alinhar tudo isso com a expectativa dos jovens sobre essa etapa de ensino? “Não tenho nenhum problema em dizer que todos nós estamos um tanto perdidos, porque a cada momento se abre uma nova possibilidade para o desenvolvimento dessa proposta e temos sempre a dúvida do que virá”, diz Júlio Gregório, Secretário de Educação e membro do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

O Distrito Federal estabeleceu uma parceria com o Insper para analisar as possíveis formas de implementação de um modelo que corresponda às expectativas dos estudantes.

Crédito: Pillar Pedreira/Agência Senado

Ausência da Base do Ensino Médio impede aprofundamento das discussõesJúlio também aponta a dificuldade de trabalhar com uma base curricular indefinida, já que devido à reforma, o documento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE) apenas com a Educação Infantil e do Ensino Fundamental. “Nós podemos fazer uma discussão e depois vir a Base e o CNE dizer: não é nada disso”, justifica.

A preocupação também apareceu na fala de César Callegari, presidente da Comissão da BNCC no órgão, sob a perspectiva da progressão. “Já alertamos sobre o problema de termos uma base nacional com proposta fatiada. É um grande problema pensar progressão quando não conseguimos enxergar ainda como é o final”, comenta. De acordo com ele, as etapas deveriam ter sido pensadas integralmente.

O ponto é rebatido pelo secretário de Educação Básica, Rossieli Soares. A progressão teria sido também um desafio nas duas primeiras versões da Base, que contemplavam o Ensino Médio, já que se trata de um documento complexo e de construção coletiva. “É possível, sim, fazer uma análise daquilo que o Fundamental precisa contemplar. Depois podemos discutir qualquer adaptação necessária com a BNCC do Médio”, defende Rossieli.

A realidade de cidades com apenas uma escolaO ideal é que todas as escolas brasileiras pudessem oferecer os cinco percursos previstos para que os alunos pudessem escolher, de fato, a área em que desejam se aprofundar no Ensino Médio. O Ministério da Educação recomenda que cada escola oferte pelo menos dois. Alguns estados já adiantam que a realidade de determinados municípios permitirá apenas um.

Isso não seria um problema tão grande se houvesse escolas próximas ofertando outros itinerários e com infraestrutura para receber outros alunos interessados. No entanto, estados como Rio Grande do Norte e o Pará mostram que o desafio é maior do que se pode imaginar. Dos 144 municípios paraenses, 57 têm somente uma única escola de Ensino Médio e 30 deles têm duas. Dos 167 potiguares, 135 contam com apenas uma escola. “Como pensar em itinerários e não em itinerário com 135 municípios com essa situação? Isso já sinaliza a dificuldade imensa de pensar a logística e o pedagógico em uma proposta”, diz Cláudia Santa Rosa, da Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte.

Além disso, o Pará, por exemplo, tem um território de grandes dimensões (o estado ocupa 14,65% do Brasil), com cerca de 18% das matrículas do Ensino Médio em zona rural e áreas de difícil acesso. Em locais como Santa Catarina, a possibilidade de municípios próximos permitirem integração entre as redes é parte do planejamento.

Discutir ao invés de ir de acordo com as características do municípioOlhar para as características socioeconômicas do município não é suficiente para atender às perspectivas dos estudantes. O caso do Pará, trazido por Ana Claudia Serruya Hage, secretária de Educação do estado, é um exemplo concreto.

Uma região do estado que tem na pesca uma de suas principais atividades, o governo investiu em uma escola profissionalizante que incluía diferentes cursos com esse foco. “Sabe quantos alunos se inscreveram? Um. Porque ninguém quer o futuro do seu pai. Eles não querem estudar pesca, eles querem fazer outra coisa”, expõe Ana Claudia. “Nós estamos numa tendência de discutir primeiro, não levar nada pronto para o município, trabalhando audiência pública, pesquisa, para conseguir entender e aí tentar nesse meio colocar a discussão do financiamento”, conta.

Incluir os alunos nas discussões é essencial para repensar o modelo. No entanto, não resolve tudo. Crédito: Shutterstock

As escolhas não são só uma questão de democraciaA partir do ponto anterior, pode parecer que a solução para atender às expectativas dos alunos seja ouvi-los sobre isso e envolvê-los na decisão. Em parte, é verdade. No entanto, a estruturação dos itinerários passa por um outro impasse quando se trata dessa questão.

“Hoje eles são alunos de determinada escola. Mas, no próximo ano ou daqui a dois anos, provavelmente já terão se formado. Como decidir para quem vem depois?”, questiona Cláudia Santa Rosa, da Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte. “É um debate que a gente precisa fazer para definir melhor o campo de participação dos estudantes, que é importantíssimo. Alterar a oferta de itinerários depois de um tempo precisa ser muito bem planejado, porque mexe com professor, com concursos, com convocação, com infraestrutura”, analisa.
Fonte: Nova Escola
Professor Edgar Bom Jardim - PE