sábado, 3 de dezembro de 2016

A tragédia nos transformou em uma torcida só, diz repórter colombiana sobre ‘experiência mais difícil da carreira’

A queda do avião que levava a Chapecoense para a tão sonhada disputa da final da Copa Sul-Americana gerou comoção no mundo inteiro. Mas além do Brasil, um outro país em especial acolheu a dor da tragédia como se fosse dele também.
Palco do acidente aéreo que deixou 71 vítimas na terça-feira, a Colômbia mostrou solidariedade e respeito aos brasileiros com diversas homenagens ao longo da semana.
A mais impressionante delas veio justamente no dia e horário do jogo que não aconteceu.
Na quarta-feira, data da primeira partida da final da Copa Sul-Americana - que seria disputada por Atlético Nacional e Chapecoense em Medelín -, a bola não rolou no estádio Atanasio Girardot, mas as arquibancadas se encheram como se ela estivesse no centro do gramado.
Mais de 40 mil pessoas vestiram branco e, com uma vela na mão, passaram 90 minutos cantando "Vamos, Vamos Chape" ou ainda "Que escutem em todo o continente, para sempre lembraremos da campeã Chapecoense" - a música que eles próprios fizeram em homenagem ao time brasileiro
Quem esteve tanto do lado de fora - onde outras dezenas de milhares de pessoas se reuniam - como do lado de dentro relata que nunca viveu uma experiência igual.
"A tragédia nos converteu em uma só torcida, em uma só voz", disse a repórter esportiva da TV colombiana RCN e apresentadora do Notícias RCN, Melissa Martinez.
A BBC Brasil conversou com ela sobre como a tragédia com o voo da Chapecoense impactou a vida dos colombianos do outro lado da fronteira.


Melissa MartinezImage copyrightARQUIVO PESSOAL
Image captionMelissa Martinez diz que o dia da homenagem do Nacional à Chapecoense foi um dos "mais inesquecíveis de sua carreira"

Confira o depoimento:
"Recebi a notícia da tragédia de uma forma muito impactante, porque quando desapareceu o avião eu já estava dormindo. Eu costumo dormir muito cedo, meu turno no trabalho começa às 4h da manhã. Quando levantei às 3h, li a notícia de que só tinham resgatado 6 pessoas com vida. A única coisa que fiz foi pegar duas camisas pretas e correr para o trabalho. Às 5h já estava no aeroporto.
Eu já havia feito uma outra cobertura forte, da explosão de uma mina na Colômbia, em uma região que se chama Sardinata. Mas naquele lugar não foi permitido às famílias se aproximarem, então foi de alguma forma menos dramático. Agora foi muito duro. Foi a experiência mais difícil que já tive na minha carreira.
No caso da mina, foi algo muito diferente, porque era uma mina de extração de carvão e eles entendem que podem estar expostos a esse tipo de acidente.
Mas quando alguém vem por um sonho e isso se torna algo tão traumático como foi essa tragédia, a gente começa a pensar... se o (goleiro) Danilo não tivesse tirado aquela bola (na semifinal, contra o San Lorenzo) no último minuto, a história poderia ser diferente.


Estádio do NacionalImage copyrightCLUBE ATLÉTICO NACIONAL
Image caption'Que escutem em todo continente, para sempre lembraremos a campeã Chapecoense', cantavam os torcedores

Cheguei ao estádio na quarta muito cedo. Desde às 6h da manhã, e as homenagens já estavam começando. O sentimento era muito estranho, porque eu só havia ido lá para transmitir os jogos do estádio no fim de semana, como repórter de campo. Nunca havia sentido antes algo parecido.
O povo colombiano está familiarizado com desastres naturais, também sofremos muito com a violência que deixou milhares e milhares de vítimas, acidentes aéreos por conta de erros humanos e também por conta de terrorismo. Mas a Colômbia mostrou que não perdeu a sensibilidade para esse tipo de acontecimento.
Eu fiz a cobertura de centenas de jogos e viajava com a equipe. Mas nunca antes tinha estado em um estádio cobrindo um time que cantava músicas para o seu rival.


Vídeo mostra homenagem do Atlético Nacional à Chapecoense

Fiquei extasiada. Assim como todos os que estavam lá vendo tudo aquilo. Porque a Colômbia sempre teve uma fama ruim por causa do narcotráfico, mas o que mostramos é que somos pessoas sensíveis. Pessoas boas, solidárias. E diante de tudo, diante da nossa história dramática e de superação, jamais perdemos a sensibilidade.


HomenagemImage copyrightAFP
Image caption'A tragédia nos converteu em uma só torcida, em uma só voz', disse a repórter colombiana

A percepção dos colombianos da tragédia é que ela afetou todo mundo. Você encontra taxistas na rua que dizem que não conseguem dormir à noite. As pessoas falam que 'se o goleiro não tivesse salvado aquela bola no último minuto, talvez nada disso teria acontecido'.
No meu caso, até fico pensando que, se no último minuto aquela bola tivesse entrado, nós poderíamos ter voado para a Argentina no voo com o Nacional. Com a mesma empresa, com o mesmo avião, com o mesmo piloto. E talvez nós mesmos, jornalistas, que sempre acompanhamos o Atlético Nacional, teríamos sido as vítimas. Talvez teria sido com alguns dos meus companheiros.
Mas mais uma vez o esporte mais popular do mundo faz com que a gente se dê conta de que devemos permanecer unidos. Que devemos viver em alegria e que devemos deixar de lado a mesquinharia ou esse ódio a torcidas rivais. (A tragédia) nos converteu em uma só torcida, em uma só voz. E à Colômbia, deixou um exemplo claríssimo de união, de afeto. Para o mundo, foi uma perda terrível." Fonte:BBC
Professor Edgar Bom Jardim - PE

A sangrenta batalha da 1ª Guerra Mundial travada frente à costa da América do Sul




Cortesía Germán Bravo ValdiviesoImage copyright

No domingo 1° de novembro de 1914, às 16:30 da tarde, foram ouvidos os primeiros canhões na Baía de Coronel, no sul do Chile.
É uma guerra europeia frente à costa sul-americana.
A frota alemã, integrada por cinco cruzadores e dirigida pelo almirante Maximilian von Spee, forma uma espécie de cerco na Baía de Coronel, deixando as quatro embarcações inglesas, comandadas por Sir Christopher Cradock, fora de águas neutras.
O cruzador alemão S.M.S Scharnhorst é o primeiro a abrir fogo contra o cruzador britânico H.M.S Good Hope, que começa a queimar rapidamente.
O mesmo aconteceria em seguida com o H.M.S Monmouth, que foi alvejado por duas embarcações alemãs.
Relatos da época dão conta de que as labaredas dos navios ingleses alcançaram 60 metros, algo como um edifício de 20 andares.
Quando caiu a noite, a frota de von Spee já era tida como vencedora. As embarcações britânicas que conseguiram se salvar retornaram avariadas ao porto de Coronel. Nesse momento, três navios alemães já haviam partido vitoriosos para a cidade de Valparaíso.
A batalha de Coronel ou "do Dia de Todos os Santos", foi o acontecimento bélico mais sangrento na costa chilena por seu grande número de mortos (1.590).



Germán Bravo Valdivieso.Image copyrightGERMÁN BRAVO
Image captionGermán Bravo Valdivieso, historiador chileno

O historiador naval Germán Bravo Valdivieso, autor do livro "A Primeira Guerra Mundial na costa do Chile: uma neutralidade que não foi assim", explica à BBC Mundo que esta derrota não foi "só mais uma" para os britânicos.
"Esta é a primeira derrota do Reino Unido depois de mais de um século invictos, e com a qual perderiam logo o controle do Pacífico Sul", disse à BBC Mundo.
A derrota foi um golpe duro. Nem sequer o almirante Cradock conseguiu sair vivo das águas. A Armada do Chile enviou um transporte marítimo em busca de náufragos, mas não foram encontrados sobreviventes.

Brincadeira interrompida

Uma testemunha da época, ainda que muito jovem, foi o já falecido avô de Manuel Gutiérrez González, historiador chileno, que se interessou em investigar mais sobre esse episódio.
Manuel González Espinoza tinha 7 anos quando presenciou a batalha do setor de Buen Retiro, na cidade de Coronel.
Seu pai, Manuel González Thompson, era administrador das minas de carvão de Buen Retiro e por conta disso sua casa ficava no topo de um morro com ampla vista para o mar.
As lembranças de Manuel González Espinoza começam quando brincava à tarde com seu irmão menor, Francisco.
A brincadeira foi interrompida por um chamado apressado de seu pai, que os levou à varanda e pediu que olhassem para o horizonte.
"Percebi um ruído, logo vi as labaredas no horizonte, perto da ilha Mocha, onde era possível ver o combate", contou Manuel González há exatos 18 anos ao neto Manuel Gutiérrez.



Pintura da Batalha de Coronel feita pelo pintor alemão Adolf BockImage copyrightCORTESIA DE GERMÁN BRAVO VALDIVIESO
Image captionAs chamas dos navios alcançaram 60 metros

Ainda que não exista uma localização precisa de onde a batalha ocorreu, historiadores como Germán Bravo estimam que pode ter ocorrido entre 10 e 20 milhas (entre 16 e 32 quilômetros) da costa.
"Pode ter acontecido ali pela dificuldade que os britânicos tiveram de ver os navios alemães no pôr do sol e ao se confundirem com a costa", conta Bravo à BBC Mundo.
Com essas distâncias estimadas, as labaredas das embarcações avariadas, como o H.M.S Good Hope o H.M.S Monmouth, podiam ser facilmente avistadas.

A revanche

Mas a estratégia do Almirante von Spee, somada a uma série de eventos que poderiam ser considerados de "azar", fizeram com que a vitória alemã não durasse muito tempo.
"O almirante Von Spee queria chegar à Alemanha com seus navios e poderia ter pulado as Falklands, mas quis tomá-las e instalar um governador, destruindo as instalações", conta à BBC Mundo Germán Bravo.
Nas Malvinas-Falklands, von Spee estava seguro de que seus navios eram suficientes para afundar a frota britânica, mas estava errado.
Novas embarcações britânicas haviam chegado à região: o H.M.S Invincible e o H.M.S Inflexible. Isso daria vantagem aos britânicos.



Baía de CoronelImage copyrightFELIPE ROA PAREDES
Image captionA Baía de Coronel atualmente

O S.M.S Scharnhorst, o navio alemão que durante a batalha de Coronel foi o primeiro a abrir fogo, recebeu a revanche britânica.
Nesta embarcação ficaram presos o almirante Maximilian von Spee e os 795 homens que afundaram.
A batalha, desta vez no Oceano Atlântico, também resultou em milhares de mortos.
A batalha das Malvinas-Falklands deu a vitória absoluta aos britânicos e somente um navio alemão conseguiu escapar do combate: o S.M.S Dresden.
Esse navio afundaria em março de 1915 no Arquipélago de Juan Fernández, sul do Chile, pelos próprios alemães, quando se viram encurralados pela frota britânica.
Os mais de 300 tripulantes alemães sobreviventes desse barco seriam mais tarde internados por quatro anos em uma ilha do centro-sul do Chile chamada Quiriquina.

Quase neutralidade

Um tema de discussão no Chile durante a Primeira Guerra Mundial foi sua neutralidade.
"O Chile se declarou neutro, mas ajudou abertamente às forças aliadas, inclusive o Ministro Plenipotenciário Britânico tinha muitos vínculos com a Armada do Chile", assegura Germán Bravo.
"Mas o que mais podiam fazer os chilenos? Se o Chile intervisse teria que apoiar a um ou a outro e com ambas nações tinha vínculos estreitos. Por exemplo no Exército com os alemães e na Marinha com os ingleses", acrescenta.
Mas não apenas a neutralidade foi questionada. Os chilenos e os britânicos que viviam no Chile se mostravam muito preocupados com a guerra que presenciavam em suas próprias costas.
"Em 1914 meu avô era um menino, mas depois da batalha, já adolescente, soube que as pessoas tinham muito medo que os conflitos afetassem o tráfego de carvão", conta Gutiérrez.
Durante mais de um século a mineração foi a principal atividade econômica nas regiões de Coronel e Lota, devido às vastas jazidas encontradas ali.

Rastros que falam




CasasImage copyrightFELIPE ROA PAREDES
Image captionConstrução inglesa na cidade chilena de Coronel

Mais de um século depois, na cidade de Coronel permanecem alguns rastros, sobretudo da forte influência britânica, refletida em algumas construções.
Com o auge das minas de carvão, os britânicos estiveram muito presentes na região, desde o final do século 19 até aproximadamente 1930.
O censo chileno de 1907 ressalta que entre os imigrantes de Lota e de Coronel (que representavam 10% da população), 8% eram cidadãos ingleses.
Atualmente, o bairro Maule de Coronel conserva fachadas com estilo inglês.
Também na Praça 21 de Maio, na mesma cidade, está um relógio de quatro esferas, doado pelo empresário do carvão Federico Schwager, que o trouxe da Inglaterra em novembro de 1881.
Nessa mesma praça um memorial de pedra pela Batalha de Coronel tem desenhado em relevo os dois navios afundados. Em frente ao monólito uma emotiva frase pelas vítimas diz: "seu único sepulcro é o mar". Fonte:BBC
Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Acompanhe a votação da PEC 55. Acesse o Link


https://youtu.be/YhYn6F4HKR8Professor Edgar Bom Jardim - PE

Os Sobreviventes



Estos son los sobrevivientes del accidente del avión

  • El defensor Alan Ruschel y el arquero Danilo Padilha fueron rescatados con vida del lugar del accidente. Al parecer, iban juntos en el avión que se estrelló.
    El defensor Alan Ruschel y el arquero Danilo Padilha fueron rescatados con vida del lugar del accidente. Al parecer, iban juntos en el avión que se estrelló.




ESTEFANÍA CARVAJAL RESTREPO | PUBLICADO HACE 3 HORAS



Aunque las autoridades no han dado un parte definitivo sobre el número de sobrevivientes del accidente de la aeronave RJ85 de LaMia, que transportaba a los jugadores del equipo Chapecoense desde Bolivia hasta Rionegro, ya se conocen las identidades de algunas de las personas que fueron rescatadas con vida del lugar del siniestro.
Según la Alcaldía de La Ceja, hasta el momento han sido rescatados cinco heridos, que fueron trasladadas a las clínicas de los municipios de La Ceja y Rionegro.
Alan Ruschel


Este lateral izquierdo de 27 años reingresó a la nómina del Chapecoense en 2016, pues ya había jugado con el equipo de la ciudad de Chapeó en el año 2013. También fue jugador del Atlético Paranaense, el Internacional y el Juventude, todos de Brasil.
Alan Ruschel fue el primer herido rescatado en el lugar del accidente, en la zona Cerro El Gordo del municipio antioqueño de La Unión.
Politraumatismos, un corte superficial en la cabeza y fractura de cadera, es el parte médico de este defensor.
Ximena Suárez Otterburg


Esta auxiliar de vuelo fue la segunda persona rescatada y trasladada con vida al centro asistencial. Ximena Suárez Otterburg reside en Santa Cruz de la Sierra, Bolivia, lugar de donde partió el avión siniestrado, según la información de su cuenta de Facebook.
Marcos Danilo Padilha


Es el arquero del Chapecoense desde 2013. Una vez fue trasladado al centro asistencial, el futbolista de 31 años pidió a los organismos de socorro que se comunicaran con su familia en Brasil. Al parecer, Danilo Padilha y Alan Ruschel iban juntos en el avión que se estrelló en el municipio de La Unión, Oriente de Antioquia.
Rafael Henzel


Periodista deportivo con más de 20 años de experiencia en radio y televisión, residente de la ciudad de Chapecó. Fue el cuarto herido rescatado en el lugar del accidente y trasladado al centro asistencial, donde ingresó con un trauma en el tórax y una fractura en la pierna izquierda. Poco antes de partir de Santa Cruz de la Sierra a Medellín, Rafael Henzel publicó una foto en sus redes sociales junto al avión siniestrado:
Jackson Follmann


Otro de los porteros del Chapecoense, Jackson Follmann, sobrevivió al accidente. El jugador de 24 años nació en Alecrim, Brasil, el 14 de marzo de 1992. Follmann fue trasladado al Hospital San Vicente Fundación de Rionegro.
Fonte:elcolombiano.com
Professor Edgar Bom Jardim - PE

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