segunda-feira, 30 de março de 2026

A 'facção evangélica' que virou a terceira força do crime organizado do Brasil











Professor Edgar Bom Jardim - PE

Inteligência Artificial: Para Quem Ela É Boa?







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Professor Edgar Bom Jardim - PE

Influência midiática e a construção de estereótipos. Entenda como a mídia contribui para a manutenção de desigualdades no Brasil




Entenda como a influência midiática organiza percepções, define representações sociais e contribui para a manutenção de desigualdades no Brasil.


A influência midiática faz parte da sua rotina. Está no celular, na TV, no streaming, nas redes sociais. Em geral, aparece como informação, entretenimento ou opinião. Mas, quando você observa com mais atenção, percebe que ela também organiza sentidos, define visibilidades e estabelece limites sobre quem pode ser visto, ouvido e reconhecido.

A mídia não funciona como um canal neutro que transmite os fatos e programações de entretenimento. Ela organiza a realidade a partir de escolhas. Decide o que vira notícia, quem aparece, quais vozes são ouvidas e quais ficam de fora.

Tudo isso interfere diretamente na forma como você interpreta o mundo. A circulação de conteúdos, imagens e discursos cria referências sobre o que é considerado normal, desejável ou aceitável. A influência midiática, nesse sentido, atua na construção de subjetividades.

Os meios de comunicação participam da produção de sentido da experiência social. Ao selecionar temas e enquadramentos, contribuem para definir quais questões ganham relevância e como devem ser compreendidas. Isso não acontece de forma isolada, mas dentro de relações sociais marcadas por disputas simbólicas.

Neste artigo, você vai entender como a mídia atua na construção de estereótipos, de que forma isso impacta marcadores como raça, classe e gênero, e por que esse processo está ligado à estrutura de poder no Brasil em uma discussão que passa pela concentração dos meios de comunicação, pela lógica de produção do noticiário e pelas disputas por narrativa no espaço público.

O que são estereótipos e como a mídia ajuda a construí-los?

Os estereótipos são imagens, ideias ou crenças preconcebidas que simplificam a realidade e reduzem a complexidade das pessoas e dos grupos sociais, resumindo-os a padrões de interpretação que passam a orientar o modo como você percebe o outro.

Esses padrões não são neutros. Carregam valores, julgamentos e expectativas sociais. Mais do que distorções, os estereótipos atuam como estruturas que organizam a vida social e ajudam a manter hierarquias.

A repetição é central nesse processo. Quando determinadas imagens e narrativas aparecem de forma constante, elas deixam de ser questionadas e passam a ser vistas como naturais. É assim que se consolidam ideias sobre quem é perigoso, competente, quem pertence a determinados espaços, entre outros estereótipos.

A mídia tem papel direto nessa dinâmica. Ao reproduzir essas representações, contribui para a naturalização de desigualdades. Isso acontece tanto no jornalismo quanto no entretenimento, bem como através das redes sociais.

Raça, classe e gênero: como a mídia define quem ocupa cada lugar na sociedade

A forma como diferentes grupos são retratados na mídia não é aleatória. Existe um padrão recorrente de representação que associa determinados corpos a papéis específicos.

No caso da população racializada, por exemplo, a cobertura midiática historicamente reforçou associações como criminalidade, marginalidade e falta de inteligência. Ao mesmo tempo, há também a invisibilização em espaços de prestígio, como ciência, economia ou política.

Pessoas racializadas historicamente ocupam menos espaço em novelas, publicidade, telejornais e programas de entretenimento. Um cenário que começou a mudar nos tempos contemporâneos. Por muito tempo, quando representadas, eram associadas a estereótipos como pobreza, sexualização e violência.

Um exemplo dessa falta de representação foi identificado em um estudo do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), que analisou peças publicitárias da revista Veja entre 1987 e 2017. Nas imagens observadas, cerca de 80% das pessoas representadas eram brancas.

No entanto, esse cenário não mudou muito ao longo do tempo. Uma atualização do mesmo estudo, feita entre 2018 e 2023, identificou que o número de pessoas brancas representadas na revista no período foi de 83%, ao mesmo tempo em que negros e pardos apareciam em somente 17% as imagens.

Além disso, a lógica de representação baseada em estereótipos também aparece em outras dimensões. Mulheres são frequentemente associadas ao corpo, à aparência e à esfera privada. Pessoas LGBTQIAPN+ são retratadas por meio de caricaturas. A classe trabalhadora aparece de forma limitada, muitas vezes reduzida a situações de vulnerabilidade.

Esses enquadramentos não apenas refletem preconceitos existentes, mas ajudam a reproduzi-los. Ao estabelecer padrões sobre quem pode ocupar determinados espaços, a mídia contribui para limitar possibilidades concretas de reconhecimento e mobilidade social.

Jornalismo policial, criminalidade e o reforço do estereótipo

A forma como crimes são comumente noticiados é um dos exemplos mais visíveis da influência midiática na construção de estereótipos.

A seleção de casos, o destaque para determinados tipos de crime e a associação recorrente com grupos específicos criam uma percepção distorcida da realidade. Isso pode levar à generalização indevida e à construção de imaginários coletivos marcados pelo medo.

Na foto, um policial militar no Complexo da Maré, no ano de 2014. Foto: Mario Tama — Getty Images
Na foto, um policial militar no Complexo da Maré, no ano de 2014. Foto: Mario Tama — Getty Images

Além disso, a cobertura muitas vezes ignora contextos sociais mais amplos. Em vez de explicar as condições que levam a determinadas situações, reforça narrativas simplificadas que associam indivíduos ou grupos a comportamentos criminosos.

Esse processo tem consequências diretas. A estigmatização afeta oportunidades de trabalho, acesso a direitos e relações sociais. Além disso, também influencia decisões institucionais, incluindo o funcionamento do sistema de justiça.

No sistema de justiça criminal, raça e território seguem determinando trajetórias: pessoas racializadas têm menos acesso a acordos que evitariam processos e estão mais expostas à condenação, sobretudo quando vivem em áreas periféricas. Isso indica que as mesmas imagens que circulam na mídia, associando estes grupos à criminalidade, não ficam restritas ao campo simbólico. Elas atravessam instituições, orientam práticas e ajudam a consolidar um padrão de desigualdade que se reproduz do noticiário até a decisão judicial.

Como os estereótipos ajudam a sustentar desigualdades

Os estereótipos não operam isoladamente. Eles estão ligados a estruturas de poder que organizam a sociedade.

Ao associar determinados grupos a papéis específicos, esses padrões ajudam a justificar desigualdades. Tornam aceitável que alguns tenham mais acesso a recursos, oportunidades e reconhecimento do que outros.

A mídia contribui para esse método ao colocar em circulação representações que reforçam visões dominantes. Tais representações passam a orientar comportamentos, expectativas e decisões.

Os estereótipos, nesse sentido, não descrevem a realidade, mas participam de sua construção descrita pela mídia, que influencia como as pessoas se veem e são vistas.

Concentração midiática no Brasil — quem decide o que é representado?

Da esquerda para a direita, José Roberto Marinho, Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho, o Conselho de Administração do Grupo Globo, maior conglomerado de mídia da América Latina. Foto: Tomás Arthuzzi / Grupo Globo
Da esquerda para a direita, José Roberto Marinho, Roberto Irineu Marinho e João Roberto Marinho, o Conselho de Administração do Grupo Globo, maior conglomerado de mídia da América Latina. Foto: Tomás Arthuzzi / Grupo Globo

Para entender a influência midiática, é preciso olhar para quem controla os meios de comunicação.

No Brasil, a mídia é altamente concentrada, com presença em quase todo território. Poucos grupos empresariais controlam grande parte da produção e distribuição de conteúdo. Na radiodifusão, cinco conglomerados nacionais e alguns grupos regionais alcançaram praticamente todo o território.

Os nacionais:

  • Rede Globo, comandada pela família Marinho
  • SBT, com a família Abravanel
  • Bandeirantes e a família Saad
  • Record, do bispo Edir Macedo e sua esposa Ester Bezerra
  • Rede TV!, de Amilcare Dallevo

Entre os regionais, destacam-se:

  • Rede Brasil Sul, no Rio Grande do Sul
  • Organizações Jaime Câmara, no Centro-Oeste
  • Rede Amazônica de Rádio e Televisão, atuante em cinco dos sete Estados do Norte
  • Grupo Zahran, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
  • Grupo Verdes Mares, no Nordeste

Essa estrutura limita a diversidade de vozes. A maior parte da programação segue linhas editoriais definidas por esses grupos, com pouca produção local e baixa representação de diferentes realidades culturais.

Além disso, há uma relação próxima entre mídia e poder político. Em muitos casos, veículos de comunicação pertencem a políticos ou grupos ligados a eles. Isso cria um cenário em que interesses econômicos e políticos influenciam diretamente o conteúdo veiculado.

Quando a mídia opera sob essa lógica, a pluralidade informativa fica comprometida. O que circula não é apenas informação, mas também seus próprios interesses.

Como a mídia influencia a política e disputa narrativas?

A influência midiática também se manifesta de forma intensa na política. As disputas por poder passam, cada vez mais, pelos meios de comunicação.

A mídia funciona como espaço central onde narrativas são construídas, disputadas e legitimadas. A visibilidade de atores políticos, a definição de agendas e a forma como os temas são apresentados influenciam diretamente a opinião pública.

Isso não significa que a mídia controla tudo, mas que tem grande poder de influência. Existe uma relação dinâmica entre meios e sociedade. Mas a capacidade de amplificar ou silenciar vozes coloca os veículos de comunicação em uma posição estratégica.

Em períodos eleitorais, esse papel se intensifica. A presença midiática se torna determinante para a existência política de candidatos e propostas.

O papel das mídias independentes como alternativa de representação

Diante desse cenário, a discussão sobre democratização da comunicação ganha relevância. Ampliar a diversidade de vozes significa abrir espaço para outras narrativas, outras experiências e formas de interpretar o mundo. Isso passa por políticas públicas, regulação e também pelo fortalecimento de iniciativas independentes.

Mídias contra-hegemônicas, independentes, têm desempenhado um papel importante ao tensionar representações dominantes e apresentar perspectivas que não encontram espaço nos grandes veículos. Consumir conteúdo de pessoas que são estereotipadas pela mídia tradicional, abre portas para novas perspectivas e interpretações sobre suas vivências.

Essas iniciativas contribuem para mostrar a complexidade de grupos historicamente estereotipados e ampliar o debate público. Ao fazer isso, ajudam a questionar padrões estabelecidos e a produzir novas referências.

Como olhar para os estereótipos da mídia a partir de agora?

Quem define o que é notícia? Quem decide quais histórias merecem atenção? Quem tem acesso aos meios de produção e circulação de informação? Essas perguntas ajudam a entender que a comunicação não é um campo neutro.

É um espaço de disputa, onde diferentes interesses e visões de mundo se confrontam. No Brasil, essa disputa acontece em um cenário marcado por concentração econômica, desigualdade social e diversidade cultural. Isso torna o debate ainda mais relevante.

A forma como você consome informação faz diferença. Entender como a mídia opera permite identificar padrões, questionar narrativas e buscar outras referências. A influência midiática não é um fenômeno distante. Ela atravessa o cotidiano e interfere na forma como você percebe o mundo e se posiciona nele.

Observar quem fala, quem é representado e como essas representações são construídas é um caminho para ampliar a leitura crítica sobre a comunicação. Ao mesmo tempo, acompanhar e fortalecer iniciativas que ampliam a diversidade de vozes contribui para um ambiente informativo mais plural.

Discutir influência midiática é discutir quem define o que você vê, pensa e reconhece como realidade. E a disputa por representação, no fim das contas, é também uma disputa por possibilidades.   Fonte: ICLNOTÍCIA


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domingo, 29 de março de 2026

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