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domingo, 8 de julho de 2018

Política:Presidente do TRF-4 decide manter ex-presidente Lula preso


Ex-presidente Lula em abril de 2018Direito de imagemAGÊNCIA BRASIL
Image captionEm poucas horas, ordem de libertação de ex-presidente teve reviravoltas e criou impasse jurídico
O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, tomou decisão monocrática (individual) cujo resultado será, na prática, a manutenção da prisão do ex-presidente Lula . O despacho, no começo da noite deste domingo, ocorre após a terceira decisão do desembargador plantonista, Rogerio Favreto, determinando a soltura de Lula.
Thompson decidiu com base em um recurso apresentado pelos integrantes do MPF que atuam junto ao TRF-4 contra a soltura de Lula, determinada por Favreto. No despacho, Thompson diz que a competência para julgar o pedido de habeas corpus de Lula é do desembargador João Pedro Gebran Neto, e não de Favreto.
Flores também restaurou a validade de uma decisão anterior de Gebran, tomada por volta das 14h de domingo, determinando a manutenção da prisão de Lula.
Na decisão, Flores argumenta que Favreto não tinha competência para julgar pedidos de Lula, por não ter participado da sessão que decidiu pela prisão do petista; e que não havia fato novo em relação aos pedidos anteriores de soltura do petista.
Lula no Sindicato dos Metalúrgicos junto de Guilherme BoulosDireito de imagemEPA
Image captionLula no dia de sua prisão, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo
A decisão acabou com um imbróglio jurídico que durou quase todo o domingo, desde por volta das 10h da manhã.

Um domingo tenso

As primeiras notícias sobre a possível libertação de Lula surgiram por volta de meio dia deste domingo. Num despacho publicado horas antes, às 9h, o desembargador plantonista José Favreto decidiu favoravelmente a um pedido de habeas corpus formulado pelos deputados petistas Wadih Damous (RJ), Paulo Teixeira (SP) e Paulo Pimenta (RS). Os três apresentaram o pedido na noite da última sexta-feira.
Para Favreto, o fato de Lula ter se tornado pré-candidato à presidência pelo PT constituía um "fato novo", que poderia justificar a revisão no cumprimento provisório da pena. "As últimas ocorrências nos autos (...) versam sobre demandas de veículos de comunicação para entrevistas, sabatinas, filmagens e gravações com o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, (e) demonstram evidente fato novo em relação à condição de réu preso", escreveu o desembargador.
Favreto determinou que a medida fosse cumprida com urgência e antes que houvesse "conhecimento externo" do teor de sua decisão, o que poderia "ensejar agitação e clamor público", dada a notoriedade do ex-presidente Lula. Favreto também escreveu que o petista estaria liberado do exame de corpo delito, se assim o desejasse.
O desembargador Rogerio FavretoDireito de imagemROGERIO FAVRETO, DO TRF-4
Image captionO desembargador Rogerio Favreto, do TRF-4, tentou por três vezes libertar Lula

Moro intervém

Mas "agitação e clamor público" foi exatamente o que aconteceu depois que a decisão foi divulgada. Pouco antes das 13h, o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba publicou um despacho no qual dizia não ser papel de Favreto decidir a respeito de Lula.
"O desembargador plantonista, com todo o respeito, é autoridade absolutamente incompetente para sobrepor-se à decisão do Colegiado da 8ª Turma do TRF-4 (formada pelos desembargadores Victor Laus, João Pedro Gebran Neto e Leandro Paulsen)", escreveu Moro.
O juiz de 1ª instância reconheceu que não tinha "poderes de ordenar a prisão do paciente (Lula), e nem para autorizar a soltura", e disse que iria consultar o desembargador Gebran, relator da Lava Jato no TRF-4.
Minutos depois do despacho de Moro, Favreto voltou à carga, ordenando à Polícia Federal que soltasse Lula imediatamente. "Sem adentrar na funcionalidade interna da Polícia Federal, o cumprimento do Alvará de Soltura não requer maiores dificuldades e deve ser efetivado por qualquer agente federal que estiver na atividade plantonista, não havendo necessidade da presença de Delegado local", escreveu o desembargador de plantão.

Gebran e Favreto disputam

Perto das 16h, João Pedro Gebran atendeu ao pedido de Moro e falou nos autos sobre o caso. Relator da Lava Jato na 2ª Instância, Gebran argumentou que, como a decisão de prender Lula era da 8ª Turma do Tribunal (formada por ele, Victor Laus e Leandro Paulsen), não cabia a Favreto mandar soltar o ex-presidente Lula.
Só a própria 8ª Turma, que em janeiro manteve a condenação de Lula e elevou a pena do petista a 12 anos de prisão, poderia rever a sentença.
"Assim, para evitar maior tumulto para a tramitação deste habeas corpus, até porque a decisão proferida em caráter de plantão poderia ser revista por mim, juiz natural para este processo, em qualquer momento, determino que a autoridade coatora e a Polícia Federal do Paraná se abstenham de praticar qualquer ato que modifique a decisão colegiada da 8ª Turma (a prisão de Lula)", escreveu Gebran.
O juiz federal Sérgio MoroDireito de imagemCGTN AMERICA
Image captionSérgio Moro está de férias até o dia 31 de julho, mas está no Brasil, segundo sua assessoria
Então, às 16h12, Favreto lançou uma terceira decisão com o objetivo de soltar o ex-presidente Lula. O plantonista afirmou que "não foi induzido em erro (pelos deputados petistas), mas sim deliberou sobre fatos novos relativos à execução da pena, entendendo por haver violação ao direito constitucional de liberdade de expressão e, consequente liberdade do paciente (Lula)".
O plantonista termina o despacho dando prazo de uma hora para que a Polícia Federal cumpra a ordem e liberte Lula - limite que foi quebrado pela corporação. O despacho foi publicado às 16h12 no sistema eletrônico, e a Polícia Federal confirmou ter tomado ciência dele às 17h52 - mas às 18h52 Lula ainda estava preso.

Thompson resolve o impasse

O imbróglio em torno da possível soltura de Lula só seria resolvido por volta das 19h de hoje, quando o presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, decidiu de forma monocrática (individual) manter Lula preso.
A decisão de Thompson Flores atendeu a um pedido feito às 16h27 pelo braço do Ministério Público Federal (MPF) junto ao TRF-4, contra o último despacho de Favreto.
Lula com aliados políticosDireito de imagemAFP
Image captionO PT insiste na narrativa de que Lula é candidato à presidência da República
Na decisão, Thompson Flores considerou que a competência para julgar o caso é de João Pedro Gebran Neto - e não do desembargador plantonista. E decidiu que a decisão válida, por enquanto, é a de Gebran, proferida às 14h, negando a liberdade para Lula.
Para Flores, não há "fato novo" no fato de Lula ser pré-candidato à Presidência da República - algo que já era sabido quando da condenação dele pelo TRF-4, em janeiro. E mais: quando há dúvidas sobre o que é tema para ser decidido ou não pelo desembargador plantonista, cabe à presidência do tribunal decidir, disse o magistrado. Além disso, argumenta Flores, a competência para julgar Lula é da 8ª Turma do tribunal, e não de Favreto.
Fonte:BBC
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Lula solto, é a decisão do TRF da 4ª Região


O Tribunal Regional Federal da 4ª Região deferiu uma liminar para que o ex-presidente Lulaseja solto ainda na manhã deste domingo (8).
Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, o desembargador Rogério Favreto acatou habeas corpus apresentado na sexta (6) pelos deputados Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira, do PT, pedindo que ele fosse libertado imediatamente pois não haveria fundamento jurídico para a prisão dele.
O plantão do TRF-4 confirma a informação. Ainda de acordo com a jornalista, os parlamentares estão agora na sede da Polícia Federal tentando fazer com que a ordem seja cumprida, teria informado o plantonista Luís Felipe Santo.
Foto Alvará :Mídia Ninja
Com informações de gauchazh.clicrbs.com.br
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 7 de julho de 2018

Brasil de verdade: Sarampo, pólio, difteria e rubéola voltam a ameaçar após erradicação no Brasil


Criança toma vacinaDireito de imagemMARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Image captionEspecialistas alertam para a necessidade de reforço à atenção com as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação
O sarampo era considerado uma doença erradicada no Brasil desde 2016, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou que o país estava havia um ano sem registro de casos do vírus. Mas isso mudou neste ano: boletins recentes da entidade advertem que está em curso um surto da doença, altamente contagiosa e que pode levar à morte de crianças pequenas ou causar sequelas graves.
Entre 1º de janeiro e 23 de maio deste ano, foram registrados 995 casos de sarampo no país (sendo 611 no Amazonas e 384 em Roraima), incluindo duas mortes, segundo a OMS.
A terceira foi confirmada nesta quinta-feira: um bebê de sete meses morreu em Manaus em 28 de junho depois de apresentar febre, manchas na pele, tosse e coriza. A Secretaria de Saúde local investiga agora se a morte de uma bebê de nove meses também foi por sarampo.
Ainda no mês de junho, o Ministério da Saúde também informou haver alto risco de retorno da poliomielite em pelo menos 312 cidades brasileiras. A doença era considerada erradicada no continente desde 1994, após décadas provocando milhares de casos de paralisia infantil.
Os alertas acima colocam em evidência doenças que estavam controladas graças à vacinação em massa, mas que ameaçam provocar estragos na saúde pública brasileira caso a imunização sofra baixas.
"A volta da poliomielite, doença que não tínhamos há mais de 20 anos, poderá significar uma situação grave para o Brasil", disse à BBC News Brasil a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues.
A preocupação com a polio se dá pelo fato de que, embora não tenha havido casos recentes no Brasil, identificou-se um registro da doença na vizinha Venezuela e a circulação do vírus em 23 países nos últimos três anos.
Em abril, a OMS também notificou surtos na Venezuela e no Haiti de difteria, que causa dificuldade de respirar. Na Venezuela, 142 pessoas já morreram da doença desde 2016. No Brasil, seis casos suspeitos da doença relatados neste ano aguardam confirmação.
Vacina sarampoDireito de imagemSEMCOM MANAUS
Image captionComo o sarampo é de alto contágio, é preciso que pelo menos 95% das pessoas tenham sido vacinadas no Brasil para que a doença não se espalhe
"Entre as doenças já controladas no país, destaco preocupação com a poliomielite, a rubéola congênita e, como estamos vendo, o sarampo, que poderá se espalhar para outras regiões do Brasil" afirma o diretor da Divisão de Ensaios Clínicos e Farmacovigilância do Instituto Butantan, Alexander Roberto Precioso. "É preciso aumentar a cobertura vacinal da população contra essas doenças."
A seguir, traçamos um panorama dessas doenças, do que pode estar por trás de seu retorno e quais precauções são necessárias para que elas sejam controladas:

O sarampo

Desde abril de 2018, a OMS emite alerta sobre a volta do sarampo em dez países das Américas: Brasil, Argentina, Equador, Canadá, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru, Antígua e Barbuda, Colômbia e Venezuela.
E não é só nas Américas - em 2017, a Europa registrou mais de 21 mil casos de sarampo, com 35 mortes, um aumento de quase 400% nos casos em relação ao ano anterior.
"Casos de sarampo têm sido relatados novamente nas Américas, principalmente na Venezuela, que deixou de vacinar a sua população por questões políticas e econômicas", explica o pesquisador do Serviço de Bacteriologia do Instituto Butantan, Paulo Lee Ho.
Em 2017, com o surto da doença nos países vizinhos, o Ministério da Saúde alertou a população para a importância de tomar a tríplice viral, vacina que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola.
A tríplice viral é uma das 14 vacinas oferecidas de graça pelo Programa Nacional de Imunizações. Ela deve ser tomada na infância e em duas doses, a primeira com 12 meses e a segunda com 15 meses. Na segunda dose, a vacina recebe um reforço contra uma quarta doença, a varicela, infecção viral altamente contagiosa que causa a catapora.
De acordo com os dados do Datasus analisados pela BBC News Brasil, coberturas vacinais com doses de reforço estão muito abaixo da meta esperada para todas as vacinas do Calendário Nacional de Imunização.
No caso da tríplice viral, a segunda dose da vacina não bate a meta de vacinação, de 95%, desde 2012. Em 2016, apenas 76,74% das crianças com 15 meses de vida foram imunizadas.
Dos três vírus combatidos nessa vacina, o sarampo é considerado o mais perigoso. "Por ser de alto contágio, é preciso que pelo menos 95% das pessoas tenham sido vacinadas no Brasil para que o sarampo não se espalhe. Caso contrário, basta ter uma única pessoa não vacinada em uma cidade para que o vírus trazido por um infectado consiga (chegar a ela)", afirma Carla Domingues, do Ministério da Saúde.
Mulher toma vacinaDireito de imagemVENILTON KÜCHLER
Image caption"Poucas intervenções da medicina foram tão eficazes como as vacinas, capazes de erradicar doenças que antes matavam muitas pessoas", diz pesquisador
Isso explica por que a doença foi a única dos três vírus que voltou ao país até o momento. "Mas pode ocorrer que essas demais doenças prevenidas na tríplice viral voltem caso a população não esteja se imunizando", afirma Precioso.
Caso não tenha sido imunizada na idade correta, qualquer pessoa até os 49 anos poderá tomar a tríplice viral em uma única dose. Porém, para Precioso, não tomar a tríplice viral na infância é prejudicial a toda a população brasileira, uma vez que irá expor essas crianças e futuros jovens a infecções que antes estavam controladas no país.
Segundo Domingues, não há explicação para a diminuição da cobertura vacinal da tríplice viral nos últimos anos no Brasil, uma vez que não houve redução da oferta ou desabastecimento da vacina no país.
Para a coordenadora, a explicação pode estar em um possível esquecimento das pessoas sobre algumas doenças, antes frequentes no país, mas hoje controladas e menos visíveis.
"A população de adultos de hoje precisa lembrar que sarampo e poliomielite matam. E se não matarem, deixarão sequelas graves para o resto da vida, como a paralisia infantil, a surdez, a cegueira, problemas neurológicos, etc."
"É urgente a vacinação daqueles que não foram imunizados, porque é a imunização que interrompe um ciclo de transmissão em todo um meio, além de proteger o indivíduo da infecção", explica Lee Ho.

A poliomielite

Neném toma vacinaDireito de imagemCESAR BRUSTOLIN/SMCS
Image captionSão duas as vacinas que previnem a poliomielite: a VOP, Vacina Oral Poliomelite, aplicada via oral aos 2, 4 e 6 meses de vida, com reforços entre 15 e 18 meses
Além da volta do sarampo, Domingues conta que a preocupação do Ministério da Saúde em 2018 é com o retorno da poliomielite para o Brasil. Antes dos casos registrados neste ano, a doença não ocorria no país desde a década de 1990.
Todos os municípios brasileiros são considerados lugares de risco, com exceção apenas dos localizados em Rondônia, Espírito Santo e do Distrito Federal. Das mais de 300 cidades em que se estuda a confirmação dos casos, 44 estão no Estado de São Paulo.
No alerta emitido no dia 28 de junho, o Ministério da Saúde explicou que municípios que não conseguiram atingir nem 50% da cobertura vacinal nos últimos anos estão na lista de maior risco para a volta da pólio. Cidades da Bahia e do Maranhão são as que menos imunizaram seus moradores nos últimos anos, tendo vacinado apenas 15% da população.
Segundo o Datasus, as vacinas contra poliomielite não alcançam a meta de vacinação no Brasil desde 2011. Em 2016, os municípios tiveram menor taxa de vacinação: apenas 43,1% das cidades atingiram a meta.
Além disso, das vacinas que crianças de dois meses e quatro meses de idade devem tomar, a poliomielite tem sido a única que não consegue ultrapassar 85% de vacinados, seja na primeira ou na segunda dose.
São duas as vacinas que previnem a poliomielite: a VOP, Vacina Oral Poliomelite, aplicada via oral aos 2, 4 e 6 meses de vida, com reforços entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade; e a VIP, Vacina Inativada Poliomielite, que tem injetada uma dose aos 15 meses e outra aos 4 anos de idade. Ambas as vacinas são oferecidas nas Unidades Básicas de Saúde.
Criança toma vacinaDireito de imagemCESAR BRUSTOLIN/SMCS
Image captionA segunda dose da vacina contra polio, a VIP, Vacina Inativada Poliomielite, que tem injetada uma dose aos 15 meses e outra aos 4 anos de idade
Em agosto, o Ministério da Saúde realizará campanha de vacinação nacional contra pólio.

O perigo do "vírus importado"

A volta do vírus do sarampo ao território brasileiro tem sido relacionada com a imigração venezuelana para a região Norte, iniciada em 2014, o que explica a incidência do vírus no Amazonas e em Roraima, que fazem fronteira com o país em grave crise sociopolítica.
Vírus trazidos por fluxos migratórios de uma população que não o erradicou para um local que o havia erradicado são chamados de "vírus importados".
"Pessoas infectadas de países vizinhos que vivem surtos infecciosos estão migrando para o Brasil", explica Domingues. "No caso do sarampo, o alerta de surto é mundial. Tem casos de sarampo tanto em países subdesenvolvidos como em desenvolvidos, como na Europa e nos Estados Unidos. Com maior circulação de pessoas viajando, seja pelo turismo ou pelo comércio, vivemos a possibilidade de espalhar vírus antes controlados por todo o território brasileiro."
De acordo com especialistas em imunização, o "vírus importado" só tem efeito quando encontra um indivíduo não imunizado.
Assim, a volta do sarampo ao Brasil ocorreu também porque parte da própria população brasileira deixou de tomar as vacinas do Calendário Nacional nos últimos anos.
Crianças venezuelanas em ManausDireito de imagemMARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Image captionPor serem os locais do surto do sarampo no Brasil estados que fazem divisa com a Venezuela, a volta do vírus ao território brasileiro tem sido relacionada com a imigração venezuelana para a região Norte
"Todas as doenças consideradas erradicadas no Brasil, mas que não estejam erradicadas no mundo podem voltar se a população não continuar vacinada", afirma Paulo Lee Ho.
Outro fator que ajuda explicar a volta de doenças que o Brasil já havia conseguido erradicar é o "efeito rebanho".
"A proteção oferecida pelas vacinas ocorre de duas maneiras: ela pode ser direta, pela imunização do indivíduo, ou por efeito rebanho pelo ambiente vacinado, por meio da vacinação de uma população", explica Lee Ho.
O "efeito rebanho" acontece quando a taxa de imunização de uma população é tão alta que, mesmo que um indivíduo não se vacine, ele estará protegido vivendo naquele meio em que a maioria é vacinada. É o efeito rebanho que prevenirá a ocorrência de surtos, epidemias e pandemias, pois é a maioria de uma população vacinada que impedirá a circulação dos agentes infecciosos naquele local, e não a vacina isolada em si.
Do mesmo modo, quanto mais pessoas deixarem de se imunizar em uma mesma região, menos força terá o efeito rebanho - e doenças antes já controladas ali poderão voltar a ocorrer.
A varíola é a única doença considerada totalmente erradicada no mundo. Atualmente, o vírus que transmite a doença não circula mais entre as populações mundiais, e as únicas amostras que ainda existem estão armazenadas em poucos laboratórios autorizados, para serem usadas em estudos e pesquisas.

Medo e esquecimento

"Por não termos mais contato com algumas doenças infecciosas, a percepção é que elas deixaram de existir e que a vacinação é inútil", avalia Lee Ho. "Mas poucas intervenções da medicina foram tão eficazes como as vacinas, capazes de erradicar doenças que antes matavam muitas pessoas."
Segundo o pesquisador, a proteção oferecida pela imunização é menos visível, fazendo com que as pessoas não confiem nas vacinas do mesmo modo que confiam nos remédios.
"É importante que os pais dessas gerações mais jovens, que foram beneficiados pela criação do Programa Nacional de Imunizações na década de 1970 - por meio do qual havíamos conseguido controlar diversas doenças gravíssimas na época - tenham a mesma responsabilidade que os pais deles tiveram e vacinem seus filhos."
"Mais que isso, que esses pais mantenham toda a caderneta de vacinação dos filhos sempre atualizada", alerta Domingues.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Depois da festa, o acaso ou o desmonte?

Resultado de imagem para multidão

A Copa movimenta. Há paralisações, mesas de bares repletas, concentrações etílicas. Sem dúvida, muitos esquecem que a vida passa e a barra pesa. Os políticos se aproveitam para fazer sua farra. Mas como anular o divertimento? Também, curto. É preciso cuidado e luz acesa. Não desligar a televisão e profetizar sofrimentos. Essa é minha escolha. as polêmicas são muitas. É inegável que os grandeseventos confundem e trazem enganos. As contradições evidenciam que as dores não se acabaram, que a lei da gravidade permanece. Não há sossego.
As multidões se mobilizam. Não é apenas no Brasil. O que muda é o tamanho da manipulação. Não comparemos. Há singularidades culturais.A tradição do futebol não é a mesma. Os peruanos ficaram tristes com a eliminação. E como reagiram os alemães? Se a seleção verde-amarela multiplicará aflições? As notícias se espalham pela mídia com sentidos diversos. Newmar é uma figura exaltada,  mas com frustrações evidentes. As manchetes são globais. Enchem espaços. Distraem. Carregam medidas inexatas e dissonâncias. Choros e risos se entrelaçam  em encontros esquisitos.Tudo se toca nesse  tempo das informações velozes.
Do outro lado, as pesquisas eleitorais assinalam apatias. Há energias estagnadas. Lula continua preso, Alckmim não se recupera, Marina parece um anjo do bem. Sente-se que falta grana para agitar os delírios daquelas propagandas fabulosas. Espera-se um tempo com mistura nada saudáveis. O Brasil se veste de autoritarismos históricos, mostra-se dono de uma pedagogia que mantém preconceitos. A acontecem entusiasmos que não se firmam. Todos tremem assustados com a incerteza. Tudo se balança, com se não houvesse o futuro. Quem aciona a memória? Os atores política jogam com estratégias pragmáticas.
As muitas desigualdades ferem quem se indigna com a exploração. Debate-se. Como torcer com a miséria assumindo ares de violência? Não é fácil. A sociedade está fragilizada, os projetos não se consolidam. Há golpes cotidianos. Em 1970, as discussões aconteciam, a tortura intimidava, Brasil ganhou a Copa, com um futebol maravilhoso. Estava lá. O governo não se omitiu, quis construir sua vitrine para se superar. Mais tarde, a rebeldia cresceu. A ditadura se quebrou. Hoje, os privilegiados fingem, transformam-se em cidadãos democratas. A história continua.  Quem se parte? O trapézio da história  é curvo e escorrega. A astúcia de Ulisses.
Por Paulo Rezende
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Nenhum vereador de Bom Jardim apoia Miguel para deputado estadual


Miguel Barbosa, ex-prefeito de Bom Jardim, pretende ser candidato a deputado estadual pelo PP (Progressistas). O pré-candidato não recebeu até o presente momento apoio de nenhum dos 13 vereadores do seu município de origem. Nas eleições de 2016, Miguel Barbosa(PP), obteve 10.820 votos para prefeito. João Lira(PSD), foi eleito com 12.070 votos. Vereadores aliados do ex-prefeito foram eleitos com ajuda indireta, durante a gestão. O prestígio obtido, os eventuais favorecimentos políticos do tipo indicações para cargos no serviço público, indicações para contratos de pessoal, pedidos para realização  de pequenas obras, ações em comunidades, privilégio de fala e atenção durante a campanha não foram suficientes para lhe garantir o apoio político neste momento. Como fazer decolar seu projeto político? Só o povo poderá responder nas urnas. Mas...  

Qual a explicação para Miguel Barbosa vivenciar o ostracismo político de seus aliados? Há várias razões, entre as quais: O ex-prefeito Miguel, se acomodou, não manteve o vínculo com seus aliados, lideranças, bases, e políticos eleitos(vereadores); Miguel ficou chocado, "deprimido politicamente" com a derrota nas urnas em 2016; Vereadores reclamam do seu afastamento do grupo com mandato,  que cobram empenho, orientação de um líder; Miguel não tem dinheiro suficiente para manter um grupo político ativo para atender as demandas e necessidades de seus eleitores;  Miguel é visto por uns como imaturo, não tomou uma postura de líder da oposição ao atual prefeito; É visto por outros, como político que ainda tem fortes ligações com o atual prefeito eleito, João Lira; Os vereadores sentiram-se livres para "negociar" apoio político com outros futuros candidatos a deputado; As eleições funcionam no Brasil como um balcão de negócios, onde nem sempre os interesses são republicanos. Miguel não "chegou junto", não terá apoio dos eleitos nesta eleição. Será que terá estes apoios em 2020?

Muitos eleitores bonjardinenses manifestam uma certa revolta e decepção com os vereadores. Afinal, deveriam pensar melhor a conjuntura política que o município, o estado e o país vivenciam. Há quem diga que é uma covardia não apoiar Miguel na hora que ele mais precisa. Há também uma história de que o ex-prefeito foi orientado no sentido de não procurar os vereadores. Será essa uma estratégia de João Lira? Será que João Lira quer de fato um novo grupo político, pretende dividir a oposição local de olho na eleição de 2020? Será que os vereadores irão lançar outra candidatura em 2020?

Dos três super-secretários municipais, Airton Barbosa é o único que acompanha seu irmão, o pré-candidato para Casa de Joaquim Nabuco. Célio Borges, já assumiu o papel de articulador da pré-candidata Juliana, esposa do prefeito de Orobó. Deoclécio Bino, faz assessoria para o atual prefeito da cidade. Miguel deu muita força para estes três secretários e esqueceu de potencializar o trabalho de outras pastas que carregava sua administração nas costas. O ex-prefeito está sendo punido pelos erros políticos e administrativos que cometeu na sua gestão. Deu apoio excessivo para uns e de menos para os que mais levantaram sua bandeira. Agora está vendo o lado real das coisas, comendo do próprio roçado que plantou.

A eleição da nova mesa diretora da Câmara Municipal mexeu com a engenharia política. O prefeito João Lira, perdeu espaço e Miguel Barbosa pode ganhar outros concorrentes para o pleito municipal. Neste caso, João Lira, pode se fortalecer com a divisão das "oposições" em 2020. Será que esse é o jogo? Será que essa investida de Juliana de Chaparral (esposa do prefeito de Orobó) em Bom Jardim é uma forma de enfraquecer a "oposição oficial"? Será que João Lira(PSD) e Miguel(PP) poderão se juntar se um outro grupo político se formar com os vereadores puxados por Jotinha e Companhia? Será que Orobó vai se tornar de fato a capital política  de Bom Jardim?

Miguel Barbosa continua no PP(Progressistas), um partido estragado por sua história vinculada a direita, um partido conservador (ex-Arena/PDS), com lideranças nacionais e regionais envolvidas em escândalos de corrupção. Miguel Barbosa  é um político novo que vai ficar velho ao permanecer no centro de uma política partidária ultrapassada. Seu mentor político foi João Lira, hoje seu adversário. Caso o progressista faça dobradinha política com Eduardo da Fonte(PP), vai se complicar muito mais diante do eleitorado local. Eduardo da Fonte é defensor das reformas de Temer. Faz parte da mesma cartilha política de Ricardo Teobaldo(Podemos) no Congresso Nacional, ambos são defensores do governo impopular do presidente Temer.

Muitos eleitores afirmam que Miguel terá mais de 8 mil votos em Bom Jardim,  mesmo sem o apoio de nenhum vereador. Uma pesquisa feita por Celinho e não divulgada no final do ano passado, revelou que o ex-prefeito (Miguel) terá quase o dobro de votos do atual  deputado Joaquim Lira (PSD), apoiado aqui, no município, pelo  prefeito João Lira. 

Durante todo esse período de pré-campanha o eleitorado não conheceu nenhuma proposta dos pré-candidatos que desejam ser votados no município. É uma pobreza política muito grande. Há uma falta de compromisso com o estado, o país e com o cidadão que vota. O eleitor não é respeitado, a cada eleição é envolvido pela emoção infantilizada, sem criticidade, fazendo parte de um "comércio" onde o voto é uma "mercadoria" que tem valor no momento atual. Depois das eleições vem muitas decepções, acompanhada da falta de educação, saúde, segurança, geração de empregos e renda. Não há uma discussão sincera, honesta de propostas, não se realiza diagnósticos sobre a realidade local, regional e nacional. É só uma briguinha tipo pastoril, onde de um lado está o cordão azul, do outro lado, o cordão encarnado. Será que o povo vai continuar nessas manobras mais uma vez? Será que continuaremos ao deus-dará?

Será que mais uma vez famílias, escolas, professores, estudantes, igrejas irão silenciar, fechar os olhos para o real sentido da política? Será que o pecado da omissão vai aprofundar mais o buraco que o país vive mergulhado? Seremos de fato cidadãos, protagonistas de importantes mudanças na vida política no Brasil? Será que as eleição municipal  de 2020 já começou?

Jerônimo Cisneiro(Psol) e Jonas do Conselho(PRB) também figuram como pré-candidatos ao cargo de deputado estadual neste ano de 2018.

Foto/Divulgação:Internet
Professor Edgar Bom Jardim - PE