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domingo, 1 de outubro de 2017

Cidades:Por que os agrupamentos urbanos constituem uma das formas mais eficientes de distribuição de riqueza

Beco do Batman no bairro da Vila Madalena em São Paulo (Foto: Eugenio Hansen)
“As cidades são a melhor invenção da humanidade”, afirma Edward Glaeser, professor de economia em Harvard. Os agrupamentos urbanos constituem uma das formas mais eficientes de distribuição de riqueza, e não é por acaso que concentram hoje a maior parte da população mundial.
A importância das cidades para o desenvolvimento econômico e social não exclui a existência de problemas. Exatamente por concentrarem grandes populações, as cidades enfrentam dificuldades e são palco de conflitos. No Brasil, elas apresentam ainda questões primárias, herdadas do apressado processo de urbanização do século XX, como a falta de saneamento, que convivem com as conquistas do século XXI, o acesso amplo à tecnologia e às redes de informação. 
Ainda que as cidades tenham esses dois lados, o positivo e o negativo, elas nem sempre são percebidas assim. Na imprensa, nas redes sociais, no senso comum, as cidades são associadas a trânsito, violência e poluição, a uma qualidade de vida ruim. De fato, como explica Glaeser, esses três problemas são consequências automáticas da aglomeração humana que caracteriza as cidades e só podem ser superados com bom planejamento, boa gestão e comportamento ético dos indivíduos em relação ao coletivo.
O desafio, então, é melhorar o planejamento e a gestão das cidades. Para isso, não basta uma boa administração pública: o envolvimento das empresas e da sociedade civil é essencial. É necessário um ambiente de colaboração e cidadania para que as cidades sejam espaços que atendam adequadamente às demandas da sociedade brasileira atual – extremamente diversa em suas necessidades e interesses.
A mídia também tem um papel importante: tem o poder de influenciar muito na formação da agenda pública, ou seja, naquilo que é discutido e no que não é, naquilo que é percebido como problema e no que não é. Se um fato é noticiado e outro não, e se o fato é noticiado de forma positiva ou negativa, isso é decisivo no processo de produzir uma percepção da realidade para o cidadão comum. A percepção da realidade substitui a realidade em si. A realidade não é inteligível, ao contrário do mundo interpretado pelos meios de comunicação, que já vem decodificado por ordem de relevância e agrupamento temático – manchete da primeira página, nota do Caderno de Cultura, coluna na seção de Cidades.
Há diversos atores sociais produzindo mudanças positivas – na iniciativa privada, no setor público e na sociedade civil. É preciso valorizar as boas iniciativas, destacá-las. Só se fala dos problemas. Precisamos lembrar os brasileiros de que cidades são solução, uma das formas mais simples de distribuição de riqueza e democratização no acesso a oportunidades. Também é necessário incentivar a participação, o comportamento do cidadão. Com a complexidade que a nossa sociedade alcançou, o modelo de governança para as cidades precisa contar com a participação dos diversos setores sociais.
* Marisa Moreira Salles e Tomas Alvim são fundadores do Arq.Futuro
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Separativismo: Espanha X Catalunha. Adeus, Espanha?

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O movimento catalão é intrigante. Não tanto pelo fato de grande parte da população de uma região aspirar com veemência a se separar de um país europeu ao qual está unida há mais de 300 anos, mas pela inépcia com que o governo de Madri enfrenta a situação. Mais difícil ainda é entender a disposição do líder do PSOE, Pedro Sánchez, e do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, de aderirem sem ressalvas a um legalismo pouco persuasivo.
Desde 2012, cada uma das celebrações da Dia da Nacional de Catalunya, aniversário do 11 de setembro de 1714 no qual as forças castelhanas dos Bourbon tomaram Barcelona e suprimiram sua soberania, mobiliza centenas de milhares em um espetáculo de dimensões e organização impressionantes.
Na Europa do Pós-Guerra, apenas Roma, em 2002 contra as reformas trabalhistas de Berlusconi e em 2003 contra a invasão anglo-americana do Iraque, teve manifestações políticas maiores. Mas estas não se repetem todo ano nem representam uma região de apenas 7,5 milhões de habitantes com a capital de 1,6 milhão.
O entusiasmo sustentado dessa parcela importante da população não significa o apoio de uma maioria esmagadora dos catalães à independência total. As pesquisas de opinião dão à proposta um apoio ora um pouco acima, ora algo abaixo de 50%.
Meio país
Desde 2012, as manifestações pela soberania da Catalunha são impressionantes. (Foto: Roser Vilallonga)
Mas o simples fato de a ideia criar tamanha mobilização, conquistar a maioria do Parlamento regional e empolgar políticos e partidos de forma nenhuma fanáticos ou extremistas – o maior, Convergência Democrática da Catalunha, é de resto um comezinho partido liberal – deveria bastar para inspirar tanto.
Some-se a isso que a grande maioria da população da Catalunha – mais de 80%, em pesquisas recentes – quer a soberania, entendida como o direito de decidir, mesmo se for para deixar como está. Uma boa parte está aberta a um meio-termo. Talvez a Catalunha como estado de uma Espanha federal e plurinacional, como sugere o partido Podemos.
Pode ser significativo que as manifestações de 2013, 2014 e 2015, quando a independência não estava na ordem do dia, tenham reunido até 1,8 milhão e a deste ano, a três semanas da data marcada para o referendo, tenha ficado em 800 mil.
Carles
Puigdemont seria mais um político liberal se a questão mal resolvida pela Espanha não lhe desse uma estatura épica (Foto: Luis Gene/AFP)
A palavra de ordem desta feita foi Adéu Espanya e muitos daqueles dispostos a reafirmar seus direitos como nacionalidade podem não querer se comprometer irrevogavelmente com a solução mais radical.
Entretanto, em vez de reconhecer a importância política da questão e negociá-la, o governo de Madri e o Judiciário espanhol optaram por tratá-la como mera questão legal. Juízes e procuradores invocam a Constituição para anular leis votadas pelo Parlamento de Barcelona, abrir processo criminal contra o chefe do governo catalão, Carles Puigdemont, ordenam à polícia catalã confiscar cédulas e urnas e ameaçam prender mais de 700 prefeitos que ofereceram instalações municipais para o plebiscito marcado para 1º de outubro.

Funcionaria, talvez, se fosse frivolidade ou onda passageira, mas não é o caso. É inútil esperar que metade da população de uma região e a maioria de suas lideranças esqueçam suas aspirações apenas por estas serem ilegais para um Estado cuja legitimidade deixaram de reconhecer. Prisões não constrangerão as lideranças – pelo contrário, lhes darão uma aura heroica.
É possível recorrer à força, inclusive militar, para impedir o referendo, dissolver o Parlamento e o governo de Barcelona, e impor interventores, mas o resultado provável seria ampliar o apoio à independência e pôr todo o país no caminho do autoritarismo. Pode ser uma forma de adiar o desfecho, mas torná-lo ainda mais desagradável, inclusive para Madri.
Pode-se compreender que Mariano Rajoy e o rei Filipe VI sejam incapazes de enxergar alternativas. Estão amarrados demais ao ranço totalitário do franquismo e às consequências de uma transição democrática que, como a brasileira, deixou de apurar, julgar e punir os crimes da longa ditadura da qual são herdeiros.
Somado às denúncias de corrupção que os acossam, o patriotismo, como diria Samuel Johnson, é o último refúgio, mas, se esta já pode ser uma manobra arriscada quando o foco é um inimigo externo, mais perigosa é quando se volta contra uma região e uma gente que supostamente se quer manter unidas ao país.
A história pode ajudar a entender. Talvez surpreenda a muitos, inclusive àqueles com algum estudo, saber que “a Espanha” só veio a existir em 1716. Na época de ouro de Cristóvão Colombo, Hernán Cortés, Francisco Pizarro, Miguel de Cervantes, Lope de Vega e Calderón de la Barca havia “as Espanhas”, um grandioso conglomerado de Estados governados por um mesmo soberano sem unidade jurídica, caráter nacional ou nome oficial.
O monarca em Madri intitulava-se “rei de Castela, de Leão, de Aragão, das Duas Sicílias...” e seguia uma lista de mais de 30 reinos, principados, ducados e senhorios com um “etc.” ao final para cobrir qualquer esquecimento.
Não era apenas uma questão de terminologia. Cada reino tinha suas próprias leis, costumes e língua ou dialeto. Enquanto nos mais de dez reinos que constituíam a “coroa de Castela” o Legislativo fora esvaziado e o rei governava por decreto, no reino basco de Navarra e nos reinos ibéricos da “coroa de Aragão” – Aragão propriamente dito, Catalunha, Valência e Maiorca – os respectivos parlamentos ou “cortes” mantinham plenos poderes, inclusive sobre guerra e paz.
A coroa de Castela carregou sozinha os frutos e os ônus da conquista das Américas e das Filipinas. A coroa de Aragão nem sempre acompanhou suas aventuras navais e militares e cuidou das próprias batalhas, negócios e domínios na Itália e no Mediterrâneo, assim como Portugal geriu suas colônias e marinha em separado quando lá reinaram os Filipes.
Isso mudou após Carlos II de Habsburgo morrer sem filhos, em 1700, e legar seus domínios decadentes à dinastia Bourbon. O testamento foi contestado pelos Habsburgo austríacos, resultando nos 13 anos da Guerra da Sucessão Espanhola.
Castela aderiu aos Bourbon, mas Aragão preferiu os Habsburgo, em parte por se ressentir de uma invasão francesa em 1697. Foi só após aquele fatídico dia de 1714 que os domínios remanescentes foram unidos no “Reino da Espanha” e a soberania da Catalunha, suprimida.
Não foi apenas um castigo à sua insubmissão, mas consequência lógica da mentalidade centralizadora e absolutista dos Bourbon, forjada na submissão dos senhores feudais da França e que logo se voltaria também contra a autonomia dos Países Bascos e de Navarra, que os tinham apoiado.

Escócia perdera a soberania para o Reino Unido poucos anos antes, mas de forma não violenta. Uma aventura colonial fracassada falira seu Estado e sua própria elite abriu mão da soberania em troca do perdão da dívida com a Inglaterra. Alemanha e Itália se unificaram bem mais tarde, mas com amplo apoio popular em todas as suas regiões.
A unificação espanhola foi mal resolvida também porque, ao contrário dessas nações, o Estado resultante nunca enfrentou uma grande guerra que o unisse contra um inimigo externo. Pelo contrário, sua história foi marcada por conflitos internos, nos quais se enfrentaram espanhóis de diferentes regiões e ideologias com diferentes aliados internacionais, como na Guerra Civil Espanhola de 1936-1939.
A República Espanhola proclamada em 1931 concedera à Catalunha e ao País Basco uma autonomia que as condições da guerra transformaram em quase independência, incluindo o controle de alfândegas, portos, ferrovias e milícias, mas, com a vitória de Francisco Franco e seus 36 anos de ditadura, o centralismo impôs-se de forma ainda mais intransigente que na monarquia, inclusive com a proibição da publicação de livros em catalão e do uso da língua em público.
Na Catalunha, como no País Basco, a defesa da identidade cultural confundiu-se com a resistência democrática, liberal ou de esquerda. E mais ainda entre os catalães e bascos de raiz incomodados com a migração de espanhóis de outras regiões, alguns dos quais se arrogavam superiores por só falarem castelhano.
Apesar de a redemocratização conceder autonomia limitada a todas as regiões, a óbvia identificação do Partido Popular com a herança franquista e a pouca atenção dos socialistas para suas questões específicas fizeram os grandes partidos nacionais criarem poucas raízes na Catalunha e no País Basco fora dos migrantes e descendentes, fortaleceram os partidos locais e possibilitaram a suas lideranças acentuarem o particularismo para ampliar seu controle da região e evitar a diluição de sua influência no contexto espanhol, apesar da oposição de grandes empresas catalãs com negócios em toda a Espanha.
O fato de não ter havido na Catalunha luta armada comparável à da ETA no País Basco aparentemente só facilitou à classe média se assumir separatista sem o receio de ser considerada “terrorista”.
O conflito ficou mais ou menos restrito a questões culturais e educacionais durante os anos de razoável prosperidade da redemocratização e da formação da União Europeia, mas tornou-se muito mais sério após a crise de 2008, cujos efeitos na Espanha foram particularmente devastadores.
A Catalunha e o País Basco são regiões mais prósperas que a média e à questão da nacionalidade somou-se a crença de que se sairiam melhor se independentes. Os escândalos no resgate de grandes bancos (não catalães), no Partido Popular e nos negócios da família real também não favoreceram a causa da unidade.
Se décadas de negação franquista não fizeram desaparecer o problema, não bastará voltar a proclamar sua inexistência por lei.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 20 de junho de 2017

Período de 1 milhão de anos de intensa atividade vulcânica levou à era dos dinossauros, diz estudo


VulcanoDireito de imagemISTOCK / GETTY IMAGES PLUS
Image captionCientistas dizem que intensas erupções ocorridas há 200 milhões de anos levaram à extinção de várias espécies de animais

Um período de um milhão de anos de uma intensa atividade vulcânica provavelmente abriu caminho para o início da era dos dinossauros, sugere um novo estudo publicado no periódico científico PNAS.
Cientistas encontraram rochas antigas com traços de emissões de massivas erupções vulcânicas ocorridas há cerca de 200 milhões de anos.
Essas erupções teriam levado a uma das maiores extinções em massa de que se tem notícia - a Extinção do Triássico -, permitindo que os dinossauros passassem a dominar o planeta.
Entre as espécies extintas, segundo o estudo, estavam criaturas semelhantes a crocodilos, mamíferos parecidos com répteis e os primeiros anfíbios.
"Os dinossauros puderam explorar os nichos ecológicos que ficaram livres pela extinção", explicou o autor principal do estudo, Lawrence Percival, do departamento de ciências da Terra da Universidade de Oxford.

VulcanoDireito de imagemSCIENCE PHOTO LIBRARY
Image captionCenário nesse período de alta atividade de vulcões era de 'fissuras, rachaduras se abrindo na crosta terrestre com fogo e lava jorrando para fora'

Qualquer ser vivo nas proximidades das erupções teria sido afetado, diz a pesquisa. Mas mesmo criaturas vivendo mais à distância também teriam problemas: as repetidas erupções teriam devastado um habitat extenso, bloqueando o sol e levando ao aumento dos níveis de dióxido de carbono.
Mesmo assim, os primeiros dinossauros desse período conseguiram sobreviver a essas difíceis condições de vida - e os pesquisadores não sabem como.
Assim que os vulcões se acalmaram, restavam poucos de seus competidores, permitindo o surgimento da era dos dinossauros.

Aumento de mercúrio

Os pesquisadores analisaram rochas vulcânicas de quatro continentes que datam deste período turbulento.
Um estudo anterior avaliou como os níveis de carbono variava nas rochas, o que está relacionado com o aumento de dióxido de carbono de erupções vulcânicas.
Mas essa nova pesquisa olhou para outras impressões digitais da atividade vulcânica: o mercúrio.
Quando vulcões entram em erupção, eles emitem mercúrio nas nuvens de gás que sobem rumo ao céu. Ele então se espalha pela atmosfera antes de se depositar entre os sedimentos do solo, onde permanece por milhões de anos.
"Se você vê um grande aumento de mercúrio nestes sedimentos, você pode inferir que houve atividade vulcânica nesse exato momento", explicou Percival. "E isto é o que vemos no momento desta extinção".

Sediments in MoroccoDireito de imagemJESSICA WHITESIDE
Image captionRochas vulcânicas têm traços de mercúrio de erupções antigas

Os pesquisadores descobriram evidências de uma massiva atividade vulcânica que teria se estendido por cerca de 1 milhão de anos.
A professora Tamsin Mather, da Universidade de Oxford, descreveu o possível cenário: "Você tem estas fissuras, estas rachaduras se abrindo na crosta terrestre, com fogo e lava jorrando para fora".

T RexDireito de imagemMILLARD H. SHARP/SCIENCE PHOTO LIBRARY
Image captionEntre as espécies que surgiram após a extinção do Triássico - e dominaram a Terra - estavam os tiranossauros

"Você provavelmente tem diferentes áreas ativas em diferentes períodos durante milhões de anos. E você provavelmente tem períodos de erupções ocorrendo por volta de uma década com grandes volumes de magma e gases surgindo da superfície também".
Os pesquisadores agora querem usar o mercúrio para investigar outros períodos da atividade vulcânica antiga.
"Esta é uma nova e poderosa ferramenta que realmente vai nos permitir entender mais sobre a evolução do nosso planeta e como ele se tornou o que é hoje".
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O que está acontecendo com os blocos econômicos

A eleição de Emmanuel Macron representou um grande alívio para a União Europeia. O novo presidente da França tem na valorização do bloco continental um dos principais pontos de seu plano de governo, postura oposta à da candidata derrota Marine Le Pen. Uma notícia positiva ao movimento que teve sua força muito contestada com a saída do Reino Unido e que poderia se inviabilizar sem os franceses.
Foi a quarta vez em poucos meses que a força (ou a falta dela) de blocos regionais foi notícia. Primeiro, com a saída do Reino Unido da União Europeia. Depois, com as promessas do presidente norte-americano Donald Trump de tirar os Estados Unidos da Nafta (acordo econômico entre as três nações da América do Norte). Por fim, a discussão da retirada da Venezuela do Mercosul.
Esses eventos podem representar um novo momento na política e economia do globo, e pode ser colocados em discussões de História e Geografia. Até porque o próprio surgimento deles tem muito a ver com os acontecimentos no mundo nas últimas décadas.



Emmanuel Macron, presidente eleito francês, durante campanha. Crédito: Shutterstock

Após a Segunda Guerra Mundial (1945), o mundo se viu dividido em dois blocos, o capitalista e o socialista, conduzidos, respectivamente, por Estados Unidos e União Soviética (URSS). O conflito não chegou a ganhar a forma de uma guerra armada, mas teve forte influência política, econômica e social para todos os países. Com o declínio e completa dissolução da URSS, em 1991, o planeta deixou de ser bipolarizado para se tornar multipolar e globalizado. Foi nesse contexto que começaram a surgir os blocos econômicos, que já sofreram e ainda sofrem diversas modificações.
Uma mistura de motivos políticos e econômicos faz com que países se unam em blocos. No caso da Europa, o trauma causado pela Segunda Guerra foi uma das razões e, em 1º de novembro de 1993, a criação da União Europeia foi oficializada. “O medo era de que, na ausência de uma maior integração econômica, social e política entre os países, conflitos armados mundiais se repetissem. Ninguém queria nem estava em condições de viver uma nova guerra”, explica Marcos Troyjo, professor da Universidade Columbia e autor do livro Desglobalização: Crônica de um Mundo em Mudança.
Na América Latina, a preocupação com a integração só começou após o fim da Guerra Fria. “Havia um forte clima de rivalidade entre os países, seguindo a lógica internacional de que as relações entre eles eram sempre de guerra. Com a multipolarização mundial, inicia-se um momento de aproximação com o objetivo de gerar ganhos mútuos”, diz Filipe Figueiredo, professor de aspirantes à carreira diplomática e comentarista de política internacional no podcast Xadrez Verbal.
Além dessas questões específicas, a inserção em um bloco ajuda um país a estabelecer acordos comerciais, circulação de serviços e de pessoas com outros do mesmo ou de outro bloco. Quanto mais protecionismo e menos relações internacionais, menos oportunidades econômicas e políticas serão criadas, pois uma coletividade de nações consegue competir no mercado internacional em um nível mais alto do que se fossem países sozinhos.
Na União Europeia, fica claro para a população visualizar o efeito do bloco em suas vidas. Lá, há o livre trânsito entre mercadorias, pessoas, serviços e a maioria dos países utiliza a mesma moeda, o Euro. No caso sul-americano, a existência do Mercosul não está tão presente no cotidiano da população.  “O problema é que, ao invés de fazer acordos para a integração de transporte, comércio e logística, o bloco tomou outro rumo. Sobretudo a partir de 2013, o Mercosul deixou de caminhar do ponto de vista econômico e comercial e virou só ideológico, com governos, até então, alinhados a um pensamento mais de esquerda. Na medida em que é mais barato comprar um produto argentino nos Estados Unidos do que no Brasil, fica claro que o Mercosul não está funcionando tão bem”, defende Marcos.
Os blocos deram certo?
Apesar das mudanças pelas quais os blocos estão passando, os professores Filipe Figueiredo e Marcos Tryjo não consideram que eles fracassaram ou que irão acabar. “Os agrupamentos ajudaram muito a economia de vários países. Além disso, há 70 anos uma guerra gigantesca estava acabando e algo naquelas proporções era impensável. Já é um grande ganho”, diz Marcos. “Muita energia e dinheiro já foram investidos, e ninguém quer perder dinheiro. Não dá para dizer que a integração global vai retroceder. O que estamos vivendo nesse momento refere-se a uma questão do ritmo com que a união entre nações está acontecendo. Querer diminuir ou alterar, não significa acabar com as relações internacionais”, explica Filipe
Em seu último livro, Desglobalização: Crônica de um Mundo em Mudança, o professor Marcos Troyjo faz um contraste entre a “globalização profunda” pós Guerra Fria - marcada pela certeza nos governos democráticos, na integração político econômica e domínio dos Estados Unidos - com o atual momento das relações internacionais em que os EUA perderam influência econômica em relação à China, um país de regime não democrático, e ressurgiram nações com ideais nacionalistas e intolerantes a outras culturas. “É isso o que eu chamo de desglobalização”, explica Marcos. “Precisa haver uma renovação dos processos de integração que sejam menos ambiciosas do que as que vimos até agora. Eu acho que essa fase de desglobalização é temporária. Em breve retomaremos a reglobalização, com a China, o sudeste asiático e as novas tecnologias à frente”.
Aproveite as mudanças na geopolítica do planeta e leve o assunto para a escola. Como as mudanças em curso ainda podem demorar um pouco para chegar aos livros didáticos, separamos alguns planos de aula e conteúdos para te ajudar a entender a questão e trabalhá-las com os alunos. Veja abaixo: 



Manifestantes venezuelanos seguram cartazes com a frase "Não mais ditadura". Crédito: Wikicommons

Entra e sai da Venezuela no Mercosul
Em 2006, a Venezuela solicitou ingressar no bloco para aumentar a integração comercial, econômica e política com o grupo. O pedido só foi aprovado em 2012. Entretanto, o país vive hoje uma intensa crise política. Em 9 de março, o Tribunal Superior de Justiça decidiu assumir as competências do Parlamento. Durante os protestos, houve mortes e prisões políticas. Tal ação classificaria o país como antidemocrático, o que vai contra as regras para participação no Mercosul. Por isso, os países fundadores do bloco -  Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - estão pressionando o presidente Nicolás Maduro por mudanças. Por isso, e também devido a outros acordos não cumpridos, a Venezuela está suspensa do bloco e poderá ser expulsa. “A saída é um processo mais político do que econômico ou de integração regional e não tem muitas consequências diretas para o Brasil”, explica Filipe Figueiredo.




Manifestação favorável à saída do Reino Unido da União Europeia. Crédito: divulgação 

Reino Unido fora da União Europeia
O Reino Unido passa atualmente por um processo de saída da União Europeia (nunca antes um país deixou o bloco). Em um plebiscito, o resultado foi apertado: 52% dos votantes foram favoráveis a esse processo. O motivo é o fato da população britânica ver mais prejuízos do que ganhos nessa relação. “Boa parte da população considera que o Reino Unido está perdendo sua característica culturais, que há muitos imigrantes indesejados e que a União Europeia possui regras demais. Com essa separação, o Reino Unido, que sempre tiveram uma grande tradição de negociar com o mundo, pretende ter mais liberdade para estabelecer acordos internacionais”, explica Marcos.
Nova Escola.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 25 de março de 2017

O que é a projeção Gall-Peters, mapa que promete acabar com '4 séculos de visão colonialista' do mundo


Projeção de Gall-PetersDireito de imagemREPRODUÇÃO
Image captionA projeção de Gall-Peters mostra proporção mais real dos continentes

Por mais de 400 anos, escolas de todo o mundo usaram mapas com distorções ​​nos tamanhos dos continentes.
As representações do mundo usadas ​​atualmente são baseadas na projeção feita em 1569 pelo cartógrafo Gerardo Mercator, destinada aos navegadores da época. Seus gráficos respeitam a forma dos continentes, mas não os tamanhos - neles, a Europa e a América do Norte são vistas maiores do que realmente são e o Alasca ocupa mais espaço que o México, embora seja menor.
Um dos erros mais significativos é que a África parece menor do que realmente é, quando na verdade tem o triplo da extensão da América do Norte e é 14 vezes maior que a Groenlândia.
Mas agora algumas salas de aula de escolas públicas de Boston, no nordeste dos Estados Unidos, começaram a usar o mapa de Gall-Peters, projeção batizada em homenagem a James Gall, escocês aficionado por astronomia que a desenhou pela primeira vez em 1855, e ao historiador alemão Arno Peters, que a difundiu na década de 1970.
Esse mapa mostra o tamanho e a proporção de países, continentes e oceanos com mais precisão. Na semana passada, cerca de 600 escolas públicas da cidade americana receberam cópias dele, noticiou o jornal The Boston Globe.
Uma das principais mudanças é que a Europa aparece muito menor do que se via antes em comparação com a África, que é muito maior.

Continentes distorcidos

Uma das razões para as distorções cartográficas é a dificuldade de se projetar uma esfera como a Terra - de três dimensões - em uma superfície plana, de duas dimensões, como a de um mapa.
Mas, para os geógrafos, atrás dos erros de Mercator há também outra razão.
"A maioria dos primeiros mapas do mundo foi criada por europeus do norte", disse Vernon Domingo, professor de geografia da Universidade Estadual de Bridgewater e membro da Aliança Geográfica de Massachusetts, em declaração ao The Boston Globe.
"Eles tiveram a perspectiva do hemisfério norte - e também uma perspectiva colonialista."

Projeção de MercatorDireito de imagemREPRODUÇÃO
Image captionNo mapa de Mercator, a Groenlândia é quase do tamanho da África

Descolonizar o currículo

A troca de mapas responde ao desejo de Boston de "descolonizar o currículo", disse ao mesmo jornal Colin Rose, superintendente-assistente do Escritório de Oportunidades das Escolas Públicas de Boston.
"Trata-se de mapas, mas, ao mesmo tempo, não se trata de mapas", disse Rose. "Esta é uma mudança de paradigma. Nós tivemos uma visão que era muito eurocêntrica. E como podemos falar de outros pontos de vista? Esse é um excelente ponto de partida."
Para Hayden Frederick-Clarke, diretor de competências culturais das escolas públicas de Boston, o erro mais grave das projeções de Mercator é o tamanho da África.
"Dos nossos alunos, 86% não são brancos e têm pais e avós que são de locais que são mostrados menores nos mapas", disse Frederick-Clarke ao programa The World, da PRI (Public Radio International) e da BBC.
"Queremos que os alunos se vejam de forma adequada e contestem a narrativa de que muitos desses lugares são pequenos e insignificantes no mundo", disse.
"A Groenlândia parece ter o mesmo tamanho da África e dos EUA. Parece de um tamanho comparável, embora sabemos que isso não é uma verdade absoluta. A África é 14 vezes maior do que a Groenlândia. Além disso, no mapa de Mercator, o México é menor que o Alasca, quando na verdade é muito maior", disse o professor.
"Também há problemas com o Brasil. A Europa, mais especificamente a Alemanha, aparecem perto do centro do mapa. E sabemos que isso não é verdade."
"Da minha experiência como instrutor, sei que as pessoas gostam da verdade e que os professores querem apresentar um produto melhor e mais autêntico", disse Frederick-Clarke.
O jornalista da PRI David Leveille diz que os críticos da iniciativa a veem como "mais uma batalha na guerra de culturas" e insistem que "um mapa é apenas um mapa".
Segundo Leveille, eles perguntam: "nenhum mapa é perfeito, então porque se preocupar?".
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 27 de dezembro de 2014

Supertelescópio faz imagem de alta precisão do sol


Foto do Sol (Nasa)
Nustar pode ajudar cientistas a desvendar mistérios relativos à física solar
Um potente telescópio de raio-x inicialmente construído para observar galáxias distantes e buracos negros está sendo usado para estudar o sol.
Uma primeira imagem feita pelo aparelho (na foto) impressionou cientistas, que agora acreditam que ele pode ajudá-los a resolver uma série de questões relativas à física solar.
Colocado em órbita em 2012 pela Nasa, o telescópio Nustar consegue observar regiões distantes do universo ao captar raios-x de alta energia.
Recentemente, por exemplo, ele foi usado para permitir que cientistas medissem a velocidade de rotação de buracos negros.
"No começo eu pensei que essa ideia era uma loucura", diz a investigadora-chefe da missão, Fiona Harrison, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, comentando o uso do Nustar em estudos sobre o sol.
"Por que usaríamos um dos telescópios de raio-x de alta energia mais sensíveis já construídos para observar algo em nosso próprio quintal?"
Harrisson acabou sendo convencida a mudar o foco do telescópio por David Smith, pesquisador especializado em física solar da Universidade da Califórnia.
"O Nustar nos dará uma visão única do Sol - desde suas partes mais profundas até as altas camadas de sua atmosfera", diz Smith.
Segundo ele, isso será possível porque nos raios-X de alta energia que o Nustar consegue captar, o sol não brilha tanto como em outros comprimentos de onda de radiação.
O brilho é o que impede outros telescópios de raio-x, como o Chandra, também da Nasa, de fazerem boas imagens do astro.
Entre os mistérios que os pesquisadores esperam poder solucionar com ajuda do Nustar está a existência - ou não - das nano-emissões solares.
Alguns especialistas acreditam que são essas microemissões que explicam por que a atmosfera solar é muito mais quente que a superfície do sol.
Inicialmente, a missão do Nustar estava prevista para terminar em 2014, mas ela foi extendida em dois anos.
Além de observar o sol, os pesquisadores esperam usar esse tempo extra para continuar estudando os buracos negros e as supernovas - corpos celestes que resultam da explosão de estrelas. BBC/Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Cai na PROVA do ENEM - Brasil, 200 Milhões - Matéria de Capa. Assista ao Vídeo em LEIA MAIS




Professor Edgar Bom Jardim - PE