sábado, 1 de julho de 2017

O curso que tenta ensinar homens a não agredirem mais mulheres


Violência contra a mulherDireito de imagemTHINKSTOCK

Uma sala de aula onde os alunos são todos - e somente - homens. Brancos, negros, jovens, idosos, de todas as classes sociais, eles formam um grupo heterogêneo e cheio de diferenças, mas carregam consigo uma característica em comum: todos estão ali por terem cometido crimes de violência contra a mulher.
O caso de João* aconteceu no último dia 25 de dezembro, no Natal. Uma discussão com a mulher por uma foto apagada de um celular motivou uma briga que fugiu do controle. Entre xingamentos e insultos, ele a empurrou na cama, deu tapas e quebrou o espelho, até ela gritar por socorro e o filho chamar a polícia.
Aos 27 anos, Pedro* nunca teve um perfil violento, segundo a mulher, mas um dia também a agrediu por ciúme - uma raiva que não conseguiu conter no momento, como ele diz.
Já separados, os dois viviam na mesma casa por causa dos filhos, e quando ela chegou mais tarde do trabalho um dia ele resolveu tirar satisfação. Foi de "vagabunda' para baixo, com outros xingamentos que ele mesmo descreve como "impublicáveis" - mas não parou por aí.
"Com essa mão aqui eu dei três tapas na orelha dela que fizeram sangrar. Dei chute no útero, acho que no joelho também. Agredi, sim, não vou mentir", disse à BBC Brasil. Tudo isso na frente dos filhos de quatro anos e dois anos.
Rubens* partiu para cima da filha. Com 60 anos de idade - e um corpo todo de fisiculturista de vidrado em academia -, ele teve seus desentendimentos com a jovem de 18 anos.
"Eu a repreendia, controlava muito horário dela sair e chegar", conta. Um dia, avançou para a agressão e, quando a mãe, que sofre de câncer e está em tratamento, entrou na frente para defender a menina, acabou apanhando também. As duas o denunciaram.
Esses três homens agora estão sendo processados com base na lei Maria da Penha e viraram colegas de sala no curso "Tempo de Despertar", promovido pelo Ministério Público de São Paulo com o objetivo de reduzir a reincidência de casos de violência contra a mulher.
"É uma forma de prevenir a violência contra a mulher. Percebi que os casos de reincidência de violência doméstica eram muito altos, em torno de 65%. Buscando projetos internacionais de sucesso, consegui achar dois que trabalhavam com o homem, com a desconstrução do machismo, da masculinidade", explicou à reportagem a promotora e criadora do curso, Gabriela Manssur.

Tempo de DespertarDireito de imagemBBC BRASIL
Image captionPromotora Gabriela Manssur é quem coordena o projeto Tempo de Despertar; Sergio Barbosa faz parte dos grupos de reflexão que incluem bate-papos com homens agressores

"A pessoa mais beneficiada com esse curso é a mulher. Nas três edições (do curso) que fizemos, tivemos somente um homem que voltou a cometer violência. Ou seja, reduzimos a reincidência para praticamente zero. Portanto, se temos 17 homens aqui, vamos ter menos 17 casos de violência contra a mulher no Ministério Público ano que vem", afirmou.
"O que é melhor: não é só o processo, dentro do processo tem uma vida, uma família que sofre, uma vítima que sofre. Então são menos 17 vítimas sofrendo de violência contra a mulher."
O curso é composto por oito aulas que, em geral, são realizadas a cada duas semanas. Aborda temas relacionados a gênero, direitos das mulheres, lei Maria da Penha, masculinidade, sexualidade e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), álcool e drogas, paternidade e afetividade, entre outros.
Participam da iniciativa homens denunciados por violência doméstica e sob investigação, cumprindo medida protetiva e/ou aguardando julgamento. O comparecimento é obrigatório e pode reduzir eventuais penas em caso de condenação.
A BBC Brasil acompanhou três dias de curso e conversou com organizadores, participantes e mulheres vítimas de violência cometida por eles.

Chegada

Quem entrasse desavisado naquela sala no fórum regional da Penha (zona leste de São Paulo) dificilmente entenderia quem eram aqueles homens e o que faziam ali.
Um grupo que reunia jovens de 20 e poucos anos com óculos Rayban escorados na testa; idosos de cabelos brancos; brancos, ruivos, negros, pardos, barbudos, com dreads no cabelo; homens escolarizados, com diploma universitário; ou que mal haviam terminado o colégio; homens fortes, altos, musculosos; outros franzinos, miúdos.
"Não existe perfil do agressor. É aquele homem, aquele jovem, aquele idoso, que não respeita os direitos das mulheres. São homens que não entendem que as mulheres têm os mesmos direitos que eles, que foram criados no reflexo de uma sociedade machista de forma a entender que a mulher tem que servi-lo, que a mulher tem que ser controlada, que a mulher que sai com roupa curta é vadia, etc", afirma Manssur.
E, logo no primeiro dia de curso, já era possível perceber um sentimento em comum: a revolta por estarem ali "sem terem cometido crime nenhum".
"Eles chegam aqui revoltados. Sem entender por que estão ali. Eles falam: 'Eu não sou criminoso, o que eu estou fazendo aqui?'. Não entendem por que as mulheres estão querendo tantas coisas, por que elas querem se igualar aos homens. Xingam até a Maria da Penha", conta Sergio Barbosa, um dos gestores do curso.

Réu por violência domésticaDireito de imagemBBC BRASIL
Image caption"Não entendia o que estava fazendo aqui. Depois, comecei a entender e aprender coisas que eu nunca tinha ouvido na vida, que existem vários tipos de agressão, que agressão verbal também é violência", disse João

O primeiro trabalho é de conscientização sobre os direitos das mulheres, o feminismo e a masculinidade. Nas aulas, especialistas convidados pelos organizadores falam sobre mudanças da sociedade e conquistas recentes das mulheres, sobre a importância de combater a ideia de que "homem tem que ser duro" ou de que "homem não pode chorar" e tentam chamar a atenção para as razões dos erros dos participantes.
"Cheguei aqui e achava que jamais tinha sido agressivo, que nunca tinha sido agressor. Não entendia o que estava fazendo aqui. comecei a entender e aprender coisas que eu nunca tinha ouvido na vida, que existem vários tipos de agressão, que agressão verbal também é violência. Aí no primeiro encontro já vi que eu estava errado", relatou João.

Reflexões

Além das palestras, os homens são reunidos em grupos de reflexão onde debatem como podem melhorar suas atitudes. Em um deles, em que o assunto era autocontrole, a reportagem acompanhou o momento em que a conversa passou a tratar das "roupas que as mulheres vestem".
"Minha mulher pode vestir o que quiser. Eu só aviso para ela: 'Você quer sair assim? Você sabe como os homens vão olhar'. Mas eu respeito a escolha dela", disse um deles. O outro reclamou do batom escuro e vermelho que a esposa usava - semelhante ao da repórter diante dele. "Não gosto. Acho ridículo", disse com veemência.
Sergio Barbosa, que monitorava o grupo, imediatamente tentava direcionar o pensamento deles de outra forma. "Mas qual é o problema do batom? E ela não pode usar?"
Um dos acusados também chegou a transparecer uma insatisfação por estar respondendo pelo crime. "No meu caso, foi só (violência) verbal, ela não precisava ter colocado na lei Maria da Penha". Ao que Barbosa rebatia: "Mas agressão verbal também é violência. Quando alguém te xinga, te rebaixa, te humilha, você gosta? Como você se sente?"

Projeto Tempo de DespertarDireito de imagemDIVULGAÇÃO: JUSTICADESAIA.COM.BR
Image captionProjeto Tempo de Despertar já é lei em Taboão da Serra e está em processo de se tornar lei na cidade de São Paulo também - mais de 20 cidades já se interessam em levar o projeto para suas regiões (promotora Gabriela Manssur à esquerda e Sergio Barbosa, um dos coordenadores do curso, à direita)

"Nós damos um panorama sobre o que é esperado da mulher na sociedade, como são colocados os direitos das mulheres na Constituição formalmente e como é isso na prática, mostrando o quanto a mulher sofre pra ter os mesmos direitos que os homens", explicou a promotora.
"Eu sempre pergunto: onde é o lugar da mulher? Eles respondem: onde ela quiser. A mulher pode trabalhar? Pode. Pode ser promotora? Pode. E eu sei que tem casos aqui que a mulher apanhou porque foi trabalhar ou foi estudar."
Além de propor a reflexão sobre a questão de gênero, o curso também traz profissionais da Justiça, para tirar dúvidas dos acusados sobre as implicações da lei Maria da Penha, e profissionais da saúde para orientá-los sobre o vício em álcool e drogas - muitos sofrem desse problema - e sobre DSTs.

Mudanças

No penúltimo encontro do curso, era possível perceber outra semelhança entre todos os homens que estavam ali. Se na primeira participação eles se sentiam revoltados, sem entender o motivo de estarem ali, neste a sensação era de aprendizado.
"A principal mudança deles foi falar mais de si mesmo como responsável pelo fato que aconteceu, e não ficar mais delegando a culpa à companheira. Eles perceberam que o comportamento machista os levou a essa situação", observou Sergio Barbosa.
Rubens ainda se vê com dificuldades de aceitar essas "novas regras" da sociedade que aprendeu no curso. Mas reconhece seu erro.
"Eu tenho 60 anos, é muito difícil mudar (o pensamento). Talvez eu tenha que manter minha máscara e fingir que está tudo bem. É difícil esquecer meus valores, tudo que aprendi. Mas tenho certeza que mudei", disse na reflexão com os companheiros de grupo.
"Eles mostraram para mim que de graça não foi, algo eu fiz. E a partir desse dia comecei a refletir que eu não era tao bom quanto achava que fosse. Se você fica preso aos paradigmas antigos, você se torna um opressor. Um dia a gente (ele e a filha) vai se aproximar, e eu penso que serei uma pessoa mais compreensiva, melhor. Ficar preso a esses paradigmas não leva a nada."
A esposa de João tem sentido na prática as mudanças. Os dois ficaram separados por quatro meses após a agressão dele, mas se reaproximaram e acabaram reatando o relacionamento. "Ele mudou bastante. Na hora que vai ficar nervoso, ele pensa em outra coisa e acalma. Mudou a maneira de pensar. Está mais controlado, não é tão ciumento", contou ela à BBC Brasil.
Já no caso de Pedro, o casal prefere se manter separado. Mas a relação dos dois é outra a partir de agora. "Mudou completamente. Até mesmo a relação com a minha família, ele não falava com a minha mãe, hoje ele vai lá, fala com a minha família. Realmente houve uma modificação, não sei se é duradoura", pontuou a esposa.
"A gente vê até pela forma de se comunicar. Ele senta, conversa, não tem aquela ignorância de se sentir superior, agora é de igual pra igual."
Pedro não esconde a vergonha pelo que fez e diz que "não se perdoa". Mas agora se compromete a transmitir aos filhos tudo o que tem aprendido com a situação.
"Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje na época, eu não teria feito isso. O que eu fiz foi um acidente, eu nunca mais vou fazer e é algo que eu me envergonho, me arrependo, nao consigo me perdoar. Converso muito com meu filho, explico que ele não pode bater em mulher, que não pode bater na irmã dele, tento consertar a c***** que fiz", disse.
"Acredito que tinha que ter um pouco disso em todas as escolas do Brasil pra essas crianças e adolescentes. Isso iria eliminar muito o tipo de homem que vira agressor, porque ele iria entender a importância da mulher na sociedade."
* Os nomes são fictícios - os personagens conversaram com a reportagem sob a condição de não serem identificados.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

ARRAIÁ "LUAR DO SERTÃO "


Obrigada a todos que participaram do ARRAIÁ DO Colégio Sant'Ana - Bom Jardim.
Participação da Quadrilha Bom Jart 
TEMA:"LUAR DO SERTÃO ".
Clube Varonil, 30 DE JUNHO DE 2017.
Fotos:CS
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Justiça podre - Charge

Charge: Jarbas - Diário de Pernambuco.
 Veja como se explica essa situação conforme declaração de Romero Jucá e tire suas conclusões. O Supremo é parceiro pelo que diz JUCÁ:

Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Ministro do STF devolve mandato de Aécio e nega prisão do senador


O ministro Marco Aurélio, do STF (Supremo Tribunal Federal), devolveu nesta sexta (30) o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e negou pedido de prisão feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Na decisão, Marco Aurélio informa que restabelece "a situação jurídico-parlamentar então detida, afastando as demais restrições implementadas".

Com isso, o ministro retirou as medidas cautelares que haviam sido impostas ao tucano, tais como restrição de contatar investigados ou proibição de deixar o país, assim como a retenção de seu passaporte.

"Provejo o agravo para afastar as medidas consubstanciadas na suspensão do exercício de funções parlamentares ou de qualquer outra função pública, na proibição de contatar outro investigado ou réu no processo e na de ausentar-se do país, devolvendo ao agravante a situação jurídica que lhe foi proporcionada pelos eleitores no sufrágio universal", escreveu o ministro.

Ao negar o pedido de prisão, Marco Aurélio afirmou que o voto do eleitor deve ser respeitado.

"A liminar de afastamento é, de regra, incabível, sobretudo se considerado o fato de o desempenho parlamentar estar vinculado a mandato que se exaure no tempo", disse ele.

"Em síntese, o afastamento do exercício do mandato implica esvaziamento irreparável e irreversível da representação democrática conferida pelo voto popular."

"Julgo prejudicado o agravo formalizado pelo Procurador-Geral da República em que veiculado o pedido de implemento da prisão preventiva do agravante", concluiu.

OPERAÇÃO PATMOS
Em 18 de maio, quando foi deflagrada a operação Patmos, o ministro Edson Fachin atendeu pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) e determinou o afastamento de Aécio das atividades parlamentares.

De acordo com os investigadores, o tucano usou o cargo para atuar em benefício da J&F, a holding da JBS, além de atuar, como presidente do PSDB, para ingerir em assuntos governamentais. Aécio nega as acusações.

A PGR também havia pedido sua prisão, mas Fachin negou.

Defesa e Procuradoria recorreram. A PGR pediu novamente a prisão e a defesa, o retorno ao cargo.

As condutas de Aécio estavam sendo apuradas na mesma investigação do presidente Michel Temer. Fachin dividiu o inquérito, e a parte relativa ao tucano foi sorteada para um novo relator, Marco Aurélio.

Os recursos estavam na pauta da primeira turma do STF - composta por cinco ministros - na semana passada, mas Aécio fez um novo pedido, para enviar o caso ao plenário, a fim de ser decidido pelos 11 magistrados.

Marco Aurélio retirou a ação da pauta da turma e disse que precisava deliberar sobre o caso. Não há prazo para ele tomar uma decisão.

Em 2 de junho a PGR denunciou Aécio Neves pelos crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça por fatos apontados por delatores da JBS.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Gonzaga Patriota defende abertura de processo contra Temer


O deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) foi um dos poucos parlamentares da bancada federal de Pernambuco a se posicionarem pela admissibilidade da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer (PMDB). Segundo levantamento do Jornal do Commercio, dos 25 integrantes da frente, apenas oito foram favoráveis à abertura de processo contra o presidente da República em ação penal e dois pelo arquivamento.
“Tanto o Congresso Nacional, como as casas dos poderes Executivo e Judiciário, são do povo. E elas não podem se sujar por ações nefastas dos seus membros. Comprovado o crime de quem quer que seja, esse elemento tem que ser afastado, não importa se vereador, deputado, senador, prefeito, governador, presidente da República, juiz, desembargador ou ministro de qualquer tribunal. Vou votar, sim, para apurar se Michel Temer prevaricou – assim como fiz com Dilma Roussef”, declarou Gonzaga Patriota.
Além de Gonzaga, Danilo Cabral, Tadeu Alencar e Severino Ninho, todos do PSB, também defendem a abertura do processo contra Temer. “As denúncias são gravíssimas e devem ser rigorosamente investigadas pelo STF”, afirmou Danilo.
Michel Temer e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures foram denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por corrupção passiva. Eles são acusados de terem recebido propina do frigorífico JBS. Rocha Loures, ex-assessor de Temer, seria o “homem da mala” do presidente.
No texto, Janot afirmou que Temer “ludibriou os cidadãos brasileiros e, sobretudo, os eleitores, que escolheram a sua chapa para o cargo político”. O procurador pede ainda que o presidente seja condenado a pagar uma indenização de R$ 10 milhões, e que Rocha Loures pague R$ 2 milhões. A justificativa são os “danos morais coletivos” que, segundo Janot, teriam sido cometidos por Temer e Rocha Loures.
Para o procurador-geral, não há dúvidas de que o delito que teria sido cometido pelos dois “causou abalo moral à coletividade”. Janot considera ainda que o fato “ajuda a comprometer a imagem da República Federativa do Brasil, do parlamento, da Presidência da República”.
Temer conta ter os 172 votos necessários para barrar as acusações no plenário. Pela Constituição, são necessários 2/3 dos votos, ou 342 dos 513 votos da Câmara, para se autorizar a abertura de processo com base na denúncia. DE Assessoria de Comunicação. 

Professor Edgar Bom Jardim - PE

Isso é Brasil: Fachin mandar soltar ex-deputado Rocha Loures


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator das ações da Lava Jato no Corte, mandou soltar o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), preso há mais de um mês na carceragem da Polícia Federal em Brasília. Em troca, Loures deverá cumprir algumas medidas cautelares, como recolhimento domiciliar.

O ex-deputado foi flagrado pela PF recebendo uma mala com R$ 500 mil na Operação Patmos, investigação baseada nas informações da delação premiada dos executivos da JBS. Quando Rocha Loures foi preso, Fachin havia atendido a um pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Segundo o procurador, a prisão de Loures era “imprescindível para a garantia da ordem pública e da instrução criminal”.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

REDE pede que Janot apresente acusação a Temer na CCJ da Câmara


O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) apresentou ontem na CCJ da Câmara um requerimento para que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, compareça na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para apresentar pessoalmente a denúncia contra o presidente Michel Temer. “O governo vai acelerar ao máximo o processo. Mas vamos pedir que Janot venha apresentar a acusação”, disse Molon. A denúncia de corrupção passiva contra o presidente chegou ontem à Câmara Federal.
Temer tem o prazo de 10 sessões na Câmara para apresentar sua defesa. Mas a expectativa é que o presidente o faça o quanto antes para acelerar o processo de votação em plenário.
Ainda nesta semana, Molon ingressou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desengavete os 21 pedidos de impeachment contra Temer.
Fonte:REDE.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Banco do Brasil, Correios e outras instituições não funcionam amanhã em Bom Jardim

O Banco do Brasil, Prefeitura e escolas também não funciona na cidade de Bom Jardim- PE, nesta sexta-feira, dia 30 de junho 2017.

Assim como no último dia 28 de abril, várias categorias de trabalhadores pretendem cruzar os braços por 24 horas, nesta sexta-feira (30), numa greve nacional contra as reformas trabalhista e da Previdência e o projeto das terceirizações, todas propostas pelo Governo Federal. Na quarta (28), os detalhes do ato foram divulgados em entrevista coletiva com a participação de 12 entidades, entre centrais sindicais e movimentos sociais. Entre os que devem parar, estão os bancários e metroviários, além dos professores das redes estadual e municipal do Recife.

O movimento terá como ponto alto a concentração no bairro do Derby, área central da Capital, às 15h. Lá, haverá o “Arraial da Greve Geral”. “Vários atos públicos estão sendo planejados, com ocupações nas rua. É uma mobilização em defesa dos direitos da classe trabalhadora”, explicou o presidente da Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco (CUT-PE), Carlos Veras.

Ainda participaram representantes da CSP-Conlutas, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), da Força Sindical, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da Intersindical e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Ao longo desta semana, algumas categorias anunciaram a adesão ao movimento nacional. Os metroviários, que não participaram do ato do dia 28 de abril, resolveram parar desta vez.

Nesta quinta (29), a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que a Linha Centro do Metrô do Recife funcionará das 5h às 9h e das 16h às 20h, horários de pico do sistema, durante a mobilização nacional. Essa linha transporta mais da metade dos 350 mil passageiros. A Linha Diesel (VLT) não terá operação.

Os rodoviários do Grande Recife, em assembleia nesta quinta-feira (29), decidiram não aderir à paralisação geral, mas optaram por iniciar uma greve a partir da próxima semana.
Leia também:
Greve geral pelo olhar dos leitores do FolhaPECentrais sindicais divergem e desistem de greve geral no dia 30

Paralisação
Nos bancos, só funcionarão os caixas eletrônicos. De acordo com o Sindicato dos Bancários, a categoria não vai trabalhar amanhã e promoverá piquetes em frente às agências de maior movimento. Os policiais civis também pretendem aderir ao movimento, mantendo operação padrão em unidades policiais e no Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife.

Também não deve haver atendimento nas unidades do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PE), já que os servidores da autarquia também vão cruzar os braços por 24 horas. 

Também se juntarão às categorias paralisadas os funcionários dos Correios, que interromperão as atividades às 22h desta quinta e ficarão parados por toda a sexta-feira. Já os professores da rede estadual de ensino de Pernambuco pretendem aproveitar o dia de greve geral para discutir o reajuste salarial da classe.

Os docentes das escolas públicas da Prefeitura do Recife também não devem trabalhar nesta sexta-feira. A lista ainda os funcionários federais da Previdência Social. 
Fonte: Folha de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Julgar: o poder opressor da notícia veloz

Vivemos contando a nossa vida e falando da vida dos outros. Há inúmeros meios de comunicação. A tecnologia abriu espaço para velocidade. Todos querem novidades. Sentem-se motivados pelas fofocas gerais. Há uma certa perversão em escutar insucessos, em curtir escândalos, em vibrar com tragédias alheias. A generosidade nunca existiu de maneira plena. Somos animais que gostam de emboscadas e cultivamos invejas. O crescimento das redes sociais trouxe outras intrigas. É saudável encontrar amigos, rever passados. Mas não faltam ansiedades, grupos vingativos, solidões destorcidas, desejos de fluir com fantasias obscuras. A complexidade é comum.
A crise política aguçada é pródiga em desenganos. A notícia vale grana, as imagens se reproduzem, as discussões se alimentam de delações. Estamos no fundo do poço. A ética entrou em estado de coma e até os juízes não merecem crédito. Mente-se com um cinismo exemplar. Observe Temer. Parece que não possui limites.Junta-se com outros também entusiasmados com o poder. Seja atento. As fisionomias dizem muitos dos projetos de cada um. Portanto, não se convença com os discursos. Há atitudes confusas e escandalosas. O cenário está repleto. Os valores se misturam conturbando sociabilidades e arruinando alegrias. Há muito pó nas brancuras artificiais.
Tudo agita. As festas juninas estão estilizadas. É mais uma  mercadoria para se lavar dinheiro, com espetáculos suntuosos num sociedade esfomeada. O forró tem carimbo e nota fiscal. As polêmicas alimentam o facebook. Muitos escorregam, navegam nos excessos. Os artistas são vistos como figuras públicas. Sofrem com assédios. Não deixam de cativar a imprensa ou se incomodar com suas coberturas. Fabio Assunção passou por um drama nada agradável. Não conseguiu completar a euforia da estreia do seu filme. Envolveu-se num situação limite, caiu nos braços da instabilidade, visitou o inferno, afundou no pântano dos dissabores. A vitrine do desespero é feroz. Despreza a lucidez. Os predadores não ficam apanas nas selvas. Atacam no asfalto molhado.
A divulgação do que aconteceu com Fábio foi desastrosa. Aproveitaram-se de tudo. Ele ficou preso, foi punido, arrastou olhares negativos, Dividiu e globalizou.O tumulto alterou julgamentos, crucificaram Fábio. Não se teve clareza do que, efetivamente, houve em Arcoverde, porém as condenações se ampliaram de forma amarga. Ele se desculpou, mostrou-se perplexo. A fama se inverteu, os inimigos aparecem, o dia vira noite. Não é algo inédito. Todos possuem suas extravagâncias, a sociedade não é ingênua. As polêmicas acendem a ambiguidade que rege a cultura. O céu nem sempre é azul. A sociedade não vai se cansar de jogar seus venenos. Eles são destrutivos. A cultura não é inimiga da crueldade. Ela vive de sobressaltos, com silêncios desconfiáveis.
Fonte:Astúcia de Ulisses
Professor Edgar Bom Jardim - PE

18ª Fenearte: Ceramista Manuel Eudócio será o homenageado 2017


O ceramista Manuel Eudócio, falecido em 2016, é o homenageado da 18ª Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), que será realizada entre os dias 06 e 16 de julho, no Centro de Convenções de Pernambuco. Com o tema “A Arte é a Nossa Bandeira”, a Fenearte deste ano terá mais de 5 mil expositores em 800 espaços. Aproximadamente 300 mil pessoas são esperadas no evento, que custou R$ 4,5 milhões e vai gerar 2,5 mil vagas de empregos temporários. A expectativa de movimentação financeira é de R$ 40 milhões.

Uma novidade deste ano será a setorização por tipologias do artesanato nos expositores individuais de Pernambuco, além da renovação de percurso com corredores mais largos, ampliação das palestras gratuitas e das atrações expositivas, atividades infantis concentradas no mezanino e a nova localização dos Salões de Arte Popular e Religiosa, além da Galeria de Reciclados.

A feira terá ainda um espaço especialmente para a exposição e comercialização de obras assinadas pelo último discípulo de Vitalino e herdeiros na tradicional Alameda dos Mestres, com curadoria de Lourdinha Vasconcelos.

O evento, que ocorre anualmente, reúne uma gama de produtos culturais de todos os estados brasileiros e 33 países. Além de arte, cultura, decoração, gastronomia, moda e música, a feira terá inúmeras opções de entretenimento.

Os interessados podem adquirir os ingressos na bilheterias, no Centro de Artesanato de Pernambuco e nos shoppings RioMar (loja Riachuelo), Recife (quiosque Ticket Folia), Tacaruna (loja Riachuelo), Guararapes (quiosque Ticket Folia) e Boa Vista (loja Riachuelo). Os valores variam de acordo com o dia: de segunda a quinta-feira é R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Já de sexta-feira a domingo o custo é de R$ 12 (inteira) e de R$ 6 (meia-entrada).
Fonte:Folha de Pernambuco.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Raquel Dodge, a 'centralizadora' de 'reputação respeitável' que substituirá Janot na PGR



Raquel DodgeDireito de imagemREUTERS
Image captionSubprocuradora é considerada "centralizadora" e de carreira "respeitável" dentro no MPF

A subprocuradora-geral Raquel Dodge será a primeira mulher a comandar a Procuradoria-geral da República (PGR) a partir de setembro, quando substituir o procurador Rodrigo Janot.
Dodge foi a segunda mais votada da Lista Tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República, entregue na tarde de quarta-feira ao presidente Michel Temer. Horas depois, o Planalto anunciou sua indicação para o cargo.
Ela ainda será submetida a uma sabatina no Senado para ter sua indicação aprovada pelos senadores antes de ser oficializada.
A subprocuradora, que é mestre em Direito pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e entrou no Ministério Público Federal em 1987, estava atrás de Nicolao Dino, que era tido como o candidato mais próximo a Janot.
Ela é descrita como alguém de perfil "centralizador" e com reputação "respeitável" no MPF. Segundo procuradores ouvidos pela BBC Brasil, Dodge não é entendida como uma ameaça à Operação Lava Jato, mas dificilmente será "um novo Janot".
Nos debates entre os candidatos ao cargo, no entanto, Dodge defendeu a ampliação da operação e prometeu maior celeridade na condução dos processos.
O anúncio veio apenas dois dias depois de Janot apresentar denúncia contra Temer ao Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva.

Tensão

Dentro do MPF, Dodge é tida como alguém que fazia oposição moderada a Rodrigo Janot. O maior enfrentamento público dos dois ocorreu em abril deste ano, no debate sobre uma proposta de Dodge que, para Janot, afetaria o andamento da Lava Jato.
A subprocuradora apresentara uma proposta ao Conselho Superior do Ministério Público para restringir o trânsito de procuradores no Ministério Público Federal.
Atualmente, procuradores de quaisquer unidades podem ser realocados para outras coordenadorias ou equipes exclusivas de determinadas investigações. A maioria dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, por exemplo, foram cedidos por outros Estados.
Dodge argumentava, no entanto, que isso provoca desfalque em algumas procuradorias de Estados, que estão sobrecarregadas de trabalho, e sugeria limitar a 10% o número de procuradores que podem ser cedidos a outras unidades.
Na prática, isso significaria que alguns dos profissionais atualmente alocados em investigações teriam que retornar a seus Estados, caso suas procuradorias de origem estivesse desfalcadas. Segundo Dodge, as forças-tarefa da Lava Jato em Brasília, em Curitiba e no Rio não seriam afetadas pela mudança.


Janot e Dodge em debate de candidatos à PGRDireito de imagemAGÊNCIA BRASIL
Image captionEm abril, Janot e Dodge divergiram sobre a possibilidade de restringir o trânsito dos procuradores; agora, ela defende ampliação da equipe da Lava Jato

A maioria dos integrantes do conselho votou a favor da proposta, mas Janot se disse "perplexo" com a medida e interrompeu a decisão, pedindo vista.
O procurador disse que não fora consultado sobre um eventual impacto da medida sobre a força-tarefa da Lava Jato, ao que Dodge retrucou dizendo ter falado com ele e tentado marcar, sem sucesso, um horário para discutirem o assunto.
Após a tensão, o Conselho decidiu manter a aprovação da medida, mas com mudanças no texto original. Dessa forma, a regra só vale a partir de janeiro de 2018 e não afetará grupos de investigadores já formados. Em entrevista, Janot disse estar satisfeito com a "flexibilidade" dos membros do Conselho.
Dodge, no entanto, não foi a única candidata à procuradoria que manifestou apoio à proposta. O próprio Nicolao Dino, tido como candidato de Janot, chegou a dizer que as forças-tarefa não podiam implicar em "sacrifícios insuperáveis para as unidades que cedem essas forças de trabalho".

'Celeridade'

Em debates entre os candidatos à PGR, Dodge disse que pretende manter o que entende como os três pilares do sucesso da Lava Jato: "ninguém está acima da lei, é possível combater a corrupção com as leis que existem e é preciso ser célere".


TemerDireito de imagemJOEDSON ALVES
Image captionTemer acusou o procurador de buscar 'revanche e vingança' ao pedir ao STF que seja processado por corrupção passiva e disse que a denúncia contra ele seria uma 'criação ficcional'

Ela afirmou que o próximo ocupante do cargo deveria aumentar a agilidade da operação e garantir que "que a punição seja mais próxima do crime".
Após o embate com Janot sobre o trânsito de procuradores, a subprocuradora afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo que a Lava Jato "não deve retroceder um milímetro sequer" e se comprometeu a reforçar a operação e ampliar a equipe de procuradores.
Mesmo assim, sua indicação foi interpretada dentro do MPF como um "recado de Temer a Janot".
Em pronunciamento na terça-feira, o presidente acusou o procurador de buscar "revanche, destruição e vingança" ao pedir ao STF que seja processado por corrupção passiva e disse que a denúncia contra ele seria uma "criação ficcional".
Em nota, a PGR respondeu que Janot tem "atuação técnica, no estrito rigor da lei" e que a acusação se baseia em "fartos elementos de prova" contra o presidente.

Proteção a indígenas

Durante sua carreira no MPF, a subprocuradora fez parte da 6ª Câmara, responsável por populações indígenas e comunidades tradicionais, e diz que a "proteção especial" ao meio ambiente e aos povos indígenas deve ser defendida pelo MPF.
Dodge, que comandou a 2ª Câmara, responsável por questões criminais, até 2014, também afirma atuar "sob a diretriz de que o Direito Penal é instrumento de proteção de direitos humanos".
BBC.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Base de Temer se mobiliza para "enterrar" denúncia de corrupção

A Câmara dos Deputados deu celeridade nesta quinta-feira 29 aos procedimentos preliminares da análise da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A rapidez indica a disposição da base aliada ao governo para manter o peemedebista no cargo apesar das denúncias.
A Câmara recebeu a denúncia na manhã desta quinta e, em uma sessão esvaziada, a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) leu a petição de Rodrigo Janot. No documento, Janot busca conectar dois conjuntos de fatos para provar a culpa do presidente. O primeiro envolve a negociação da propina semanal feita entre representantes do grupo J&F, de Joesley Batista, e Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), assessor de Temer. O segundo conjunto compõe o estreito relacionamento entre Loures e Temer. Para Janot, há evidências de que, ao pedir e receber propina, Loures estava atuando em nome de Temer.
Na sequência, a denúncia seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e Temer foi notificado. 
Ao dar encaminhamento à denúncia, a Câmara se prepara para receber outras duas que devem ser apresentadas por Janot até a metade da próxima semana, uma por formação de quadrilha e outra por obstrução de justiça. A ideia dos governistas é analisar as três denúncias em uma única votação. Isso facilitaria as negociações entre o Planalto e o Congresso (que como de costume envolverão a distribuição de cargos e verbas públicas) e reduziria o desgaste de Temer.
“Quem precisa colocar votos é a oposição, que é do quanto pior, melhor. Se a PGR continuar neste objetivo antipatriótico, para atrapalhar o Brasil, ela teria que mandar as próximas [denúncias] em cinco dias, e se mandar o governo pode esperar para enterrar essas denúncias vazias contra os brasileiros em apenas uma votação”, afirmou Darcísio Perondi (PMDB-RS), vice-líder do governo, que recebeu doação de 100 mil reais de Temer nas eleições de 2014. 
Segundo Perondi, o governo tem votos suficientes para barrar a denúncia contra Temer tanto na CCJ, que apenas instrui o processo, quanto no plenário da Câmara, que autoriza ou não que Temer seja julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para que o STF decida se Temer deve virar réu, a corte precisa da autorização da Câmara. Isso se dará apenas se dois terços da Casa (ou 342 deputados) votarem pelo sinal verde ao Supremo.
Ao contrário do que ocorreu na votação do impeachment de Dilma Rousseff, quando Temer era o substituto pronto para ela e se articulou para removê-la do poder, desta vez não há articulação contra o presidente. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que seria o substituto de Temer caso o STF o transformasse em réu, é um firme aliado do peemedebista e não parece ter aspirações presidenciais.
Nesta quinta-feira 29, Maia disse que a decisão sobre a unificação ou não das ações será tomada na hora certa. “Tendo outros argumentos, primeiro caberia ao ministro Facchin determinar o apensamento ou não, mas poderia haver essa discussão na Câmara. Se as denúncias fossem as mesmas, acho muito difícil que não viesse tudo nesta primeira peça”, disse Maia.
Mariana Carvalho
A tucana Mariana Carvalho leu a denúncia contra Temer (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)
Diante da falta de força política, a oposição aposta no desgaste de Temer. “Cada processo é um, corrupção passiva é um, formação de quadrilha é outro e obstrução da justiça é outra”, afirmou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) ao defender a análise separada das denúncias.
Outra estratégia da oposição é lembrar da impopularidade de Temer e atrelar a repercussão negativa do "enterro" da denúncia nas eleições de 2018. “A história reservará a cada um de nós o papel que desempenhar neste caso", afirmou Júlio Delgado (PSB-MG).
Pressão sobre a CCJ
Apesar de tentar transmitir a imagem de confiança para a votação, o governo vem tomando cuidados para não ser surpreendido. Especial atenção é dedicada a uma posição sensível, a de relator da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
A intenção dos governistas é emplacar na posição um deputado que tenha recebido dinheiro de Temer nas eleições de 2014. Os dois candidatos são Alceu Moreira (PMDB-RS) e Jones Martins (PMDB-RS). Como Perondi, cada um recebeu 100 mil reais em 2014.
Para garantir a nomeação, a base governista começou a pressionar o responsável pela escolha, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (MG), que é do PMDB, mas tem atuação crítica ao Planalto. Pacheco virou alvo após dizer que o relator das denúncias de Temer deve "ter relativa independência em relação aos interesses em jogo" e que cada denúncia tenha "trâmite próprio, na Câmara, e um juízo de admissibilidade específico". 
Diante dessas declarações, Pacheco passou a ser ameaçado pela base. Conforme reportagem da agência Reuters, a ideia dos governistas é impedir o funcionamento da CCJ, barrando os trabalhos de Pacheco, até que ele indique um relator dócil ao governo.
A ideia do governo é ter um relatório contrário à aceitação da denúncia e aprová-lo por maioria, para mandar um "recado" sobre a força política de Temer. Independentemente do conteúdo do relatório e da votação na CCJ, quem decidirá o caso, no entanto, é o plenário da Câmara.
Fonte:Carta Capital.
Professor Edgar Bom Jardim - PE