terça-feira, 24 de julho de 2012

Quase nua contra a pirataria



Vanessa de Oliveira fará sessão de fotos pelada e quer se despir na rua.
Com imagens, ela deseja iniciar campanha contra a pirataria de livros.

Lívia MachadoDo G1, em São Paulo
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Vanessa de Oliveira durante o protesto que realizou na última quinta-feira (19), em Lima, no Peru (Foto: Alessandro Currarino)Vanessa de Oliveira durante o protesto que realizou na última quinta-feira (19), em Lima, no Peru (Foto: Alessandro Currarino)
Vanessa de Oliveira, 37, ex-garota de programa e escritora brasileira, planeja um campanha internacional contra a pirataria de livros e a favor da leitura. Na última quinta-feira (19), ela ficou apenas de calcinha em frente ao palácio do governo de Lima, no Peru, para protestar contra a cópia e comercialização ilegal de livros no país.
De volta ao Brasil na madrugada deste domingo (22), ela já agendou uma sessão de fotos para 30 de julho. As imagens temáticas serão feitas para a campanha que, por ora, encabeça sozinha. Nua, ela escreverá em seu corpo mensagens de incentivo à leitura e repúdio à pirataria. "É uma estupidez completa. Quanta gente não torra R$ 200 numa balada? Mas não quer gastar R$ 30 em um livro."
Além de divulgar as imagens, Vanessa também deseja realizar novos piquetes em praça pública, mas quer recrutas para dar volume ao movimento. Embora nunca tenha visto seus livros sendo comercializados de forma ilegal no Brasil, não deixará a causa se transformar em uma ação pontual. “Eu pretendo fazer esse protesto no Brasil também, mas estou procurando ajuda de outras pessoas. Preciso planejar direito.”
Quase um clichê da nova cartilha de manifestações coletivas, o topless é estratégia feminina recorrente para chamar atenção. Na visão da escritora, o ato, apesar de corriqueiro, ainda é explosivo. “Era preciso ficar pelada. Porque só sem roupa as pessoas param pra analisar. Tem que ter peito pra fazer isso, coragem.”
Vanessa foi garota de programa durante cinco anos. Ingressou na profissão por necessidade financeira, mas permaneceu por vontade própria – como faz questão de esclarecer. Deixou o ofício pela literatura em 2005, quando também se formou em enfermagem, e hoje vive de suas obras e de palestras sobre sexo, comportamento e marketing.
Durante o protesto contra a pirataria, ela foi repreendida por policiais locais. Mas garante que não foi tratada com violência. "O policial só queria que eu vestisse a roupa, não foram agressivos." (Foto: Alessandro Currarino)Durante o protesto contra a pirataria, ela foi repreendida por policiais locais. Mas garante que não foi tratada com violência. "O policial só queria que eu vestisse a roupa, não foram agressivos." (Foto: Alessandro Currarino)
É autora de seis livros, dentre eles "O diário de Marise – A vida real de uma garota de programa", publicado em 2006, “Os 100 Segredos de Uma Garota de Programa – Tudo o que você queria saber sobre Sexo, Homens e a Profissão”, de 2007, “Seduzir Clientes”, de 2008, e “Ele Te Traiu? Problema dele! Como Superar a traição ontem mesmo!”.
Bem resolvida com a carreira que construiu, ela não teme que sua nova causa perca força por conta dos tabus relacionados à sua ex-profissão. A nudez nesse caso, na visão da escritora, é apenas uma estratégia de marketing.
“Nu pra mim não é uma coisa feia. Minha verdade é essa. Mas são apenas seios. Não tento me mostrar de forma equivocada. É a maneira como eu encontrei para protestar. Cada um tem sua forma, essa é a minha. Posso ter sido garota de programa, mas nasci escritora. Tem pessoas que não aceitam, pois acham que garota de programa não tem ideias, dignidade. Somos normais, não somos aberrações.”
Vanessa de Oliveira  (Foto: Divulgação)Vanessa de Oliveira (Foto: Divulgação)
Em viagem ao Peru para participar pela segunda vez da Feira do Livro - ela foi a escritora brasileira convidada em 2009 - e realizar um workshop sobre estratégias de marketing para estudantes, Vanessa notou que seus livros eram um produto rentável no comércio informal de Lima. O livro que ela programou lançar na tarde da sexta-feira (20) durante a feira já estava sendo vendido por um terço do custo original em barraquinhas montadas pelas calçadas da cidade.
“É a coisa mais ridícula que já vi. Eles xerocam o livro toscamente e vendem os que têm maior apelo popular. Ficam expostos em ripas de madeira. Tem camelôs desse tipo por todo o canto e ninguém faz nada. O meu estava lá ao lado do livro do 'O Código da Vinci', do Dan Brown. Muitos estão incompletos, com as páginas faltando texto.”
Segundo Vanessa, os representantes da editora Help (responsável por lançar os livros da autora no Peru) informaram que, para cada 20 livros vendidos no Peru, apenas um é original.
Inconformada com a estatística e o comodismo das autoridades locais, a escritora resolveu tirar a roupa para reivindicar. Durante a cerimônia de abertura da Feira do Livro, ela aproveitou a demanda de imprensa e avisou do protesto em frente ao palácio do governo, por volta das 15h.
“Tive a sorte de sentar ao lado da esposa do governador de Lima durante a cerimônia de abertura da feira. Aproveitei para comunicar aos profissionais da imprensa que estavam ali por conta das autoridades que faria um protesto nua.”
No caminho, Vanessa teve a barriga pintada pela assessora da editora Help, tirou o vestido vermelho que usava e desceu do carro coberta por um casaco preto. No meio da praça, despiu-se e ficou apenas de roupa íntima. “Havia muitos policiais no local. Eu poderia ter sido presa, mas não tive medo tampouco passei frio. E fui muito bem recebida pela população local e imprensa. Naquele dia, o Peru parou para me ouvir. Fiquei impressionada com a repercussão.”


Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Pense nisso na hora de votar !



Professor Edgar Bom Jardim - PE

Síria ameça usar armas químicas. Até quando o ditador vai matar o povo ?



Elas 'só serão utilizadas em caso de agressão estrangeira', diz porta-voz.
É a primeira vez que regime reconhece possuir armas químicas e biológicas.

Do G1, com agências internacionais
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A Síria só utilizará armas químicas e não convencionais em caso de "agressão estrangeira", advertiu nesta segunda-feira (23) o porta-voz do ministério das Relações Exteriores.
É a primeira vez que o regime sírio reconhece possuir reserva de armas químicas e biológicas.
"Não serão utilizadas armas químicas ou não convencionais contra nossos próprios cidadãos (...); estas armas só serão utilizadas em caso de agressão estrangeira", disse Jihad Makdessi em uma coletiva de imprensa em Damasco.
Makdissi disse que a reserva é segura, numa aparente resposta ao receio internacional de que as armas pudessem cair nas mãos de forças rebeldes.


Professor Edgar Bom Jardim - PE

Violência no Brasil é uma fotografia do descaso dos governos e da sociedade com a educação de crianças e jovens



Tomasso Lotto, de 26 anos, tinha se mudado para o Brasil na sexta-feira.
No sábado, ele foi assassinado no Itaim Bibi, na Zona Sul da capital.

Do G1 SP
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Os pais do italiano morto no sábado (21), durante uma tentativa de assalto no Itaim Bibi, Zona Sul da capital paulista, chegaram ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na madrugada desta segunda-feira (23). Em seguida, partiram em um carro da representação diplomática italiana no Brasil. A mãe foi consolada por amigos do filho. Eles contaram que o bancário era apaixonado pelo país.
Tomasso Lotto, de 26 anos, tinha se mudado para o Brasil na sexta-feira (20). Um dia depois, ele e um amigo, um advogado espanhol, seguiam em um Honda Civic pela Avenida Nove de Julho. Por volta das 18h30, no cruzamento com a Avenida São Gabriel, eles foram abordados por dois homens armados em uma moto.
Segundo uma amiga, Lotto, que estava ao volante, achou que os criminosos queriam o carro e tentou descer. Quando abriu a porta foi baleado e morreu no hospital. O amigo que estava junto correu e conseguiu escapar.
Uma amiga dos dois rapazes contou que o advogado chegou a ser perseguido por um dos criminosos, mas se escondeu atrás de uma banca de onde ouviu o barulho do tiro que acertou Lotto. “Ele ia deixar o carro para eles. Eles acharam que queria o carro”, afirmou. Uma testemunha, que preferiu não se identificar, presenciou o desespero do amigo do bancário.
Tomasso Lotto chegou consciente ao Hospital Nove de Julho, mas não resistiu.  Os criminosos fugiram sem levar nada. Segundo informou o Bom Dia Brasil, a polícia suspeita que eles queriam roubar o relógio do bancário.  
O corpo está no Instituto Médico Legal de São Paulo e deve ser liberado nessa segunda-feira, pelo Consulado da Itália.
 



Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 22 de julho de 2012

Bom Jardim: Política propositiva e de qualidade nas redes sociais. Para ser vereador preciso do apoio de dois mil eleitores conscientes. A hora é de sinceridade e honestidade. É hora de contar com o apoio e solidariedade dos amigos de verdade, diz Professor Edgar confiante na vitória.

     
Confiança em Deus, numa vida de trabalho realizado pelo bem de Bom Jardim, para alcançar uma grande vitória para a educação, por nossa juventude e em defesa da sustentabilidade das comunidades.

          Se você quer um Bom Jardim que oportunize uma vida melhor para homens e mulheres do campo e da cidade, um Bom Jardim com desenvolvimento na educação, cultura, com apoio para  estudantes, crianças e jovens, com proteção para os mais carentes, vote em quem tem trabalho comprovado e faz a luta do povo de verdade, por um Bom Jardim cada vez melhor para todos. 
Essa campanha também é sua por um Bom Jardim com qualidade de vida para todos. Vote! Conquiste mais um voto ! Professor Edgar 50 000. É Trabalho em todo lugar...




               

"A política é a arte de fazer o bem para todos. Eu sou político, acredito que a política é um caminho para o desenvolvimento e progresso das sociedades. Sou professor Edgar , candidato ao cargo de vereador, posso contribuir muito para o crescimento de Bom Jardim, em todas comunidades. Preciso contar com o apoio de duas mil pessoas que desejam melhorias e mudanças neste cenário político, econômico e social do município, preciso contar com pessoas que amam verdadeiramente Bom Jardim e que coloquem o interesse público acima das disputas fanáticas de grupos, partidos,lideranças e ambições pessoais. Preciso de seu apoio que deseja uma vida melhor para todos. Com seu voto estaremos ajudando aqueles que mais necessitam de apoio, educação, saúde, moradia, trabalho, e oportunidades iguais. É muito simples. Vote 50 000. Vote em Edgar, trabalho em todo lugar".



  
                           
Seu Voto Vale Mais 
Pense Nisso ! 

Professor Edgar Bom Jardim - PE

Despedida



Diva Pacheco é sepultada ao som de canções que marcaram sua história

Dama do Teatro pernambucano teve enterro como sempre pediu: com muita música

 LÍVIA MOTA, da Folha de Pernambuco

Centenas de pessoas lotaram o Pátio do Teatro de Nova Jerusalém, no município de Brejo da Madre de Deus, só que dessa vez por um motivo diferente. O velório de Diva Pacheco, idealizadora e responsável junto ao marido, Plínio Pacheco, pelo maior teatro ao ar livre do mundo, não poderia ser em outro lugar. Familiares e centenas de amigos se reuniram no lugar que foi palco, por muitos anos, da atriz e figurinista. Após uma dolorosa despedida, os presentes seguiram o cortejo, guiados por seis cavaleiros do espetáculo da Paixão de Cristo, até o Parque das Orquídeas, onde a artista foi sepultada ao lado do marido.
Atendendo aos pedidos da mãe, Nena Pacheco tratou de providenciar seus últimos desejos. "Ela dizia para nós e nos fez prometer que no enterro dela teria muita música e muita alegria, como foi sua vida", declarou Nena. E sua vontade foi feita. Durante o cortejo, uma orquestra de frevo tocou canções que marcaram a história da Dama do Teatro, e foi ao som de 'Vassourinhas' que a também amante dos bailes carnavalescos foi sepultada. "Diva era assim, uma estrela, muito brilhante e altiva. Apesar da imensa tristeza que estamos sentido, nada mais justo do que retratar nesses últimos momentos como foi a sua vida, alegre e com muita festa", pontuou a sobrinha, Carmita Mendonça.
Diva faleceu na manhã dessa sexta-feira (20), vítima de um AVC. A atriz se tratava há alguns meses de um câncer de tireoide e seria submetida, mais uma vez, a cirurgia. Diante da grandiosidade da contribuição de Diva pa­ra a cultura do Estado, em uníssono, amantes da arte não titubeiam ao dizer: Di­­­va não morreu, continua viva. O ce­­nário dentro das muralhas do Teatro de No­­va Jerusalém confirmavam is­so.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 21 de julho de 2012

Mulheres invadem canteiro de obras

Construção civil em Pernambuco

Publicação: 20/07/2012 22:30 Atualização: 20/07/2012 23:03
Mirtes Souza tem 25 anos. Antes de chegar à construção, foi recepcionista, atendente de padaria, auxiliar de salão de beleza e professora de informática (Helder Tavares/DP/D.A Press)
Mirtes Souza tem 25 anos. Antes de chegar à construção, foi recepcionista, atendente de padaria, auxiliar de salão de beleza e professora de informática
Acabou a reserva de mercado masculina. Agora os canteiros de obras da Região Metropolitana do Recife (RMR) têm o toque feminino. São serventes, carpinteiras, ajudantes de obras, pedreiras. Elas se misturam aos homens com naturalidade, e o melhor, em condições de igualdade de posição e salarial. As construtoras se renderam à falta de mão de obra qualificada fruto do boom na construção civil e passaram a contratar mulheres para as funções antes ocupadas só pelos homens (leia mais na edição impressa doDiario deste sábado). 

Ainda é cedo para quantificar a presença das mulheres nos canteiros de obras, mas uma coisa é certa: aos pouquinhos elas estão invadindo a praia dos homens. Diretor de pesquisas socioeconômicas da Agência Condepe/Fidem, Rodolfo Guimarães diz que essa movimentação de mão de obra á natural em momentos de crescimento da atividade econômica. “Quando se esgota a força de trabalho masculina, a tendência é se incorporar as mulheres”, pontua.
Para enfrentar a dificuldade de recrutar trabalhadores para as obras em andamento, a construtora Conic decidiu investir na formação e qualificação das mulheres. “Desde o boom em Suape e a explosão da construção civil em Pernambuco, o nosso segmento vem encontrando dificuldade de quantidade e qualidade de mão de obra”, destaca Florence Olsen, gerente de recursos humanos da construtora. O tempo médio de preenchimento de uma vaga passou de uma semana para 15 dias em determinadas funções.
Professor Edgar Bom Jardim - PE/diariodepernambuco.com

Deu na revista Época


INVESTIGAÇÃO - 20/07/2012 23h18 - Atualizado em 20/07/2012 23h22
TAMANHO DO TEXTO

Os três amigos

Novas gravações da Polícia Federal mostram Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres fazendo negócios em nome do governador de Goiás, Marconi Perillo

MURILO RAMOS, MARCELO ROCHA E DIEGO ESCOSTEGUY
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ÉPOCA teve acesso a novas conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo – que, no final de fevereiro, deslindou a infiltração do crime organizado no governo de Goiás. A íntegra das conversas – 5,9 gigabytes de informação – corre sob segredo de Justiça na 11ª Vara Federal de Goiânia. Nela, encontra-se fartura de trechos inéditos – e explicitamente reveladores, sobretudo sobre o envolvimento do tucano Marconi Perillo, que governa o Estado de Goiás, com o esquema liderado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira e pela construtora Delta. Entre outras novidades, há diálogos em que se diz que Perillo “mandou passar” à Delta um contrato que poderia render R$ 1,2 bilhão. Noutros diálogos, cita-se Perillo como responsável por ordenar, por intermédio do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM), que o diretor do Detran no Estado, indicado por Cachoeira, contratasse uma empresa de um amigo do governador. Descobre-se, ainda, que um irmão de Perillo, chamado Antônio Pires Perillo, ou Toninho, tinha um celular Nextel habilitado nos Estados Unidos para conversar com Cachoeira – e que Toninho prestou serviços a ele.
ESCOLHA O governador Marconi Perillo. De acordo com a Polícia Federal, ele se empenhou para que uma obra em Goiânia  fosse entregue à construtora Delta (Foto: Dida Sampaio/AE)
Desde que a existência da quadrilha de Cachoeira veio a público, em fevereiro, sabia-se que a força do grupo escorava-se, entre outros políticos, no senador Demóstenes. O envolvimento de Perillo aparecia, até então, por indícios. Na semana passada, ÉPOCA revelou as evidências – contidas num relatório enviado pela PF à Procuradoria-Geral da República – de que a Delta firmara um “compromisso” político com Perillo: comprara a casa que o governador vendia, pagara R$ 500 mil a mais do que ela valia – e passara a receber em dia o que o governo de Goiás lhe devia.
De acordo com as gravações, outros acertos de Perillo com as empresas ligadas ao esquema de Cachoeira acontecem em março de 2011, logo após a venda da casa para a Delta. No dia 1º de março, Perillo vende a casa. No dia 2, começam os negócios. Às 21 horas, Demóstenes liga para Cachoeira. O assunto é urgente: Demóstenes tem um “recado” a transmitir a Cachoeira. De quem? De Perillo. Descobre-se, portanto, que a relação de Perillo com a quadrilha de Cachoeira era ampla – envolvia não apenas seu assessor Wladmir Garcez, que acabara de intermediar os pagamentos da Delta pela casa, mas também Demóstenes. Diz Demóstenes: “Fala, professor. O seguinte: tava precisando falar com você. Ou se você não puder, manda o Wladmir (Garcez) falar comigo. Não é nada daquele assunto, não. É outro, que apareceu agora. É um recado do Marconi. Precisava te passar” (ouça o áudio). Cachoeira pergunta se Demóstenes está em Goiânia. “Tô aqui”, diz Demóstenes. “Se você puder vir aqui... Se não puder, manda o Wladmir que eu explico o que é.” Cachoeira não titubeia: “Vou aí agora então”.
Pouco mais de meia hora depois, após o encontro com Demóstenes, Cachoeira liga para o presidente do Detran de Goiás, Edivaldo Cardoso, conhecido como Caolho. Caolho fora nomeado para o cargo assim que Perillo assumiu o governo, segundo a investigação, por indicação de Cachoeira, que o encarregara de assegurar que a Delta e demais “empresas amigas” faturassem alto não somente no Detran, onde ele assinaria contratos e autorizaria pagamentos, mas também nas demais áreas do governo de Goiás. Como Caolho faria isso? Graças a seu acesso privilegiado à cúpula do governo tucano, Caolho tinha bom trânsito com Perillo e seus assessores. Deveria ainda manter Cachoeira a par de possíveis novos projetos do governo.
estresse O senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo escutas da PF, eles ficaram estressados com a pressão  de Perillo (Foto: Cadu Gomes/Reuters e Sergio Lima/Folhapress)
É nesse contexto que transcorre o diálogo entre Cachoeira e Caolho naquela noite de março – um breve, porém claro, sinal do empenho de Perillo em ajudar a turma. Cachoeira diz a Caolho: “Tenho um recado do Marconi e do Demóstenes para você”. Caolho pergunta do que se trata. “Por telefone é ruim, né?”, afirma Cachoeira. Ato contínuo, Caolho pergunta se os dois podem se encontrar. Cachoeira, cansado depois de um dia intenso e sem encontrar uma brecha na agenda do dia seguinte, acaba transmitindo o recado de Perillo por telefone. “Você teve com a Politec?”, diz Cachoeira. “Tive, ué”, responde Caolho. Temendo uma bronca, Caolho se adianta e conta tudo: “Quem mandou, pediu para eu receber a Politec foi o Marconi (Perillo). Ligou e pediu para eu receber o cara (da empresa Politec)” (ouça o áudio). Cachoeira confirma: “Aí mas ele (Perillo) não lembra, não. O problema é esse. Ele falou lá que você tinha que fechar (com a Politec), o negócio deles lá”.
Caolho explica em detalhes a ordem de Perillo para contratar a Politec. “O homem (Perillo) que ligou para mim. O Barros (Carlos Alberto Barros, fundador da Politec) estava lá no palácio, ele (Perillo) me ligou, falou comigo pessoalmente para eu receber o cara lá”, diz. Cachoeira determina então que Caolho resolva logo o contrato com os executivos da Politec: “O Demóstenes falou para você nem chamar o Marcelo (Marcelo Augusto Gomes de Lima, gerente de projetos da empresa)”. Caolho conta que a Politec já o procurara para oferecer serviços de vistoria para carros. Diz Caolho: “Esse negócio foi o Marconi que pediu. (...) Ele (Perillo) ligou e eu atendi. Não mandou recado, não. Ligou no telefone e falou assim, ó: ‘Eu tô aqui com o Barros (da Politec). Você conhece ele? Ele vai te procurar. Você pode receber ele aí hoje?’ Eu disse: ‘Posso, governador, manda ele vir aqui que eu falo com ele agora’”. Perillo, segundo o relato de Caolho, é direto: “(Perillo) falou: ‘Atende ele (Barros, da Politec) aí que é meu amigo, tá?’”.
Ao perceber que o assunto já estava encaminhado no Detran, Cachoeira se irrita com a pressão de Perillo e ordena que Caolho explique a situação aos executivos da Politec. Diz Cachoeira: “Fala para eles (Politec): ‘O que foi politicamente combinado já está fechado’”. Caolho também reclama: “Povinho estressado... E o Marconi também tem uma memória de grilo”. “Mas aí você já passa lá amanhã e resolve esse estresse”, diz Cachoeira. Em seguida, ele afirma que os executivos da Politec também pressionaram Demóstenes. Noutra ligação com Cachoeira, cinco minutos depois, Caolho está mais leve: “Amanhã resolvo isso. Hahaha! Eu acho divertido um negócio desses. O governador manda receber o cara, o cara chega para mim e diz que conversou com ele. (...) ‘O senhor (Barros, da Politec) só põe no papel aqui para mim que eu vou autorizar’: foi essa minha conversa com ele (da Politec)”.
Os interesses da Politec, do amigo de Perillo, foram atendidos. A empresa conseguiu prestar serviços ao Detran, presidido por Caolho, sem licitação nem contrato formal. O serviço de vistoria de carros, antes feito por múltiplas empresas credenciadas, passou a ser executado exclusivamente pela Politec. Em fevereiro deste ano, o Departamento Nacional de Trânsito, o Denatran, detectou irregularidades no sistema oferecido pela Politec ao Detran de Goiás. Descobriu-se que a Politec não era homologada no Denatran nem repassava as informações das vistorias ao banco de dados do órgão – brecha que permitia, em tese, que carros roubados ou fora dos padrões de segurança fossem revendidos. Diante dos fatos, o promotor Rodrigo Bolelli determinou ao Detran goiano que encerrasse a contratação informal da Politec.
A Politec, que nasceu em Goiânia, é uma grande empresa de tecnologia. Vale R$ 254 milhões e mantém contratos com governos estaduais, além do governo federal. Desde que Perillo virou governador, no ano passado, recebeu R$ 8 milhões do Estado de Goiás. Quando Barros abordou Perillo no ano passado, a Politec já estava encalacrada com a PF. Em 2009, ela e outras três empresas foram alvo da Operação Mainframe, ação conjunta da Polícia Federal e da Secretaria de Direito Econômico (SDE) contra o cartel que presta serviços de informática ao governo federal. Num dos endereços vasculhados pelos agentes da PF foram encontradas anotações com nomes de políticos e valores anotados ao lado. Havia, segundo os investigadores, o nome de um senador – a identidade dele é mantida sob sigilo. As investigações desse caso ainda estão em curso.
Caolho era mesmo próximo a Perillo? Ao que tudo indica, sim. Semanas depois da pressão para a contratação da Politec, no dia 30 de março, Perillo foi jantar na casa de Caolho, ao lado de Cachoeira – e admite isso. Escutas da PF revelam que Cachoeira e Caolho esmeraram-se nos preparativos para o convescote. Num dos áudios, Cachoeira afirma que levaria uma garrafa de vinho e uma de champanhe ao encontro. Pouco antes da tertúlia, Cachoeira liga para Garcez e pede que se apresse: Perillo deveria chegar antes do previsto. Esse jantar é um dos três encontros que Perillo admite ter tido com Cachoeira. O segundo foi na sede do governo goiano. O terceiro, na casa do ex-senador Demóstenes Torres (ouça o áudio).
As novas investigações da PF também se referem a um segundo caso: a instalação em Goiânia do VLT, veículo leve sobre trilhos. Na tentativa de criar uma agenda positiva, Perillo reuniu secretários na semana passada para definir o cronograma da licitação que escolherá a empresa responsável pela instalação do trem. Perillo espera que, na segunda quinzena de agosto, o edital seja lançado. O VLT deverá fazer a ligação leste-oeste da cidade, com 12,9 quilômetros de extensão, uma obra incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Segundo a investigação da PF, as articulações do governo, no ano passado, para implantar o VLT em Goiânia ficaram comprometidas porque o contrato fora dirigido para a Delta. Num diálogo interceptado no dia 30 de março de 2011, Garcez narra a Cachoeira uma conversa mantida com o presidente da Agência de Transportes e Obras Públicas (Agetop) e tesoureiro de Perillo na campanha de 2010, Jayme Rincón. Nesse diálogo, segundo Garcez, Rincón disse que o governador escolhera a Delta para administrar as obras. “O governador já tinha falado com ele (Rincón) sobre o negócio do VLT e que é pra passar o negócio pra Delta”, afirmou (ouça o áudio). Em entrevista a ÉPOCA, Rincón disse não ter conversado com Garcez sobre o VLT: “Não tem a menor consistência. Nem se cogitava o VLT. Esse assunto não é afeito a minha área”. ÉPOCA perguntou a ele por que participara da reunião com Perillo no início da semana, para tratar justamente desse assunto. Rincón afirmou que acompanha temas de infraestrutura do governo goiano e que a única participação da Agetop será ceder funcionários para elaborar uma carta-consulta ao BNDES.
As investigações da PF trazem ainda um terceiro assunto à tona: o envolvimento de Antônio Perillo, irmão do governador, com a quadrilha de Cachoeira. De acordo com os áudios, ele pertencia ao clube dos que usavam aparelho Nextel para falar com integrantes da turma do bicheiro. Numa das ligações, Cachoeira pergunta onde Toninho está. Toninho diz que está na saída de Goiânia. Diante de um convite de Cachoeira para encontrá-lo na sede da Delta Construções, Toninho foi rápido: “Vamos agora” (ouça o áudio). Em outro telefonema, Cachoeira demonstra intimidade com ele. “Toninho, você me chamou aqui e desligou o telefone. Tá parecendo aquelas biscates”, diz Cachoeira. Em 8 de abril do ano passado, Cachoeira conversa com Roberto Coppola, seu sócio argentino no ramo dos jogos de azar. Quando Cachoeira informa a Coppola sobre a possibilidade de ir a Buenos Aires na Semana Santa,Coppola diz que Toninho também iria à Argentina no período (ouça o áudio). Toninho chegou a acionar Garcez, em 14 de fevereiro deste ano, para perguntar por que seu Nextel não funcionava. No mesmo dia, Eliane Pinheiro, ex-chefe de gabinete de Perillo, pede a Garcez que verifique a situação do aparelho, pois “Toninho está de viagem marcada para Miami”.
A mensagem
Para os políticos
As investigações da PF desnudam as conexões entre Cachoeira, Perillo e Demóstenes
Para o eleitor
É importante considerar esse tipo de informação na hora de votar
O governador Marconi Perillo afirmou que “jamais disse a quem quer que seja” para passar as construções do VLT de Goiânia para a Delta. “Esta afirmação é infame e irresponsável. Como é que o governador poderia pedir a alguém para ‘passar uma obra’ que não existia nem no papel nem se sabia ainda se seria executada?”, afirma. Segundo Perillo, o projeto do VLT ainda está em fase de elaboração. Em relação à Politec, Perillo afirmou que “todos os empresários que o procuram são por ele encaminhados aos órgãos competentes para que se inteirem dos projetos e assuntos relacionados ao governo”. Tudo isso, segundo ele, de forma transparente. “As informações são prestadas pelos responsáveis por cada área do governo sempre obedecendo aos princípios de ética, lisura e transparência.” Perillo foi questionado também sobre as relações de seu irmão com Cachoeira, incluindo o aparelho Nextel doado pelo grupo do bicheiro. Perillo disse que a pergunta deveria ser formulada ao irmão e que não tem conhecimento desse assunto. No comunicado, Perillo disse que não mais se pronunciará a respeito de assuntos de ordem pessoal. “Não cabe alimentar ilações retiradas fragmentadamente de mais de 30 mil horas de gravações, com o único intuito de criar polêmicas e estabelecer relações entre fatos que não se coadunam. Entre todas as gravações divulgadas, não existe nenhuma comprobatória de negócio ou contrato que efetivamente tenha beneficiado alguma pessoa ou empresa.”
A crer na versão de Perillo, o que se lê, ouve e se descobre a cada dia nas investigações da PF decorre não somente de uma sofisticada ação orquestrada “politicamente” pelo PT, mas também de uma extraordinária sucessão de coincidências e mentiras contadas por diferentes integrantes da turma de Cachoeira. Coincidências e mentiras corroboradas por cheques, transferências bancárias, atos de governo. É verdade que Garcez poderia estar usando indevidamente o nome de Perillo e ter criatividade suficiente para inventar recados ou acertos. Mas era amigo de Perillo, frequentava seu gabinete e lhe entregava cheques de Cachoeira. O mesmo vale para Cachoeira, Cláudio Abreu, da Delta, e para os demais personagens envolvidos nos repasses de dinheiro. Como se descobre agora, o mesmo sinuoso raciocínio teria de ser aplicado ainda a Caolho, Demóstenes, ao irmão de Perillo...



Professor Edgar Bom Jardim - PE

Charge


Humberto - jc.com

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