Veja aqui o perfil das cinco vencedoras do Prêmio Mulher-Cidadã Bertha Lutz de 2012, que será entregue pelo Senado nesta terça-feira (13), em solenidade no Plenário, a partir das 10h.
Dilma Vana Rousseff – Primeira mulher a exercer o cargo mais alto da República, Dilma Rousseff elegeu-se, em 2010, com o apoio de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, ela chefiou a Casa Civil e o Ministério das Minas e Energia.
Mesmo não tendo disputado cargos polÃticos até a eleição presidencial, Dilma Rousseff tem longa história de participação polÃtica. Nascida em Minas Gerais, em 1947, começou sua militância na esquerda aos 16 anos. Entrou no movimento estudantil e militou nas organizações clandestinas Colina e VAR-Palmares, de oposição à ditadura militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985.
Presa em 1970, foi torturada, nos momentos mais duros de repressão polÃtica no paÃs. Cumpriu pena por dois anos e um mês, sendo solta em 1972. Mudou-se então para o Rio Grande do Sul, onde se dedicou aos estudos e atuou na campanha pela anistia dos perseguidos e exilados pelo regime. Com a abertura polÃtica, ela ajudou a fundar o PDT de Leonel Brizola (1922-2004) no Rio Grande do Sul. Assessorou a bancada estadual do partido de 1980 a 1985 e foi secretária da Fazenda de Porto Alegre, no governo de Alceu Collares (também do PDT), de 1986 a 1988. Foi secretária estadual de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, entre 1993 e 1994. Voltou ao cargo em 1999. Em 2000, deixou o PDT para filiar-se ao PT gaúcho.
Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, em 2002, participou da equipe de transição entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula. Em seguida, assumiu o Ministério das Minas e Energia, que comandou até 2005. Com a queda do então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, Dilma Rousseff assumiu o cargo. Indicada por Lula como sua sucessora, Dilma Rousseff tornou-se a primeira mulher presidente do Brasil, vencendo as eleições no segundo turno contra o candidato do PSDB, José Serra.
Rosali Scalabrin - Rosali, mais conhecida por Rosa, nasceu no Rio Grande do Sul em 1962 e migrou para a região amazônica aos 10 anos de idade, indo primeiro morar no estado do Pará e depois para o Acre. Formada em Sociologia pela Universidade Federal do Acre, a biografia de Rosali se confunde com sua militância em favor dos direitos das mulheres e dos excluÃdos. Sua luta teve inÃcio aos 15 anos de idade, no Pará, em 1977, no movimento de resistência dos trabalhadores rurais da Transamazônica, onde junto com sua famÃlia foi assentada pelo Incra.
Foi para o Acre em 1986, a convite da Comissão Pastoral da Terra (CPT), para colaborar na organização sindical dos trabalhadores rurais no auge dos conflitos de terra. Nesse perÃodo, ajudou a organizar os sindicatos rurais, a Central Única dos Trabalhadores, o Movimento dos Trabalhadores Rurais e seringueiros do Acre e atuou no movimento de defesa das reservas extrativistas e preservação da floresta, que culminou no bárbaro assassinato do lÃder Chico Mendes, em 1988. Foi fundadora da Rede Acreana de Mulheres e Homens (RAMH), uma ONG feminista, na qual atuou por vários anos.
Em 1994, fez parte do primeiro Conselho Municipal da Mulher em Rio Branco e da equipe da Casa Rosa Mulher, Centro de Referência para Mulheres VÃtimas de Violência, ligada à Prefeitura de Rio Branco. Atuou por dois anos no Ministério da Agricultura (Departamento de Cooperativismo), onde criou o Programa Coopergenero, em prol do cooperativismo associado à igualdade entre homens e mulheres no campo.
Em 2011, então coordenadora municipal de PolÃticas para Mulheres de Rio Branco, Rosali Scalabrin foi eleita integrante da comissão organizadora da 3ª Conferência Nacional de PolÃticas para Mulheres, em BrasÃlia, representando o Fórum Nacional de Organismos de PolÃticas para as mulheres.
Desde 2008, compõe o Comitê de Movimento do Plano Nacional de PolÃticas para as Mulheres, representando o Fórum Nacional de Organismos de PolÃticas para as Mulheres e é conselheira de honra do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher- CEDIM. Seu trabalho à frente da Coordenadoria da Mulher da Prefeitura de Rio Branco, beneficia mulheres vÃtimas de violência doméstica, mulheres em situação de vulnerabilidade social e extrema pobreza e trabalhadoras rurais, além de jovens e adolescentes das escolas públicas, com um trabalho sobre a saúde e sexualidade, com foco na prevenção e redução da gravidez precoce.
Ana Alice Costa - Nascida em 23 de dezembro de 1951, em Caravelas (BA), foi integrante do movimento estudantil no inicio dos anos 1970, perÃodo mais intenso da ditadura militar. Ao final da década de 1970, cursou mestrado em Sociologia PolÃtica pela Universidade Nacional Autônoma do México, ingressando no Movimiento de Liberación de las Mujeres. Já no Brasil, vinculou-se ao Grupo Feminista Brasil Mulher, seção Bahia, primeiro grupo feminista daquele Estado.
Em 1982 ingressou na Universidade Federal da Bahia (UFBA) como professora do Departamento de Ciências PolÃticas, onde continua atuando. Em 1983, juntamente com outras colegas feministas, criou o Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim), com o qual tem trabalhado em articulação com outros movimentos sociais em defesa dos direitos das mulheres e pela transformação da condição feminina. Tendo, dentre outros resultados, a criação, em 1985, da primeira Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).
Retornou ao México em 1994 para a conclusão de seu doutorado, apresentando tese sobre a participação polÃtica da mulher na Bahia, publicada posteriormente com o tÃtulo “As Donas no Poder: mulher e polÃtica na Bahia”. Em 2004, concluiu pós-doutorado em teoria feminista no Instituto Universitario de Estudios de La Mujer, da Universidade Autônoma de Madrid.
Desde a criação do Neim, Ana Alice tem concentrado seus esforços na institucionalização dos estudos feministas, na produção de conhecimento e também na área de ensino, com a criação de disciplinas, cursos e programas de estudos sobre as mulheres. Em 2005, foi instituÃdo na UFBA o primeiro Programa de Pós-graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, que já titulou 30 mestres e oito doutores.
São também resultados de sua atuação a articulação das creches comunitárias de Salvador, o apoio e participação na organização dos acampamentos de trabalhadores rurais, a criação do Centro de Apoio Humanitário (Chame), que trabalha com a prevenção do tráfico de mulheres e combate ao turismo sexual; participação na criação de delegacias especializadas de atendimento à mulher na Bahia. Seu trabalho teve reflexos em nÃvel local, regional e nacional.
Eunice Michiles Malty - Nasceu em 10 de julho de 1929. Foi a primeira senadora da República Federativa do Brasil, pelo estado do Amazonas, e em seu mandato enfrentou as dificuldades e os desafios próprios de uma precursora, quando levantou temas até então pouco discutidos pela sociedade brasileira da época.
Sua plataforma polÃtica foi marcada, principalmente, pela defesa dos direitos da mulher, da liberdade religiosa, do desenvolvimento sustentável, da educação ecológica e do planejamento familiar. Esta última ação foi reconhecida internacionalmente com medalha de honra ao mérito, concedida pelo Congresso dos Estados Unidos. Em sua militância, buscou unir os ideais cristãos à polÃtica, fazendo da vida pública um instrumento de promoção da paz.
Atualmente se dedica à Igreja Adventista, na qual exerce várias atividades. Foi presidente do Movimento da Mulher Democrática Social (MMDS). Após se casar, mudou-se para Maués (AM) onde lecionou e ocupou cargos de direção no Grupo Escolar Santina Filizola, no Ginásio de Maués, na Escola Normal e, por fim, no Serviço Nacional de Educação.
Membro do Diretório Regional da Arena, foi eleita deputada estadual em 1974, e candidata a senadora, foi eleita primeira suplente de João Bosco de Lima. Após a morte do titular, assumiu a cadeira no Senado, pertencendo à bancada do PDS. Com sua posse, em 31 de maio de 1979, a primeira mulher chegou ao Senado Federal mediante um processo eletivo, visto que a Princesa Isabel (1846-1921) foi senadora por direito dinástico, durante o Império.
A passagem de Eunice Michiles pelo Parlamento foi marcada pela criação do Movimento da Mulher Democrática Social (MMDS) e pelo voto em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Em 1986, foi eleita deputada federal pelo PFL e integrou a Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1988. Escolhida conselheira do Tribunal de Contas do Amazonas, foi vice-presidente do colegiado até aposentar-se por idade, em 1999. Com sua bandeira polÃtica, Eunice Michiles sempre buscou exercer atividades humanitárias e ligadas à famÃlia.
Maria Prestes (Maria do Carmo Ribeiro) - Altamira Rodrigues Sobral, nome original de Maria Prestes, nasceu em Recife, em 1930. Filha de camponeses, aos 17 anos, quando pertencia à Juventude Comunista, teve de fugir para São Paulo e, na luta pela causa comunista, conheceu LuÃs Carlos Prestes (1898-1990), com quem casou e viveu por mais de quarenta anos, até a morte do marido.
Maria Prestes enfrentou a clandestinidade, perseguições polÃticas e o exÃlio. Apesar das dificuldades de viver na ilegalidade durante o regime militar, criou nove filhos, sete da união com o lÃder do Partido Comunista Brasileiro e dois do primeiro casamento. Filha e neta de militantes comunistas, apoiou greves, organizou protestos, panfletagens e comÃcios, divulgou livros e jornais. Sua experiência de vida está relatada no livro de autoria própria “40 anos ao lado de LuÃs Carlos Prestes”.
Aos 80 anos de idade, Maria foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com a medalha Tiradentes. Em 2011, o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim/RJ) lançou um filme sobre a sua vida para comemorar o Dia Internacional da Mulher, 8 de março. A iniciativa faz parte do Projeto Memória Viva, do Espaço Cultural Heloneida Studart, que visa estimular a produção feminina, com foco na preservação da memória de mulheres que se destacaram na construção de uma sociedade justa e igualitária. O filme tem roteiro e direção da cineasta Eunice Gutman.
Recentemente, Maria Prestes teve uma atuação decisiva no episódio que trouxe o arquivo soviético de LuÃs Carlos Prestes para o Brasil. Graças a ela, que coordenou uma mobilização ativa de intelectuais, diplomatas e até presidentes, tanto do Brasil como da Rússia, hoje os inúmeros documentos de Prestes, principalmente os que se referem ao perÃodo do exÃlio, estão preservados no Arquivo Nacional. Fonte :Agência Senado
Acesse:Professor Edgar Bom Jardim - PE






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