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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Governadores do Nordeste respondem, em carta, declaração de Bolsonaro


Paulo Camara
Paulo CâmaraFoto: Arthur Mota
Os governadores do Nordeste divulgaram, na noite desta sexta-feira (19), uma carta em resposta a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sobre os gestores da Região, que foram chamados por ele de "Paraíba".
A frase foi dita durante um café da manhã entre Bolsonaro e jornalistas, mas só ganhou destaque após a divulgação de um trecho do vídeo em que o presidente fala com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS): "Dos governadores de 'paraíba', o pior é o do Maranhão. Não tem quer ter nada pra esse cara."
Confira a carta na íntegra:
"Carta dos Governadores do Nordeste
19 de Julho de 2019
Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas, o princípio federativo exige que os governos mantenham diálogo e convergências, a fim de que metas administrativas sejam concretizadas visando sempre melhorar a vida da população. 
Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia".

Professor Edgar Bom Jardim - PE

'Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira', afirma Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair BolsonaroFoto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta sexta-feira (19) que não existe fome no Brasil. "Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não come bem. Aí eu concordo. Agora, passar fome, não", disse em café da manhã com correspondentes internacionais.

"Você não vê gente mesmo pobre pelas ruas com físico esquelético como a gente vê em alguns outros países pelo mundo", disse o presidente, sem citar nominalmente as nações que mencionou na declaração.

A fala foi uma resposta do presidente a uma representante do jornal espanhol El País, que perguntou qual trabalho o governo tem realizado para reduzir a pobreza no país.
Ele disse ainda que os Poderes Executivo e Legislativo podem "é facilitar a vida do empreendedor, de quem quer produzir, e não fazer esse discurso voltado para a massa, porque o voto tem o mesmo peso".
Bolsonaro também criticou a prática de distribuição de bolsas como forma de "distribuir riqueza" e disse que é o conhecimento que tira o homem da miséria.
"A educação aqui no Brasil nos últimos 30 anos nunca esteve tão ruim", disse.
Com informação de Folha de Pernambuco

Professor Edgar Bom Jardim - PE

O Brasil ao lado das ditaduras mais cruéis do mundo



No final de junho, uma diplomata latino-americana que preparava uma declaração conjunta com o Brasil na ONUsubmeteu ao Itamaraty o texto que iria ler, dias depois, ao Conselho de Direitos Humanos.
No dia seguinte, ao abrir seu email, levou um susto ao ver a resposta do Governo brasileiro. O texto tinha sido devolvido com vetos a termos que, pelos últimos 25 anos, eram considerados como consensos internacionais e assinados até mesmo pelo Brasil.
Expressões como “igualdade de gênero”, direitos sexuais e reprodutivos e várias outras frases foram literalmente riscadas e substituídas por termos escolhidos para deixar claro uma visão de mundo em que direitos eram limitados, e não ampliados.
A diplomata estrangeira, surpreendida, apenas respondeu que aqueles termos originalmente colocados no texto não seriam modificados e, lamentando, notava que a postura da tradicional diplomacia brasileira sofria uma transformação inédita.
Nos bastidores da política externa, o Brasil de Jair Bolsonaro dava uma claro sinal de que o posicionamento baseado em orientações religiosas, de restrições ou ultraconservadoras não se limitaria à retórica. Nas salas de negociação, nos corredores e trocas de telegramas, a guinada passara a ser uma realidade. E, com ela, novas alianças improváveis, sempre com governos marcados por posições polêmicas.
Nas semanas que se seguiram ao email entre o Brasil e o governo latino-americano, o que as delegações estrangeiras ocidentais descobriram era um novo país, distante daquele que havia liderado um movimento progressista desde o final dos anos 90 no campo dos direitos humanos.
Nas fichas de votações publicadas ao final de cada resolução, o nome do Brasil já não acompanhava a Europa ou mesmo a América Latina. Mas sim algumas das ditaduras mais cruéis do mundo. Ali, o grupo de Bolsonaro e príncipes árabes encontraram um ponto em comum: a suposta defesa da família e valores.
Assim, o Brasil apoiaria propostas da Organização de Cooperação Islâmica para excluir educação sexual de textos da ONU, criticaria o uso do termo gênero, e até passou a concordar com sauditas sobre a necessidade de se manter em resoluções uma referência explícita à defesa do papel dos pais em casos em que se combatia o casamento forçado de meninas, muitas vezes patrocinados pelos próprios pais.
À medida que abandonavam suas tradicionais posições de ampliação de direitos, delegados brasileiros começaram a ser procurados por grupos do lobby anti-gay, que passaram a se sentir confortáveis em trocar impressões com a nova administração brasileira. Eventos com a presença do Brasil ainda foram patrocinados por ongs ultraconservadoras para falar da perseguição que cristãos estariam sofrendo.
Dias depois, o Itamaraty resistiria à ideia de que a ONU promovesse um maior espaço para que grupos indígenas pudessem se expressar e tomar posição, uma proposta apoiada por escandinavos e vários governos latino-americanos.
O Brasil ainda não apoiaria uma resolução amplamente patrocinada pelo Ocidente solicitando que a ONU iniciasse investigações sobre a campanha de Rodrigo Duterte, nas Filipinas, contra a suposta criminalidade. Em três anos, foram mais de 27.000 mortos, além de propostas como a redução da idade penal para apenas nove anos de idade.
Meses antes, o governo Bolsonaro havia abandonado sua tradição e votado em resoluções que condenam as violações de direitos humanos por parte de Israel.
Em todas as votações de emendas e mesmo no caso das Filipinas, o Brasil se aliou ao lado derrotado. Nenhuma das emendas foi aprovada e Duterte será investigado. Para completar, o governo de Jair Bolsonaro passou a receber cartas de protesto da ONU, denúncias e cobranças em relação a diversas políticas públicas de sua gestão.

Eleição?

Mas é exatamente neste contexto que o Brasil se apresentará à eleição para mais um mandato de três anos no Conselho de Direitos Humanos da ONU. A votação ocorre em outubro e a verdade é que dificilmente Bolsonaro será derrotado. Afinal, são oferecidas duas vagas para a América Latina e apenas dois candidatos se apresentaram: Brasil e, ironicamente, a Venezuela. Um espelho de uma região dividida e sem direção, para nenhum dos lados.
Para ser eleito, basta o país ter 97 dos 194 países da Assembleia Geral. Mas o teste será outro. Nas urnas, o Governo Bolsonaro vai descobrir até que ponto é aceito pela comunidade internacional e, no fundo, a votação se transformará em uma espécie de termômetro da popularidade do país.
Ao longo dos últimos anos, o Brasil viu de fato essa popularidade despencar. Depois de acumular 175 voto em 2008 e 184 em 2012, o governo brasileiro viu o apoio internacional cair na gestão de Michel Temer. Visto com hesitação, o Itamaraty perdeu quase 50 votos e, na eleição de 2016, ficou com apenas 137 apoios.
Para a campanha de 2019, o programa brasileiro tem uma linha clara: a delimitação de direitos, e não sua expansão.
Em seu programa apresentado aos demais governos, o centro das propostas brasileiras é a proteção à família, entendida apenas como aquela composta entre um homem e uma mulher.
Entre suas prioridades, nenhuma referência foi feita ao combate à tortura, ao direito à verdade, a processos de reconciliação, à garantia de direitos para imigrantes ou à educação. Em toda a campanha brasileira, a menção ao combate à homofobia ou direitos de LGBTs foi simplesmente omitida.
Bolsonaro, assim, caminha para a eleição em outubro em Nova Iorque fazendo acenos não a uma expansão de direitos. Mas a governos que, abertamente, buscam ampliar o número de aliados dentro do Conselho da ONU para enfraquecer uma tendência de abrir novas fronteiras nos direitos fundamentais no mundo.
Assim, quando os sauditas, egípcios e paquistaneses derem seu voto por Bolsonaro, não estarão aplaudindo os avanços na proteção à vida no Brasil. Mas sim considerando que terão, a seu lado, mais um governo hostil a investigações internacionais, a homossexuais e às eventuais violações ao caracter sacro da soberania.
Quando Duterte der seu voto ao Brasil, não estará apostando em uma nova forma de lidar com as drogas e nem uma visão mais humana do combate ao crime. Mas por ter tido, em Bolsonaro, um aliado contra a ingerência da ONU em assuntos domésticos.
Quando poloneses e húngaros derem seu voto ao Brasil, não será por sua abertura de fronteiras. Mas por sua recusa em assinar pactos de migração, assim como fizeram os governos do leste-europeu.
Quando o Itamaraty se apresentar para a eleição na ONU, portanto, sua bandeira não será a da expansão de direitos. Mas justamente a de impedir que as fronteiras das liberdades fundamentais sejam cada vez mais amplas.
Poderia parecer uma contradição o Brasil de Bolsonaro se candidatar ao Conselho de Direitos Humanos. Mas não o é, especialmente se o objetivo for o de formar uma aliança contra qualquer ideia de direitos internacionais que se sobreponham à soberania.
Minando esses direitos por dentro, o Brasil se alia a outros governos que, de forma hipócrita, usam as tribunas internacionais para desmontar um sistema criado há 70 anos e que serve de bússola moral ao mundo.
Entre as delegações ocidentais, o dia de votação promete ser um momento amargo: os diplomatas estarão entre dar seu voto a Bolsonaro ou a Nicolas Maduro, reconhecido pela própria ONU como violador de direitos humanos.
Mas, nos corredores da entidade, não faltam ironias diante da situação constrangedora. “Tem horas que dá uma enorme vontade de votar pela Venezuela”, debocha uma diplomata europeia
brasil.elpais.com/brasil
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Bom Jardim "pegando fogo": fatos dos 148 anos de Emancipação, que delícia. Fique por dentro de tudo




Para comemorar o ápice dos 148 Anos de Emancipação Política de Bom Jardim, o prefeito João Lira e equipe promovem duas noites de shows nos dias 19 e 20 de Julho,  no Pátio de Eventos João Salvino Barbosa, centro da cidade. As atrações contratadas para o dia 19, Data Magna foram: DJ Bruno César, início 20:30. Nanara Bello, início  às 21 hora; Zezo Potiguar, início às 22:30; e Wallas Arrais com início previsto para  às 00 hora.


O município também realiza às 14 horas, o tradicional desfile de bandas marciais com a participação de 21 escolas das redes municipal,  estadual, particular,  além da banda da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro. O homenageado dos 148 Anos será o conhecido comerciante da nossa cidade José Vasconcelos de Oliveira, o popular Zé do Leite. A equipe da Secretaria de educação irá destacar os vencedores dos concursos de poesia, desenho, frase.


A programação festiva da Emancipação será iniciada com o hasteamento da Bandeira Nacional, às 8 horas, na sede da prefeitura. Participam da solenidade autoridades dos Poderes, secretários, funcionários efetivos, contratados, cargos de confiança, vereadores mais chegados, estudantes destaques do concurso cultural promovido pela secretaria de educação, grupo de idosos e público apreciador. O prefeito faz discurso, exalta as recentes conquistas municipais, obras de calçamento em Pindobinha, Feijão, Paquevira, compra de máquinas para recuperação de estradas, idas em Brasília e o panorama geral do momento. Tem corte do bolo temático bem confeitado para servir aos convidados.


O prefeito João Lira(PSD), já demonstra que não quer sair da prefeitura nos próximos quatro anos. Muito criticado por sua paralisia administrativa no início do mandato, pela  acidez no tratamento com o povo, rebaixamento de salário dos funcionários que resultaram na decepção de muita gente, inclusive em seu eleitorado. Muitos problemas acarretaram em desconfiança popular, intrigas políticas com a oposição, derrota da esposa na presidência da câmara, perda de aliados e discussões com populares  em redes sociais.  Agora o prefeito mudou o tom, tem mostrado serviço, procura recuperar o campo perdido, demostra que não vai entregar a chave da prefeitura para seus adversários de forma fácil. João Lira é concentrador, um trator, político calculista, político experiente, tem muitos argumentos, sabe das fraquezas do povo, mexe com o emocional das pessoas, promete tempo bom, emprego e felicidade mesmo diante das situações adversas. Realiza de "pingo em pingo" coisas, ações. Quando cobrado fica invocado. Fez um pacto político com Ricardo Teobaldo, só eles sabem ondem querem chegar ou ficar. Ricardo é um dos deputados da tropa do presidente Temer e Bolsonaro. O prefeito de nossa cidade vive bradando aos quanto cantos que o "homem é bom", tem ajudado o município, é um braço da sua administração. Lira, naturalmente  esquece de dizer ao povo que o deputado  Ricardo Teobaldo é daquela tropa pernambucana que em Brasília, acabaram com direitos trabalhistas e  vota sim para acabar com a  aposentadoria do povo. 


João Lira tem sorte, seus adversários no plano municipal são também apoiadores de deputados federais que apoiaram  o fim da aposentadoria do povo na famigerada Reforma da Previdência do Bolsnaro e Paulo Guedes, que serve ao interesse do grande capital especulativo, representado pelos bancos, financeiras, seguradoras. O ex-prefeito Miguel Barbosa, seu maior adversário político votou no deputado federal Eduardo da Fonte(PP), também defensor do fim de direitos trabalhistas do povo O ex-prefeito Sebastião Rufino votou, fez campanha para André de Paula(PSD), também defensor do fim da aposentadoria do povo. O atual presidenta da Câmara Municipal, vereador José Medeiros(Jotina), fez campanha e votou no deputado federal Fernando Bezerra Filho(DEM). O eleitor pode perceber que seus líderes e liderados são da tropa de Bolsonaro, quando se trata grandes temas de interesse nacional com impacto direto na vida da população. Todos apoiam essa situação catastrófica que vive o Brasil nos dias atuais. Se a maioria dos líderes da oposição votou em deputados da base de Bolsonaro, logo não poderão colocar defeito no prefeito que seu lema é "trabalho, trabalho, trabalho".

                                 André Almeida disse que vai subir no palco 'Pegando fogo! 

A oposição é fragmentada, dividida em 8 pedaços, não empolga o eleitorado, não faz um trabalho inteligente. Vivencia a lógica do espetáculo, não consegue se unir, são muitos caciques vaidosos para uma aldeia pequena, sem formação e consciência política. A oposição política  bonjardinense não consegue entender que falta construir um projeto com políticas públicas sustentáveis, modelo de gestão confiável.  Falta união, falta  trabalho inteligente, falta embasamento teórico da macro realidade das coisas, das necessidades coletivas, do imaginário conjuntural, das realidades estruturais necessárias as mudanças. A maior prova da desunião dos vereadores ocorreu na última reunião do Legislativo, momento em que se discutia a abertura de crédito suplementar a pedido do prefeito. A oposição é inconsistente na sua base intelectual, faz parte de uma democracia que é um acessório para manter a ordem vigente. Criticam o prefeito por ser autoritário, e,  quando das eleições regionais e nacionais apoiam, fazem campanha, votam em deputados autoritários, seguem a lógica corporocracia, são dominados pelos grandes que dificultam a vida do povo. Não é fácil fazer, ser oposição. 


O que mais prevalece neste momento são os festejos, o entretenimento "patrocinado"pelo prefeito, é a festa que movimenta, diverte o público, gera renda, movimenta o comércio, atrai turistas da região. 
Uma visita que já vem provocando frenesi no Facebook é protagonizada pelo comediante André Almeida que fez um vídeo convidando todos para os festejos, fez elogios rasgados ao prefeito João Lira, "o DELÍCIA, prefeito da GOTA SERENA"! 
No sábado(20), teremos shows de: DJ Dan 20:30; Alcymar Monteiro 21:30; Priscila Senna 23:30 e  Fernando e Salgado às 01 hora da manhã do domingo. Venha brincar em Bom Jardim nos festejos dos 148 anos de aniversário do município. Tá pegando fogo!


Por
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Destruição da indústria nacional:“O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história da economia”


Você se considera de esquerda? Mesmo acostumado a dar entrevistas, essa pergunta ainda faz gaguejar Ha-Joon Chang, professor de economia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que se tornou conhecido por expor os problemas do capitalismo. “Bem...eu possivelmente sou”, respondeu um pouco reticente o acadêmico, como quem confessasse um pecado. Para ele, no mundo polarizado de hoje, admitir-se de qualquer tendência ideológica pode significar uma sentença de morte para um potencial diálogo. Além disso, em diferentes países, a percepção de direita e esquerda é diferente. “Na Coreia do Sul e Japão, por exemplo, o tipo de política industrial que defendo é considerada de direita. Já na Inglaterra, onde vivo hoje em dia, é uma política de esquerda”, afirmou o autor sul-coreano do best-seller Chutando a Escada: A Estratégia do Desenvolvimento em Perspectiva Histórica (Editora Unesp), que veio ao Brasil participar do Fórum de Desenvolvimento, em Belo Horizonte. Ha-Joon Chang conversou com o El PAÍS sobre polarização política, história econômica e o futuro do sistema econômico mundial, que, para ele, não é nem capitalista, nem socialista.
Pergunta. Como a polarização política afeta o desenvolvimento econômico?
Resposta. A polarização é a pior coisa que pode acontecer para a economia. Tudo se torna simbólico. Você começa a se opor a determinada política simplesmente porque ela está associada a um partido de esquerda ou direita. Os debates estão se tornando cada vez mais difíceis. Ambos os lados, ao invés de debater, gritam uns com os outros. Eu gosto de me descrever como um pragmatista. Não importa de onde vem determinada política para o desenvolvimento econômico, contanto que ela funcione.
P. Desde o Consenso de Washington, no final da década de 1980, muitos países pobres abraçaram as recomendações internacionais para propagar o livre comércio como uma das formas de combater a miséria e se desenvolver. Como você avalia o resultado dessa medida?
R: Hoje, quando olhamos para os países ricos, em sua maioria, eles praticam o livre comércio. Por isso, é comum pensarmos que foi com esta receita que eles se desenvolveram. Mas, na realidade, eles se tornaram ricos usando o protecionismo e as empresas estatais. Foi só quando eles enriqueceram é que adotaram o livre comércio para si e também como uma imposição a outros Estados. O nome do meu livro, Chutando a escada, faz referência a um livro de um economista alemão do século XIX, Friedrich List, que foi exilado político nos Estados Unidos em 1820. Ele critica a Inglaterra por querer impor aos EUA e à Alemanha o livre comércio. Afinal, quando você olha para a história inglesa, eles usaram todo o tipo de protecionismo para se tornar uma nação rica. A Inglaterra dizendo que países não podem usar o protecionismo é como alguém que após subir no topo de uma escada, chuta a escada para que outros não possam usá-la novamente.
P: Como se deu o desenvolvimento dos países ricos na prática?
R:Estes países cresceram com base no que Alexander Hamilton [1789-1795], primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos [que estabeleceu os alicerces do capitalismo norte-americano], defendeu como o argumento da indústria nascente. Do mesmo jeito que mandamos nossas crianças para a escola ao invés do trabalho quando são pequenas, e as protegemos elas crescerem, os Governos de economias emergentes têm que proteger suas indústrias até que elas cresçam e possam competir com as indústrias de países ricos. Praticamente todos os países ricos, começando pela Inglaterra no século XVIII, Estados Unidos e Alemanha, no século XIX, Suécia no começo do século XX, além de Japão, Coreia do Sul e Taiwan...todos estes países se desenvolveram usando protecionismo, subsídios estatais, controle do investimento direto estrangeiro, e em alguns casos, até mesmo empresas estatais.
P: Como esse passado dialoga com as medidas atuais de austeridade, que se tornaram fetiche em todo mundo como promessa de crescimento?
R: A receita de austeridade usada na Grécia é a mesma tentada na América Latina, na África e em alguns países da Ásia nas décadas de 1980 e 1990, e que criou desastrosos resultados econômicos. Investir em política de austeridade é contraproducente. As pessoas que defendem esse tipo de política entendem que, quando você tem uma grande dívida pública, um jeito de reduzir essa dívida é cortar os gastos do Governo a fim de reduzir o déficit fiscal. Mas um jeito melhor de reduzir o déficit é fazer a economia crescer mais rápido. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha tinha uma dívida mais de 200% de seu PIB [Produto Interno Bruto], mas sua economia estava crescendo rápido. E depois de algumas décadas, isso deixou de ser um problema. Hoje, a Inglaterra tem tentado uma política de austeridade, mais amena que a da Grécia, é verdade, mas também sem sucesso em reduzir o déficit público proporcionalmente a renda nacional. Isso porque o PIB está crescendo muito lentamente. Se você corta os gastos, seu endividamento pode ficar um pouco menor, mas a renda precisa crescer.
P: O país corre o risco de ficar estagnado?
R: Exatamente. O que é incrível é que essa política vem sendo usada várias vezes, como no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, e nunca funcionou. Albert Einsteinfalava que a definição de loucura é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados diferentes. O problema é que muitos economistas que defendem essas medidas, quando sua teoria não funciona, culpam a realidade. Como se a teoria nunca estivesse errada.
P: Você é bastante crítico da desindustrialização dos países emergentes. Por que é tão ruim ser dependente das commodities?
R: As pessoas têm que entender como é séria a redução da indústria de transformação no Brasil. Nos anos 80 e 90, no ponto mais alto da industrialização, esse setor representou 35% da produção nacional. Hoje não é nem 12% e está caindo. O Brasil está experimentando uma das maiores desindustrializações da história, em um período muito curto. O país tem que se preocupar. E eu não estou dizendo nada novo. Muitos economistas latino-americanos já levantavam o problema da dependência de commodities primárias na década de 1950 e 1960. Quando você é dependente de commodities primárias há uma tendência de que o preço dos produtos caia no longo prazo em comparação com os produtos manufaturados. Além disso, os países dependentes de commodities não conseguem controlar seu destino.
P: Por exemplo?
R: Quando alguém inventa uma alternativa para o seu produto, isso pode devastar o valor de sua economia. A indústria brasileira de borracha foi um grande hit até que os americanos e russos inventaram a borracha sintética nos anos 1930 e 1940. Quando os alemães inventaram a chamada síntese de Haber-Bosch para a produção de amônia, a ser usado na fabricação de fertilizantes, Chile e Peru, que costumavam ganhar muito dinheiro exportando o fertilizante natural guano, que foi o mais valioso fertilizante nos século XIX, tiveram anos de estagnação econômica. Isso sem contar o potencial lento de crescimento das commodities e relação a outras indústrias, como a de tecnologia.
P: Mas o caso do Brasil não seria diferente, já que o país investe em tecnologia na área agrícola, e não só extração de commodity?
R: Para ser justo, eu sei que o Brasil tem tido algum sucesso na área agrícola, como produzir soja no Cerrado, que é uma região muito árida, onde tradicionalmente esta espécie não cresceria. É realmente impressionante. Mas quando você se especializa em soja você não pode aumentar sua produtividade da mesma forma que um país especializado em alta tecnologia, que pode aumentar sua produtividade em 20%, 30% ao ano. Sinceramente, o Brasil é um dos países que parece estar voltando no tempo no seu desenvolvimento econômico.
P: Como você avalia o papel do Estado neste cenário?
R: Ao contrário de outros países em desenvolvido, o Brasil tem a habilidade de fazer as coisas acontecerem por meio da intervenção governamental. A Embraer, por exemplo, é uma empresa de economia mista. A agricultura no Cerrado é subsidiada com recursos do governo. Em vários setores, o país já mostrou que quando quer fazer uma coisa, ele consegue. Infelizmente, os responsáveis por fazerem as políticas públicas parecem que perderam o rumo. Eles basicamente desistiram do modelo de desenvolvimento econômico por meio de um upgradena economia, com investimento em indústrias de alta tecnologia.
P: Onde você acha que a política pública falhou?
R: Eu conheci vários empresários irritados em São Paulo pois as pessoas no Governo não parecem estar preocupadas com o declínio da indústria manufatureira no país. Sei que muitos economistas defendem que não importa se você está exportando soja ou aviões, desde que esteja fazendo dinheiro. E, no curto prazo, isso pode até ser verdade. Mas no longo prazo, é muito ruim para a economia. Além disso, as políticas macroeconômicas têm sido muito ruins para o setor industrial, especialmente a alta taxa de juros, uma das maiores do mundo.
P: No Governo Dilma, vários setores receberam subsídio e mesmo assim, os empresários não pareciam estar satisfeitos. O que faltou?
R: O Governo de Dilma canalizou vários subsídios em alguns setores em particular. Mas isso só foi necessário por conta da política de alta taxa de juros, uma vez que as companhias brasileiras não conseguem competir no mercado global de outra forma. Não sei todos os detalhes. Mas sei que houve erros, corrupção. As metas governamentais também foram determinadas de forma equivocada...sempre privilegiando a estabilidade macroeconômica. Já o declínio da indústria não foi considerado um problema. Focou em ações como Bolsa Família, mas sem prestar atenção em dar um upgrade na economia.
P: A Coreia do Sul pode ser considerada um exemplo de economia que conseguiu dar esse upgrade?
R: Depende de qual Coreia do Sul que estamos falando. A Coreia do Sul depois da crise asiática de 1997 abraçou o neoliberalismo, não tanto como os países da América Latina, mas desregulamentou o mercado financeiro e alavancou políticas industriais. O resultado é que uma economia que costumava crescer 6%, 7%, 8% até 1990, agora está sofrendo para crescer 3%. Isso porque as mudanças que criaram líderes globais na área industrial, automotiva e eletrônica, também produziram baixo crescimento, falta de trabalho e não impediram que estas indústrias migrassem para outros países. E mesmo assim, não tivemos o colapso industrial que se vê no Brasil.
P: Qual foi o papel da educação no crescimento da Coreia do Sul?
R: No começo, a educação teve um papel muito importante. Até os anos 80, era possível alguém de uma família pobre se tornar juiz, governador ou cirurgião. Infelizmente, a partir dos anos 90, tivemos um sobreinvestimento em educação, com o crescimento dos negócios privados. Tínhamos o maior investimento em educação do mundo. Mas hoje, considerando o valor que estamos investindo, e o tempo que os estudantes estão gastando para conseguir suas qualificações...o sistema se tornou bem ineficiente. A mobilidade social caiu muito nos últimos anos, porque as políticas educacionais deixaram de ser coordenadas com políticas industriais.
P: Você comenta que estamos entrando no fim da abordagem neoliberal ao desenvolvimento. O Brexit seria um exemplo desse começo do fim?
R: Poderia ser. Mas temos que considerar que há três tipos de pessoas que  votaram pelo Brexit. Um deles são os liberais que votaram para se livrar das regulamentações impostas pela União Europeia. Há ainda o grupo anti-estrangeiros e anti-imigração. E um terceiro grupo, os trabalhadores no Norte da Inglaterra, que já foi o centro produtor do país, e que experimentou uma desindustrialização massiva. Estas pessoas perderam seus trabalhos, e agora culpam trabalhadores da PolôniaRomênia e Hungria pela sua sorte. Podemos dizer que é o começo do fim no sentido em que isso aconteceu com a insatisfação que muitas pessoas têm com a globalização e o livre comércio.
P: Há algum lugar onde estaria sendo gestada uma solução para o modelo de desenvolvimento econômico dos países?
R: Cingapura é hoje o exemplo mais bem sucedido de um país com desenvolvimento pragmático e não ideológico. Quando lemos sobre Cingapura nos jornais The Wall Street Journal e na revista The Economist sempre ouvimos falar da política de livre comércio e o acolhimento positivo que o país tem com o investidor estrangeiro. O que é verdade. Mas não se fala que 90% das terras do país são de propriedade do Governo; 85% das casas são de propriedade do governo; e 22% do PIB é produzido por empresas públicas. Eles têm um modelo pragmático de economia, que mistura elementos do capitalismo de livre mercado e do socialismo. Eles não são capitalistas, nem socialistas. São pragmatistas. Uma de minhas frases favoritas é de Deng Xiaoping, o ex-líder Chinês: “Eu não ligo se o gato é preto ou branco, contanto que seja bom em pegar ratos”. Isso é o pragmatismo
De:brasil.elpais.com/brasil
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Pobres fora das universidades:Projeto do MEC é um futuro que nos levará ao passado colonial



Não há fórmula capaz de ocultar o que está escancarado ao Brasil, muito menos pela pífia atuação de Abraham Weintraub e de seus ajudantes no MEC. O programa de “modernização” da rede federal de ensino anunciado nesta quarta-feira aumenta as desigualdades sociais, entrega a universidade aos interesses de mercado e acaba com a democracia universitária.
O cenário futurista – painel digital, tecnologia e sonorização comuns aos eventos de negócios empregada no anúncio em Brasília – só reafirmou o objetivo do que eles chamam de Future-se. Um programa que se for implementado nos levará de volta ao passado colonial em que elite brasileira foi estudar no exterior enquanto as classes populares só tinham acesso a instituições precarizadas, sem estrutura, sem financiamento e sem condições de oferecer oportunidades de transformação social. Bem diferente do projeto que mudou o perfil educacional do país e abriu as portas para milhões de brasileiros
Um balcão de negócios, é nisso que esse novo programa pretende transformar universidades e institutos federais. Nele, a inteligência brasileira será utilizada como moeda de comercialização e financeirização do patrimônio público nacional.
Qual a diferença do projeto implementado nos governos Lula e Dilma? As matrículas na educação superior (pública e privada) aumentaram de 3 milhões em 2002 para aproximadamente 8 milhões em 2015. Por meio de Prouni, 2,5 milhões de estudantes foram beneficiados com bolsas de estudo integrais e parciais entre os anos de 2005 e 2015. A reformulação do Fies permitiu que mais de 2 milhões de estudantes fossem beneficiados com financiamento estudantil entre os anos de 2010 e 2015.
Nas universidades federais, o número de matriculas aumentou de 512 mil em 2002 para mais de 1 milhão em 2015. Foram construídas 18 novas universidades e 173 novos campus universitários.
Também foram criados 38 institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia, sendo construídos mais de 500 campus, de 140 escolas técnicas em 2002, passamos para 640 unidades em 2016. O número de municípios abrangidos cresceu quase 5 vezes, passando de 119 em 2002 para mais de 500 em 2015.
Não bastasse o evidente golpe no acesso à universidade, o programa anunciado pelo MEC de Bolsonaro quer acabar com o processo de democratização e da gestão universitária porque segue um modelo internacional fracassado. Foi pensado para universidades pequenas, bem diferente das comunidades e estruturas universitárias brasileiras. O modelo proposto pelo atual ministro visa acabar com a autonomia das instituições públicas de ensino e sua capacidade de universalização do conhecimento e transformação social. Pois financeirização e a democratização da educação não são faces de uma mesma moeda.
A captação própria de recursos, pela proposta, seria a principal fonte de financiamento das instituições de ensino, ou seja, a “engenharia financeira” como foi chamada pelo MEC, é perversa por varias razões. Primeiro porque privatiza o patrimônio das universidades e retira o financiamento público da pesquisa e da produção do conhecimento e depois estabelece uma disputa absurda entre as instituições, e obviamente aquelas de maior prestígio estarão sempre em vantagem flagrante em relação às outras nascentes. Com a privatização do financiamento, ademais, nenhuma empresa do setor privado vai investir em pesquisas que universalizem o conhecimento, pois para elas conhecimento é meio de produzir lucros e poder.
A defesa do financiamento público das universidades garantiu a realização de pesquisas interessadas por exemplo na produção de medicamentos mais baratos distribuídos pelo SUS, no desenvolvimento de tecnologia para a construção civil utilizada no Minha Casa Minha Vida, e na geração sustentável de energia limpa.
Ao alijar as universidades à lógica financeira de mercado e dos interesses dos setores produtivos, a nova política do MEC vai investir mais em quem produzir mais, vai estimular a concorrência e tornar os professores “microempresários de sucesso” obstinados pela produção de patentes para melhoria dos salários, já que planos de carreira não serão mais possíveis com a EC 95/2016 e com a Reforma da Previdência. As universidades serão fábricas e não terão como prioridade as políticas de ensino, a graduação, o desenvolvimento artístico e cultural e nem mesmo a formação humana
A diversificação dos modelos de desenvolvimento regional e das matrizes econômicas é um dos compromissos das universidades e institutos federais, pois o conjunto de cursos de distintas áreas, o ensino na graduação, na pós-graduação, as ações de extensão e os projetos de pesquisa permitem a criação de dinâmicas que impulsionam as regiões onde são instalados os campus tanto de universidades quanto de institutos federais. Se uma região ficar restrita apenas as características locais ela perde todo o seu potencial de mudança e desenvolvimento
Atacar as instituições de ensino é atacar a soberania nacional, portanto o Future-se cumpre com o projeto atualmente em curso no Brasil iniciado com aquela “ponte para o futuro” que nos condenou ao atraso com o congelamento por vinte anos dos gastos públicos, com uma recessão econômica, com o aumentou do desemprego, com a destruição da economia e do patrimônio público brasileiro.
Se o modelo apresentado para as universidades e institutos federais for implementado, será o fim das políticas que consagraram as possibilidades para fazer da “filha da trabalhadora doméstica uma doutora”, e a volta ao passado de um Brasil culturalmente dependente.
Com informação de Carta Capital.



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Professor Edgar Bom Jardim - PE