domingo, 31 de março de 2013

O feirão da Petrobras

Documentos da estatal revelam os bastidores da venda de patrimônio no exterior – como a sociedade secreta na Argentina com um amigo da presidente Cristina Kirchner

DIEGO ESCOSTEGUY, COM MURILO RAMOS, LEANDRO LOYOLA, MARCELO ROCHA E FLÁVIA TAVARES
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Na quarta-feira, dia 27 de março, o executivo Carlos Fabián, do grupo argentino Indalo, esteve no 22o andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, para fechar o negócio de sua vida. É lá que funciona a Gerência de Novos Negócios da Petrobras, a unidade que promove o maior feirão da história da estatal – e talvez do país. Sem dinheiro em caixa, a Petrobras resolveu vender grande parte de seu patrimônio no exterior, que inclui de tudo: refinarias, poços de petróleo, equipamentos, participações em empresas, postos de combustível. Com o feirão, chamado no jargão da empresa de “plano de desinvestimentos”, a Petrobras espera arrecadar cerca de US$ 10 bilhões. De tão estratégica, a Gerência de Novos Negócios reporta-se diretamente à presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. Ela acompanha detidamente cada oferta do feirão. Nenhuma causou tanta polêmica dentro da Petrobras quanto a que o executivo Fabián viria a fechar em sua visita sigilosa ao Rio: a venda de metade do que a estatal tem na PetrobrasArgentina, a Pesa. ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, ao acordo confidencial fechado entre as duas partes, há um mês. Nele, prevê-se que a Indalo pagará US$ 900 milhões por 50% das ações que a Petrobras detém na Pesa. Apesar do nome, a Petrobras não é a única dona da Pesa: 33% das ações dela são públicas, negociadas nas Bolsas de Buenos Aires e de Nova York. A Indalo se tornará dona de 33% da Pesa, será sócia da Petrobras no negócio e, segundo o acordo, ainda comprará, por US$ 238 milhões, todas as refinarias, distribuidoras e unidades de petroquímica operadas pela estatal brasileira – em resumo, tudo o que a Petrobras tem de mais valioso na Argentina.
EMPRESÁRIO “K” Cristóbal López (sorrindo, à esq.), num cassino com os Kirchners (Cristina de vermelho, Néstor de gravata lilás). Amizade com o poder (Foto: Juan Cruz Sanz )
O negócio provocou rebuliço dentro da Petrobras por três motivos: o valor e o momento da venda, a identidade do novo sócio e, sobretudo, o tortuoso modo como ele entrou na jogada. Não se trata de uma preocupação irrelevante – a Petrobras investiu muito na Argentina nos últimos dez anos. Metade do petróleo produzido pela Petrobras no exterior vem de lá. Em 2002, a estatal brasileira gastou US$ 1,1 bilhão e assumiu uma dívida estimada em US$ 2 bilhões, para comprar 58% da Perez Companc, então a maior empresa privada de petróleo da Argentina, que já tinha ações negociadas na Bolsa. Após sucessivos investimentos, a Perez Companc passou a se chamar Pesa, e a Petrobras tornou-se dona de 67% da empresa. Nos anos seguintes, a Petrobras continuou investindo maciçamente na Pesa: ao menos US$ 2,1 bilhões até 2009. Valeu a pena. A Pesa atua na exploração, no refino, na distribuição de petróleo e gás e também na área petroquímica. Tem refinarias, gasodutos, centenas de postos de combustível. Em maio de 2011, a Argentina anunciou ter descoberto a terceira maior reserva mundial de xisto – fonte de energia em forma de óleo e gás –, estimada em 23 bilhões de barris, equivalentes à metade do petróleo do pré-sal brasileiro. A Pesa tem 17% das áreas na Argentina onde se identificou esse produto. No ano passado, por fim, a Pesa adquiriu uma petroleira argentina, a Entre Lomos, que proporcionou um aumento em sua produção.

Apesar dos investimentos da Petrobras, quando a economia da Argentina entrou em declínio, há cerca de dois anos, as ações da Pesa desvalorizaram. As desastrosas políticas intervencionistas da presidente Cristina Kirchner contribuíram para a perda de valor da Pesa. De 2011 para cá, as ações da empresa caíram mais de 60%. É por isso que técnicos da Petrobras envolvidos na operação questionam se agora é o melhor momento para fazer negócio – por mais que a Petrobras precise de dinheiro. Seria mais inteligente, dizem os técnicos, esperar que a Pesa recupere valor no mercado. Reservadamente, por medo de sofrer represálias, eles também afirmam que os bens da Petrobras na Argentina – as distribuidoras, refinarias e unidades de petroquímica que constituem a parte física do negócio – valem, ao menos, US$ 400 milhões. Um valor bem maior, portanto, que os US$ 238 milhões acordados com a Indalo. “Se o governo não intervier tanto, a Pesa pode valer muito mais”, diz um dos técnicos. A Petrobras, até dezembro do ano passado, tinha um discurso semelhante. Na última carta aos acionistas, a Pesa diz: “Estamos otimistas em relação ao futuro da Petrobras Argentina. E agora renovamos o compromisso de consolidar uma companhia lucrativa, competitiva e sustentável, comprometida com os interesses do país (Argentina)...”. Em outro trecho da carta, informa-se que os resultados do ano passado foram “encorajadores” e permitiram, como nos cinco anos anteriores, a distribuição de dividendos milionários aos acionistas.
a mensagem 775 petrobraS (Foto: reprodução Revista Época)
Mesmo que os valores do negócio pudessem ser considerados vantajosos para a Petrobras, nada provocou tanto desconforto dentro da estatal como o sócio escolhido. O executivo Fabián trabalha para o bilionário argentino Cristóbal López, dono do grupo Indalo. Ele é conhecido como “czar do jogo”, em virtude de seu vasto domínio no mundo dos cassinos (na Argentina, o jogo é legal). López é amigo e apoiador da presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

Como o “czar do jogo” da Argentina virou sócio da Petrobras? No dia 5 de novembro do ano passado, López enviou uma carta, em espanhol, à presidente da Petrobras, Graça Foster. Na carta, a que ÉPOCA teve acesso, López revela ser um homem bem informado. Não se sabe como, mas ele descobrira que a Petrobras estava negociando a venda da Pesa com três de seus concorrentes. O assunto da carta, embora em economês, deixava claras as intenções do empresário López: “Ref. Pesa Proposta de aquisição e integração de ativos”. López, portanto, queria comprar um pedaço da Pesa. Na carta, ele manifestou a “firme intenção de chegar a um entendimento entre Pesa e Oíl Combustibles S.A.”, a empresa de petróleo de López, para que a operação viesse a ser fechada. No documento, López propôs comprar 25% das ações que a Petrobras detinha na Pesa. Queria também a opção de, se a parceria desse certo, comprar mais 23,52% das ações – uma proposta mais modesta do que o acordo que ele conseguiu depois.

A resposta da Petrobras também veio por escrito, semanas depois. No dia 21 de novembro, Ubiratan Clair, executivo de confiança de Graça Foster, que toca o feirão da Petrobras e negociava a venda da Pesa aos concorrentes do “czar do jogo”, escreveu a López: “Nos sentimos honrados pelo interesse manifestado na compra de 25% (da Pesa). No entanto, devemos indicar que as ações da Pesa não fazem parte de nossa carteira de desinvestimentos, razão pela qual não podemos iniciar qualquer negociação relativa às mesmas”. Diante do que aconteceu em seguida, a carta do assessor de Graça Foster causa espanto. Não só ele escondeu que a Pesa estava, sim, à venda – como, semanas depois, fechou acordo com o próprio López. No dia 18 de dezembro, menos de um mês após a inequívoca negativa, o mesmo assessor de Graça Foster firmou um “convênio de confidencialidade” com López para lhe vender a Pesa.

O que houve nesse espaço de um mês? Por que a Petrobras mudou de ideia e resolveu fechar negócio com López? A estatal não explica. Assessores envolvidos na operação dizem apenas que “veio a ordem” de fechar com o amigo de Cristina Kirchner. Procurada por ÉPOCA em três oportunidades, a assessoria da Petrobras limitou-se a responder que “não vai emitir comentários sobre assuntos relacionados com o seu Programa de Desinvestimento”. Graça Foster e o executivo Ubiratan não responderam às ligações. A assessoria de López confirmou apenas que o grupo Indalo fez uma proposta pela Pesa.

López é o que a imprensa argentina chama de “empresário K”, como são conhecidos os empresários que têm proximidade com o governo Kirchner. Ele tem empresas de transporte, construção civil, petróleo, alimentação, concessionárias e meios de comunicação. É famoso por suas redes de cassino e caça-níquel. É sócio em pelo menos 14 cassinos, incluindo o Hipódromo de Palermo, para o qual ganhou de Néstor Kirchner, nos últimos dias como presidente da Argentina, uma extensão da concessão para os caça-níqueis – o prazo foi estendido de 2017 a 2032.
ERRO Refinaria de Pasadena. Os técnicos da Petrobras aconselharam a fazer acordo. Foram ignorados (Foto: Dave Fehling/Stateimpact Texas)
A relação entre López e Néstor Kirchner, o marido de Cristina, que governou o país antes dela e morreu em 2010, começou em 1998. Néstor, quando governador de Santa Cruz, ajudou uma empresa de López a fechar negócios com petroleiras. Desde então, López nunca escondeu de ninguém: sentia que tinha uma “dívida eterna” com Néstor. Para pagar a “dívida eterna”, convidava Néstor, que sempre gostou de uma mesa de jogo, a se divertir num dos cassinos dele em Comodoro Rivadavia. A amizade era recíproca. Em 2006, López recebeu de Néstor concessão para explorar sete reservas de petróleo em Santa Cruz. Cristina, a sucessora, também o ajudou. Fez-lhe um favorzinho depois que ele gastou US$ 40 milhões na compra da concessão do canal de TV C5N, a fim de torná-lo governista. Para que fechasse o negócio, Cristina abriu exceções na lei de audiovisual, que proíbe negociar concessões.

Depois que a Petrobras fechou o acordo de confidencialidade com López, o negócio andou rápido. Ele apresentou uma proposta em 7 de janeiro, aumentou o valor numa segunda proposta, um mês depois – e fechou a compra das ações por US$ 900 milhões em 22 de fevereiro. Com o acordo, López e a Petrobras discutem agora os detalhes do contrato a ser assinado. Se tudo correr como previsto, resta apenas a aprovação do Conselho de Administração da Petrobras, que se reunirá no final de abril. A Pesa, porém, enfrentará resistências na Argentina se assinar o contrato. O atual governador de Santa Cruz, Daniel Peralta, um desafeto de López, ameaçou tirar dele as concessões das sete reservas de petróleo que López tem na região. Peralta diz que ele não fez os investimentos previstos. Diz, ainda, que a situação em Santa Cruz pode “inviabilizar” o negócio com a Petrobras – mas não diz como.

O maior problema do negócio da Petrobras com o “czar do jogo”, e com todas as operações do feirão, é a falta de transparência. Como demonstra o caso da Argentina, não há critérios claros para a escolha das empresas que farão negócio com a Petrobras. Esse modelo sigiloso e sem controle resultou em calamidades, como a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Em 2004, a Astra Trading pagou US$ 42 milhões pela refinaria. Meses depois, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por metade do negócio. Tempos depois, um desentendimento entre as sócias levou a questão à Justiça. A Petrobras perdeu e foi condenada a comprar não só a parte da sócia, como a pagar multa, juros e indenização. Em junho, a Petrobras anunciou que pagaria mais US$ 820 milhões.

ÉPOCA teve acesso a um documento interno da Petrobras, elaborado em 2009. Um trecho afirma que a então diretoria, comandada pelo petista José Sergio Gabrielli, decidiu manter o processo devido à “prepotência” com que a Astra se colocava no caso. Logo depois, o documento lista razões para fazer um acordo. Uma delas é que um representante da Astra procurara a Petrobras em busca de entendimento. A razão mais forte era clara: “Caso no litígio a Petrobras perca, o custo total irá para cima de US$ 1 bilhão (...). Vale lembrar que a Petrobras já perdeu na arbitragem, e a possibilidade de perder na corte é preocupante”. A opção do acordo era a menos pior. A Petrobras gastaria, no máximo, US$ 639 milhões. O documento afirma que a (então) “ministra (de Minas e Energia) Dilma Rousseff deverá ser procurada para ser informada de que a Astra está procurando entendimentos, inicialmente por canais informais”. O texto diz que Dilma Rousseff deveria comunicar isso na reunião do Conselho da Petrobras, marcada para 17 de julho de 2009. O Conselho daria então um prazo para um acordo com a Astra. O pior cenário sobreveio. A Petrobras não fez nenhum acordo com a Astra, perdeu na Justiça e gastou mais de US$ 1 bilhão (boa parte dele dinheiro público) – 24 vezes o que a Astra pagou pela refinaria. O Tribunal de Contas da União investiga como a Petrobras pôde fazer um negócio tão ruim – pelo menos para seu caixa e para os cofres públicos.
TESOURO AFRICANO Plataforma de petróleo na Nigéria. A Petrobras investiu US$ 4 bilhões na África, entre 2003 e 2010, e pretende se desfazer de várias operações no continente (Foto: Dave Fehling/Stateimpact Texas)
A ausência de critério, segundo executivos da Petrobras, aparece também na parte mais valiosa do feirão: as operações da estatal na África. Cálculos do mercado e da Petrobras estimam o patrimônio no continente num patamar entre US$ 5 bilhões e US$ 8 bilhões. A Petrobras produz e explora petróleo em Angola, Benin, Gabão, Líbia, Namíbia, Nigéria e Tanzânia. De 2003 a 2010, investiu cerca de US$ 4 bilhões na África. ÉPOCA teve acesso a documentos internos da Petrobras que apresentam um diagnóstico sobre os negócios na África que devem ser vendidos, incluindo mapas com a localização dos poços e informações sobre seu potencial produtivo. O material mostra muitas possibilidades de lucro. A maior fatia de investimento está na Nigéria, responsável por 23% da produção atual de toda a área internacional da companhia – uma média equivalente a 55 mil barris de óleo por dia. São três poços na Nigéria: Agbami, Akpo e Engina. Os documentos da Petrobras mostram que os três poços têm “reservas provadas” de 150 milhões de barris de petróleo.

Para quem a Petrobras planeja vender tamanho tesouro? A estatal, de novo, não explica os critérios. Até agora, a única negociação avançada é com o grupo BTG, do banqueiro André Esteves. Por meio do investidor Hamylton Padilha, uma das mais poderosas influências na Petrobras, Esteves, segundo executivos da estatal envolvidos com a transação, negocia a compra de parte das operações na Nigéria. Questionado por ÉPOCA, Padilha afirmou ter se reunido com representantes do banco para avaliar investimentos na Petrobras. “Conversei com o pessoal (BTG) sobre esse assunto (venda de ativos da Petrobras). A Petrobras convidou diversas empresas estrangeiras para poder fazer ofertas no Golfo do México, África e até na América Latina. Sei que na área de petróleo eles (BTG) estão olhando. Têm participação em duas empresas ligadas ao setor: Bravante e Sete Brasil”, disse. “Não trabalho para o BTG. Sou investidor. Investi algum dinheiro na Sete Brasil (ligada à construção de plataformas de petróleo).” Indagado sobre quem é a pessoa mais indicada para falar, pelo BTG, sobre investimentos na Petrobras, sobretudo na África, Padilha disse: “A pessoa que trata desse assunto diretamente é o André Esteves”. O BTG disse que não se manifestaria.

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sábado, 30 de março de 2013

Enforcamento de Judas - Paixão de Cristo de Bom Jardim. Assista ao Vídeo em Leia Mais


Por: Edgar Severino dos Santos
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Vice - Prefeito de Casinhas - PE, foi assassinado

O site Casinhas Agreste, noticiou que neste final da manhã  de sábado (30), que o Vice- Prefeito do município, Vital Pedro, conhecido por Índio, foi assassinado.


 Veja as informações posta no site:
Acabamos de ficar informados que o vice prefeito Vital Pedro (Indio) (PTB) de Casinhas foi assassinado,juntamente com outro rapaz,Marco, conhecido por (Baca),segunda informações os dois foram assassinados no sítio Catolé de Casinhas por homens desconhecidos, chegaram armados e efetuaram os disparos,o outro corpo ficou estendido do lado de fora da barraca.
Aguardem mais informações.
www.casinasagreste.com.br

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Bacanal de Herodes em Bom Jardim - Paixão de Cristo - Assista ao Vídeo


Pernambuco de Todas Paixões -  Por  Edgar Santos

Um memorial para as ligas camponesas

                                                                                 Foto: Avozdavitoria

Comitê Estadual da Verdade quer ver apurados os crimes no campo

A partir das 7h desta segunda-feira (1º), o Engenho Galileia, em Vitória de Santo Antão, o mais antigo e mais conhecido símbolo da luta pela reforma agrária no Brasil, receberá a visita de representantes de entidades da sociedade civil organizada. Liderada pelo Comitê Estadual da Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco, a visita marca a 1ª Jornada pelo Direito a Memória, Verdade e Justiça no Campo. Lá, será lançada a pedra fundamental do “Memorial das Ligas Camponesas do Brasil Francisco Julião”, líder do movimento, que surgiu naqueles 503 hectares de terra localizados na Zona da Mata.
Membro da executiva do Comitê, Anacleto Julião, filho do líder das Ligas, explica que a iniciativa tem por objetivo chamar atenção para a história e o papel dos camponeses na luta pela reforma agrária. “É o resgate da história de luta dos camponeses, principalmente das Ligas”, destaca. Ele ressalta que é preciso apurar os crimes de morte e de tortura cometidos contra o povo do campo e faz um apelo à Comissão Estadual da Verdade e Memória Dom Helder Câmara. “Ainda não se ouviu o homem do campo. Aquele que foi assassinado não só pelo regime militar, mas por capangas que aproveitaram o golpe e fizeram muitas vítimas”, denunciou. A Comissão Estadual da Verdade, convidada a participar do evento, possui uma relatoria para apurar os casos relativos ao campo.
Além dos membros do Comitê, estarão representados os movimentos sociais ligados à luta pela terra, como a Fetape, MST e CPT. Segundo Anacleto, o governo do Estado também foi convidado e sinalizou que mandaria um representante. O Comitê da Verdade se diferencia da Comissão da Verdade porque defendem que os crimes de tortura cometidos durante a ditadura sejam julgados.
HISTÓRIA - Foram os moradores do Engenho Galileia que, em 1º de janeiro de 1955, fundaram a Liga, com o nome de Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco (SAPPP). Ameaçados de despejo, os camponeses encontraram em Francisco Julião um defensor, que viraria a se tornar o líder do movimento e o responsável pela oficialização da entidade. O engenho foi desapropriado em 1959, durante o governo Cid Sampaio.

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sexta-feira, 29 de março de 2013

A primeira refeição pela boca aos 11 anos de idade


Moradora de São Carlos, garota de 11 anos experimentou gelatina e suco.
Problema no aparelho digestivo obriga garota a utilizar bombas infusoras.

Fabio RodriguesCom Informações do G1 São Carlos e Araraquara

Caliane tomou suco de uva, água e experimentou gelatina  (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)Caliane tomou suco de uva, água e experimentou gelatina (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)
Após 11 anos se alimentando por sonda, Caliane Boni Roque da Silva, de São Carlos (SP),comeu pela boca pela primeira vez na vida. A menina experimentou gelatina de framboesa, tomou água e suco de uva na terça-feira (26) depois de realizar uma endoscopia. “Ela já tinha paladar, mas pela ansiedade do que está acontecendo disse que a experiência foi bem diferente. Quando tomou o suco, falou que era gelado e que sentiu um arrepio. Agora é tudo uma questão de adaptação”, contou a mãe, Gislaine Clara Boni.

Caliane está internada no Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, onde passa por tratamento para reverter um problema no aparelho digestivo que até então a impedia de se alimentar pela boca. A menina, que passou por 11 cirurgias durante a vida, ficou cinco meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na última semana de fevereiro deste ano, ela foi transferida para o setor de pediatria após se recuperar de um procedimento para reconstrução do intestino, feito no dia 30 de janeiro.
Caliane ganhou ovo de Páscoa das enfermeiras no hospital (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)Caliane ganhou ovo de Páscoa das enfermeiras no
hospital (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)
Desde o nascimento, a garota recebe alimento líquido, injetado por duas bombas infusoras. O nutriente especial tem custo mensal de R$ 5 mil, que é coberto pelo plano de saúde da família. A mãe de Caliane diz que a filha foi vítima de um erro médico quando tinha três dias de vida. Diagnosticada com hérnia de hiato, a bebê passou por um procedimento cirúrgico que deu errado. Desde então, ela convive com as sequelas.
Na última terça-feira (26), Caliane passou por uma endoscopia para dilatar o esôfago. O resultado do exame surpreendeu a equipe médica e a família. “Os médicos, os enfermeiros, todo mundo vibrou com os avanços. Fiquei até meio passada, não conseguia comemorar, achava que era um sonho. Eu e a Cali não acreditávamos”, relatou a mãe.

Melhoras
Depois de realizar o procedimento, Caliane tomou um remédio protetor gástrico pela boca e no mesmo dia bebeu suco e comeu gelatina. Feliz, ela brincou com a fisioterapeuta, com os tios da mãe que vieram dos Estados Unidos para visitá-la no hospital e até usou uma tiara de coelho para comemorar a Páscoa com as enfermeiras.
Caliane também experimentou suco de laranja durante a semana (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)Caliane também experimentou suco de laranja esta
semana (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)
“Às vezes ela fica muito quieta. Eu pergunto: Cali, você está acreditando no que está acontecendo? Ela responde: não mãe, eu não consigo. O que ela fala muito é dos sonhos de ter uma vida normal, poder passear com as amigas, ir à escola e ninguém ficar olhando para ela. Poder vestir um biquíni, além de não usar mais as bombas infusoras”, disse Gislaine.

A menina deve realizar outra endoscopia neste sábado (30). Apesar dos avanços, os médicos ainda não sabem definir quantas vezes mais ela precisará repetir o procedimento. Segundo a mãe, a expectativa é que a filha receba alta e possa voltar para casa no próximo mês.

“Não consigo explicar, mas ver ela bem é uma sensação de sonho realizado. Mesmo tendo passado momentos de sofrimento, como ficar longe da minha casa, do meu filho, parar a minha vida, me afastar do trabalho, valeu muito a pena. Ver ela comendo pela primeira vez é algo difícil de descrever. Foi uma sensação única, algo novo para mim, que esperei por 11 anos, busquei e consegui”, explicou Gislaine.
Caliane com os tios da mãe dela que moram nos Estados Unidos (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)Caliane brinca com os tios da mãe dela que moram nos EUA (Foto: Gislaine Clara Boni/Arquivo pessoal)
Campanha
A história da menina de São Carlos ficou conhecida depois que os pais dela decidiram ir às ruas e iniciar uma campanha para arrecadar recursos para a operação, com custo estimado em R$ 120 mil. A princípio, o plano de saúde se recusou a pagar o valor.

Desesperada com a situação, a família utilizou as redes sociais para conseguir ajuda. O apelo atingiu um grande número de pessoas que se sensibilizaram com o caso. Em um mês, foram arrecadados cerca de R$ 50 mil.
Por fim, um dia antes da internação da garota, uma liminar concedida pela 2ª Vara Cível de São Carlos obrigou a Fundação Cesp a arcar com o custo de uma cirurgia.
A mãe de Caliane afirma que o dinheiro arrecadado continua na conta da menina e, caso não precise ser usado, na hipótese de a decisão judicial ser definitiva, doará tudo para outra criança que precise de ajuda e que não tenha condições. “Faremos isso em comum acordo com os empresários que nos ajudaram e de uma forma transparente para toda a população”, garantiu Gislaine.
Gislaine pede ajuda no trânsito para conseguir operar a filha (Foto: Fabio Rodrigues/G1)Gislaine foi às ruas pedir ajuda no trânsito para operar a filha de 11 anos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)
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Veja fotos da Paixão de Cristo de Bom Jardim - PE


Série: Enforcamento de Judas
Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
                                                                  Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
                                                                   Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
                                                                      Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
                                                                    Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
                                                                    Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
                                                                   Fotos Por: Edgar Severino dos Santos
                                                                     

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Mais um acidente no centro de Bom Jardim

Hoje mais um jovem caiu de uma moto com ferimentos leves. O local do acidente é o trecho da  ponte que liga a Rua Manoel Augusto com a Praça 19 de Julho (cabeceira da ponte). É o décimo primeiro acidente envolvendo jovens que conduzem carros, motos e bicicleta. Esse local merece uma atenção especial das autoridades da cidade e também de toda população. Nos dias de terça-feira e sexta-feira o espeço da rua fica ainda menor com a montagem das bancas dos feirantes que tomam quase toda a via pública. Domingo, dia 24, outro jovem caiu da parte de traz de um veículo branco, tipo saveiro. Faltou pouco para o pneu traseiro esmagar a cabeça do garoto.




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Brasileiros mortos em incêndio em Londres receberam instruções erradas




Seis pessoas morreram em incêndio ocorrido em julho de 2009




A família do brasileiro Rafael Cervi, o marido de Dayana e pai de Thais e Felipe, todos mortos no incêndio. Foto de arquivo pessoal Foto: BBCBrasil.com
A família do brasileiro Rafael Cervi, o marido de Dayana e pai de Thais e Felipe, todos mortos no incêndio. Foto de arquivo pessoal
Foto: BBCBrasil.com

O inquérito que investiga um incêndio que matou seis pessoas - entre elas uma família de brasileiros - em um conjunto habitacional no sudeste de Londres, apurou que a tragédia poderia ter sido evitada se a subprefeitura tivesse realizado inspeções no local e se os serviços de emergência tivessem instruído as vítimas a deixar os seus apartamentos.
Dayana Francisquini, 26 anos, e seus filhos, Thais, e Felipe, ambos de três anos, morreram no incêndio, ocorrido em julho de 2009 no bairro de Camberwell. Entre as vítimas também estiveram Helen Udoaka, 34 anos, sua filha de 3 anos, Michelle, e Catherine Hickman, 30 anos. Todos viviam no 11º andar do edifício.
O incêndio teve início no apartamento 65, no 9º andar do edifício Lakanal House, às 16h15 do dia 3 de julho de 2009. Em questão de cinco minutos, as chamas começaram a se propagar para o apartamento diretamente acima, o 79. Catherine Hickman, a moradora do apartamento, ligou para o serviço de emergência. A instrução que ela recebeu foi a de permanecer dentro de sua moradia.
Mas após alguns minutos, durante a conversa telefônica com a atendente do serviço de emergência ela comentou: ''Oh, meu Deus! Não, escute, eu estou vendo chamas na porta''. Pouco depois, ela gritou: ''Alguma coisa quente caiu sobre mim.'' Ela permaneceu no telefone com a operadora por mais 28 minutos, até que parou subitamente de se comunicar.
O júri que conduziu o inquérito disse que os serviços de atendimento da London Fire Brigade (LFB, sigla em inglês do serviço de bombeiros de Londres) deveriam ter instruído Dayana e suas crianças a deixar seu apartamento assim que ficou claro que ele estava cheio de fumaça.
Serviços de emergência
O inquérito apurou que o incêndio se propagou com rapidez e de forma rápida. Cerca de meia hora após a primeira chamada para o serviço de emergência, ele havia se espalhado para outros andares, para baixo e para cima, algo tão pouco comum que as operadoras dos serviços de emergência se recusavam a acreditar no que estava sendo descrito - segundo as transcrições das conversas.
Mbet Udoaka, marido de Helen Udoaka e pai de Michelle, mortas na tragédia, afirma que as recomendações dos serviços de emergência para que os moradores não saíssem do prédio contribuíram para suas mortes. ''Todo mundo que tentou sair do prédio, saiu vivo. Mas se você diz para alguém ficar onde está, isso significa que você está dizendo para a pessoa esperar até a hora que ela irá morrer'', disse ele à BBC.
Todo mundo que tentou sair do prédio, saiu vivo. Mas se você diz para alguém ficar onde está, isso significa que você está dizendo para a pessoa esperar até a hora que ela irá morrer
Mbet Udoaka
A mulher e a filha de Mbet Udoaka chegaram a se refugiar no apartamento vizinho, de número 80, quando a fumaça e as chamas começaram a se espalhar também para seu apartamento. Mas o mesmo ocorreu no apartamento do lado. Foi então que as duas famílias buscaram refúgio em outra residência, o 81, onde morava a brasileira Dayana Francisquini e seus dois filhos.
Uma vez tendo chegado ao edifício, os bombeiros, sem possuir um mapa do edifício e contando com escasso equipamento de comunicação, tiveram dificuldades para chegar até o apartamento 81.
Contrariando as recomendações dos serviços de emergência, uma das famílias decidiu abandonar o apartamento e acabou sendo resgatada após ter chegado ao corredor externo do prédio. Mas a mulher e a filha de Mbet Udoaka e a brasileira Dayana Francisquini atenderam as recomendações dos serviços de emergência e permaneceram no apartamento 81.
Às 18h, 1h40 minutos após terem chegado ao local, os bombeiros finalmente conseguiram alcançar o apartamento 81, mas todas as cinco pessoas que ainda se encontravam lá estavam mortas.
Segundo o repórter da BBC Kurt Barling, uma das verdadeiras tragédias do incêndio, que veio à tona durante o inquérito, foi que os bombeiros não perceberam que a corredor externo compartilhado pelos diferentes apartamentos representava, na verdade, uma rota de emergência, já que havia uma saída de incêndio ao final do corredor, que conduzia à escadaria central do prédio. Mas, afirma Barling, nem eles nem as cinco pessoas que permaneceram no apartamento 81 sabiam disso.
"Fazer a diferença"
Rafael Cervi, o marido da brasileira Dayana e pai de Thais e Felipe, que morreram no incêndio, espera que as conclusões do inquérito possam ajudar outras pessoas. ''Perdi minha família, eles não irão voltar, mas quero que pelo menos o caso deles possa fazer a diferença e ajudar outras pessoas que passam por esse tipo de situação'', disse ele à BBC.
O júri apurou que a subprefeitura de Southwark, responsável pelo prédio, deixou de realizar uma inspeção anti-incêndio adequada que poderia ter detectado a necessidade de extintores entre os apartamentos e atualizado as plantas com rotas de emergência dos conjuntos habitacionais. O inquérito também levantou que os painéis de janela de PVC dos diferentes apartamentos queimavam em menos de cinco minutos, o que acelerou a propagação do incêndio.www.professoredgar.com

Memória Esportiva Bonjardinense






Em Pé
Seu Alcides, Germano Cabral, Josuel, Mazinho, Marcus Soldado, Virício (em memória), Nando, Birilito, Ademilsom,
Agachados Louro, Roberto Galdino, Dado, Deco, Erminho e Marcelo
 — com Heitor Oliveira e Marcela Faustino.
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Paixão de Cristo: Detalhes que fazem diferença


Parceria de Carlos Reis e Lúcio Lombardi já dura 16 anos.
Eles comentam desafios, imprevistos e dublagem do espetáculo.

Katherine CoutinhoCom informações do G1 PE

Maria Madalena ganhou mais falas a partir do texto original de Plínio Pacheco. (Foto: Luka Santos / G1)Maria Madalena ganhou mais falas a partir do texto original de Plínio Pacheco. (Foto: Luka Santos / G1)
Como fazer um espetáculo novo, ano após ano, usando a mesma história e o mesmo texto? Esse é o desafio que os diretores Carlos Reis e Lúcio Lombardi enfrentam há 16 anos, desde que assumiram a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, encenada na cidade-teatro emFazenda Nova, no Brejo da Madre de Deus, Agreste de Pernambuco. A cada temporada, eles buscam, através de pequenos detalhes, encantar cada vez mais o público que se dirige para assistir ao espetáculo.
Sócio-fundador da Sociedade Teatral de Fazenda Nova (STFN), Carlos acompanhou de perto a construção da cidade-teatro e a evolução da peça, além da luta de Plínio e Diva Pacheco para realizar o sonho. “Entrei em 1960 e nunca mais me afastei. Eu sou testemunha do quanto eles sofreram para construir isso aqui”, conta o diretor, que lembra ser a Paixão, antes de mais nada, um espetáculo de teatro. “É uma história conhecida, mas aqui é teatro. A luz, o texto, roupa, cada detalhe tem a finalidade de emocionar o público”, afirma Carlos.
Carlos Reis é, além de diretor, sócio fundador da Sociedade Teatral de Fazenda Nova. (Foto: Luka Santos / G1)Carlos Reis é, além de diretor, sócio-fundador da Sociedade Teatral de Fazenda Nova.
(Foto: Luka Santos / G1)
Lidar com uma montagem como a da Paixão de Nova Jerusalém, acredita Lúcio, é uma tarefa mortal para um diretor. “É um texto que não tem surpresas para o público. Quando você vê um filme, uma novela, você quer saber o final. Aqui, você sabe que o artista morre no final e ressuscita. Além do nosso papel como diretor e do trabalho dos atores, acredito que a questão da religião motiva as pessoas a virem. No teatro grego, as pessoas também conheciam as histórias, mas iam, porque as peças falavam dos deuses”, pondera Lúcio.
Desde que assumiram, os diretores viram um grande número de atores se revezar em papéis cruciais da peça. “Quando a gente chamou o Fábio Assunção, não imaginávamos que íamos trocar a cada ano, pensávamos que seria sempre ele, mas a vida prega peças. Já tivemos 56 atores de fora nos últimos anos. No início, era um pouco difícil para nós”, lembra Lúcio.
A cada ensaio e apresentação, os diretores assistem a toda a peça, observando o que pode ser melhorado e fazem um relatório. Lúcio anda sempre com seu caderninho; Carlos guarda tudo na cabeça. “Nunca entrei em uma peça, tendo tido tempo para ensaiar e estudar o texto, sem saber as minhas falas e a dos outros. Acredito que sempre tive boa memória. Quando estava fazendo teatro nos anos 1960 e 70, cheguei a conseguir substituir um colega, ensaiando apenas um dia”, conta Carlos, mas ressaltando que é ‘apenas um detalhe’ a boa memória.
Lúcio Lombardi é um dos diretores atuais da Paixão de Nova Jerusalém. (Foto: Luka Santos / G1)Lúcio Lombardi é um dos diretores atuais da Paixão de Nova Jerusalém. (Foto: Luka Santos / G1)
Os pequenos ajustes que fazem a diferença de um ano para o outro por vezes são encontrados no texto original da peça, explica Lúcio. “Quando Plínio escreveu, a peça tinha quatro horas, era encenada em dois dias. O próprio Plínio reduziu depois para duas horas de texto, porque era complicado as pessoas irem para casa e voltarem no dia seguinte para assistir”, diz o diretor, ressaltando que, embora seja uma história conhecida, a peça é uma ficção.
Um dos exemplos em que o antigo texto veio à tona foi no aumento do número de falas de Maria Madalena ao longo da peça. Durante a Via Crucis, ela questiona Jesus quem vai olhar por elas. “Essa é uma parte que estava no texto de Plínio. As mulheres das lamentações não só choravam no texto original, elas falavam. Nós juntamos essas falas e deixamos para Maria Madalena, tem tudo a ver com ela. Outro trecho está no final, quando ela anuncia que Jesus está vivo e indo para a Galileia, é um poema lindo, merecia ser dito”, acredita Carlos.
Dublagem
Algumas pessoas por vezes questionam o fato de todos dublarem durante a peça. Lúcio explica que é uma questão de logística, já que são nove palcos. “Até chegamos a ver a possibilidade, mas nesse espetáculo, é impossível. São nove palcos, precisaríamos de uma estação de som para cada um e trocar os microfones a toda hora. Fora isso, tem problema do outro que fala perto. E se faltar voz? Tivemos caso de ator que ficou afônico, mas com isso não foi preciso ser substituído”, pondera Lúcio.
As falas são todas gravadas individualmente. Cada ator passa de três a quatro horas no estúdio, para que os diretores tenham opção na hora de editar a versão final que vai ser apresentada durante a temporada. “Os textos não são difíceis. Não há uma análise muito grande do personagem, você não penetra tanto. Todos acabam dizendo que queriam fazer de outro jeito, é normal”, acredita Lúcio.
A dublagem ainda tem uma curiosidade: nem sempre a voz corresponde à do ator que está em cena. “Judas esse ano é interpretado por Júlio Rocha, mas a voz ainda é a de Ednaldo Lucena. O Anás [vivido por Lucena] tem a voz de Carlos Reis e por aí vai”, explica Lúcio, que, com mais de 40 anos de teatro, conta ainda que são as pequenas ideias, como cortar uma fala, que fazem toda a diferença. “Chega uma hora em que você fica entre o texto e o espetáculo. Por vezes, você precisa abdicar do texto para que o espetáculo engrene”, afirma.
No momento em que Jesus afirma 'Minha alma está abalada', mulher gritou da plateia em um ano. (Foto: Luka Santos / G1)Houve um ano em que, no momento em que Jesus afirma 'Minha alma está abalada', mulher gritou da plateia, elogiando a beleza do ator. (Foto: Luka Santos / G1)
Imprevistos
Mesmo com a dublagem e mais de 50 horas de ensaio, sempre surgem imprevistos que exigem criatividade tanto do elenco como dos diretores. As histórias são encaradas, muitas vezes, com bom humor e servem como experiência. “Teve um ano em que, na hora da Santa Ceia, quando Jesus vem à frente e diz ‘Minha alma está abalada’, uma mulher gritou: ‘Abalada estou eu por você, gostoso’. Isso desconcentra qualquer um, é o tipo de coisa que a gente tem que lidar”, conta André Lombardi, filho de Lúcio e assistente de direção do espetáculo.
Outro imprevisto aconteceu durante os ensaios, em 2012, com os cavalos que puxavam a biga que traz Pôncio Pilatos até o Fórum de Jerusalém. “Um dos cavalos morreu e a égua estava muito velha, então tivemos que colocar dois cavalos novos. Um dia, durante os ensaios, os cavalos cismaram de só querer andar para trás, depois de deixar Pilatos. Acabou tendo um acidente, a biga virando e os cavalos ficando pendurados”, recorda Carlos Reis. Ainda assim, os animais foram treinados até que conseguissem fazer a cena e, nos dias de apresentação, tudo acabou dando certo.
Paixão de Cristo
O espetáculo deste ano fica em cartaz até o sábado (30). Com direção de Carlos Reis e Lúcio Lombardi, o espetáculo que conta os últimos dias de Jesus tem mais de 500 atores e figurantes. No elenco, estão os atores globais Marcos Pasquim, interpretando o rei Herodes; Carol Castro dando vida a Maria Madalena, e Carlos Casagrande fazendo o papel de Pilatos. Entre os pernambucanos, José Barbosa faz Jesus pela segunda vez e Luciana Lyra interpreta Maria.
Quem sai do Recife de carro ou de ônibus tem duas opções: a BR-232 e a PE-90. Para quem vem de outros estados, há as BRs 316, 116, 304, 101, 235, 110 e 104. Os ingressos estão à venda no estande da Paixão de Cristo, localizado no Shopping RioMar. Também é possível comprar nas bilheterias da cidade-teatro e no escritório de Nova Jerusalém, pelo telefone (81) 3732.1129. Os ingressos variam  de R$ 60 a R$ 90 e podendo ser pagos em até 12 vezes no cartão de crédito, se comprados no site oficial.
Serviço
Paixão de Cristo de Nova Jerusalém
De 22 a 30 de março
Ingressos: R$ 60 a R$ 90
Site oficial: www.novajerusalem.com.br
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