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terça-feira, 5 de junho de 2018

Rainha africana liderou resistência aos portugueses e se tornou símbolo



Os livros a definem como uma guerreira valente e inteligente que se tornou uma das figuras-chave da resistência da África ao colonialismo no século 17.
Mas há também aqueles que a descrevem como uma mulher cruel, que teria sido capaz de acabar com a vida de seu irmão para tomar o poder.
Ou até mesmo matar os homens de seu harém depois de obter deles o prazer sexual que estava buscando.
As façanhas e lendas que cercam a vida da Rainha Njinga (também conhecida como Ginga ou Nzinga) de Angola são tão fascinantes quanto desconhecidas para muitos, especialmente fora do continente africano.
Embora sua figura divida opiniões, historiadores concordam que ela foi uma das mulheres africanas mais famosas por sua fervorosa luta contra a ocupação europeia e a escravidão de seu povo por quatro décadas.
Njinga Mbandi era líder do povo Mbundu e rainha de Ndongo e Matamba, no sudoeste da África.
Seu verdadeiro título em kimbundu, o idioma local, era 'Ngola'. E esse era o termo que os portugueses costumavam usar para chamar precisamente a região tal como a conhecemos hoje: Angola.
Cena do filme "Njinga, rainha da Angola"Direito de imagemIMDB
Image captionVida de Njinga inspirou livros e filmes

Exploração

Tal denominação passou ser difundida em 1575, quando os soldados de Portugal invadiram o Ndongo em busca de ouro e prata.
Quando não encontraram as minas que procuravam, decidiram mudar sua estratégia e começaram a capturar escravos para garantir mão de obra no Brasil, sua então nova colônia.
Nascida oito anos após a invasão, Njinga integrou a resistência contra os portugueses junto com seu pai, o rei Ngola Mbandi Kiluanji, desde que era muito jovem.
Quando Ngola morreu, em 1617, um de seus outros filhos, Ngola Mbandi, assumiu o poder. No entanto, ele não tinha o carisma de seu pai ou a inteligência de sua irmã Njinga.
Temendo um levante popular em favor dela, Ngola Mbandi ordenou a execução do filho único de sua irmã.
Mas quando ele se viu incapaz de lidar com os europeus, que estavam ganhando terreno e causando mais baixas entre a população local, Mbandi acabou aceitando a sugestão de seus conselheiros mais próximos.
História em quadrinhos da UnescoDireito de imagemUNESCO
Image captionNesta história em quadrinhos criada pela Unesco, Njinga descobre que Luanda se tornou um dos maiores centros de exportação de escravos da África

A negociação com Portugal

O rei cedeu e delegou o poder à irmã, grande estrategista e fluente em português graças à educação recebida pelos missionários, para negociar com Portugal e assinar um acordo de paz.
Quando Njinga chegou a Luanda para iniciar as conversações, encontrou uma cidade povoada por pessoas negras, brancas e mestiças que nunca tinha visto antes. Mas essa não foi a imagem que mais a surpreendeu.
Escravos enfileirados eram vendidos e colocados em grandes navios. Em apenas alguns anos, Luanda tornou-se um dos maiores pontos de venda e distribuição de escravos em toda a África.
Quando foi ao palácio do governador português João Correia de Sousa para iniciar as tratativas de paz, Njinga protagonizou uma cena carregada de simbolismo que mais tarde seria amplamente destacada pelos registros históricos.
Ela notou que, enquanto Correia de Souza estava sentado em uma confortável poltrona, não havia para ela nada mais do que um tapete no chão.
Sem falar uma palavra sequer e com apenas um olhar, uma de suas criadas ajoelhou-se e reclinou-se à frente do governador. Njinga sentou-se em suas costas, ficando na mesma altura do que a autoridade portuguesa.
Reina NjingaDireito de imagemCAROLINA THWAITES (BBC)
Image captionNjinga foi uma das mulheres africanas mais famosas por sua fervorosa luta contra a ocupação européia e a escravidão de seu povo por quatro décadas
Era sua maneira clara e direta de expressar que falaria com ele em pé de igualdade.
Depois de árduas negociações, os dois lados concordaram com a retirada das tropas portuguesas do Ndongo e com o reconhecimento de sua soberania. Em troca, o território seria aberto aos portugueses para criar rotas comerciais.
Numa tentativa de melhorar as relações com Lisboa, Njinga até aceitou a conversão ao cristianismo e foi batizada de Ana de Souza. Ela tinha então 40 anos de idade.
Mas as relações cordiais não duraram muito e os confrontos recomeçaram.

Mulher, guerreira e rainha

Em 1624, seu irmão se recolheu a uma pequena ilha onde morreu em circunstâncias estranhas. Não se sabe se ele cometeu suicídio ou se foi envenenado por Njinga como vingança pelo assassinato de seu filho.
A única certeza é que, apesar da oposição de Portugal e de parte de seu próprio povo, Njinga fez algo impensável na época: tornou-se a nova rainha do Ndongo.
"Njinga Mbande serve como exemplo para contrariar o discurso de submissão das mulheres africanas ao longo do tempo", diz João Pedro Lourença, diretor da Biblioteca Nacional de Angola, à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Algumas fontes atribuem a Njinga uma atitude implacável para se tornar rainha. Ela teria recorrido, por exemplo, à ajuda de grupos de guerreiros de Imbangala, que viviam na fronteira do reino, para amedrontar rivais e fortalecer sua posição.
De uma liderança reafirmada ao longo dos anos, Njinga conquistou o reino vizinho de Mutamba e defendeu ativamente seus territórios.
Njinga e governador portuguêsDireito de imagemCAROLINA THWAITES (BBC)
Image captionQuando foi negociar paz com autoridade portuguesa, Njinga sentou-se sobre as costas de sua criada para falar com ele em pé de igualdade
"A rainha Njinga não era apenas uma grande guerreira no campo de batalha, mas também um grande estrategista e diplomata", diz à BBC José Eduardo Agualusa, escritor de ascendência luso-brasileira e autor do romance "A Rainha Ginga".
Nascido em Angola quando o país ainda estava sob domínio português, Agualusa assinala que Njinga "lutou contra Portugal, aliando-se com os holandeses quando achava conveniente e buscando apoio dos portugueses para lutar contra outros reinos da região sempre que serviam a seus interesses".

O combate de seus escravos sexuais

O fascínio pela personagem de Njinga chegou a cativar o próprio Marquês de Sade, embora não por suas habilidades como guerreira, mas porque ele a considerava um modelo de luxúria selvagem.
Sade se referiu a Njinga em "A Filosofia na Alcova", baseado nas histórias do missionário italiano Giovanni Cavazzi, que alegou que a rainha "imolava seus amantes" depois das relações sexuais.
Isso acontecia com aqueles homens que faziam parte do grande harém da rainha, conhecido como "chibados" e forçados a se vestir com roupas femininas.
Quando a rainha queria ter relações carnais, seus homens tinham de lutar entre si até a morte. Mas o sobrevivente não tinha um futuro promissor: depois de passar a noite com ela, era assassinado violentamente na manhã seguinte.
Lourenço diz que a publicação de Cavazzi é importante, mas lembra que todas suas histórias antes da chegada a Angola, em 1640, são baseadas em testemunhos de outras pessoas.
"É importante lembrar que essas histórias foram contadas por inimigos de Njinga, ou seja, os portugueses, criando uma imagem negativa dela, como parte da guerra psicológica", diz.
Nas histórias sobre seus amantes, o historiador lembra que existem outras versões.
"Na obra 'Monumenta Missionaria Africana', do Padre Brásio, há uma carta de Njinga em que afirma que tais 'amantes' eram simbólicos e que ela só tinha um marido, então, temos que continuar investigando e discutindo", diz o pesquisador.
Estátua de NjingaDireito de imagemMARCOS GONZÁLEZ DÍAZ
Image captionConsiderada uma personalidade única na história da África, Njinga é uma figura eminente e reconhecida na Angola até hoje

Personalidade única

Seu reinado foi longo. Por 40 anos, Njinga liderou pessoalmente uma forte oposição às tentativas de conquista portuguesas por meio de operações militares.
Depois de chegar à conclusão de que nada poderia ser feito contra a força de uma rainha já idosa, Portugal acabou renunciando ao desejo de conquistar Ndongo em um tratado ratificado em Lisboa no ano de 1657. O documento permitia que Njinga permanecesse comandando, desde que cedesse boa parte de seu poder.
Njinga morreu em 17 de dezembro de 1663. Ela tinha 82 anos e havia passado metade de sua vida liderando a resistência contra projetos coloniais que os europeus queriam impor à região.
Com sua morte, Portugal perdeu seu principal adversário e passou a acelerar a ocupação da área.
Considerada uma personalidade única na história da África, Njinga é uma figura eminente e reconhecida em Angola até hoje.
Seu nome batiza de ruas a escolas pelo país. Já seu rosto estampa a moeda de 20 kwanzas. Njinga também inspirou filmes, livros e fez parte de uma série de publicações de ilustrações da Unesco sobre mulheres africanas históricas.
Segundo Lourenço, "Njinga Mbande é um exemplo de luta para manter a soberania do povo de Ndongo e dos que compõem a República de Angola (...). Hoje, seu exemplo serve para promover a dignidade do povo angolano, o compromisso com a nação e a defesa da integridade territorial ".
Reina NjingaDireito de imagemUNESCO
Image captionHistória de Njinga serve para "contradizer discurso de submissão da mulher africana", segundo diretor da Biblioteca Nacional de Angola, João Pedro Lourenço
Questionado sobre a veracidade de algumas das lendas mais marcantes sobre a vida da rainha, Agualusa lembra que o maior erro é tentar analisar uma era histórica baseada em nossas crenças atuais.
"A crueldade era global, os europeus queimavam pessoas vivas, escravizavam não só os africanos, mas também outros europeus; os africanos eram igualmente cruéis", reflete o escritor.
"À luz do nosso tempo, a rainha Njinga era uma déspota, mas qual rei europeu daquela época não era?", conclui.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 2 de junho de 2018

Ditadura abafou apuração de corrupção, revela documento


Documentos confidenciais históricos do governo do Reino Unido revelam que a ditadura brasileira atuou para abafar uma investigação de corrupção na compra de fragatas (navios de escolta) construídas pelos britânicos nos anos 1970. Os fatos narrados nos papéis ocorreram durante os governos dos generais Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1979).
Segundo os registros, em 1978 o Reino Unido estava disposto a investigar denúncia de superfaturamento na compra de equipamentos para a construção dos navios vendidos ao Brasil e se ofereceu para pagar indenização de pelo menos 500 mil libras ao Brasil (o equivalente a quase 3 milhões de libras hoje -ou R$ 15 milhões).

Em vez de permitir e ajudar no inquérito que seria do interesse do Brasil, o regime militar abriu mão de receber o valor e rejeitou os pedidos britânicos para ajudar na investigação -que foi recebido com estranheza em Londres.

"Os brasileiros claramente desejaram manter o assunto de forma discreta", diz um dos documentos. "É evidente que eles não gostariam que mandássemos um time de investigadores e não iriam colaborar com um, se ele fosse. O embaixador concluiu que o risco de sérias dificuldades com as autoridades brasileiras, o que poderia ser levantado por uma investigação, não deve ser assumido", diz outro trecho dos despachos diplomáticos a que a reportagem teve acesso.

"Há um mistério até hoje não resolvido, e só agora revelado. Por que, diante de uma investigação detalhada ao Brasil, o governo brasileiro resolveu não apenas impedir a vinda de autoridades britânicas, como não quis o dinheiro que tinha líquido e certo para receber?", questiona o pesquisador brasileiro João Roberto Martins Filho, responsável pela descoberta dos documentos.

Martins Filho é professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e desenvolveu pesquisa nos arquivos da diplomacia britânica durante a ditadura brasileira durante período no King's College de Londres. Ele é autor do livro "Segredos de Estado:  O Governo Britânico e a Tortura no Brasil (1969-1976)" (Ed. Prismas), em que revela a conivência do governo em Londres com a tortura no Brasil.O caso dos navios está registrado em uma pasta de documentos diplomáticos intitulada "Alleged fraud and corruption by Vosper Thornycraft (UK) with government of Brazil", que contém contém 139 páginas de registros históricos sobre o caso. A pasta foi fechada em 1978, e inclui documentos a partir de 1977.

Em entrevista à reportagem, Martins Filho disse que teve primeiro contato com a pasta de documentos há dois anos, durante pesquisa em Londres, mas que só agora conseguiu finalizar a análise detalhada dos documentos. "Tem muito historiador que tem documentos que podem ser bombas, mas ninguém teve capacidade de analisar tudo até agora", disse.

Leia também:
MPF denuncia militares que executaram em SP opositores da ditadura
Ministro diz que documento da CIA sobre ditadura brasileira é assunto para historiador

A denúncia revelada por ele diz respeito ao acordo firmado entre Brasil e Reino Unido em 1970 para a compra de seis fragatas, das quais quatro seriam construídas nos estaleiros da firma Vosper, no Sul da Inglaterra, e duas no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ).

O primeiro desses navios, a fragata Niterói, foi lançada ao mar em 8 de fevereiro de 1974 e incorporada a 20 de novembro de 1976. Ela foi seguida pelas fragatas Defensora, Constituição e Liberal. No Brasil, seriam construídas as fragatas Independência e a União.

Cada uma dessas fragatas tinha pouco mais de 129 metros de comprimento e capacidade para uma tripulação de 209 pessoas, com raio de ação de até 4.200 milhas náuticas.
Elas continuam em uso pela Marinha brasileira. Segundo o site da Marinha, no fim do ano passado, a Fragata União, por exemplo, regressou ao Brasil após capitanear a Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano. No início deste ano, a fragata Independência assumiu o lugar dela no país. Já a fragata Liberal foi recentemente aberta à visitação do público em Santa Catarina.

Segundo a investigação realizada em Londres nos anos 1970, o estaleiro britânico contratado para construir os navios pedia desconto aos fornecedores, que entregavam os equipamentos para a construção das fragatas, mas as notas fiscais saíam com o preço sem o desconto. "O equipamento era fornecido, mas não por aquele preço", disse o professor.

Os documentos mostram que o governo inglês ficou preocupado porque depois do contrato se tornou o dono do estaleiro e recebeu a denúncia de fraude. Londres havia sido avalista de todas as notas do negócio, explicou Martins Filho, então o governo quis evitar ser acusado de ter responsabilidade.

"A coisa foi tão séria que chegou ao Ministro de Relações Exteriores e até mesmo ao primeiro ministro James Callaghan", disse Martins Filho. Segundo ele, após uma reunião com o representante do governo brasileiro em Londres, entretanto, os britânicos se mostravam surpresos porque o Brasil não fez nenhuma menção de cobrar reparação pelo que foi desviado. 

Em determinado trecho, um documento da pasta indica que os brasileiros preferiam que o assunto seja "deixado de lado" o mais rapidamente possível. "O governo inglês fica sem entender por que o governo brasileiro não queria receber de volta o valor numa ordem de 500 mil libras", diz Martins Filho.
Por: FolhaPress / Folha de Pewrnambuco

Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 1 de junho de 2018

PERIGO:Por que o FBI recomendou usuários de internet do mundo todo a reiniciar roteador

RoteadorDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEstima-se que 500 mil aparelhos em 54 países foram afetados
O FBI, a polícia federal americana, alertou nesta semana que hackers estrangeiros haviam comprometido "centenas de milhares de roteadores de casas e escritórios" com o malware VNPFilter e recomendou que usuários em todo mundo reiniciassem seus aparelhos.
Malwares são softwares maliciosos programados para se infiltrar em um computador alheio de forma ilícita. Segundo o FBI, esse programa específico é capaz de bloquear o tráfico da internet, coletar informações que passam pelos roteadores e deixar estes inoperantes.
"O FBI recomenda a qualquer proprietário de roteadores em escritórios pequenos e casas que reinicie seus aparelhos para interromper temporariamente um malware e ajudar com a possível identificação de dispositivos infectados", disse a agência em um comunicado oficial e também na conta do Twitter.
Caso não seguissem a orientação, usuários corriam o risco de ter seus roteadores fora de operação e perder o acesso à internet, segundo o FBI.
Estima-se que pelo menos 500 mil roteadores foram afetados em 54 países, de acordo com o grupo Cisco Talos, especializado em segurança cibernética, que há meses investiga esse programa malicioso. A lista dos países afetados não foi revelada.
"Os dispositivos conhecidos afetados pelo VPNFilter são equipamentos de Linksys, MilkroTik, NETGEAR e TP-Lynk em escritórios pequenos e em casas. Nossa investigação continua", detalhou a Cisco em um comunicado no dia 23 de maio.
A Cisco também recomendou aos usuários de internet que restabeleçam as configurações originais de fábrica de seus dispositivos e reiniciem seus roteadores.
Mas por que é necessário tomar essas medidas?

Potencialmente destrutivo

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos atribuiu o ataque a um grupo conhecido como "Sofacy", mas também é chamado de "apt28" ou "fancy bear".
O Sofacy existe desde 2007 e, segundo um comunicado do Departamento de Estado americano, opera contra "governos, exércitos, organizações de segurança e outros grupos que lidam com inteligência".
O jornal americano The New York Times diz que serviços de inteligência dos EUA e da Europa acreditam que o grupo "seja dirigido pela agência de inteligência militar da Rússia", e que esteve por trás dos ataques ao Comitê Nacional do Partido Democrata antes das eleições presidenciais de 2016.
O FBI disse que o impacto desse malware é significativo. Ele é capaz de recolher informações que passam pelos roteadores e de torná-los inoperantes.
silhueta de um hackerDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSegundo o Departamento de Segurança dos EUA, a principal suspeita pesa sobre grupo de hackers conhecido como Sofacy
A Cisco advertiu que o malware tem "potencial de cortar o acesso à internet de centenas de milhares de vítimas em todo o mundo".
A empresa divulgou as informações depois de detectar um aumento repentino no número de roteadores vulneráveis no início de maio, em especial na Ucrânia.
"Temos observado o VPNFilter, um malware potencialmente destrutivo que está afetando dispositivos ucranianos a um ritmo alarmante", assinalou a Cisco. "A escala e a capacidade desta operação são preocupantes", completou.
O código VPNFilter tem algumas semelhanças com o malware Black Energy, usando em ataques à rede elétrica na Ucrânia em dezembro de 2015.
Central elétrica da UcrâniaDireito de imagemREUTERS
Image captionA rede de energia elétrica da Ucrania sofreu ataques ataques cibernéticos pelo menos duas vezes
Dessa vez, contudo, o FBI parece ter frustrado os preparativos para um novo ataque. No dia 23 de maio, um juiz federal da Pensilvânia (EUA), ordenou que o FBI tomasse o controle do domínio ToKnowAll.com, uma página de internet que ajudava hackers a estabelecer comunicação com os roteadores infectados.
Os equipamentos afetados se conectavam periodicamente com esse endereço para atualizar o VPNFilter. Ao assumir o controle do domínio, o FBI passou a ter capacidade de localizar dispositivos infectados e de limpá-los.
"Isso irá redirecionar as tentativas do malware de reinfectar o dispositivo para um servidor controlado pelo FBI, que irá capturar o endereço dos dispositivos infectados", esclareceu o Departamento de Justiça.
Reiniciar roteadores, como pediram o FBI e a Cisco, ajuda que o programa peça "instruções" ao domínio, que agora está sob o controle da polícia federal americana.
O Departamento de Justiça explicou que a medida "maximiza as oportunidades de identificar e remediar que equipamentos sejam infectados em todo o mundo antes que a Sofacy se aproveite da vulnerabilidade" da infraestrutura.
BBC

Professor Edgar Bom Jardim - PE