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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Crianças traumatizadas:EUA detêm pelo menos 49 crianças brasileiras em abrigos


Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP
Pelo menos 49 crianças brasileiras foram separadas dos pais depois de entrarem nos Estados Unidos de maneira ilegal a partir do México. Enviadas a abrigos, elas estão detidas em diferentes Estados norte-americanos. O maior número, 29, está concentrado em Chicago, cidade que está a quase 2,5 mil km da divisa com o México. A criança brasileira mais nova é um menino de 5 anos, que está no Texas.

Segundo informações do Consulado do Brasil em Houston, um garoto de 8 anos tentou fugir ontem de um abrigo em Nova York, mas não teve sucesso. "Nós sabemos que as crianças estão traumatizadas", disse o cônsul adjunto na cidade texana, Felipe Santarosa. "Elas foram separadas dos pais e colocadas em um lugar no qual não conhecem a língua. Por mais que sejam bem tratadas, é uma situação muito difícil."

Além dos que estão em abrigos, há outros 25 menores brasileiros em um centro de detenção em San Antonio, no Texas, que estão acompanhados de suas mães - 21 no total. Santarosa disse que diplomatas brasileiros visitarão o local na próxima semana.

A informação sobre as 49 crianças que foram separadas dos pais foi enviada ao Consulado do Brasil em Houston na sexta-feira pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos EUA. A separação familiar é fruto da política de "tolerância zero" adotada em abril pelo governo do presidente Donald Trump, pela qual todos os que tentavam cruzar a fronteira de maneira ilegal são processados criminalmente. Com isso, os pais passaram a ser enviados a prisões federais, que não têm acomodações para menores. Na quarta-feira, (20) o presidente norte-americano assinou um decreto que acaba com a política. 

Reação

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota na qual afirmou que a separação familiar é uma "prática cruel e em clara dissonância com instrumentos internacionais de proteção aos direitos da criança". O governo brasileiro disse esperar que o decreto de Trump leve à "efetiva revogação" da separação familiar.

Depois de Chicago, o maior número de crianças brasileiras detidas está em Phoenix, no Arizona. No abrigo Estrella del Norte há sete menores. Três são irmãos, de 8, 10 e 16 anos, cuja mãe está presa em uma cidade a 90 km de distância. 

Também há quatro adolescentes, um de 14 anos e três de 17 anos. O mais velho deles completará 18 anos no dia 24 e será transferido para um centro de detenção de adultos. 

O Consulado do Brasil em Miami, na Flórida, informou que há pelo menos um menor separado da família em um abrigo na cidade. 

A maioria dos pais está presa no Texas, um dos Estados preferidos pelos imigrantes que cruzam a fronteira de maneira ilegal. Santarosa disse que o consulado está tentando identificar todas as crianças e determinar o paradeiro de seus pais. O segundo passo é estabelecer contato entre eles.

A diretora do Departamento Consular de Brasileiros no Exterior do Itamaraty, Luiza Lopes, disse que uma das garantias que o governo brasileiro tem é o livre acesso às crianças que estão nos abrigos. 

"Nossa cônsul em Chicago visitou os menores várias vezes e fez a ponte deles com seus pais", afirmou. "Mas, por mais que se tente amenizar a situação, ela trará consequências psicológicas para as crianças, principalmente as que são mais novas", disse Lopes.
Com informações do Diario de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Mulheres russas reagem ao vídeo machista gravado por brasileiros na Copa do Mundo


As reações a um vídeo que mostra um grupo de torcedores brasileiros expondo uma mulher russa a constrangimentos extrapolaram redes sociais e sites de notícias brasileiros e já aparecem em blogs e na imprensa russa.
Enquanto o assunto ganha relevância entre os moradores de Moscou, a BBC News Brasil foi até a rua Nickolskaya, onde o vídeo original teria sido gravado, e perguntou a mulheres russas de diferentes idades qual seria sua reação se estivessem na pele da mulher retratada, mas soubessem o que estava sendo dito.
"Essas pessoas vêm para o nosso país, nossa cidade, para aproveitar o evento na Rússia. Nós estamos recebendo todos de braços abertos e felizes por tê-los aqui, mas eles fizeram algo péssimo", afirma uma das entrevistadas.
"Ela (a vítima) não sabia o que a música queria dizer. Tornou-se refém da situação", lamentou outra das russas.
As mulheres consultadas também mandam um recado aos brasileiros – especialmente à minoria que ainda endossa o comportamento dos homens que gravaram o filme que se tornou viral nesta Copa do Mundo.
Elas dizem coisas como “É uma situação bem desagradável. É triste a moça estar sorrindo e dançando sem saber do que se tratava", "Não repitam isso" e "Eu recomendaria que eles tivessem mais respeito, para começo de conversa".
Uma petição foi recém-criada por uma cidadã russa e acumula quase duas mil assinaturas em menos de 24 horas.
No texto, ela pede que os brasileiros presentes no vídeo “peçam desculpas públicas tanto à moça quanto a todos os cidadãos russos por seu machismo, desrespeito às leis da Federação Russa, desrespeito aos cidadãos russos, insultos e humilhação da honra e dignidade”.
A petição também exige que os homens envolvidos no vídeo sejam levados à Justiça russa.
Acesse: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44555818
Reportagem de Ricardo Senra

Professor Edgar Bom Jardim - PE

Mundo:Cadete é expulso de academia militar dos EUA por usar camiseta de Che Guevara

O ex-militarDireito de imagemREPRODUÇÃO/TWITTER
Image captionRapone compartilhou fotos de sua formatura com uma camiseta de Che Guevara por baixo do uniforme
Um cadete da Academia Militar dos Estados Unidos, em West Point (NY), que usou uma camiseta com a famosa estampa de Che Guevara em sua cerimônia de formatura, foi expulso das forças armadas americanas.
Spenser Rapone, 26, foi dispensado por "conduta imprópria". Depois de se formar, ele serviria como segundo-tenente na infantaria do Exército.
Ele, provavelmente, não poderá se alistar nunca mais nem receber benefícios reservados para veteranos.

Investigação

Os militares começaram uma investigação contra Rapone em outubro do ano passado, depois de ele postar fotos pró-comunismo nas redes sociais, mostrando que usou uma camiseta do guerrilheiro argentino por baixo do uniforme. Outra imagem mostrava a inscrição "o comunismo vai vencer" escrita na parte interna de seu quepe.
As fotos viralizaram e Rapone foi apelidado de "cadete comunista", o que gerou indignação entre os militares e motivou a investigação.
O Exército encontrou dezenas de frases e memes comunistas na página do Twitter do jovem cadete. Ele também fazia diversos comentários desrespeitosos em relação à colegas oficiais.
Na terça, o Exército anunciou que o processo tinha sido concluído.
"Devido a restrições de privacidade, podemos passar informações muito limitadas", disse a tenente-coronel Nina Hill, porta-voz da instituição.
Spenser Rapone segurando uma cópia do Manifesto ComunistaDireito de imagemREPRODUÇÃO/TWITTER
Image captionRapone compartilhava fotos dizendo que '(Karl) Marx estava certo'
"Podemos confirmar, no entanto, que conduzimos uma investigação completa e que as ações apropriadas foram tomadas", afirmou Hill.
Em entrevistas à imprensa americana, Rapone disse que se considera um socialista revolucionário.
Ele foi convidado para participar da conferência Socialismo 2018 em Chicago, nos EUA, em julho.
Fonte:BBC

Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 19 de junho de 2018

'Lei do Cão,'como diria matuto sobre a imigração nos EUA


São quase oito minutos de áudio com choro e súplicas de crianças.
O site Propublica divulgou uma gravação em que é possível ouvir o sofrimento de meninos e meninas imigrantes da América Central, separados de seus pais após tentarem entrar ilegalmente nos Estados Unidos.
A gravação foi feita em um centro de detenção da Patrulha de Fronteira americana, na fronteira do país com o México.
Nela, as crianças não param de chorar e gritam, de forma inconsolável, "mamãe" e "papai".
"Eu não quero que detenham o meu pai. Não quero que deportem ele", diz uma delas, em espanhol, chorando.
Também em espanhol, um agente da fronteira faz piada diante da lamentação generalizada. Ele diz: "Bom, nós temos uma orquestra aqui. Faltava o maestro".
Outro homem grita, ao fundo, para que "não chorem!".
Menina sentada se prepara para comer em centro de detenção de imigrantes na cidade fronteiriça de McAllen, no Texas (EUA):Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCriança em centro de detenção de imigrantes na cidade fronteiriça de McAllen, no Texas (EUA): Milhares teriam sido separadas dos pais desde abril ao tentarem entrar ilegalmente nos Estados Unidos
Em seguida, são ouvidas vozes de funcionários consulares, trocando informações sobre "número de identificação" de alguém, perguntando de onde as crianças são, onde estão seus pais e se era com eles que estavam viajando.
As crianças que respondem são da Guatemala e de El Salvador.
Uma delas é Alison Jimena Valencia Madrid, uma menina de seis anos de idade, de El Salvador, que protagoniza boa parte da gravação.
Separada da mãe na semana passada, ela implora para que alguém ligue para sua tia, cujo número de telefone afirma saber de cor.
"Eu posso ir pelo menos com a minha tia? Quero que ela venha...", diz a menina. "Quero que a minha tia venha. Ela pode me levar para a casa dela."
Um homem afirma que alguém vai ajudá-la a fazer a ligação, se ela tiver o número.
No áudio é possível ouvir os agentes falando em distribuir comida no local. A menina então insiste sobre a ligação, perguntando se depois de comer podem chamar a tia para buscá-la.
"Eu tenho o número de cabeça", afirma Alison. "Você vai ligar para minha tia vir me buscar? (...) Minha mãe disse para eu ir com a minha tia e que ela vai me buscar lá (com a tia) o mais rápido possível", reforça, ainda chorando e em meio a vozes de outras crianças gritando, aos prantos, "papai" e "meu papai".
"Não chore. Olhe, ela vai explicar a você e vai lhe ajudar", diz o agente à menina em determinado momento da gravação, referindo-se à representante do consulado.
No final do áudio, uma oficial consular se oferece para ligar para a tia dela.

'Por favor, me tire daqui'

A Propublica, que se descreve como uma redação independente, com sede em Nova York, que produz jornalismo investigativo de interesse público conseguiu falar com a mulher depois.
"Foi o momento mais difícil da minha vida", disse ela. "Imagine receber um telefonema da sua sobrinha de seis anos. Ela está chorando e me implorando para ir buscá-la. Ela disse: 'Eu prometo que vou me comportar, mas, por favor, me tire daqui, estou completamente sozinha'."
Três meninos sobre colchões verdes, próximos a cobertores de alumínio em centro de detenção para imigrantesDireito de imagemADUANAS Y PROTECCIÓN FRONTERIZA DE ESTADOS UNIDOS
Image captionMeninos imigrantes em centro de detenção: Relatos apontam que alguns chegam a ficar separados dos pais por semanas e até meses
A tia, no entanto, afirmou, "com dor", que não podia fazer nada pela menina. A mulher emigrou há dois anos com a filha pequena, fugindo da violência em El Salvador, em busca de asilo nos Estados Unidos. Agora, tem medo de se colocar em situação de risco com a filha, ao tentar ajudar a sobrinha.
Ela disse que se mantém em contato com a criança, que foi transferida das instalações da Patrulha da Fronteira para um abrigo com camas. E que também pôde falar com a irmã, que foi levada para um centro de detenção de imigrantes perto de Port Isabel, no Texas.
Mãe e filha, no entanto, não puderam se comunicar.
Segundo a Propublica, o áudio foi gravado na semana passada dentro de um centro de detenção da Patrulha de Fronteira.
A pessoa que fez a gravação, que pediu para não ser identificada por medo de represálias, diz que "ouviu os gritos e o choro das crianças e ficou arrasada".
Essa pessoa estimou que as crianças teriam entre quatro e dez anos de idade.
Ponderou, ainda, que os funcionários do consulado tentavam tranquilizá-las conversando com elas e lhes dando comida e brinquedos, mas que as crianças não conseguiam se acalmar.

Por que as crianças estão sendo separadas de seus pais?

As crianças estão sendo separadas dos pais na fronteira entre os EUA e o México como resultado da política "tolerância zero" introduzida em maio pelo procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, e alvo crescente de críticas.
Essa política prevê que adultos que tentam atravessar a fronteira - muitos deles planejando pedir asilo - sejam colocados sob custódia e que enfrentem processos criminais por entrada ilegal no país.
Como resultado, quase 2 mil crianças foram separadas de seus pais depois de cruzarem ilegalmente a fronteira, de acordo com balanço divulgado na última sexta-feira.
Elas ficam abrigadas em centros de detenção, mantidas longe de seus pais.
O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions,Direito de imagemREUTERS
Image captionO procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, afirma que quem entrar nos EUA de forma irregular será processado ​​criminalmente

Mudança

Sessions afirmou que aqueles que entrarem nos EUA de forma irregular serão processados ​​criminalmente. Até então, pessoas detidas tentando entrar ilegalmente no país eram acusadas de crimes de menor potencial ofensivo.
Os adultos processados são separados dos filhos que viajam com eles - estes, passam a ser considerados menores desacompanhados.
Defensores da medida apontam que centenas de crianças são retiradas de pais que cometem crimes nos EUA diariamente.
Como tal, elas são colocadas sob custódia do Departamento de Saúde e Serviços Humanos e enviadas para um parente, lar adotivo ou um abrigo - os funcionários desses locais já estão com falta de espaço para abrigá-los.

Abrigos

Recentemente, uma antiga loja do Walmart no Texas foi transformada em centro de detenção para as crianças imigrantes.
Autoridades também anunciaram planos de erguer acampamentos para abrigar outras centenas delas no deserto do Texas, onde as temperaturas normalmente alcançam 40 graus.
O legislador local, José Rodriguez, descreveu o plano como "totalmente desumano" e "ultrajante". "(É um plano que) Deve ser condenado por qualquer um que tenha um senso moral de responsabilidade", disse ele.
Autoridades da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, da sigla em inglês) estimam que cerca de 1,5 mil pessoas são presas por dia por cruzarem ilegalmente a fronteira.
Nas duas primeiras semanas de "tolerância zero", 658 menores - incluindo muitos bebês e crianças pequenas - foram separadas dos adultos que as acompanhavam, de acordo com o CBP.
Relatos apontam, no entanto, que mais de 700 famílias foram afetadas entre outubro e abril.
Em muitos dos casos, as famílias já foram reunidas, após os pais serem libertados da detenção. No entanto, há casos em que a separação teria durado semanas e até meses.

Trump

Trump culpou os democratas pela política, dizendo que "temos que separar as famílias" por causa de uma lei que "os democratas nos deram".
Não está claro, porém, a que lei ele se refere, pois não há lei aprovada pelo Congresso dos EUA que determine que as famílias migrantes sejam separadas.
Verificadores de fatos dizem que a única coisa que mudou foi a decisão do Departamento de Justiça americano de processar criminalmente os pais pela primeira vez ao cruzar a fronteira. Como seus filhos não são acusados ​​de um crime, eles não podem ser presos junto com eles.

O repúdio das primeiras damas

A polêmica sobre a política de imigração "tolerância zero" de Donald Trump só aumentou nos últimos dias, especialmente depois que foram conhecidas as condições em que se encontram muitas das mais de 2 mil crianças separadas de seus pais desde abril.
Jaula gigante cheia de imigrantes ilegaisDireito de imagemADUANAS Y PROTECCIÓN FRONTERIZA DE ESTADOS UNIDOS
Image captionImagen de imigrantes dentro de uma grande jaula, em centro de detenção, foi publicada por autoridades. Jornalistas afirmam terem visto crianças que chegaram desacompanhadas em condições semelhantes
Nas instalações onde estão detidas, existem grandes jaulas que, além de abrigar imigrantes adultos, seriam também destinadas a crianças cujos pais tentaram atravessar ilegalmente a fronteira sul com os Estados Unidos.
A medida levou a primeira-dama Melania Trump a romper seu habitual silêncio, no domingo, para criticar a situação.
Por meio de uma porta-voz, ela disse que "odeia ver crianças separadas de suas famílias" e que espera que Republicanos e Democratas "finalmente" trabalhem juntos para alcançar uma reforma imigratória bem-sucedida.
"Ela (Melania) acredita que precisamos ser um país que segue todas as leis, mas também um país que governa com o coração", acrescentou a porta-voz
Na segunda-feira, ex-primeiras-damas de governos democratas e republicanos também comentaram a questão, em repúdio público à política que Trump vem adotando na fronteira.
"Eu vivo em um estado fronteiriço. Entendo a necessidade de reforçar e proteger nossas fronteiras internacionais, mas essa política de tolerância zero é cruel. É imoral. E me parte o coração", escreveu a republicana Laura Bush em um artigo no The Washington Post e no Twitter.
Michelle Obama compartilhou o post em seu perfil no Twitter e escreveu junto à mensagem: "Às vezes, a verdade transcende os partidos".
Hillary Clinton, por sua vez, condenou a administração Trump pela medida e avaliou a situação como "uma afronta aos nossos valores".
Ela acrescentou, também no Twitter: "O que está acontecendo a essas famílias na fronteira é uma crise humanitária. Todos os pais que já carregaram um filho em seus braços, todo ser humano com senso de compaixão e decência, devem ficar indignados".
Com informações da BBC
Professor Edgar Bom Jardim - PE