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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Educação:Mais da metade dos brasileiros não tem diploma do ensino médio, aponta OCDE


sala de aula vaziaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNa comparação com o Brasil, Chile, Argentina e Colômbia têm mais adultos na faixa de 25 a 64 anos com diploma do ensino médio
O Brasil é um dos países com o maior número de pessoas sem diploma do ensino médio: mais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos não atingiram esse nível de formação, segundo o estudo Um Olhar sobre a Educação, divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A organização, com sede em Paris, destaca que o menor nível de escolaridade tende a ser associado com a maior desigualdade de renda.
No caso do Brasil, o país registra o segundo maior nível de desigualdade de renda entre os 46 países do estudo, ficando atrás apenas da Costa Rica.
O índice de pessoas que não cursaram o ensino médio no Brasil representa mais do que o dobro da média da OCDE. Na Costa Rica e no México, o percentual é ainda maior que o do Brasil: 60% e 62%, respectivamente, os mais elevados do estudo.
Outros países latinoamericanos, contudo, têm melhor desempenho que o Brasil. Na Argentina, 39% dos adultos na faixa de 25 a 64 anos não concluíram o ensino médio, no Chile, o percentual é de 35% e, na Colômbia, de 46%.
O estudo abrange as 36 economias da OCDE, a maioria desenvolvidas, e dez países parceiros da organização, como África do Sul, Argentina, China, Colômbia, Índia, Rússia e Brasil.
Primeiro dia do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2017Direito de imagemMARIANA LEAL/MEC
Image captionMais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos não concluíram o ensino médio
"Na maioria dos países da OCDE, a ampla maioria dos jovens adultos, com idade entre 25 e 34, tem pelo menos a qualificação do ensino médio. Em poucas décadas, o ensino médio passou de um veículo de ascensão social ao mínimo exigido para a vida em uma sociedade moderna", afirma o relatório.
Segundo a organização, os que deixam a escola antes de completar o ensino médio enfrentam não apenas dificuldades no mercado de trabalho, com menores salários, mas também têm competências cognitivas - memória, habilidades motoras, atenção, entre outras - bem inferiores aos das pessoas que possuem essa formação.
A organização também ressalta o número relativamente baixo de alunos com mais de 14 anos de idade inscritos em instituições de ensino no Brasil.
Apenas 69% daqueles entre 15 e 19 anos e somente 29% dos jovens de 20 a 24 anos estão matriculados, de acordo com a OCDE. A média nos países da organização é, respectivamente, de 85% e 42%.
Segundo dia do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em 2017Direito de imagemLUIS FORTES/MEC
Image captionOCDE afirma que os que deixam a escola antes de completar o ensino médio enfrentam dificuldades no mercado de trabalho

Desigualdades regionais

O Brasil enfrenta ainda "desigualdades regionais significativas" em relação ao ensino superior, diz o relatório.
No Distrito Federal, 33% dos jovens adultos chegam à universidade. No Maranhão, o Estado com o menor PIB per capita, esse número é de apenas 8%.
Essa disparidade regional entre alunos que conseguem atingir o ensino superior no Brasil "é, de longe, a maior na comparação com toda a OCDE e países parceiros", incluindo grandes países como os Estados Unidos e a Rússia, que também possuem várias áreas de diferentes tamanhos e populações.
"Assegurar que as pessoas tenham oportunidade de atingir níveis adequados de educação é um desafio crítico. O acesso ao ensino superior vem crescendo no Brasil, mas ainda é uma das taxas mais baixas entre a OCDE e países parceiros, e está abaixo de todos os outros países da América Latina com dados disponíveis", ressalta o estudo, citando a Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e México.
crianças na ocupação Prestes Maia, antiga fábriga textil, com mochilas escolaresDireito de imagemREUTERS
Image captionApesar do Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na educação, os gastos por aluno no Brasil, em especial com os do ensino básico, são baixos
No Brasil, 17% dos jovens adultos com idade entre 24 e 34 anos atingem o ensino superior. Em 2007, o índice era de 10%. Apesar da melhora, o desempenho ainda está cerca de 27 pontos percentuais abaixo da média da OCDE.
"Para melhorar a transição entre o ensino e o mercado de trabalho, independentemente do cenário econômico, os sistemas de educação têm de se assegurar que as pessoas tenham as competências exigidas na vida profissional", diz a organização.
Segundo a OCDE, apesar do Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na Educação, os gastos por aluno, sobretudo no ensino básico, são baixos.
O Brasil destina cerca de 5% do PIB à rubrica (dados de 2015), acima da média de 4,5% do PIB dos países da OCDE, diz o relatório.
diplomaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionNo Maranhão, apenas 8% dos jovens adultos chegam à universidade
O governo brasileiro gasta, porém, cerca de US$ 3,8 mil por estudante no ensino fundamental e médio, menos da metade dos países da OCDE.
A despesa com os estudantes de instituições públicas de ensino superior, no entanto, é quatro vezes maior, US$ 14, 3 mil, pouco abaixo da média da OCDE, que é de US$ 15,7 mil.
A diferença de gastos por estudante entre o ensino superior e o básico no Brasil é o maior entre todos os países da OCDE e economias parceiras analisadas no estudo da organização.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Pernambuco tem a menor taxa de abandono escolar do Brasil


Desde 2013, o Estado se mantém na primeira colocação, tornando a escola da rede estadual a mais atrativa do País. Imagem: Arquivo/DP
Desde 2013, o Estado se mantém na primeira colocação, tornando a escola da rede estadual a mais atrativa do País. Imagem: Arquivo/DP

O Estado registra também a melhor taxa de aprovação no Ensino Médio Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), apontam que Pernambuco registra a menor taxa de abandono escolar do país (1,5%) no Ensino Médio. É a quinta vez que o Estado ocupa a liderança. Esta mesma taxa, há dez anos atrás, chegava a 24% e o colocava na penúltima colocação do indicador. Desde 2013, o Estado se mantém na primeira colocação, melhorando o indicador todos os anos e tornando a escola da rede estadual a mais atrativa do País.

Os dados do Inep destacam ainda Pernambuco com a melhor taxa de aprovação no Ensino Médio (92,6%)
Os dados do Inep destacam ainda Pernambuco com a melhor taxa de aprovação no Ensino Médio (92,6%)

Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, a Rede Estadual também ocupa a primeira colocação no indicador, com taxa de abandono escolar de 1%, posição que agora ocupa de maneira isolada. Os dados do Inep destacam ainda Pernambuco com a melhor taxa de aprovação no Ensino Médio (92,6%). Este resultado está relacionado à meta de garantir a conclusão do ensino médio. A liderança do Estado no indicador demonstra ainda avanços no rendimento escolar e desempenho dos estudantes, colaborando também na redução da distorção idade-ano e, consequentemente, o abandono escolar.


Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, a Rede Estadual também ocupa a primeira colocação no indicador, com taxa de abandono escolar de 1%
Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, a Rede Estadual também ocupa a primeira colocação no indicador, com taxa de abandono escolar de 1%

Tais números corroboram o avanço contínuo de Pernambuco no IDEB, sendo o único Estado a atingir, em toda a sua série histórica do indicador, a meta estabelecida pelo Ministério e melhorar sua nota em todas as edições do Índice - criado em 2005 e realizado a cada dois anos – tornando-se referência nacional no Ensino Médio.

Atualmente, Pernambuco é o Estado que mais avança em redução da taxa de abandono escolar no Brasil. Alguns eixos são considerados fundamentais para estes avanços: Pernambuco estabeleceu a maior rede de escolas em tempo integral do País (52% das unidades de ensino de Ensino Médio funcionam em tempo integral, atendendo a 54% dos jovens matriculados), o maior programa de intercâmbio para estudantes da educação básica da América Latina e desenvolveu parâmetros e ferramentas pedagógicas à serviço das escolas.
Com informações do Diário de Pernambuco

Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Educação:Despreparo emocional pode prejudicar estudantes brasileiros tanto quanto falta de conhecimento



Alunos de escola pública no BrasilDireito de imagemAGÊNCIA BRASIL
Image captionEstímulos para conclusão da prova podem variar

Desânimo, falta de motivação e despreparo emocional podem responder por grande parte do desempenho ruim dos alunos brasileiros no Pisa, teste internacional de educação no qual, na avaliação mais recente, em 2015, o Brasil ficou na 63ª colocação em ciências, na 59ª em leitura e na 65ª em matemática, entre 70 países. Além de errar muitas respostas, muitos dos alunos brasileiros sequer terminam a prova.
A explicação para o resultado ruim - que é bem pior até mesmo que o de vizinhos latinos, como a Colômbia - parece ir além da falta de conhecimento dos estudantes sobre o conteúdo.
Além das respostas erradas, os estudantes brasileiros gastam muito mais tempo em cada questão na comparação internacional, de acordo com estudo divulgado hoje pelo Insper que indica que os brasileiros dedicam em média quase 3 minutos a cada questão, contra 1 minuto do aluno da Finlândia, por exemplo, e 2 minutos do aluno colombiano. E a última questão do primeiro dos dois blocos do exame não foi resolvida por 61% dos brasileiros, índice muito superior aos de finlandeses (6%) e até mesmo ao de colombianos (18%).
Tais sinais estão no estudo recém-lançado Por que o Brasil vai mal no Pisa? Uma análise dos Determinantes do Desempenho no Exame, de coautoria do pesquisador Naercio Menezes, coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper e Ph.D. em Economia pela University of London.
A pesquisa indica que, assim como a falta de conhecimento e as falhas no aprendizado do conteúdo, a ausência das chamadas habilidades socioemocionais - por exemplo, perseverança, motivação e resiliência do aluno na hora de fazer as provas - parece responder por parte considerável da performance dos alunos brasileiros.
"Essas habilidades indicam quão perseverante e resiliente é o jovem, como ele reage quando alguma coisa dá errada. E isso parece ser tão importante quanto as habilidades tradicionais como inteligência, conhecimento, raciocínio e memória", explica Menezes, especialista em educação e políticas públicas.
E tais habilidades, segundo especialistas internacionais que estudam o tema, têm um impacto que vai muito além da nota da prova: podem afetar toda a vida profissional futura desses alunos, além do crescimento de todo o país.
"Os 'economistas da educação' têm entendido que as habilidades socioemocionais são muito importantes para explicar não só desempenho escolar, mas toda uma série de indicadores futuros, como desemprego, informalidade, criminalidade, uso de drogas", prossegue Menezes, citando uma famosa estimativa do economista americano James Heckman, que calculou que cada dólar investido no fomento dessas habilidades nos primeiros anos das crianças resulta na economia posterior de até US$ 7, por seu impacto na produtividade e no bem-estar emocional dessas pessoas quando adultas.
Embora o pesquisador diga que, intuitivamente, o papel das habilidades emocionais na educação sempre tenha sido considerado pelos educadores, a ciência tem avançado nas últimas décadas em medir os impactos delas no aprendizado e na economia de um país.

Conteúdo e perseverança


Aluno finlandês resolvendo exercício escolarDireito de imagemAFP
Image captionPersistência tem peso crucial no resultado de exames como Pisa e Enem

32 mil alunos brasileiros de 964 escolas participaram da prova do Pisa 2015. Aplicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o exame é tido como a principal régua internacional para comparar a qualidade do ensino entre os países. Nesta edição, explica Naercio, a prova passou a ser realizada via computador, o que, pela primeira vez, tornou possível medir o tempo que os alunos dedicavam a cada exame.
Uma nova edição foi aplicada em maio passado a 19 mil estudantes brasileiros de 15 anos, em 661 escolas, e os resultados devem ser divulgados no segundo semestre de 2019.
O desempenho dos alunos brasileiros, de acordo com os dados, vai decaindo ao longo da prova. No primeiro bloco de perguntas, quando pressupõe-se que os alunos estão mais dispostos e descansados, o índice de resolução dos brasileiros é de cerca de 40% das questões. Intui-se, a partir daí, que esse desempenho se deva basicamente aos conhecimentos insuficientes sobre os temas abordados.
À medida que a prova avança, porém, a atenção, a motivação e a persistência parecem ter um peso crescente na probabilidade de acertos das questões. "Se pegamos o final da prova, temos (índice de resolução) de apenas 15% entre os alunos brasileiros, contra cerca de 50% entre alunos finlandeses e coreanos", explica Menezes.
Como muitos alunos sequer chegam ao final do exame, os pesquisadores creem que, além de não saberem o conteúdo, falte motivação e sobre dificuldade para gerir o tempo da prova.

E no Enem?

Para Menezes, esses mesmos problemas que aparecem no Pisa podem prejudicar o desempenho dos alunos também no Enem. Mas com uma diferença crucial: no Enem, os alunos se esforçam mais para garantir uma vaga na faculdade.
"Temos de levar em conta duas motivações: a intrínseca, de cada pessoa - de encarar uma prova como um desafio, como (fizeram) os alunos da Coreia e da Finlândia no Pisa. Eles começam bem e se mantêm bem durante toda a prova. E temos a motivação extrínseca, que é a recompensa de ir bem. O Pisa não tem isso, porque não acontece nada (ao aluno individualmente) se ele for mal na prova."

Aluno fazendo provaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionTempo para resolver cada questão precisa ser controlado

O pesquisador garante, no entanto, que ainda são necessários novos estudos para entender exatamente o que se passa com o aluno brasileiro durante a prova do Pisa.
"A questão principal é entender o que está acontecendo; se o aluno fica só olhando, sem saber como fazer a prova, ou se ele tenta resolver e não consegue. Pode ser que ele não saiba calcular o tempo para cada questão, já que gasta muito tempo nas primeiras. Pode ser que tenha desanimado logo de cara", aponta o pesquisador.

Pesquisas em alta

O papel das habilidades socioemocionais já era intuitivamente conhecido por muitos educadores, mas ganhou a atenção dos economistas quando começaram a aparecer indícios de que essas capacidades influenciam não apenas notas escolares, mas produtividade na vida adulta e, por consequência, o desempenho econômico geral de um país.
Centros de estudos em universidades como Harvard e Chicago têm mostrado que as habilidades socioemocionais melhoram à medida que forem praticadas - e, por isso, devem ser ensinadas desde os primeiros dias de vida de uma criança e praticadas ao longo da vida escolar. As que não são estimuladas acabam tendo chances menores de desenvolver a capacidade de autocontrole de suas emoções, foco, flexibilidade, de pensar antes de agir e de traçar objetivos.
Isso, no futuro, tende a se traduzir em menor produtividade, mais desemprego e até probabilidade maior de entrar à criminalidade.
"O impacto disso no mercado de trabalho começou a ser notado", explica Menezes. "(As habilidades socioemocionais) parecem ser tão importantes quanto as habilidades tradicionais, como inteligência, raciocínio e memória. Seu impacto no crescimento econômico é parecido. Não são só os anos de estudo e conhecimento que importam para o crescimento de um país, mas também perseverança, motivação e resiliência."

'Investir nas crianças'


Alunos coreanosDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAlunos coreanos têm desempenho mais constante que os brasileiros no Pisa

Para Menezes, muitos dos problemas que afetam os jovens brasileiros hoje - como a dificuldade para entrar no mercado de trabalho e os altos índices de desistência no ensino médio - refletem habilidades socioemocionais pouco desenvolvidas. Muitos fatores influenciam nesse problema: a falta de estímulo no ambiente familiar ou a precariedade das condições da escola, por exemplo.
"Se a criança está acostumada desde cedo a ter curiosidade,se for estimulada a procurar soluções para problemas, a ler e a discutir, ela vai ter a vontade e a curiosidade de resolver uma prova, representando o seu país (como no caso do Pisa). Isso são coisas que vão se acumulando desde o nascimento", explica Menezes, citando as dificuldades adicionais enfrentadas pelas crianças mais pobres, que muitas vezes têm menos oportunidade de receber estímulos de qualidade em casa e no ambiente escolar.
Uma preparação prévia dos alunos para o Pisa, na visão de Naercio, já poderia melhorar um pouco o desempenho do Brasil na prova. Mas para preparar bem os alunos para o futuro, a saída, recomenda o pesquisador, é cuidar da criança desde os primeiros momentos de vida, com investimentos de longo prazo.
"O principal caminho é investir nas crianças. Vai demorar 15 anos, mas se a gente tomar conta de todas as crianças que nascem hoje no Brasil e não deixar elas passarem estresse, não deixar que elas fiquem largadas, sem serem estimuladas, a gente constrói em não muito tempo uma geração capaz de se dedicar. Não se trata de esquecer os jovens, mas priorizar as novas gerações - porque continuam nascendo novas gerações que provavelmente vão ter esse mesmo desempenho (ruim)", diz ele.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Salas lotadas e pouca valorização: ranking global mostra desgaste dos professores no Brasil. Qual a qualidade da educação bonjardinense?

Professora em sala de aula em Curitiba, em foto de arquivoDireito de imagemPEDRO RIBAS/ANPR
Image captionPara OCDE investimentos em 'quantidade' de professores são geralmente feitos em detrimento da qualidade do ensino
O Brasil possui um dos maiores números de alunos por sala de aula no ensino médio entre mais de 60 países analisados no estudo Políticas Eficazes para Professores: Compreensões do PISA, publicado nesta segunda-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
De acordo com o documento, as escolas públicas do Brasil têm 22 alunos por professor no primeiro ano do ensino médio. O total é o mesmo quando se incluem as instituições privadas.
Esse número só é maior na Colômbia, que acaba de entrar para a OCDE, com 27 alunos por turma. No México, também membro da organização, o total de estudantes por professor varia entre 17 e 27.
Na China, país mais populoso do mundo, há apenas 12 alunos por professor.
"Classes menores são frequentemente vistas como benéficas porque elas permitem que o professor se focalize mais nas necessidades individuais dos estudantes", diz o estudo.
Segundo a OCDE, é preciso reduzir o tamanho da sala de aula e aliviar a carga horária de ensino do professor, ampliando dessa forma o tempo que else passa preparando aulas, em orientação pedagógica (tutoria) ou atividades de desenvolvimento profissional. E, para isso, uma solução seria aumentar o número de professores.
"Os sistemas de educação precisam determinar quantos professores são necessários para oferecer uma educação adequada para seus estudantes", diz a OCDE.
No Brasil, problemas de salas de aula lotadas, jornadas duplas de trabalho, com carga horária excessiva, são enfrentados por muitos professores e provocam desgastes em relação à profissão.
O PISA, no qual se baseia o relatório divulgado nesta segunda, é um vasto conjunto de estudos internacionais que visam medir o desempenho de sistemas educacionais de países membros e não membros da OCDE, como o Brasil.
O PISA é realizado com jovens na faixa de 15 anos, o que corresponde ao primeiro ano do ensino médio.
Adolescente com mochila nas costas sobe escadas em instituição de ensinoDireito de imagemANDRÉ NERY/ MEC
Image captionHá mais professores alocados a escolas com alunos em condições socioeconômicas baixas, mas nem sempre o resultado é melhor qualidade do ensino
O estudo Políticas Eficazes para Professores diz ainda que a maioria dos países do PISA tem alocado mais professores a escolas consideradas desfavorecidas - onde há mais alunos com condições socioeconômicas mais baixas - para compensar as desvantagens na comparação com escolas onde estudantes têm mais poder aquisitivo.
Mas isso nem sempre resulta em melhor qualidade do ensino, diz a OCDE. Isso porque, geralmente, "professores nas escolas mais desfavorecidas são menos qualificados e têm menos experiência" do que nas instituições com condições superiores, ressalta a organização.
Na prática, diz a organização, os efeitos positivos de aumentar o número de professores nas escolas desfavorecidas são minados se não for levada em conta a questão da qualidade do professor.
"Os estudos têm mostrado que investimentos na quantidade de professores são geralmente feitos em detrimento da qualidade do ensino", ressalta a OCDE.
"Estudos revelam que professores com qualificações mais fracas são mais propensos a ensinar em escolas desfavorecidas, o que pode levar a um potencial menor de oportunidades educacionais para estudantes dessas escolas", afirma o documento.
Homem escreve números em quadro negroDireito de imagemPEOPLEIMAGES / GETTY
Image captionNo Brasil, 60% dos professores com menos qualificação educacional tendem a trabalhar mais em pequenas cidades, de acordo com estudo

Especialização

O estudo, que enfatiza a importância do ensino de alta qualidade para reduzir as desigualdades sociais, também revela que apenas 29% dos professores de ciências no Brasil têm especialização na área.
Em países como a Finlândia, que estão entre os que apresentaram os melhores resultados do teste do PISA na área de ciências, a proporção de professores especializados nessa disciplina nas escolas públicas do país é 83%.
"Alguns estudos têm mostrado que alunos que aprendem com professores com formação específica em uma área têm melhores performances na disciplina", afirma a OCDE.
Como o último PISA focou na área de ciências, os dados sobre a especialização dos professores dizem respeito à área.
"Quanto maior a diferença de qualificação dos professores de ciências entre escolas desfavorecidas e favorecidas, maior também é a diferença da performance em ciências entre estudantes na base e no topo do status socioeconômico."
No Brasil, 60% dos professores com menos qualificação educacional tendem a trabalhar mais em pequenas cidades, afirma outro estudo da OCDE divulgado nesta segunda-feira, Professores em Ibero-América: Compreensões do PISA e do Talis.
"No Brasil, professores não especializados em ciências em escolas desfavorecidas ensinam assuntos que não estavam incluídos em sua formação ou programa de qualificação com mais frequência do que professores não especializados em escolas favorecidas."
O estudo específico sobre países ibero-americanos também nota que a demanda por professores aumentou na região devido ao rápido crescimento do número de estudantes matriculados, sobretudo na América Latina, em razão de um maior acesso à educação.
Em resposta à essa demanda, "os requisitos para ingressar na profissão docente foram reduzidos", afirma o documento.
Professora escrevendo em quadro negro numa sala de aulaDireito de imagemALEXEYRUMYANTSEV / GETTY
Image captionNo Brasil, apenas pouco mais de 10% dos professores acham que a profissão é valorizada pela sociedade
Isso fez com que a profissão começasse a ser desvalorizada, vista como um ofício de poucas exigências e baixa qualificação, acrescenta a organização.
No Brasil, apenas pouco mais de 10% dos professores acham que a profissão é valorizada pela sociedade.
Entre 2003 e 2015, mais de 493 mil novos alunos no Brasil foram somados ao total da população estudantil de 15 anos, um aumento de 21%.
A expansão das matrículas, diz a OCDE, se deve a melhoras na capacidade para manter os alunos no sistema de ensino à medida que eles progridem a níveis superiores.

Professor Edgar Bom Jardim - PE