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segunda-feira, 23 de julho de 2018

'Golpe':Governo Temer aposta na reforma da Previdência pós-eleição

A frustração em não aprovar a reforma no início deste ano deixou uma lacuna que o governo ainda não conseguiu superar. Foto:  Evaristo Sa/AFP
A frustração em não aprovar a reforma no início deste ano deixou uma lacuna que o governo ainda não conseguiu superar. Foto: Evaristo Sa/AFP
O governo federal está esperançoso com a possibilidade de Geraldo Alckmin, do PSDB, se fortalecer nas eleições com o apoio do centrão. Não por apreço da cúpula governista aos tucanos, que não desejam vincular a imagem com o presidente Michel Temer por considerá-la “tóxica” — e isso, como era de se esperar, desagrada os emedebistas. O único desejo do Palácio do Planalto é aprovar a reforma da Previdência depois das eleições. E a possibilidade disso acontecer ainda este ano é com uma vitória tucana apoiada pelo blocão nas urnas.

A frustração em não aprovar a reforma no início deste ano deixou uma lacuna que o governo ainda não conseguiu superar. Mas isso não significa que jogou a toalha. O grande sonho de Temer continua sendo atualizar as regras para aposentadoria e se consolidar como um presidente reformista que recuperou a economia após dois anos de recessão. Como ele mesmo diz, a “história é que vai dizer” como foi o governo emedebista.

Os sinais de intenção da aprovação da reforma não são recentes. Em diferentes situações ao longo do ano, Temer indicou a possibilidade de se retomar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) este ano depois das eleições. Em 5 de julho, em uma das últimas cerimônias realizadas no Planalto antes de o governo ficar impossibilitado de fazer propagandas institucionais em função da legislação eleitoral, o emedebista declarou que, após a corrida eleitoral, cria-se um momento propício para todos se unirem em busca do “bem comum”.

“Na vida do Estado, há dois momentos distintos. Um momento chamado político-eleitoral, que as pessoas se contestam, se controvertem, discutem, apresentam planos. Às vezes exacerbam as palavras e temos que compreender isso, mas é um momento pré-eleitoral. Há um outro momento, que é logo depois das eleições do momento político-administrativo, em que todos devem se unir em busca do bem comum”, declarou.

O “bem comum” do governo não é outro além da reforma da Previdência. O Planalto já sinalizou em outras ocasiões a disponibilidade de articular junto ao Congresso a retomada da votação da PEC, caso seja um assunto de interesse expressado pelo próprio vencedor das eleições. As discussões em torno de uma votação ocorrerão depois das eleições, sustenta o deputado Darcísio Perondi (MDB-RS), vice-líder do governo na Câmara.

O governista adverte, no entanto, que a costura depende do resultado. “Só dá para saber depois das eleições. Ninguém vai governar sem a reforma da Previdência. E, se mais cedo (aprovada) for, melhor será para todos os brasileiros”, pondera. Para Perondi, Alckmin é “um bom quadro”, mas garante que o MDB segue disposto a correr nas eleições presidenciais com Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda.

A possibilidade de uma aprovação da reforma da Previdência ainda este ano é bem avaliada pela equipe de Alckmin. Interlocutores ligados à coordenação política do presidenciável ponderam que seria um desgaste a menos para lidar no governo. “Aproveitar um fim melancólico do governo Temer para aprovar algo que o país precisa seria oportuno. Sem a reforma, não tem como governar”, pondera um deles. As próprias negociações para fechar com o centrão podem ajudar no processo. Ele explica que, na visão de Alckmin, tão ou mais importante do que ganhar as eleições é vencer com uma base ampla.

“Desde o princípio, trabalham nessa perspectiva para que garantisse governabilidade. A aliança construída entre o blocão e o PSDB aponta para uma união que não é apenas competitiva para assegurar estrutura nos estados e tempo de televisão, mas também para ter governabilidade a ponto de fazer uma discussão até sobre antecipar a reforma da Previdência para este mandato, pois teria os votos necessários. A lógica da formação da chapa sempre foi essa”, sustenta o interlocutor.

Renovação

O deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), vice-líder da legenda na Câmara, adverte que o apoio a uma aprovação da reforma da Previdência após as eleições depende da renovação do Congresso. “Pode haver uma mudança grande de reeleição e tudo isso influencia no voto”, pondera. Ele avalia, no entanto, ser difícil aprovar neste governo, que não detém votos e legitimidade. Para ele, é preciso que Executivo e Legislativo federal cortem da própria carne para servir de exemplo à população. “E eu não vejo como isso pode ser feito ainda neste governo.”

A votação da PEC que atualiza as regras de aposentadoria após as eleições não seria uma tarefa simples. A vitória de Alckmin apenas abriria as chances para se votar o texto ainda este ano, avalia o analista político Cristiano Noronha, sócio da Arko Advice. Mas o prazo para se aprovar é pequeno. “Não há muito espaço para se articular a matéria com outros presidenciáveis. E a probabilidade maior não significa facilidade. No melhor cenário, seria aprovada só na Câmara”, alerta.

O provável segundo turno das eleições cairá em 28 de outubro. O recesso parlamentar do fim de ano se inicia em 23 de dezembro. Logo, restaria pouco menos de dois meses para se aprovar. Nesse período, Noronha reforça que há dois feriados em novembro. “No meio de tudo isso terão negociações internas sobre formação do novo governo. É um período muito confuso e curto”, adverte. Ele reforça também que, para se colocar em pauta, seria necessário revogar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. “Não sabemos como estará a situação no estado.”
Com informações do Diário de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 22 de julho de 2018

Nas metáforas de Kafka: o humano de muitas formas


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Quem se prende no homogêneo esgota a imaginação. O sossego é sempre passageiro. A vida contemporânea pede inquietação. Há mistura de formas, o invisível atiça a subjetividade e os dias ganham uma velocidade inesperada. Nem todos percebem. Daí, a história possuir atmosfera de acaso, mas não assombrar os apáticos. Há quem se debruce sobre o passado como algo morto. Não quer a nostalgia, porém resmunga com as intromissões da tecnologia. A literatura ajuda a desfazer o comum. Ela puxa a imaginação, inventa palavras, exalta a heterogeneidade, sacode a memória.
Há escritores que surpreendem, nos deixam extáticos. Quem nunca leu Kafka perde muito das emboscadas da vida. Não estou caindo no negativo, celebrando o pessimismo. Desejo fugir do lugar comum. Leia A metamorfose e pense. Kafka transcendeu seu tempo. Os homens não são sonhos terminados. As metáforas criam significados, vestem roupas fora da moda. De repente, sou um isento.Tenho que abrir outras portas, visualizar pesadelos que pareciam findos, escutar lágrimas e apelos nunca vistos. Sinal fechado? Juízo final?
A vida muda não, necessariamente, nas dimensões corporais. A imaginação nos leva para abismos. Sentimos angústias, nudez dos desamparos, ouvindo ruídos de carros ou conversando com o amigo na esquina. O controle dos atos não é fácil. Desperdiçamos tempos acreditando numa paixão, entramos em avenidas inóspitas, sem observar o que realmente acontece. Kafka não hesitou. Desmitificou, mostrou o humano absorvido em peripécias, desfazendo-se de horrores inutilmente. O mar das incertezas pode inundar seu quarto,  estimular voos.
A morte, talvez, seja o último medo. Não sei, nem a A metamorfose me responde. Uma história são muitas histórias. Não há covardia que silencie o movimento do humano. Ele é teimoso. lança-se em onipotências, não dispensa afetos. A literatura traz espelhos. Se não quiser vê-los, cairá na banalidade. Portanto, corra o risco. O pior é congelar a ansiedade e procurar traçar fronteiras. Elas não existem. Aprenda com Kafka que tudo não é tudo e que nada não e nada. Estique-se fora das previsões. As baratas sobrevivem sem divindades, na danação dos esgotos.
Paulo Rezende
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Jerônimo Galvão será candidato a deputado estadual pelo PSOL

O professor  Jerônimo confirmou neste sábado (21) sua decisão quanto a  candidatura ao cargo de deputado estadual nas eleições de 2018. 
A confirmação ocorreu em atividade partidária objetivando  empossar a nova direção do PSOL em Bom Jardim.  Já são quatro pré-candidatos bonjardinenses nas eleições deste ano: Jerônimo, Jonas do Conselho , Miguel Barbosa. e considerando Valda  Sedícias. 

Professor Edgar Bom Jardim - PE

Política:PSL confirma Bolsonaro e ouve de advogada cotada para vice que seguidores 'buscam pensamento uniformizado'


Janaína Paschoal ao lado de Jair Bolsonaro em convenção partidária no RioDireito de imagemREUTERS
Image captionBolsonaro minimizou incômodo gerado em dirigentes do PSL com discurso de Janaína Paschoal
"Nossa lagoa é muito pequena para pescar um vice, mas vamos pescar", resumiu o presidenciável Jair Bolsonaro, do PSL, em coletiva ao final da convenção partidária que o chancelou como candidato ao Planalto pela legenda.
A indefinição sobre quem comporá com o deputado federal a chapa presidencial se desenrolou ao longo da última semana: primeiro com a recusa do senador Magno Malta (PR), depois com a negativa do General Heleno (PRP).
Neste domingo, a cúpula do PSL tentou uma saída honrosa para o imbróglio: o anúncio para o posto da advogada e autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, Janaína Paschoal.
O humor de bolsonaristas, no entanto, era diferente do da própria Janaína, que já nas primeiras horas da manhã, a caminho do evento, revelou seu desconforto com a situação à BBC News Brasil.

Chegada de Janaína foi celebrada por militantes

Recebida pelos cerca de 2 mil militantes que lotavam o salão do centro de convenções, no Rio, sob gritos de "vice, vice", ela foi rápida em anunciar o anticlímax.
"Não aplaudam, não gritem, eu quero conversar com os senhores", anunciou Janaína, esfriando o clima de aplausos, gritos de "mito", dedos emulando armas, selfies e algazarra que dominavam o ambiente.
Diante do silêncio estabelecido, Janaína anunciou que "não é possível tomar uma decisão em dois dias" e afirmou que "estamos dialogando".
Convenção partidária do PSL no Rio de JaneiroDireito de imagemAFP
Image captionJanaína Paschoal foi recebida por mil militantes que lotavam centro de convenções no Rio sob gritos de 'vice, vice'
Janaína foi a penúltima a falar. Sentada ao lado de Bolsonaro, ela viu o ex-futuro vice, o senador Magno Malta, dizer que "fazia muito gosto" que ela assumisse o posto deixado por ele. "Espero que eu possa lhe chamar logo de vice-presidente da República".
Pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidenciável, foi comparada ao Coronel Alberto Brilhante Ustra, Chefe do DOI-Codi de São Paulo e considerado responsável pela tortura de presos políticos na ditadura, defendido por Bolsonaro em seu voto pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
"Soldado nosso não fica para trás. Não permitam que demonizem a Dra. Janaína para que ela se torne um novo Ustra."

'Minha fidelidade é ao meu país'

O discurso de Janaína destoava do clima de "já ganhou no primeiro turno" do evento.
"Não se ganha eleição com pensamento único. Não se governa uma nação com pensamento único. Os seguidores, muitas vezes, do deputado Jair Bolsonaro têm uma ânsia de ouvir um discurso inteiramente uniformizado. Pessoas só são aceitas quando pensam exatamente as mesmas coisas. Reflitam se não estamos fazendo o PT ao contrário", disse Janaína.
"Minha fidelidade não é ao deputado Jair Bolsonaro, é ao meu país", arrematou.
Janaína Paschoal discursa em convenção partidária no Rio de JaneiroDireito de imagemREUTERS
Image captionDiscurso de Janaína destoou do clima de 'já ganhou no primeiro turno' do evento'
O mal-estar nos dirigentes do PSL foi evidente. O discurso foi considerado "desalinhado". Janaína devolveu um público frio a Bolsonaro, que fez um discurso menos aguerrido que a média.
"Ela é muito transparente, mas não achei que ela fosse ser tão incisiva, daquele jeito de professora que dá bronca em aluno. A militância sentiu", avaliou o deputado federal Major Olímpio.
"Não se pode ter fogo amigo dentro da chapa. Não vamos levar a noiva para o altar discutindo os termos do divórcio", completou.

Bolsonaro minimizou desforto de dirigentes com Janaína

Bolsonaro tentou minimizar o incômodo: "Ela tem a opinião dela, não posso ter uma vice que vai concordar 100% comigo".
O próprio candidato, no entanto, cogitou a substituição de Janaína por Luciano Bivar, presidente licenciado do PSL, durante coletiva de imprensa. Aliados aventam ainda a possibilidade de que o PROS feche acordo com o PSL e indique o vice.
Jair Bolsonaro em convenção partidária no Rio de JaneiroDireito de imagemAFP
Image captionBolsonaro foi muito celebrado pelos 2 mil militantes presentes no evento
Se for confirmada, Janaína será a primeira mulher a compor a cúpula de poder de Bolsonaro.
Uma das fragilidades eleitorais do deputado é a rejeição do público feminino, a quem ele acenou diversas vezes em seu discurso.
"Todos nós viemos do ventre de uma mulher. Sequer teríamos nascido sem o amor delas". Ele prometeu governar "pelas mulheres, que são em grande parte responsáveis pela criação das nossas crianças".
Questionado sobre a ausência de mulheres em sua equipe, disse que não fará esforço para integrá-las ao time, já que o critério para empregar pessoas é "competência". E disse que seu mau desempenho no grupo se deve aos "rótulos" colados nele pela imprensa.

Privatizações e ministros com 'perfil de Sergio Moro'

Em relação a propostas de governo, defendeu privatizar braços da Petrobras e elogiou a venda da Embraer. "Queremos mais do que privatizar, quem sabe, extinguir a maioria das estatais", disse.
Afirmou que o "Supremo está mais desgastado do que o Congresso" e que gostaria de alterar a Constituição para poder indicar mais dez ministros "com o perfil do Sergio Moro".
Defendeu que não é possível, por falta de recursos, instituir escola em tempo integral, mas que a educação melhoraria com a aprovação da lei "Escola Sem Partido", que prevê punição a professores que expressem opiniões políticas em sala de aula.
Sobre pautas identitárias, afirmou que, "se for feita uma pesquisa entre afrodescendentes, a maioria é contrária às cotas". E criticou o que considera "politicamente correto".
"Não tenho mais a alegria de contar uma piada de cearense, de baiano, de carioca esperto".

'Se estamos em guerra, os dois lados podem atirar'

Na segurança pública, afirmou que manteria a intervenção do Exército no Rio, mas excluiria a possibilidade de punição aos soldados que matassem civis em operações de segurança.
Militante em convenção partidária com foto de Jair Bolsonaro ao fundoDireito de imagemAFP
Image captionBolsonaro tem até 5 de agosto para definir quem estará ao seu lado na corrida presidencial
"Se estamos em guerra, os dois lados podem atirar. Quero dar meios para o policial não morrer. Se ele não pode atirar, vamos tirar a arma do PM e dar um buquê de rosas pra ele carregar".
Bolsonaro voltou a defender ainda a redução ou mesmo extinção da maioridade penal, pauta da qual Janaína discorda.
O deputado terá até o dia 5 de agosto para definir quem estará ao seu lado na corrida presidencial.
Ciente de que pode ajudar o candidato a melhorar seu desempenho entre mulheres e setores menos radicais da direita, Janaína se mostrou tranquila diante da má repercussão de suas palavras na convenção.
Disse ainda que, para ela, vice deve sim interferir na gestão do presidente. "Talvez o discurso tenha sido mais contundente do que eles esperavam. Se as pessoas se sentiram desagradadas, não há problema, isso é inerente à democracia", afirmou.
E completou: "Não posso trazer os votos e depois não ter liberdade para atuar".
Professor Edgar Bom Jardim - PE

PDT oficializa candidatura de Ciro Gomes à Presidência


foto: Marcelo Ferreira/CB/DA Press (foto: Marcelo Ferreira/CB/DA Press)
foto: Marcelo Ferreira/CB/DA Press
O PDT oficializou, nesta sexta-feira (20) a candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República na sede do partido em Brasília. Diante da militância e sem a presença de dirigentes de outros partidos, Ciro não improvisou no discurso e continuou mandando sinais ao Centrão - pregando pelo rigor no ajuste fiscal, mudanças na segurança pública e um olhar para classe média. Ainda assim, ironizou as críticas recebidas por suas ideias econômicas e procurou enaltecer a figura de Leonel Brizola como referência de sua campanha.

Logo no início de sua fala, Ciro fez do mote "o Brasil precisa mudar" uma constante do discurso. Cuidadoso, Ciro tentou se mostrar conciliador. "É preciso respeitar as diferenças, fim da cultura de ódio, acabar com o brasileiro sendo ferido por outro brasileiro na internet. Ninguém é dono da verdade."

Sobre a fama de cabeça quente e explosivo, Ciro também pareceu querer se explicar: "Minha ferramenta é minha palavra, falo 10 horas por dia, cometo erros, mas nenhum deles por desonestidade intelectual."

Ele não deixou de responder, no entanto, as críticas que recebeu do mercado financeiro por algumas de suas propostas. "Essa gente quebrou o nosso País a pretexto de austeridade. Querem matar o carteiro para que o povo brasileiro não leia a carta", disse, antes de fazer referência ao montante pago em juros de dívida pública. "Que me persigam, mas somente com juros, este ano, gastaram R$ 380 bilhões. É difícil explicar ao povo, mas a sociedade brasileira está devendo R$ 5 trilhões ao baronato", complementou.

As referências de Ciro Gomes ao pagamento de juros da dívida é um dos fatores que assusta os agentes econômicos do mercado financeiro e teria provocado um recuo por parte dos partidos que formam o chamado "Centrão", que negociava aliança com sua campanha. 

Após ironizar esse aspecto, Ciro voltou a enfatizar que estará ao lado dos mais pobres e da classe média. O candidato prometeu olhar as contas públicas com lupa. "O governo esfola o povo trabalhador com um sistema de impostos injusto e perverso. Povo e classe média já pagaram demais. A classe média paga dobrado para viver no País e o Estado não devolve serviços de qualidade. Quem tem de pagar agora é o governo e o mundo mais rico. Não falo do mundo mais rico com preconceito, não vamos sair dessa situação com o 'nós contra eles.'"

No discurso, Ciro falou, sem detalhar, os 12 eixos de sua campanha. Além de emprego, saúde e educação, o candidato focou em segurança pública - tema que tem sido o forte de candidatos de outro campo político.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Doença sexual:A primeira epidemia de DST


Ilustração do século 17 com pessoa enfermaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAo longo de séculos, muitas teorias foram elaboradas para explicar a origem da sífilis, que fazia com que doentes gritassem de dor à noite
Em 1509, o jovem soldado alemão Ulrich von Hutten contraiu uma doença desconhecida quando estava na Itália. Ele sofreu com os sintomas por dez anos.
O pacidente descreveu assim sua condição: "(O tempo todo) havia furúnculos, parecidos em tamanho e aspecto com uma bolota. Tinham um cheiro tão fétido que quem o cheirasse achava que estava infectado. A cor era verde escuro. Vê-los chegava a ser pior que sentir a dor, mesmo que a sensação pareça a mesma de encostar no fogo."
Pouco antes disso, na década de 1490, a população europeia havia acabado de se recuperar das mortes provocadas pela propagação, no século anterior, da peste bubônica, surto conhecido como Peste Negra. Uma em cada três pessoas havia morrido em consequência da doença em todo continente europeu.
Com o aumento da população, chegou a prosperidade. Mas nem tudo foi positivo. Doenças desconhecidas começaram a aparecer, em meio à guerra endêmica e à fome frequente.
Litografía de 1900 aproximadameteDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionIlustrações indicavam quão mortal era a sífilis

Contágio em velocidade alarmante gerou terror

Por volta de 1495, o rei francês Carlos VIII invadiu Nápoles reivindicando direito àquele reino. Mas as tropas se contaminaram com uma doença nova.
Ninguém jamais havia visto nada parecido. Os médicos da época não encontraram nenhuma referência nos livros. O nível de preocupação foi similar ao momento em que, séculos depois, o HIV foi descoberto.
A doença que fez o soldado alemão Ulrich von Hutten agonizar também era transmitida pelo contato sexual. Era a sífilis.
ilustração de mulher na cama com caveiras atrásDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPor muito tempo, acreditou-se que eram as mulheres as únicas responsáveis por espalhar a sífilis
As pessoas estavam aterrorizadas porque a doença se espalhou com uma velocidade impressionante. Chegou à Escócia, à Hungria e à Rússia. Com exceção dos idosos e das crianças, todos corriam risco de se contaminar. Estava nos bordeis, mas também nos castelos.
Acredita-se que os reis Francisco I e Henrique III, da França, assim como o imperador Carlos V padeceram da mesma enfermidade.
Nem os monges escaparam da sífilis. A hierarquia não importava. Cardeais, bispos e até os papas Alexandre VI e Júlio II sofreram com a doença.
A velocidade com que se espalhou revela muito sobre os hábitos sexuais da sociedade naquela época.

O curioso papel da deusa Vênus nessa história

Os franceses diziam que a doença era italiana. Mas todo o resto da Europa se referia a ela como francesa. Inicialmente, não tinha nome técnico.
Ao final, um médico francês sugeriu que chamá-la de "doença venérea" por acreditar que a causa principal era o ato sexual que, por sua vez, estava ligado à deusa romana do amor, Vênus.
A epidemia causada pela sífilis era diferente das vistas anteriormente. Ela não se concentrava numa área específica nem estava relacionada a uma época do ano.
Todos corriam risco de adoecer. E, uma vez que isso acontecia, parecia que a pessoa nunca iria se recuperar.
Se o tormento durante o dia era difícil, parecia ainda pior à noite. Os que padeciam da doença gritavam continuamente por causa da dor que sentiam nos ossos. Mas qual era a causa?
Preservativo em 1800.Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionOs preservativos começaram a ser usados no século 16 para combater a doença

Sífilis foi considerada castigo divino por pecados

No início, pensou-se que era um castigo de Deus pelos pecados cometidos pela sociedade. Assim, o primeiro passo para lidar com a doença era se arrepender e rezar por proteção divina.
Mas havia outras hipóteses. Astrólogos da época afirmavam que tinha relação com dois eclipses do Sol e a confluência de Saturno e Marte.
"As chuvas que caíram em todos os países atingidos naquela época foram tão abundantes que a terra foi contaminada com água estagnada, e não foi surpresa que a doença tivesse se apresentado", registrou um professor de Medicina da época.
O encontro das estrelas com a contaminação da terra, por sua vez, causou uma podridão venenosa do ar. A consequência foi a putrefação do corpo humano.
No começo, acreditava-se que o mercúrio era um remédio para a sífilis. Era comum usar o medicamento para tratar de problemas de pele nessa época. Esse foi o tratamento recomendado ao soldado alemão: respirar gás de mercúrio quente.
Bacteria Treponema pallidumDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA bactéria 'Treponema pallidum', que causa a sífilis, foi descoberta somente em 1905
Mas a cura era pior que a doença. Os pacientes perdiam a lucidez. No entanto, o uso do mercúrio para combater a sífilis continuou por muitos anos, até 1517, quando surgiu um novo remédio. O guáiaco, um arbusto encontrado no Haiti, supostamente era usado pelos que vinham daquela ilha.
Pedaços de tronco eram fervidos em água, e o líquido, bebido duas vezes ao dia. O tratamento completo incluía passar 30 dias em uma sala extremamente quente para suar e expelir a doença.
Nessa mesma época, estabeleceu-se uma relação entre a sífilis e o castigo divino decorrente de pecados individuais. A pessoa se contaminava se tivesse mantido uma relação sexual ilícita.
Nesse contexto, as mulheres eram consideradas as responsáveis por transmitir a doença. Eram elas que faziam os pobres homens caírem em tentação, ao estilo do casal bíblico Adão e Eva.
O estigma também afetava as crianças cujos pais sofriam com sífilis, porque era uma considerada uma doença hereditária. Gerações inteiras foram tidas como malditas.
cena de homem descontente com prescrição de mercúrioDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionInalar mercúrio foi, por anos, recomendado como tratamento para sífilis
Depois, detectou-se que a transmissão se dava de pessoa para pessoa. Assim, imaginava-se que a sífilis teve origem num lugar específico e não em consequência do clima.
Nessa época, acreditava-se que ela chegou à Europa com os marinheiros que vinham da América com Cristóvão Colombo. Supostamente, eles atracaram em Barcelona, uniram-se às tropas napoleônicas e às prostitutas. O Exército se encarregou de espalhá-la.
Mas historiadores médicos americanos não gostaram dessa teoria. Eles apresentaram, então, evidências arqueológicas para provar que a sífilis era uma doença nativa da Europa.

Identificada a causa, surge uma cura

Alexander FlemingDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA cura definitiva para a sífilis em 1943 com a descoberta da penicilina por Alexander Fleming
Ainda há dúvidas sobre de onde a sífilis surgiu inicialmente. Mas, na verdade, as décadas antes e depois de 1500 representam uma grande mudança na sociedade europeia.
A vida urbana, novas técnicas de guerra e mudanças nos comportamentos sexuais. O ambiente europeu estava em mutação constante, o que fez aumentar a incidência de doenças.
Por isso, o surgimento de novas epidemias parecia inevitável. A sífilis chegou e ficou, propagando-se, em especial, em tempos de guerra.
Com a medicina moderna, identificou-se, em 1905, a bactéria que causa a doença. E, cinco anos depois, descobriu-se o primeiro tratamento efetivo.
Mas foi somente em 1943, com a descoberta da penicilina, que se encontrou a cura para a doença.
Professor Edgar Bom Jardim - PE