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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Viés político na saúde:Confederação Nacional dos Municípios pede manutenção do Mais Médicos

'A presente situação é de extrema preocupação, podendo levar a estado de calamidade pública', disse Aroldi em nota
'A presente situação é de extrema preocupação, podendo levar a estado de calamidade pública', disse Aroldi em notaFoto: Divulgação/CNM
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Glademir Aroldi, divulgou nesta quinta-feira (15) nota na qual ressalta a preocupação dos prefeitos das cidades com menos de 20 mil habitantes com a saída dos 8,5 mil profissionais cubanos que atuam no programa Mais Médicos. A entidade alerta que é preciso substituí-los sob o risco de mais de 28 milhões de pessoas ficarem desassistidas.

“A presente situação é de extrema preocupação, podendo levar a estado de calamidade pública, e exige superação em curto prazo”, diz a nota. “Acreditamos que o governo federal e o de transição encontrarão as condições adequadas para a manutenção do programa.”

Ministério de Saúde Pública de Cuba informou ontem (14) que retiraria os profissionais do programa no Brasil por divergir das exigências feitas pelo governo do presidente eleito Jair Bolsonaroe em decorrência das críticas mencionadas por ele. Para o governo Bolsonaro, os médicos cubanos devem se submeter ao Revalida – prova que verifica conhecimentos específicos na área médica.

Ontem (14), o presidente eleito levantou dúvidas sobre a capacidade profissional dos cubanos e anunciou o rompimento do acordo com Cuba no Mais Médicos. No entanto, assegurou que o programa será mantido e que as vagas ocupadas por cubanos serão substituídas.

Na nota, a CNM apelou para a ampliação do programa para municípios e regiões que “ainda apresentam a ausência e a dificuldade de fixação do profissional médico”. Segundo a entidade, um estudo apontou que o gasto com o setor de saúde sofreu uma defasagem de 42% na última década, o que sobrecarregou os cofres municipais.

Ainda de acordo com a confederação, os municípios, que deveriam investir 15% dos recursos no setor, ultrapassam, em alguns casos, a marca de 32% do seu orçamento, não tendo condições de assumir novas despesas. Para a CNM, o caminho é de negociação e diálogo. OConselho Federal de Medicina (CFM) também manifestou-se sobre a questão. Em comunicado, a entidade assegurou que existem profissionais brasileiros em número suficiente para substituírem os cubanos.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Saúde:Cuba anuncia fim da parceria com Brasil no Mais Médicos


O governo de Cuba anunciou, nesta quarta-feira (14), o fim de sua participação do programa Mais Médicos no Brasil. Em nota divulgada pelo Ministério da Saúde do país caribenho, a decisão é atribuída a questionamentos feitos pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), à qualificação dos médicos cubanos e à exigência de revalidação de diplomas no Brasil.

Pelas regras do Mais Médicos, profissionais sem diploma revalidado só podem atuar nas unidades básicas de saúde vinculadas ao programa "nos primeiros três anos", como "intercambistas". A renovação por igual período só pode ser feita caso esses profissionais tenham o diploma revalidado e o aval de gestores nos municípios. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a ausência de revalidação do diploma era constitucional.

Um dos programas mais conhecidos na saúde, o Mais Médicos foi criado em 2013, na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para ampliar o número desses profissionais no interior do país. Cerca de 18 mil médicos atuam no programa — destes, 45% são brasileiros e 47% são cubanos, vindos ao Brasil por meio de cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Os demais são intercambistas estrangeiros.

Na nota, o governo cubano afirma que, desde sua implantação, 20 mil profissionais atenderam a mais de 113 milhões de brasileiros, residentes, especialmente, em regiões carentes. O Ministério de Saúde de Cuba lista a atuação de seus médicos em países da América Latina e África. O governo cubano chama de inaceitáveis as ameaças de alterações no termo de cooperação firmado com a Opas e diz que o povo brasileiro saberá a quem responsabilizar pelo fim do convênio.
Programa Mais Médicos
Programa Mais MédicosFoto: Karina Zambrana/ASCOM/MS
Com informação de Folha de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Saúde:Vacina do futuro será autoaplicável e ‘enviada pelo correio’, apontam cientistas


Teste em laboratórioDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAplicação de vacina poderá ser feita sem o auxílio de um profissional no futuro, diz estudo
Imagine só a seguinte situação: você quer tomar uma vacina contra a gripe. Mas em vez de procurar o posto de saúde mais próximo, ou mesmo aquela clínica particular que vai cobrar um valor considerável pelo procedimento, você faz uma compra on-line, recebe a dose e uma seringa com microagulha pelo correio e aplica em si mesmo o produto.
Simples? Sim. Impossível? Na verdade, não.
Pelo menos é isso que querem mostrar cientistas da área de imunologia.
Um grupo de 14 pesquisadores de universidades americanas, canadenses e israelenses publicou nesta quarta-feira um artigo no periódico científico Science Advances explicando a tecnologia - que, no estudo, foi feita para uma cepa letal de gripe, mas que na vida prática poderia ser aplicada a outros tipos de vacinas.
Os pesquisadores criaram um medicamento para injeção intradérmica - ou seja, na pele, entre a derme e a epiderme -, o que facilita muito o esquema self-service: essa aplicação é fácil e pode ser feita mesmo que a pessoa não tenha nenhum conhecimento médico.
A maioria das vacinas hoje é aplicada com injeção subcutânea, que atinge camadas mais profundas do tecido e, por isso, só pode ser administrada por alguém com conhecimento médico.
As vacinas contra a gripe, por exemplo, são aplicadas no músculo deltoide, que recobre o ombro. Para adultos, usa-se uma agulha que pode chegar a 3,8 centímetros de comprimento.
O método desenvolvido pela equipe atingiu bons resultados tanto em furões - usados para verificar a eficácia dos medicamentos - quanto em humanos, mesmo quando foi testada uma das variedades mais nocivas do vírus da gripe.
O procedimento, conforme explica o artigo, é todo feito sem o auxílio de um profissional.
Pelo mecanismo, o aplicador utiliza uma microagulha que, a partir da pele, pode penetrar nos tecidos profundos ou vasos sanguíneos.
"Um dia, isto pode ser enviado pelo correio para autoadministração. Isso poderia aliviar grandemente as multidões em centros de saúde no caso de um surto ou de uma pandemia", afirmam os cientistas no estudo.
O artigo ainda lembra que, mais do que mutirões para aplicar vacinas, um grande desafio enfrentando em períodos críticos, de pandemias, é justamente a produção e a distribuição das vacinas - e a autoaplicação facilitaria a disseminação dos agentes imunológicos na população.

Vacinas turbinadas

Para melhorar a qualidade das vacinas, os cientistas têm utilizado adjuvantes - aditivos, ou melhor, agentes químicos que tornam as tornam mais eficazes -, que aumentam a resposta imunológica do organismo.
O bioquímico Darrick Carter, do Instituto de Pesquisas de Doenças Infecciosas de Seattle, nos Estados Unidos, combinou três tecnologias para obter um produto eficiente e seguro. Sempre, ressalta-se, por meio da tal microagulha.
Vacina tradicionalDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA maioria das vacinas hoje é aplicada com injeção subcutânea, que atinge camadas mais profundas do tecido e, por isso, só pode ser administrada por alguém com conhecimento médico
Carter utilizou ainda uma técnica alternativa ao uso do vírus inativado, a chamada vacina recombinante, para produzir uma resposta imunológica ainda mais forte.
Por fim, o pesquisador fez com que fosse aplicado, junto à vacina, um adjuvante à base de um lipídio que pode aumentar sua eficácia - pelo menos este foi o resultado observado em furões.
Depois de testada em animais, a vacina contra a gripe foi utilizada em 100 humanos. Não foram registrados efeitos adversos e os resultados foram positivos.
De acordo com os pesquisadores, o sucesso do teste permite um planejamento para que, num futuro próximo, seja realidade a ideia de a população receber um pacote com vacina e dispositivo para aplicação intradérmica com facilidade, pelo correio.

Reforço na produção de vacinas

Também hoje, o periódico especializado Vaccine publicou uma pesquisa que pode ser um avanço na outra ponta da questão das vacinas: a produção.
Os cientistas descobriram uma maneira, utilizando feixes de laser, para medir rapidamente a infectividade viral (a capacidade de um agente de causar infecção) no desenvolvimento e na produção das vacinas.
Isso significa melhorar a efetividade dos medicamentos, "acertando" com mais destreza a carga viral da vacina.
VírusDireito de imagemLUMACYTE
Image captionOutro estudo publicado nesta semana procura aperfeiçoar a medição da infectividade viral para dar mais celeridade à produção de vacinas
No artigo, os pesquisadores, das empresas Thermo Fisher Scientific e LumaCyte, mostram como o laser possibilita que cientistas analisem rapidamente as vacinas virais. Com a maior precisão, a ideia é que o desenvolvimento de medicamentos seja acelerado, com um grau de eficácia mantido.
"Muitas vacinas utilizam o próprio vírus para a criação de uma resposta imunológica no corpo. Assim, a medição da concentração dos vírus infecciosos é crítica para a segurança e eficácia das doses", explicam os cientistas.
A quantificação viral durante uma doença, enquanto ela é manifestada, é muito importante: afinal, atrasos na produção e distribuição da vacina podem ter efeitos sérios no dia a dia das pessoas.
Em geral, hoje em dia, essa medição é feita por meio do que se chama "teste de placas de lise". Isso significa que amostras da vacina são colocadas em uma superfície pequena e, por meio de observação microscópica, analisa-se a disseminação - ou não - do vírus. Um processo, portanto, menos acurado e menos ágil do que a novidade proposta.
Os cientistas acreditam que, com o novo método, gargalos do processo sejam eliminados. E, em breve, vacinas mais eficazes estejam disponíveis para males como ebola, zika vírus e influenza, a gripe.

Gripe

A maior dificuldade na imunização contra a gripe é a rápida mutação das cepas do vírus, que mudam praticamente a cada nova temporada de vacinação.
Cientistas, entretanto, têm trabalhado para que, em breve, esteja disponível uma vacina "universal" contra a doença - o que eliminaria a necessidade, por exemplo, de campanhas anuais de imunização, como ocorre no Brasil, sobretudo focadas na população mais idosa.
Estudo publicado no ano passado na revista Scientific Reports mostra que uma das estratégias que vêm sendo testadas pelos cientistas é a criação de uma vacina que combata a "raiz" do vírus da gripe, em vez do vírus de modo geral. Isto faria com que toda a árvore genealógica do agente infeccioso fosse combatida.
Menina toma vacinaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMaior dificuldade na imunização contra a gripe é a diferença entre as cepas do vírus, que estão em mutação constante
Esta é a ideia de pesquisadores do centro médico da Universidade de Rochester, instituição localizada ao norte de Nova York, nos Estados Unidos.
Para explicar o conceito, os cientistas envolvidos no projeto fazem uma analogia com uma flor comum. Eles afirmam que há uma proteína, chamada hemaglutinina, que tem a capacidade de cobrir o exterior do vírus da gripe. Esse efeito é semelhante ao de uma flor: há o talo e a cabeça, o caule e as pétalas.
Até então, as vacinas são todas focadas na cabeça, ou seja, a parte do vírus que acaba sendo a mais exposta - e, consequentemente, aquela que mais muda evolutivamente, no esforço para escapar das defesas imunológicas.
Os cientistas utilizaram supercomputadores para analisar as sequências genéticas dos vírus da gripe H1N1 em circulação entre humanos desde 1918. Em laboratório, o vírus foi manipulado e juntado com anticorpos humanos. O software de computador encontrou variações evolutivas no vírus tanto na cabeça quanto no caule - mas, segundo os cientistas, a variação observada na cabeça sempre foi muito maior.
"Uma vacina contra a gripe universal baseada no caule seria mais amplamente protetora do que as que usamos agora, mas essa informação deve ser levada em conta à medida que avançamos com pesquisa e desenvolvimento", afirma o professor de microbiologia e imunologia David J. Topham, um dos autores da pesquisa.
"É muito mais difícil promover as mutações no caule do vírus, mas não é impossível."

Dados

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mesmo com intensas campanhas de vacinação ao redor do mundo, estima-se que 1 bilhão de pessoas, em todo o mundo estejam infectados com o vírus da gripe. Os casos graves estão entre 3 a 5 milhões por ano - que causam de 300 mil a 500 mil mortes decorrentes da doença.
Nos Estados Unidos, as vacinas existentes ainda hoje protegem de 40% a 70% da população, também de acordo com dados da OMS.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Dica de Saúde:Pare de fazer essas 10 coisas – Elas estão acabando com seus rins




Os rins são um dos órgãos vitais do corpo e sua missão é eliminar as toxinas organismo através da urina.
Fazendo isso, eles regulam os níveis de minerais, como cálcio e fosfato.
Além do mais, podem regular a pressão sanguínea enquanto produzem hormônios essenciais, que são indispensáveis para o bom funcionamento do organismo.
Os rins também ajudam na formação de células vermelhas do sangue, que são responsáveis pelo transporte de oxigênio e nutrientes através do corpo.
Quando os rins estão doentes, podemos detectar sintomas, como vômito, mau hálito, mudança da cor da urina, tonturas, comichão na pele, problemas respiratórios, dor súbita, anemia, fadiga ou cansaço e sensação de frio o tempo inteiro.
Se você notar algum desses sinais de alerta, é bom procurar seu médico.
Mas o que causa a destruição da função renal?
São vários fatores.
Os mais comuns são:

1. Consumir pouca água
A falta de água no organismo pode levar a uma lesão renal significativa.
O sangue fica tão concentrado que o fluxo para os rins é reduzido.
Dessa forma, a capacidade dos rins de eliminar as toxinas do corpo é impedida, causando muitos problemas de saúde.
A quantidade recomendada de água por dia é de pelo menos 2 litros, no caso de uma pessoa adulta.
No entanto, certifique-se de não exagerar, pois o excesso de água pode dificultar a função renal.
E é importante também consumir uma água de boa qualidade.
Substâncias como cloro e flúor em excesso, por exemplo, são bastante prejudiciais.
2. Segurar o xixi
Esta é uma das causas mais comuns de danos aos rins.
Segurar a urina por muito tempo acaba acumulando bactérias na bexiga.
Essas bactérias nocivas causam infecções no sistema urinário. Além disso, manter a urina na bexiga, causa pressão nos rins e leva à insuficiência renal.
3. Fumar
O cigarro é muito prejudicial e todo mundo sabe disso.
Ele danifica todos os órgãos do corpo, incluindo os rins.
Vários estudos têm encontrado uma ligação entre tabagismo e doença renal, e de acordo com a Associação Americana de Pacientes Renais (AAKP), o tabagismo é a principal causa de insuficiência renal terminal (doença renal em estágio final).
Esse mau hábito aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca, reduzindo o fluxo de sangue nos vasos sanguíneos dos rins.
4. Consumir muita proteína
O consumo de quantidades excessivas de alimentos à base de proteínas, como a carne vermelha, aumenta o risco de doença renal.
Portanto, você deve limitar a ingestão de proteínas e, no caso de problemas renais, verificar com seu médico qual deve ser o percentual do consumo delas em sua dieta, a fim de evitar complicações posteriores.
5. Ingerir sal em exceso
O uso regular de quantidades elevadas de sal danifica os rins e causa diversos problemas de saúde.
Este órgão metaboliza até 95% do sódio consumido através dos alimentos.
No caso de quantidades excessivas de sal, os rins precisam trabalhar muito mais para eliminá-lo, diminuindo sua função e aumentando a pressão sanguínea.
6. Dormir pouco
Muita gente ignora a importância do descanso.
No entanto, uma boa noite de sono de 7 a 8 horas é essencial para o corpo.
Os tecidos dos órgãos se renovam durante esse período. Se isso não acontece, muitas complicações surgem, principalmente nos rins.
Numerosos estudos têm mostrado que o sono inadequada leva a um aumento da obstrução das artérias (aterosclerose) e a pressão arterial alta, que elevada a probabilidade para o desenvolvimento de doenças renais.
7. Tomar frequentemente analgésicos
Muita gente usa analgésicos e medicamentos para tratar a dor, reduzir a inflamação e curar vários problemas de saúde.
No entanto, essas drogas danificam os rins e outros órgãos do corpo.
Se você não sabe, os analgésicos podem reduzir o fluxo de sangue para os rins e obstruir a sua função.
Assim, o uso a longo prazo destas drogas pode causar doenças renais crônicas, como a insuficiência renal aguda.
8. Consumir muita cafeína
Excesso de cafeína aumenta a pressão sanguínea e a pressão sobre os rins, provocando problemas renais.
O consumo exagerado de cafeína está diretamente ligado a cálculos renais.
Ressalte-se, porém, que o consumo moderado de café ou chá (com cafeína) não é prejudicial.
Mas você deve evitar a ingestão de bebidas energéticas e refrigerantes com essa substância.
9. Abusar de bebidas alcoólicas
Estas bebidas levam toxinas para os rins e fígado, em excesso, causam danos renais.
Se você costuma beber muito álcool, saiba que o ácido úrico é armazenado nos túbulos renais, conduzindo à obstrução tubular que eleva o risco de insuficiência renal.
Além disso, o álcool desidrata o corpo e, assim, prejudica a atividade normal dos rins.
10. Menosprezar o tratamento de infecções comuns
Danos nos rins também podem ser o resultado de negligência.
Se você está com tosse, resfriados, gripe, amigdalite e faringite, então deve procurar se tratar.
O desleixo por uma infecção não tratada pode causar danos nos rins.
Então cuide do seu corpo: fortaleça a imunidade com antibióticos naturais e procure consultar-se com um bom profissional.
Por Christianne
maisvistas.tk
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 2 de setembro de 2018

Tecnologia:Aplicativo pernambucano que ajuda a emagrecer


Felipe Couto diz que trabalha com ciência comportamental para mudar a mentalidade. Foto: Filipe Ramos/Divulgação
Felipe Couto diz que trabalha com ciência comportamental para mudar a mentalidade. Foto: Filipe Ramos/Divulgação

Um aplicativo criado por pernambucanos ajuda a emagrecer através da terapia digital. O Moodar foi lançado no início de 2017 e já está em sua segunda fase de expansão, dessa vez, com parcerias com academias locais, como a Unic Espaço de Metas, que podem ofertar os planos para seus alunos com descontos. De consumidores finais, já são mais de 100 em todo o Brasil acompanhando o plano de quatro meses que custa em média R$ 119. Destes, 84% deles transformaram seus hábitos de alimentação, 80% engajaram na atividade física regular e 75% conseguem perder peso de forma efetiva. Isso tudo através de um método exclusivo desenvolvido pelos sócios Felipe Couto, especialista em inteligência artificial, a médica Fernanda Caraciolo e Carlos Leitão, também formado em tecnologia.

"Tudo começou com uma pesquisa que fiz e apontava que nove entre dez pessoas abandonavam os tratamentos para perda de peso. Com essa taxa de evasão alta, passei a buscar soluções e foi aí que encontrei a Fernanda e o Carlos e nos apaixonamos pelo assunto", explica Couto, CEO da empresa. 

Segundo ele, juntos, eles perceberam dificuldades emocionais e psicossociais que causam a desistência e se transformam em ansiedade. "Foi então que construímos um modelo que pudesse ser uma intervenção acompanhada no dia a dia das pessoas que buscam melhorar seus hábitos", reforça o gestor. 

De acordo com Couto, o método criado envolve um diário onde os usuários colocam informações sobre suas refeições, horários e atividades físicas. Esses dados são avaliados e acompanhados por um time de coachees, que trabalham as mudanças em cima dos hábitos registrados diariamente. Uma vez por semana, os usuários recebem ligações do coach que o acompanhará nos quatro meses.

"Nós trabalhamos com ciência comportamental que busca mudar a mentalidade das pessoas retirando a culpa e ansiedade da rotina de alimentação e incentivando a adoção de atividades físicas compatíveis com as metas e a realidade de cada um", resume.

O acompanhamento digital também é feito por Fernanda, que é médica e já é uma terapia conhecida nos Estados Unidos, Europa e Índia, mas ainda é pouco propagada no Brasil. "Vamos intensificar essa terapia com dados de geolocalização dos usuários também. Todos esses dados são fundamentais para o plano de metas individualizado que buscamos. Por exemplo, se João é nosso usuário e ele coloca que sempre come pão no café da manhã, como o pão é um carboidrato simples, ele não sacia por muito tempo e isso pode afetar o dia inteiro de João. Neste momento, nós vamos dar alternativas para o pão e dar conteúdo para João sobre carboidratos complexos, que são ideais para o café da manhã", completa. 

Dentro do app, que já está disponível para IOS e Android, o contato dos usurários com os coaches através do chat é ilimitado e, na ligação semanal, aspectos da reeducação são aprofundados. O tempo do programa completo é de 16 semanas. "As inscrições no plano podem ser feitas através do site http://moodar.com.br/ e, em breve, além da Unic, estaremos com parcerias com outras redes de academia", reforça Couto. A meta da equipe da Moodar é, até 2020, também estar trabalhando com clínicas. "Queremos que nossa ferramenta possa ser recomendada por profissionais de saúde para seus pacientes e, para isso, já estamos preparando um ensaio clínico". O CEO afirma que eles pretendem crescer pelo menos três vezes em clientes e funcionários. "Estamos organizando um escritório comercial em São Paulo". Folha de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 22 de julho de 2018

Doença sexual:A primeira epidemia de DST


Ilustração do século 17 com pessoa enfermaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAo longo de séculos, muitas teorias foram elaboradas para explicar a origem da sífilis, que fazia com que doentes gritassem de dor à noite
Em 1509, o jovem soldado alemão Ulrich von Hutten contraiu uma doença desconhecida quando estava na Itália. Ele sofreu com os sintomas por dez anos.
O pacidente descreveu assim sua condição: "(O tempo todo) havia furúnculos, parecidos em tamanho e aspecto com uma bolota. Tinham um cheiro tão fétido que quem o cheirasse achava que estava infectado. A cor era verde escuro. Vê-los chegava a ser pior que sentir a dor, mesmo que a sensação pareça a mesma de encostar no fogo."
Pouco antes disso, na década de 1490, a população europeia havia acabado de se recuperar das mortes provocadas pela propagação, no século anterior, da peste bubônica, surto conhecido como Peste Negra. Uma em cada três pessoas havia morrido em consequência da doença em todo continente europeu.
Com o aumento da população, chegou a prosperidade. Mas nem tudo foi positivo. Doenças desconhecidas começaram a aparecer, em meio à guerra endêmica e à fome frequente.
Litografía de 1900 aproximadameteDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionIlustrações indicavam quão mortal era a sífilis

Contágio em velocidade alarmante gerou terror

Por volta de 1495, o rei francês Carlos VIII invadiu Nápoles reivindicando direito àquele reino. Mas as tropas se contaminaram com uma doença nova.
Ninguém jamais havia visto nada parecido. Os médicos da época não encontraram nenhuma referência nos livros. O nível de preocupação foi similar ao momento em que, séculos depois, o HIV foi descoberto.
A doença que fez o soldado alemão Ulrich von Hutten agonizar também era transmitida pelo contato sexual. Era a sífilis.
ilustração de mulher na cama com caveiras atrásDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionPor muito tempo, acreditou-se que eram as mulheres as únicas responsáveis por espalhar a sífilis
As pessoas estavam aterrorizadas porque a doença se espalhou com uma velocidade impressionante. Chegou à Escócia, à Hungria e à Rússia. Com exceção dos idosos e das crianças, todos corriam risco de se contaminar. Estava nos bordeis, mas também nos castelos.
Acredita-se que os reis Francisco I e Henrique III, da França, assim como o imperador Carlos V padeceram da mesma enfermidade.
Nem os monges escaparam da sífilis. A hierarquia não importava. Cardeais, bispos e até os papas Alexandre VI e Júlio II sofreram com a doença.
A velocidade com que se espalhou revela muito sobre os hábitos sexuais da sociedade naquela época.

O curioso papel da deusa Vênus nessa história

Os franceses diziam que a doença era italiana. Mas todo o resto da Europa se referia a ela como francesa. Inicialmente, não tinha nome técnico.
Ao final, um médico francês sugeriu que chamá-la de "doença venérea" por acreditar que a causa principal era o ato sexual que, por sua vez, estava ligado à deusa romana do amor, Vênus.
A epidemia causada pela sífilis era diferente das vistas anteriormente. Ela não se concentrava numa área específica nem estava relacionada a uma época do ano.
Todos corriam risco de adoecer. E, uma vez que isso acontecia, parecia que a pessoa nunca iria se recuperar.
Se o tormento durante o dia era difícil, parecia ainda pior à noite. Os que padeciam da doença gritavam continuamente por causa da dor que sentiam nos ossos. Mas qual era a causa?
Preservativo em 1800.Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionOs preservativos começaram a ser usados no século 16 para combater a doença

Sífilis foi considerada castigo divino por pecados

No início, pensou-se que era um castigo de Deus pelos pecados cometidos pela sociedade. Assim, o primeiro passo para lidar com a doença era se arrepender e rezar por proteção divina.
Mas havia outras hipóteses. Astrólogos da época afirmavam que tinha relação com dois eclipses do Sol e a confluência de Saturno e Marte.
"As chuvas que caíram em todos os países atingidos naquela época foram tão abundantes que a terra foi contaminada com água estagnada, e não foi surpresa que a doença tivesse se apresentado", registrou um professor de Medicina da época.
O encontro das estrelas com a contaminação da terra, por sua vez, causou uma podridão venenosa do ar. A consequência foi a putrefação do corpo humano.
No começo, acreditava-se que o mercúrio era um remédio para a sífilis. Era comum usar o medicamento para tratar de problemas de pele nessa época. Esse foi o tratamento recomendado ao soldado alemão: respirar gás de mercúrio quente.
Bacteria Treponema pallidumDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA bactéria 'Treponema pallidum', que causa a sífilis, foi descoberta somente em 1905
Mas a cura era pior que a doença. Os pacientes perdiam a lucidez. No entanto, o uso do mercúrio para combater a sífilis continuou por muitos anos, até 1517, quando surgiu um novo remédio. O guáiaco, um arbusto encontrado no Haiti, supostamente era usado pelos que vinham daquela ilha.
Pedaços de tronco eram fervidos em água, e o líquido, bebido duas vezes ao dia. O tratamento completo incluía passar 30 dias em uma sala extremamente quente para suar e expelir a doença.
Nessa mesma época, estabeleceu-se uma relação entre a sífilis e o castigo divino decorrente de pecados individuais. A pessoa se contaminava se tivesse mantido uma relação sexual ilícita.
Nesse contexto, as mulheres eram consideradas as responsáveis por transmitir a doença. Eram elas que faziam os pobres homens caírem em tentação, ao estilo do casal bíblico Adão e Eva.
O estigma também afetava as crianças cujos pais sofriam com sífilis, porque era uma considerada uma doença hereditária. Gerações inteiras foram tidas como malditas.
cena de homem descontente com prescrição de mercúrioDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionInalar mercúrio foi, por anos, recomendado como tratamento para sífilis
Depois, detectou-se que a transmissão se dava de pessoa para pessoa. Assim, imaginava-se que a sífilis teve origem num lugar específico e não em consequência do clima.
Nessa época, acreditava-se que ela chegou à Europa com os marinheiros que vinham da América com Cristóvão Colombo. Supostamente, eles atracaram em Barcelona, uniram-se às tropas napoleônicas e às prostitutas. O Exército se encarregou de espalhá-la.
Mas historiadores médicos americanos não gostaram dessa teoria. Eles apresentaram, então, evidências arqueológicas para provar que a sífilis era uma doença nativa da Europa.

Identificada a causa, surge uma cura

Alexander FlemingDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA cura definitiva para a sífilis em 1943 com a descoberta da penicilina por Alexander Fleming
Ainda há dúvidas sobre de onde a sífilis surgiu inicialmente. Mas, na verdade, as décadas antes e depois de 1500 representam uma grande mudança na sociedade europeia.
A vida urbana, novas técnicas de guerra e mudanças nos comportamentos sexuais. O ambiente europeu estava em mutação constante, o que fez aumentar a incidência de doenças.
Por isso, o surgimento de novas epidemias parecia inevitável. A sífilis chegou e ficou, propagando-se, em especial, em tempos de guerra.
Com a medicina moderna, identificou-se, em 1905, a bactéria que causa a doença. E, cinco anos depois, descobriu-se o primeiro tratamento efetivo.
Mas foi somente em 1943, com a descoberta da penicilina, que se encontrou a cura para a doença.
Professor Edgar Bom Jardim - PE