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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Juízes devem seguir exemplo de Jesus, que nunca negocia a verdade,palavras do Papa Francisco



O líder da igreja católica, o papa Francisco, divulgou em seu Twitter uma mensagem pedindo para todos que integram a justiça operarem com integridade para combater as injustiças. “(Juízes) sua independência deve ajudá-los a serem isentos do favoritismo e de pressão que possa contaminar suas decisões”, disse o pontífice.
O vídeo foi postado nesta quinta-feira 4 e monstra imagens de julgamentos enquanto Francisco aconselha membros da justiça. “Os juízes devem seguir o exemplo de Jesus, que nunca negocia a verdade.”

Imediatamente seguidores do líder religioso associaram a mensagem do Papa com os atuais escândalos envolvendo o ministro da Justiça, Sérgio Moro e os procuradores da operação Lava Jato. O site The Intercept Brasil divulgou conversas entre o ex-juiz e integrantes do Ministério Público nas quais a acusação trocava informações e dados com o magistrado, algo proibido pela lei.
“O Moro precisa ver isso”, disse um seguidor em resposta ao Papa. Outro seguidor marcou o ministro no post. “Aê Sérgio Moro, a máxima autoridade do catolicismo na Terra tem uma mensagem procê. Vem cá, rapidão.”
Essa não é a primeira vez que o papa se pronuncia sobre acontecimentos no Brasil. Em maio deste ano, o líder enviou uma carta ao ex-presidente Lula pedindo coragem para o petista não desanimar.
“Tendo presente as duras provas que o senhor ultimamente, especialmente a perda de alguns entes queridos – sua esposa Marisa Letícia, seu irmão Genival Inácio e, mais recentemente, seu neto Arthur de somente 7 anos -, quero lhe manifestar minha proximidade espiritual e lhe encorajar pedindo para não desanimar e continuar confiando em Deus”, diz a carta.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Festa na Capela de São João em Bom Jardim

Hoje, sexta-feira, dia 21 de junho, daremos início ao tríduo em preparação para a 32ª Festa do Glorioso São João Batista, na Comunidade da Vila Noelândia, com a Procissão da Bandeira, saindo da residência da Sra. Lúcia Gomes, na Comunidade de Piabas, às 18h30, rumo à Capela de São João Batista, onde acontecerá a celebração da Santa Missa.
Venha, traga sua família e participe conosco!
Com informação de Matriz de Sant'Ana
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Bom Jardim reverencia festa de Corpus Christi


Na festa de Corpus Christi, a Igreja revive o mistério da Quinta-Feira Santa à luz da Ressurreição. Também a Quinta-Feira Santa conhece a procissão eucarística, com a qual a Igreja repete o êxodo de Jesus do Cenáculo para o monte das Oliveiras. Jesus, naquela noite, sai e entrega-se ao traidor, ao exterminador e, precisamente assim, vence a noite, vence as trevas do mal. Só desta forma, o dom da Eucaristia, instituída no Cenáculo, encontra o seu cumprimento: Jesus entrega realmente o seu corpo e o seu sangue. Atravessando o limiar da morte, torna-se pão vivo, verdadeiro maná, alimento inexaurível para todos os séculos. A carne torna-se pão de vida.


Na procissão da Quinta-Feira Santa, a Igreja acompanha Jesus ao monte das Oliveiras: a Igreja, orante, sente um desejo profundo de vigiar com Jesus, de não o deixar sozinho na noite do mundo, na noite da traição, na noite da indiferença de muitos. Na festa de Corpus Christi, retomamos esta procissão, mas na alegria da Ressurreição. O Senhor ressuscitou e precedeu-nos. A procissão da Quinta-Feira Santa acompanhou Jesus na sua solidão, rumo à “via crucis”. A procissão de Corpus Christi, ao contrário, responde de maneira simbólica ao mandamento do Ressuscitado: precedo-vos na Galileia. Ide até aos confins do mundo, levai o Evangelho a todas as nações. Sem dúvida, para a fé, a Eucaristia é um mistério de intimidade.

O Senhor instituiu o Sacramento no Cenáculo, circundado pela sua nova família, pelos doze apóstolos, prefiguração e antecipação da Igreja de todos os tempos. Neste Sacramento, o Senhor está sempre a caminho no mundo. Este aspecto universal da presença eucarística sobressai na procissão da nossa festa. Nós levamos Cristo, presente na figura do pão, pelas estradas da nossa cidade. Nós confiamos estas estradas, estas casas a nossa vida quotidiana à sua bondade. Que as nossas estradas sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele! A nossa vida de todos os dias estejam penetradas da sua presença. Com este gesto, colocamos sob o seu olhar os sofrimentos dos doentes, a solidão dos jovens e dos idosos, as tentações, os receios toda a nossa vida. A procissão pretende ser uma bênção grande e pública para a nossa cidade: Cristo é, em pessoa, a bênção divina para o mundo o raio da sua bênção abranja todos nós!

Na procissão de Corpus Christi, acompanhamos o Ressuscitado no seu caminho pelo mundo inteiro. E, precisamente fazendo isto, respondemos também ao seu mandamento: “Tomai e comei… Bebei todos” (Mt 26, 26s.). Não se pode “comer” o Ressuscitado, presente na figura do pão, como um simples bocado de pão. Comer este pão é comunicar, é entrar em comunhão com a pessoa do Senhor vivo. Esta comunhão, este ato de “comer”, é realmente um encontro entre duas pessoas, é deixar-se penetrar pela vida d’Aquele que é o Senhor, d’Aquele que é o meu Criador e Redentor. A finalidade desta comunhão, deste comer, é a assimilação da minha vida à sua, a minha transformação e conformação com Aquele que é Amor vivo. Por isso, esta comunhão exige a adoração, requer a vontade de seguir Cristo, de seguir Aquele que nos precede.

Por isso, a adoração e a procissão fazem parte de um único gesto de comunhão; que respondem ao seu mandamento: “Tomai e comei”.

Com atualização
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 29 de maio de 2019

O Brasil acima de tudo: religião manipulada


Resultado de imagem para pastores evangelicos


A história conta lutas nacionalistas que salvaram situações escravizantes. Os imperialismos são danosos, pois negam solidariedade e investem na opressão. Não é sem razão que combates surgiram, denúncias continuam sendo feitas e rebeldias se armam contra explorações que inundam o mundo para concentrar riquezas. Temos que observar como as ideias são propagandas, sobretudo com o auxílio de religiões cheias de dubiedades. O nacionalismo pode gerar fragmentações e esfarrapar sonhos. Querer símbolos divinos para destroçar males é uma ameaça que circula entre os ensandecidos. Não custa perguntar; como os males são produzidos?
Os debates parecem acender ódios. Conheço pessoas que não se cansam de  postar  para o vazio, dominadas por preconceitos, curtem dores de cabeça nas andança pelo facebook. Há uma perplexidade na polarização que invade o Brasil. Foge,  muitas vezes, qualquer aceno de lucidez. Elegem messias, sacrificam inteligências, expulsam o desejo de criticar. Portanto, é preciso medir o nacionalismo e não deixar de olhar seus perigos.Não esqueçam dos danos do fascismo. Lembrem-se dos discursos de Mussolini e das artimanhas de Castelo Branco. Não desprezem a história, nem se liguem em totalitarismos para se esconder da responsabilidade. Ler Hannah Arendt faz bem aos ritmos da saúde.
Há carências espalhadas como epidemias. Absurdos se tornam crenças. Analisem dizeres de afirmações confusas que buscam vitimizar os desgovernos de Jair. Devemos nos assustar com os dualismos, pois geram maniqueísmos mesquinhos. Na política, é fundamental a crítica, a dúvida, a disposição para desconfiar de quem se julgar senhor do mundo.  Quem se esconde em orações pode contaminar boas intenções, multiplicar reações negativas, fazer da ilusão uma morte anunciada.  Portanto, os escorregões provocam desastres e loucuras.
O que está acima de tudo não se desvencilha da história. Cuidem de desvendar as assombrações do tempo e compreender as larguras da crueldade do mundo. Não se assustem, porque muitas mentiras serão fabricadas. O mundo adoece, quando escolhe ser estreito e cultivar o delírio das minorias. Não caminhem fortalecendo globalizações dissonantes que mantêm desigualdades e apostam no analfabeto político. Há profetas estranhos que pregam a existências de injustiças obscuras. O controle da informação garante poderes e sufoca reflexões. Não abandonem as perguntas, nem se deitem na apatia dos oportunistas de plantão.
A astúcia de Ulisses. 
Paulo Rezende

Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Cartão celestial do BMG. Pode acreditar nas chicotas

“Cartão de crédito Fé” 


André Valadão, cantor gospel e pastor da Lagoinha Church em Orlando – EUA, lançou essa semana um cartão de crédito sem anuidade.
Em parceria com o BMG, o cartão ganhou o nome “Fé”, marca registrada do cantor, que já usa em diversos produtos, como: Camisetas, canetas, bíblias, capacete, livros, cadernos, adesivos e vários outros produtos.
Sem anuidade, o cartão é próprio para aposentados e pensionistas, e para funcionários públicos que queiram tirar um empréstimo consignado.
O caso de André Valadão ter feito propaganda do cartão durante o culto, acabou incomodando alguns evangélicos, que acham inaceitável esse tipo de publicidade dentro do templo, durante um culto.
De:www.gospelgeral.com.br
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Bispo Diocesano, Dom Francisco Lucena, presidirá Missa Solene da 93ª Festa do Glorioso Mártir São Sebastião, em Bom Jardim



Programação contará com Missas, procissão e bênção do Santíssimo Sacramento, celebrando a memória do santo protetor contra a peste, a fome e a guerra, São Sebastião

Após nove dias de Celebrações em preparação para a tradicional Festa do Glorioso Mártir São Sebastião, no próximo sábado, dia 02 de fevereiro, a comunidade católica bonjardinense celebrará o nonagésimo terceiro ano de realização da festividade em honra ao “Mártir de Cristo”, com: Missa Solene, às 09h00, presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena. Às 15h30, segunda Missa, presidida pelo Padre Pedro Francisco do Nascimento, seguida de Procissão conduzindo as Imagens de São Sebastião e Nossa Senhora da Saúde, sermão de encerramento e bênção solene do Santíssimo Sacramento, na Capela de São Sebastião (Centro).


A Festa do Glorioso Mártir São Sebastião, em Bom Jardim, no Agreste pernambucano, teve início no ano de 1926, em decorrência de uma promessa feita pelo casal Napoleão Gonçalves e Maria de Jesus, ao santo protetor contra a peste, a fome e a guerra, para que livrasse o município do terrível flagelo da peste bubônica, que assolava toda a região, posteriormente fortalecida por Otília Engrácia de Oliveira (Tila), principal nome responsável pela manutenção da festividade.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Religião:O homem acusado de fingir ser padre e ter enganado a Igreja Católica por 18 anos

Padre segura hóstiaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionIbarra foi desmascarado após alguém denunciar que sua documentação era falsa
Por 18 anos, ele ministrou comunhões, escutou confissões, celebrou casamentos e batizados. Mas a Igreja Católica na Espanha acaba de divulgar que o colombiano Miguel Ángel Ibarra praticava o sacerdócio sem ter sido ordenado padre.
Ele atuava desde outubro de 2017 como pároco na cidade de Medina Sidonia, na província de Cádis, no sul da Espanha.
De acordo com o Bispado de Cádis e Ceuta, Ibarra foi para a Espanha graças a um acordo assinado com o Arcebispo da Arquidiocese de Santa Fé de Antioquia, na Colômbia, a que ele estava vinculado anteriormente.
E foi justamente de lá que vieram as pistas que acabaram por desmascará-lo, segundo a Igreja Católica. Ibarra atuou durante anos como pároco em várias dioceses da Colômbia.
Houve uma denúncia contra ele e, após uma investigação, a Arquidiocese colombiana descobriu que os documentos que credenciavam seu sacerdócio haviam sido falsificados - e que, na verdade, ele nunca havia sido ordenado.
Após ser notificada da farsa, a diocese de Cádis e Ceuta determinou que Ibarra fosse destituído de suas funções.
"O suposto sacerdote terá que responder, nos próximos dias, à Arquidiocese de Santa Fé de Antioquia, onde é procurado", diz o comunicado.
Batina de padreDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDurante 18 anos, Ibarra atuou como sacerdote sem nunca ter sido ordenado padre
Mas o que vai acontecer com os casamentos e demais sacramentos que Ibarra ministrou por quase 20 anos?
De acordo com as autoridades eclesiásticas, os casamentos e batismos continuarão válidos, mas o mesmo não se aplica às comunhões ou confissões que ele ouviu.
"A diocese de Cádis e Ceuta já está trabalhando na respectiva investigação e na reparação das consequências que a atuação desta pessoa pode ter acarretado", indica o texto.
Ao jornal espanhol El País o homem acusado de ser um falso padre afirmou ter documentos que comprovam sua experiência no sacerdócio, mas não quis dar mais explicações sobre as acusações que pesam contra ele. O paradeiro de Miguel Ángel Ibarra é desconhecido.
Esta não é a primeira vez que um indivíduo é acusado de fingir ser sacerdote.
Em 2008, um homem que não havia sido ordenado padre foi desmascarado ouvindo confissões na Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Ele se vestia como um sacerdote, mas quando as autoridades italianas checaram sua documentação, descobriram que ele era um impostor.
BBC
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

PARCIAL:TRE passa vergonha com postura ditatorial


O TRE notificou o Bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Limacedo, proibindo-o de falar da situação política que o país vive em suas homilias. Edir Macedo usa a TV Record para fazer campanha de Bolsonaro. A  censura também ocorreu em diversas universidades. 

Pernambuco 247 - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Pernambuco proibiu o bispo dom Limacêdo Antônio da Silva, da arquidiocese de Olinda e Recife, de se manifestar sobre política durante missas que celebrar. 
Enquanto isso, o bispo Edir Macedo utiliza uma concessão pública do alcance da TV Record em claro benefício da candidatura de extrema-direita de Jair Bolsonaro (PSL) com o consentimento da Justiça Eleitoral. 
O jornalista Luis Costa Pinto criticou a decisão. "Um escândalo e uma violência. Dom Limacêdo, bispo-auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, foi notificado por 3 proto-fascistas de toga, juízes da propaganda eleitoral do TRE pernambucano, a se eximir de falar de política em suas homilias.  No último domingo Dom Limacêdo falou sobre Democracia e violência. Exaltou a Democracia e condenou a violência e o fascismo", disse Costa Pinto. 
"A síndrome da pequena autoridade, o arrivismo que acomete e encoraja os guardas da esquina nos regimes fascistas ditatoriais, espalha-se como peste negra pelos juizecos de 1a instância.  Querem impedir a primavera de 28 de outubro de florir nas urnas de domingo", acrescentou o jornalista em seu Facebook. 
Com informações de Brasil 247.com
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 2 de setembro de 2018

Religião:A 'guerra civil' na Igreja Católica que pode abalar pontificado do papa Francisco

Mulher reza na Basílica de Santa Maria, em RomaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMulher reza na Basílica de Santa Maria, em Roma; disputa entre alas da Igreja Católica extrapolou corredores do Vaticano para ser travada em público
Uma guerra ideológica que há anos divide a Igreja Católica deixou os corredores do Vaticano nesta semana para ser travada em público.
De um lado, estão o papa Francisco e aqueles que apoiam sua visão de uma Igreja mais liberal em relação a temas como divórcio e homossexualidade. De outro, conservadores que criticam essa tentativa de abertura e temem um enfraquecimento da religião.
O embate ganhou manchetes com a divulgação, no domingo passado, de uma carta em que o ex-núncio apostólico na capital americana, Carlo Maria Viganò, acusa Francisco de ter acobertado crimes sexuais cometidos pelo ex-arcebispo de Washington, Theodore McCarrick, e pede a renúncia do papa.
O documento de 11 páginas, publicado por sites religiosos conservadores nos Estados Unidos, não oferece provas, mas chega em um momento em que fiéis do mundo inteiro estão abalados por sucessivas revelações de abusos sexuais contra crianças cometidos durante décadas por membros do clero em vários países.
A carta foi divulgada enquanto o papa visitava a Irlanda, um dos países afetados. Francisco se reuniu com vítimas e pediu perdão por abusos cometidos por membros da Igreja, ritual repetido em outras viagens. Mas muitos católicos lamentam a falta de medidas concretas e de uma resposta rápida aos escândalos, e alguns chegaram a abandonar a Igreja.
Nesse momento de vulnerabilidade, a sugestão de que o papa seria cúmplice dos abusos pode abalar seu pontificado e expôs as divisões na alta hierarquia da Igreja Católica.
"Essas acusações se tornaram parte de um embate ideológico muito maior. Um dos lados vê Francisco como o papa que finalmente abriu a Igreja a um entendimento mais realista sobre sexualidade, casamento, homossexualidade", disse à BBC News Brasil o professor de teologia e estudos religiosos Massimo Faggioli, da Universidade Villanova, na Pensilvânia.
Praça de São Pedro, no VaticanoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAcusações contra papa são parte de um embate ideológico dentr do Vaticano
"O outro lado acredita que isso significa o fim da Igreja, e está disposto a fazer qualquer coisa para impedir isso. Mesmo que seja o maior tabu, que é pressionar um papa a renunciar, o que não acontece há seis séculos", ressalta, referindo-se à renúncia de Gregório 7º, em 1415.

Oposição

Desde que foi eleito, em março de 2013, o papa é alvo de oposição por parte da ala conservadora da Igreja, tanto dentro do Vaticano quanto entre acadêmicos, que rejeitam o que consideram um afastamento da doutrina e tentam impedir reformas. No ano passado, dezenas de teólogos chegaram a assinar uma carta em que acusam Francisco de divulgar heresias na exortação apostólica sobre a família Amoris Laetitia, de 2016.
O documento, que é uma tentativa de abrir novas portas para católicos divorciados e tornar a Igreja mais tolerante com questões relacionadas à família, representa um sinal claro de dissidência, que reflete o descontentamento dos setores mais conservadores da instituição.
Apesar de não ter adotado mudanças concretas profundas nos ensinamentos da Igreja, o papa defende uma postura menos rígida e em sintonia com atitudes modernas em relação a fiéis que se afastaram da doutrina, demonstrando tolerância a homossexuais e permitindo que católicos divorciados ou casados novamente recebam a comunhão.
Francisco também deu destaque a questões sociais, incentivando os fiéis a cuidar dos pobres, acolher imigrantes e refugiados e combater mudanças climáticas, e rejeitou alguns privilégios do cargo, optando, por exemplo, por não morar no Palácio Apostólico.
Em sua carta, Viganò não apenas acusa Francisco de acobertamento, mas tenta conectar as críticas que conservadores fazem ao papa, especialmente à postura de aceitação de gays - em referência a uma entrevista dada após viagem ao Brasil, em 2013, quando o pontífice disse "Se um gay busca Deus, quem sou eu para julgar" -, aos escândalos de abusos sexuais, afirmando que "redes homossexuais" dentro da hierarquia da Igreja são cúmplices na "conspiração de silêncio" que permitiu que os abusos praticados por McCarrick e outros continuassem.
A sugestão de que homossexualidade e abusos estejam relacionados é amplamente rejeitada por especialistas, mas ainda persiste em algumas alas da Igreja. Apesar de muitos dos abusos terem ocorrido há várias décadas, durante os pontificados dos antecessores de Francisco, opositores ligam a crise à incapacidade do papa de manter sob controle a homossexualidade entre o clero.
McCarrick, que liderou a arquidiocese de Washington de 2001 a 2006, durante os pontificados de João Paulo 2º e Bento 16, renunciou ao posto de cardeal em julho, após acusações de que teria assediado seminaristas adultos e abusado de um menino durante anos. Ele diz que é inocente.
McCarrick havia deixado a arquidiocese ao completar 75 anos, idade em que os bispos católicos são obrigados a apresentar sua renúncia - que pode ser aceita pelo papa ou não -, mas permaneceu no Colégio dos Cardeais, que aconselha o pontífice.
Souvenires do papa Francisco no VaticanoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEm momento de vulnerabilidade, a sugestão de que o papa seria cúmplice dos abusos pode abalar seu pontificado e expôs as divisões na alta hierarquia da Igreja Católica
Viganò alega que vários membros do Vaticano sabiam da conduta imprópria do cardeal havia anos. Segundo a carta, depois que McCarrick deixou a arquidiocese em Washington, Bento 16 havia proibido que ele, que ainda era cardeal, oficiasse missas e vivesse em um seminário, entre outras restrições. Mas Francisco, apesar de saber das acusações, teria levantado essas restrições e até permitido que o cardeal ajudasse na escolha de bispos americanos
Os católicos americanos ainda tentam digerir as revelações divulgadas no início de agosto em um relatório da Suprema Corte do Estado na Pensilvânia. O documento acusa pelo menos 300 padres de terem abusado de mais de mil crianças ao longo de 70 anos e líderes da Igreja de terem acobertado os crimes.

Reações

Apoiadores do papa e alguns sobreviventes de abusos questionam a credibilidade das alegações, apresentadas sem evidências, e acusam Viganò de usar o sofrimento das vítimas para avançar sua agenda política e uma vingança pessoal contra Francisco.
Alguns observam que McCarrick apareceu em vários eventos, inclusive ao lado de Bento, no período em que supostamente estaria sob sanções, e lembram que foi Francisco, ao contrário de seus antecessores, que forçou o cardeal a renunciar.
Também ressaltam o fato de os principais nomes criticados na carta serem liberais e aliados do papa, o que levantaria suspeitas de que as acusações têm motivação ideológica.
"Esse documento não tem o objetivo de proteger crianças, e sim atacar o papa e qualquer um associado a ele", disse à BBC News Brasil o pesquisador de estudos católicos Michael Sean Winters, colunista do jornal National Catholic Reporter.
Mas alguns bispos conservadores defenderam o ex-núncio como um homem de princípios. Um deles, Joseph Strickland, de Tyler, no Texas, orientou padres de sua diocese a ler durante a missa do último domingo uma declaração em que afirma acreditar nas alegações.
Um dos principais opositores do papa, o cardeal americano Raymond Burke, ex-arcebispo de St. Louis, disse em entrevista à imprensa italiana que, caso as alegações sejam comprovadas, "sanções apropriadas" devem ser aplicadas.
Arcebispo Carlo Maria Vigano em missa, em foto de 2015Direito de imagemREUTERS
Image captionCarlo Maria Viganò acusa Francisco de ter acobertado crimes sexuais cometidos pelo ex-arcebispo de Washington e pede a renúncia do papa

Histórico de polêmicas

Viganò tem um histórico de polêmicas. O italiano de 77 anos trabalhou em missões do Vaticano no Iraque e no Reino Unido, foi núncio apostólico na Nigéria e ocupou altos cargos na Cúria Romana, mas nunca foi promovido a cardeal.
Ele próprio já foi acusado de tentar acabar com uma investigação sobre a conduta sexual de um ex-arcebispo em 2014, segundo documentos relacionados à arquidiocese de St. Paul-Minneapolis. Também foi personagem no escândalo "Vatileaks", em 2012, em que documentos do Vaticano foram vazados, entre ele cartas em que Viganò sugeria que sua transferência para Washington, em 2011, estaria relacionada aos seus esforços contra a corrupção na Santa Sé.
Em 2015, durante a visita de Francisco aos Estados Unidos, Viganò organizou um encontro surpresa entre o papa e uma funcionária pública que havia se recusado a emitir licenças de casamento para casais do mesmo sexo alegando motivos religiosos. O encontro foi visto como um desafio à mensagem de inclusão do papa e obrigou o Vaticano a divulgar uma declaração se distanciando da funcionária. Pouco tempo depois, Francisco substituiu Viganò.
Em sua temporada em Washington, Viganò cultivou relações com setores católicos conservadores críticos do papa, um grupo que Winters descreve omo "pequeno, mas muito bem organizado e muito bem financiado".
Segundo Faggioli, desde o início do pontificado de Francisco, círculos conservadores do catolicismo americano deixaram claro que não gostavam do papa e de suas tentativas de reforma. Ele observa ainda que poucos bispos nos Estados Unidos defenderam o papa após a publicação da carta. "A maioria dos bispos está esperando (para de posicionar)", acredita.
Por enquanto, o papa tem mantido silêncio sobre as acusações de Viganò, limitando-se a dizer que o documento "fala por si próprio". Segundo analistas, o papa não quer dar mais visibilidade a seus críticos.
Mas no avião ao voltar da Irlanda, ao responder a uma pergunta sobre o que pais deveriam dizer a um filho ou filha que revela ser gay, o papa disse: "Não condene. Dialogue, entenda."
Faggioli diz acreditar que a carta de Viganò tem inconsistências e "buracos", mas mesmo assim considera fundamental que o papa e outros líderes católicos respondam a algumas questões, especialmente sobre McCarrick.
"Os católicos americanos, tanto liberais quanto conservadores, querem saber como foi possível que essa pessoa se tornasse um dos mais importantes líderes da Igreja enquanto outros sabiam (dos abusos). Como isso pode acontecer?"

Professor Edgar Bom Jardim - PE