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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Bom Jardim: Por que o povo urina no terminal de passageiros, na rua e na parede ao lado Sindicato?



Quem faz caminhada diariamente nas ruas do centro de Bom Jardim, percebe o mu cheiro de urina humana e até mesmo de fezes depositadas no Terminal Rodoviário de Transportes Alternativos, que fica  bem colado com a parede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

O Terminal Rodoviário foi construído no final da gestão do prefeito Miguel Barbosa. Faltou construir um sanitário público anexo, para atender diariamente quem precisa  fazer suas necessidades fisiológicas ao  esperar carros de lotação na Ruas Israel Fonseca com Travessa do Derby, bem no centro. O  local é parada obrigatória de toyotas, chevettes, ônibus e outros. 

As cidades brasileiras são carentes de sanitários públicos para atender o público que tanto necessita deste serviço primordial. Os administradores públicos negligenciam, estão desconectados da realidade. O povo sofre, o patrimônio público é destruído, a cidade fede, fica feia, a população fica rotulada de mal educada, alienada por não cobrar seus direitos diante de suas necessidades básicas.  Os governantes e autoridades da cidade precisam fazer o que é certo, o necessário. Fica o registro e o pedido de providências para se construir sanitários e restauração do local. É simples e barato corrigir.
Fotos: Edgar S. Santos
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 27 de maio de 2018

Caminhoneiros encaram Rede Globo, "grande mídia" e Temer


Durante todo dia deste domingo, 27 de maio de 2018,  uma guerra  de informações vem sendo travada entre caminhoneiros contra a grande mídia nacional. "Rede Globo, Rede Record, Sbt, outras emissoras  querem paralisar,  desmoralizar o movimento, diz André Janones e Chorão, que se intitulam também organizadores do Fora Temer, coordenado em São Paulo por Wilson Paiva. Segundo Janones, o movimento é composto por agricultores, médicos, caminhoneiros, empresários, advogados. "A nossa luta é para retira da carga dos combustíveis... A luta dos caminhoneiros é uma luta do povo brasileiro para baixar o imposto do gás, energia, água, lutamos  por mais  saúde, educação", disse Jorge Honorato.  'Hoje, a Rede Globo, vai fazer uma reportagem no Fantástico, para criminalizar o movimento com o presidente Temer.  "Não se deixe  a globo  te manipular,  o povo brasileiro não pode ser engano, aqui tem homem trabalhador" 

" Quero parabenizar o Exército Brasileiro, que passou por nossa manifestação e viu tá tudo organizado, tudo certo,  aqui não tem baderneiro; Vocês da Polícia Rodoviária Federal e todas as Forças de Segurança, aqui(Goiás), são tudo nota 10. A polícia saber diferenciar gente trabalhadora  gente boa, de quem vive saqueando o nosso país."... "Nós vamos derrubar esse governo ilegítimo (Temer) e a Rede Globo"; Nós não aceitamos cooperativa, sindicato no movimento sem conversar com a classe trabalhadora", Disse Chorão. "Vamos pra rua hoje em São Paulo e em várias capitais do Brasil...Não arredem o pé"! 
"Temer você chegou de forma ilegítima ao poder, você tá roubando nosso  dinheiro, nosso pais... Vocês de Brasília, roubam o dinheiro da saúde, da educação, das estradas, tem  gente que tá morrendo nas filas dos hospitais, sem atendimento, sem operação, sem exame, atendimento. Vocês tem dinheiro para mordomias e pra educação, saúde, para o homem trabalhador norte, nordeste, vocês acabaram com tudo, não é a greve, não é a paralisação dos caminhoneiros, isso não é de hoje", afirmam caminhoneiros...
Durante toda programação deste domingo a Rede Globo , Record, Band exibem matérias, entradas ao vivo na programação. A emissora de maior audiência vem sofrendo muitas críticas da população nas redes sociais. "A  Globo esqueceu da série Carga Pesada "

https://www.facebook.com/AndreJanones/videos/1888744807843723/?q=andr%C3%A9%20janones
https://www.facebook.com/wilsonpaivauti/videos/vb.731287436996788/1579353335523523/?type=2&theater


Professor Edgar Bom Jardim - PE

sábado, 19 de maio de 2018

A coisa tá ficando preta:‘Com Obama meu filho se viu como presidente; agora minha cor está na família real’

Smith e BahamasDireito de imagemBBC BRASIL
Image captionAs americanas Smith e Bahamas (à dir.) foram à Inglaterra só para ver o casamento real
Karin Bahamas viajou de Nova York para a cidade de Windsor, a 40 km de Londres, para finalmente conseguir "se ver" ocupando espaços até então restritos à nobreza branca europeia.
A chegada da conterrânea Meghan Markle ao núcleo da família real britânica, ao se casar com o príncipe Harry, neste sábado (19), a fez lembrar da sensação que o seu filho experimentou quando Barack Obama se transformou no primeiro negro a ocupar a Casa Branca, nos EUA.
"Antes de Obama, viamos todos aqueles homens que não refletiam quem somos (na presidência dos EUA). Depois, meu filho encontrou um presidente igualzinho a ele."
Ela prossegue: "A importância desse casamento vai além do Reino Unido e mostra como as coisas mudaram no mundo. Para mim, que também tenho um casamento interracial, é incrível ver na família real alguém da minha cor".
Coro de cantores negros canta 'Stand by me' no casamento de Harry e MeghanDireito de imagemREPRODUÇÃO / PALÁCIO DE KENSINGTON
Image captionCoro de cantores canta 'Stand by me' no casamento de Harry e Meghan
Bahamas viajou junto da amiga Leslie Smith, que também é negra e se vestiu a caráter com um fascinator (enfeite de cabeça tradicionalmente usado em casamentos da elite britânica), porque faziam questão de presenciar este "momento histórico".
"Meghan não é só uma mulher independente. Ela também é fruto de uma mistura racial. Isso é magnífico", disse, enquanto posicionava sua cadeira e buscava uma garrafa de champanhe.
"Acho que o legado da (princesa) Diana para seus dois meninos foi o de se casarem com quem eles amem. E é impressionante como a familia real tem respeitado isso."

Revolução Meghan

Não o foi so a dupla de americanas que ressaltou a "importância histórica" do casamento.
A BBC Brasil acompanhou a cerimônia do lado de fora do castelo de Windsor, onde mais de 100 mil pessoas vindas de diversos lugares do mundo se reuniram desde as primeiras horas deste sábado.
Entre os muitos negros presentes, o principal interesse no evento era a diversidade que a figura de Meghan traz a uma instituição tão tradicional quanto a familia real britânica.
O angolano IsraelDireito de imagemBBC BRASIL
Image captionO angolando Israel Campos esteve no meio da multidão que acompanhou a saída dos noivos da capela
O angolano Israel Campos, de 18 anos, estuda no interior da Inglaterra e veio sozinho a Windsor "para ver uma realidade que só encontramos nos filmes".
"É um conto de fadas real", disse, mostrando satisfação ao encontrar interlocutores que também falavam português.
"Há um tempo atras era impensável uma pessoa como a Meghan, que é atriz, modelo fotográfica e tem raízes negras, entrar para a familia real. Ela vem quebrar padrões e mostrar que as pessoas dos castelos e dos contos não têm que ser necessariamente de um tipo. Não há um padrão para ser bonito ou da realeza, para ser importante. O padrão está dentro de nós, é aquilo que nós somos. Meghan traz uma revolução grande e sabe disso", afirmou o jovem à BBC Brasil.
Meghan, antes de se casar com Harry, trabalhou por anos como atriz e era uma das protagonistas da série Suits, da Netflix, que mostrava a vida num escritório de advocacia. Ela precisou abandonar a carreira para se tornar integrante da familia real.
A americana conciliava o trabalho como atriz com o ativismo: foi embaixadora da ONU Mulheres, onde se declarou várias vezes feminista.
Noiva entra na capela, com crianças carregando a calda do vestidoDireito de imagemDANNY LAWSON/PA WIRE
Image captionO momento em que a noiva Meghan Markle entra na capela
O fato dela ter entrado sozinha na capela de São Jorge, já que seu pai não pode comparecer à cerimônia por problemas de saúde, foi elogiado entre as mulheres presentes do lado de fora.
Só já perto do altar ela caminhou acompanhada do príncipe Charles.

Minorias

A repercussão em torno da origem de Meghan, que será chamada a partir de agora de duquesa de Sussex, se justifica pela composição étnica da sociedade britânica - majoritariamente branca.
Segundo dados do Censo de 2011, apenas 3,5% da população do país se declaravam negros. Já os mestiços, chamados no Reino Unido de "mixed race", representavam 2%. Ainda assim as minorias étnicas estão em crescimento - em 2001, o percentual total era de 9% e passou para 14% em 2011.
Reverendo Michael Curry, negro, discursa no casamento de Harry e MeghanDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionReverendo americano Michael Curry discursa no casamento de Harry e Meghan
Dentro desse contexto, também foi simbólica a presença de um reverendo negro e americano, Michael Curry, na celebração do casamento.
Curry discursou por 13 minutos e citou por duas vezes frases do ícone da luta pelos direitos civis dos negros americanos, Martin Luther King, assassinado há 50 anos. "Precisamos descobrir o poder redentor do amor. Quando o fizermos, faremos deste velho mundo, um mundo novo."
O casamento também teve um coral de cantores gospel e um violinista negro.

Simbologia x realidade

Apesar do poder simbólico da união ressaltado pelos presentes não se sabe se isso vai influenciar a dinâmica racial no Reino Unido.
Entre 2015 e 2016, o Ministério do Interior britânico registrou um aumento de 41% nos crimes de ódio, que incluem ataques a minorias raciais.
Quando o príncipe assumiu oficialmente o relacionamento com Meghan, pediu que a imprensa maneirasse nas tintas racistas e sexistas em relação à sua então namorada.
Violoncelista Sheku Kanneh-Mason, de 19 anos, toca enquanto Harry e Meghan assinam o registro matrimonialDireito de imagemREPRODUÇÃO / PALÁCIO DE KENSINGTON
Image captionVioloncelista Sheku Kanneh-Mason, de 19 anos, toca enquanto Harry e Meghan assinam o registro matrimonial
Ela também sofreu comentários racistas nas redes sociais. Além disso. em fevereiro deste ano, a polícia de Londres classificou como "crime de ódio racista" uma carta com ofensas endereçadas ao casal.
Apesar da incógnita sobre o poder de transformação do casamento de Meghan e Harry na sociedade britânica, a presença de uma afrodescendente na familia real gera esperanças nas próximas gerações.
A pequena Zara Pochan, de nove anos, junto com a mãe e e a tia, balançava uma bandeirinha inglesa com a foto dos noivos.
A pequena contou à BBC Brasil que aprendeu com Meghan a "nunca desistir e sempre dar seu máximo". "A autoestima dela me inspira", afirma ela, que sonha em ser ginasta.
A jovem ZaraDireito de imagemBBC BRASIL
Image captionA pequena Zara se sentiu inspirada pelo casamento real


Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O afeto: celebrações fabricadas e ilusórias



A solidão absoluta é uma mentira. Todos temos momentos de isolamentos. O que era a vida na época que Atenas desfrutava dos ensinamentos de Platão? O que é hoje o cotidiano marcado pelas máquinas e anseios? A história não escolhe caminhos , pode vacilar e cair em abismos. Não há destinos. A vida corre entre alegrias, desprezos, abandonos. Portanto, não consagremos datas para exprimir afetos, sem desconfianças. É bom comemorar, porém observar as sinuosidades do consumo faz parte da sabedoria.A geometria do universo está fora do cognoscível, por isso as agonias nos fazem mínimos.
A troca de presentes não é novidade. Quem conta aventuras se lembra de Ulisses. Nada como uma dádiva, uma abraço, um acolhimento. Depois que o capitalismo assumiu a dominação houve mudanças expressivas. As mercadorias se multiplicaram, os lucros se acenderam, o movimento do comércio extrapolou. Cria-se uma calendário para forçar comportamentos. Tudo é feito com estratégia bem montada. É preciso anunciar, produzir imagens, soltar o verbo inventando prazeres. As ruas se enchem de carros, os restaurantes reservam lugares, os ruídos se ampliam, porém as apatias não morrem, nem a fragilidade desaparece.
Não como negar que muitos relaxam. Outros amanhecem com ressacas, se sentem cínicos e se descobrem no meios de farsas. Não há expectativas homogêneas e os prazeres respondem perguntas dos vazios de cada um. O mundo não tem uma único ritmo,a sociedade arquiteta relações festivas, mas há esquisitices e mesquinharias. Querer que as relações sejam todas sinceras é um tormento. Estamos numa sociedade de refúgios, de políticas enganosas, de valores trêmulos. As dúvidas estão no meio do corpo e não adianta sepultá-las. Há pessoas que pessoas que torcem pelo fracassos, trancam os lábios, pintam-se com a palidez da melancolia.
Os humanos são espertos. Não consolidam a felicidade, sentem que há estranhamentos, mas se armam com astúcias e escondem-se em labirintos. Ninguém vive solidões infinitas. A história possui seus eternos retornos. Há exílios doloridos, depressões orgânicas, drogas radicalizadas. Não pense que a batalha do bem contra o mal é o resumo da tudo. Tudo se desenha em tempos e lugares. As hesitações perturbam, mas alertam. Quem se banha de luzes pode também penetrar na escuridão. Relacionar-se é um pertencimento. Sem ele, mergulhamos em contabilidades. O calendário não deve se congelado, nem opressivo. Respirar é um dever, para não acumular repetições. Adão e Eva nunca se amaram. Acreditavam no pecado original e num Deus que não viam.
Por Paulo Rezende. A astúcia de Ulisses
Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 9 de abril de 2018

DEBATE Roda Viva | O peso da lei | 09/04/2018

Assista ao Vivo


Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 4 de abril de 2018

I have a dream - Eu tenho um sonho - Quem foi Martin Luther King Jr?



"Eu tenho um sonho." Martin Luther King será sempre lembrado por seu famoso discurso e por seu grande sonho: negros e brancos vivendo em paz uns com os outros, liberdade e justiça sendo desfrutadas por todos os americanos, e seus quatro filhos vivendo em um país onde não são julgados pela cor da pele, mas por seu caráter.
Com tal ideal, King entrou para a história. Mais de 250 mil norte-americanos, incluindo brancos, acompanharam seu discurso durante a Marcha sobre Washington, em 23 de agosto de 1963. O objetivo de King era fortalecer os direitos dos negros e chamar atenção para os problemas cotidianos por eles enfrentados.
Com seu discurso e suas ideias, King inspirou os cidadãos, estimulando-os a imaginar uma coexistência mais justa entre negros e brancos. Ele próprio vivenciou a segregação racial desde cedo. Nascido em 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, na Geórgia, sob o nome de Michael King Jr., filho de um pastor e de uma professora, ele passou grande parte da infância brincando com dois vizinhos brancos – até que um dia seus pais o proibiram de ver os amigos.
Mas King não se deixou abalar. Tanto na escola quanto nos estudos de Sociologia e na Teologia, ele brilhou, mesmo que, após sua morte, tenha vindo à tona que ele plagiou partes de sua tese de doutorado. Aos 17 anos, ele se tornou pastor assistente do pai em Atlanta. Tanto pai quanto filho tinham uma profunda fé em Deus, o que acabou manifesto em seus nomes.
Em 1934, King Pai viajou para Berlim para participar do Congresso Mundial Batista. Durante a viagem, ele aprendeu muito sobre o reformador Martinho Lutero e ficou fascinado. Ao voltar para casa, King Pai mudou seu nome e o nome do filho para Martin Luther King.
O filho não se interessava apenas por religião. Ele também lia Aristóteles, Platão e Marx e gostava particularmente dos escritos de Mahatma Gandhi. "Através do foco de Gandhi no amor e na não violência, descobri o método de reforma social que eu buscava", disse King. Em 1953, ele se casou com Coretta Scott Williams, com quem teve quatro filhos.
King se engajou de fato pela primeira vez depois que a ativista negra dos direitos civisRosa Parks foi presa em 1955 por se recusar a dar lugar para um homem branco em um ônibus público em Montgomery, no Alabama.
Por mais de um ano, King e outros ativistas boicotaram ônibus públicos. A resistência foi bem-sucedida: em 1956, a Suprema Corte proibiu a segregação racial no transporte público de Montgomery. No ano seguinte, King fez dezenas de discursos e escreveu um livro sobre suas experiências na cidade.
King também apoiou os integrantes das chamadas Freedom Rides (Viagens da Liberdade) na Geórgia, nas quais os negros se manifestavam em pequenos grupos e de maneira pacífica contra a segregação no espaço público.
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King na Marcha pelos Direitos Civis em Washington (Foto: Wikimedia)
Por fim, os protestos da população negra em todo o país acabaram por surtir efeito. Em junho de 1963, o então presidente, John F. Kennedy, apresentou a Lei dos Direitos Civis, que previa igualdade ampla e nacional. Um ano depois, após o assassinato de Kennedy, o novo presidente, Lyndon B. Johnson, ratificou a lei.
Apesar dos desdobramentos políticos, King e outros líderes de vários movimentos de direitos civis não desistiram de sua manifestação em Washington, programada para 28 de agosto de 1963. Caso contrário, o famoso discurso "Eu tenho um sonho" (I have e dream) de Martin Luther King em frente ao Lincoln Memorial provavelmente nunca teria acontecido.
Um ano depois, King recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Mas sua luta pela igualdade de direitos não parou por aí. A igualdade racial existia apenas no papel, razão pela qual ele organizou em 1965 as Marchas de Selma a Montgomery, no Alabama, a fim de chamar a atenção para a desigualdade entre brancos e negros quanto ao direito ao voto.
As marchas foram reprimidas pela polícia diversas vezes, mas acabaram alcançando a cidade vizinha. Na sequência, o presidente Lyndon Johnson mudou de ideia e se disse favorável a uma nova lei eleitoral. A Lei dos Direitos de Voto foi aprovada pelo Congresso no verão de 1965.
Enquanto isso, grupos violentos se organizavam sobretudo em cidades na Califórnia e nos estados do norte. Para eles, o progresso era muito lento. Desilusão e decepção se alastraram até que finalmente Malcolm X e o Partido dos Panteras Negras colocaram em xeque as ideias não violentas de Martin Luther King.
Mas King não desistiu. Seguindo o exemplo de Lutero, ele pregou, após um discurso em 1966, 48 teses na porta da Prefeitura de Chicago. Inicialmente, lá também houve resistência a King, que não deveria interferir nos interesses dos negros em Chicago. Mas King permaneceu firme. Do mesmo modo, suas mais de 30 detenções não o desviaram de sua convicção.
King não encontrou rejeição apenas entre a população. Durante anos, ele teve um relacionamento difícil com o FBI, o principal órgão investigativo do Departamento de Justiça. O FBI o interrogou, considerou-o comunista.
Além disso, os investigadores ameaçaram publicar informações privadas do ativista, incluindo suas infidelidades, se ele não parasse de fazer campanha pelos direitos civis dos negros. King acusou o FBI de não fazer nada diante da violência contra os negros.
Mas novamente King não se intimidou. O FBI não conseguiu interromper seu trabalho, somente James Earl Ray conseguiria tal feito. O racista diversas vezes condenado atirou em King no dia 4 de abril de 1968 na varanda de um hotel em Memphis, Tennessee. King tinha 39 anos de idade.
O assassinato provocou revoltas significativas em muitas cidades dos EUA. Um total de 39 manifestantes foram mortos, e cerca de 10 mil, presos.
Até hoje, King é considerado um herói da história norte-americana, e seus sonhos acompanham muitos negros nos Estados Unidos, incluindo sua neta Yolanda Renee King, que só recentemente apareceu em público.
No último dia 24 de março, durante a marcha pelas nossas vidas, em Washington, ela expressou seus desejos: "Meu avô sonhou que seus quatro netos não seriam julgados pela cor da pele, mas pelo caráter deles. Eu tenho um sonho de que já basta. De que este deveria ser um mundo livre de armas e ponto", disse a menina de nove anos, não muito longe do lugar onde o avô realizou seu famoso discurso.
Fonte:https://www.youtube.com/watch?v=fz_7luovxPc
Carta Capital
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 4 de março de 2018

Brasil tem 190 línguas em perigo de extinção

Os idosos Känä́tsɨ e Híwa, últimos falantes da língua warázu, sentados em frente à sua casa em RO, com a acessórios de seu povo indígena na cabeça
Image captionKänä́tsɨ (à esq.) e Híwa falam entre si uma língua que só eles conhecem | Foto: Liames/Unicamp
Moradores da fronteira do Brasil com a Bolívia, o casal Känä́tsɨ, de 78 anos, e Híwa, de 76, são os dois últimos falantes ativos da língua warázu, do povo indígena Warazúkwe.
Os dois se expressam mal em castelhano e português, e conversam entre si somente em warázu – embora seus filhos e netos que moram com eles falem em português e espanhol.
"Aquela casa desperta, para quem entra nela, uma sensação incômoda de estranheza, como se o casal idoso que vive nela viesse de outro planeta, de um mundo que eles nunca poderão ressuscitar", escrevem os pesquisadores Henri Ramirez, Valdir Vegini e Maria Cristina Victorino de França em um estudo publicado na revista Liames, da Unicamp.
Com ajuda do casal idoso, esses linguistas da Universidade Federal de Rondônia descreveram pela primeira (e possivelmente a última) vez o idioma do povo Warazúkwe.
O casal nasceu em Riozinho, em Rondônia, mas a comunidade warazúkwe em que viviam foi abandonada nos anos 1960, forçando os dois a se mudar diversas vezes entre Brasil e Bolívia até se estabelecido em Pimenteiras (RO).
O casal Känä́tsɨ (à esq.) e Híwa posa para foto
Image captionKänä́tsɨ (à esq.) e Híwa são os últimos falantes ativos da língua warazú | Foto: Liames/Unicamp
Segundo o estudo, além de Känä́tsɨ e Híwa, ainda haveria três pessoas que poderiam conhecer o idioma. Um deles, o irmão mais velho Känä́tsɨ, sumiu há anos. Os outros dois, Mercedes e Carmelo, vivem na Bolívia, mas já não conversam mais em warázu.
"Parece que a 'vergonha étnica' que os warazúkwe experimentaram foi tão intensa que Mercedes não gosta de proferir palavra alguma no seu idioma e Carmelo afirma que esqueceu tudo", diz o estudo.

País multilíngue

Da família linguística tupi-guarani, o warázu é apenas uma de dezenas de línguas brasileiras em perigo de extinção.
Segundo o Atlas das Línguas em Perigo da Unesco, são 190 idiomas em risco no Brasil.
O mapa reúne línguas em perigo no mundo todo – e o Brasil é o segundo país com mais idiomas que podem entrar em extinção, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Adauto Soares, coordenador do setor de Comunicação e Informação da Unesco no Brasil, explica que o mapa foi feito com a colaboração de pesquisadores especialistas em cada região e entidades governamentais e não governamentais.
A jovem Zahy Guajajara
Image captionOs guajajara consideram a língua um aspecto importantíssimo para preservação de sua cultura | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
No Brasil, as principais entidades que colaboraram foram o Iphan, a Funai, a Unaids e o Museu do Índio.
Soares explica que foram usados diversos critérios para definir se uma língua está em risco: o número absoluto de falantes, a proporpoção dentro do total da população do país, se há e como é feita a transmissão entre gerações, a atitude dos falantes em relação à língua, mudanças no domínio e uso da linguagem, tipo e qualidade da documentação, se ela é usada pela mídia, se há material para educação e alfabetização no idioma.
"Essa quadro (de línguas em perigo) pode ser revertido, e é por isso que a gente atua", diz Soares.
A morte de uma língua não é apenas uma questão de comunicação no dia a dia: a preservação da cultura de um povo depende da preservação do seu idioma. "Se a língua se perde, se perde a medicina, a culinária, as histórias, o conhecimento tradicional. No idioma estão a questão da identidade, o conhecimento do bosque, do mato, dos bichos", explica o linguista Angel Corbera Mori, do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp.

Mais ainda

O número de idiomas em risco pode ser ainda maior do que o apontado pela Unesco, porque é possível que algumas línguas, que nunca foram estudadas, tenham ficado de fora – o warázu, por exemplo, não está incluso no mapa.
Além disso, é possível que existam dezenas de línguas em perigo em comunidades isoladas, que nunca foram descritas.
Estima-se que, antes da colonização portuguesa, existissem cerca de 1,1 mil línguas no Brasil, que foram desaparecendo ao longo dos séculos, segundo Corbera.
Ele explica que durante o período colonial, os jesuítas começam a usar o tupi como uma espécie de língua geral – o que foi visto pela Coroa portuguesa como uma ameaça. O tupi – e posteriormente outras línguas indígenas – foram proibidos. E quem desobedecesse era castigado.
Jovem guarani mbyá da aldeia Mata Verde Bonita
Image captionConsiderado vulnerável pela Unesco, o idioma Mbyá Guarani, do tronco tupi-guarani, é falado por cerca de 6 mil pessoas no Brasil | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A perseguição continuou por séculos. Na era Vargas, por exemplo, o português era obrigatório nas escolas, e quem desrespeitasse também estava sujeito a punição.
"A situação só melhorou a partir da Constituição de 1988", diz Corbera.
Segundo ele, uma das principais ameaças à língua hoje é a invasão dos territórios indígenas. "Políticas de preservação e registro da língua são importantes, mas não adiantam nada se eles não têm território, se são expulsos de suas terras", diz Corbera.
Alguns grupos que foram perseguidos têm o único registro escrito de suas línguas em trabalhos em naturalistas que visitam o país nos séculos passados. É o caso da língua dos povos do grupo Panará - nomeados pelos colonizadores de Caiapós do Sul – do aldeamento de São José de Mossâmedes, em Goiás, no século 18.
A única descrição linguística dos povos que ocupavam esse aldeia é encontrada em listas de palavras dos europeus Emmanuel Pohl (1782-1834) e Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), como descreve o linguista Eduardo Alves Vasconcelos em um artigo publicado no ano passado.

Os últimos

Uma das línguas que sobreviveram, ainda que em estado crítico, é o guató. O idioma tinha, em 2006, apenas cinco falantes, de acordo com a Unesco.
Os Guatô ocupavam praticamente toda a região sudoeste do Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia, até começaram a ser expulsos de suas terras entre 1940 e 1950, segundo o Intituto Sócio Ambiental (ISA), por causa do avanço da agropecuária.
Chegaram a ser considerados extintos pelo governo, por isso foram excluídos de programas de ajuda e políticas públicas, até meados dos anos 1970, quando missionários identificaram índios Guatô e o grupo começou a se reorganizar e lutar por reconhecimento.
Escrita guajajara
Image captionO registro escrito é um dos fatores avaliados para definir se uma língua está em perigo | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Há línguas tidas como vulneráveis - possuem um número maior de falantes, mas ainda são consideradas em perigo. É o caso da língua guajajara, falada por um dos povos mais numerosos.
Há mais de 27 mil guajajaras no Brasil, segundo o sistema de informações do Ministério da Saúde. O guajajara é usado como primeira língua em muitas aldeias, mas nem todos os índios Guajajara falam o idioma. A língua guajajara pertence à família tupi-guarani e é subdividida em quatro dialetos.

Extintas

Das 190 línguas citadas pela Unesco, 12 já são consideradas extintas, ou seja, não têm mais nenhum falante vivo.
Uma das que foram extintas mais recentemente foi língua dos Umutina, povo indígena que vive no Mato Grosso.
Quando o Museu do Índio iniciou um trabalho de documentação de línguas, em 2009, ela ainda tinha falantes. Hoje está extinta, segundo a Unesco.
Os Umutina tiveram seu território invadido violentamente no início do século passado, segundo o ISA. Por isso acabaram perdendo sua terra tradicional e sua língua, que era do tronco lingüístico Macro-Jê, da família Bororo.
Além disso, centenas de umutinas morreram devido a doenças levadas pelos brancos.
Os que sobreviveram às epidemias tiveram contato com o antigo SPI (Serviço de Proteção ao Índio, antecessor da Funai extinto em 1967). Eles foram educados em uma escola para índios que os proibia de falarem sua língua materna e de praticar qualquer tipo de atividade relacionada à sua cultura, segundo o ISA.
Hoje são 515 pessoas, de acordo com a Secretaria Especial de Saúde Indígena, que falam predominantemente português e tentam recuperar a língua com ajuda de idosos e universitários indígenas. Segundo Corbera, o muitas vezes não se consegue recuperar a língua toda, às vezes só o léxico.
"Mas é muito importante, até por questões de identidade", conta ele.

Professor Edgar Bom Jardim - PE