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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Bom Jardim das Rosas Vermelhas e Forró Sem Pantim no Globo Repórter

O São João do Renascimento: natureza, gente sofrida, forte, gente de muita fé, esperança, cultura, trabalho e tecnologia sustentável. Nesta sexta, 22 de junho de 2018, Bom Jardim vai mostrar a luta, a garra, o talento de nossos artistas populares, representantes da identidade cultural do nordeste brasileiro. A cultura resiste com a força do povo.
A sanfona está tocando, o povo está dançando e a fogueira está queimando. A festa de São João está mais animada do que nunca e você vai descobrir o motivo nesta sexta-feira (22), no #GloboRepórter.
https://www.instagram.com/p/BkL_nSMlLnb/  

Professor Edgar Bom Jardim - PE

BRASIL - Professores relatam pânico em escola de aluno baleado no Rio: 'Você está no meio da aula e começa o desespero'



Protesto com camisa de menino atingido por disparoDireito de imagemAG. BRASIL
Image captionProfessor conta que é comum tiroteios interromperem suas aulas

Na manhã em que o menino Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, foi baleado na barriga a caminho da escola no Rio de Janeiro, o professor de História Alexandre Dias estava no meio da aula quando ouviu tiros cada vez mais perto – e correu com todos os seus alunos para buscar refúgio.
Em instantes, estudantes de todas as turmas do Ciep Operário Vicente Mariano estavam sentados ou deitados no corredor enquanto os tiros soavam lá fora, vindos, segundo relatos de professores e moradores, de um helicóptero da Polícia Civil que sobrevoava o Complexo da Maré durante uma operação no conjunto de favelas na zona norte do Rio.
"Os pais começaram a chegar desesperados procurando seus filhos, dizendo que o helicóptero estava atirando, que o asfalto estava com buracos gigantescos. Avós, tias, madrinhas chegaram nervosíssimos perguntando pelas crianças, alguns trêmulos, quase passando mal", conta Dias.
"Isso não é nada novo, acontece sempre. Mas alguns dias são mais desesperadores."
A operação realizada pela Polícia Civil na quarta-feira foi um desses dias. As cerca de 15 mil crianças e jovens matriculados nas 44 escolas da Maré estavam em aulas quando a ação começou, por volta das 9h.
Cenas de pânico se repetiram nos corredores de escolas, com crianças e professores chorando e pais chegando para levar os filhos para casa, arriscando sair apesar dos tiros que perfuravam asfalto, telhados, caixas d'água.

Protesto após morte de meninoDireito de imagemNALDINHO LOURENÇO
Image captionSob forte comoção e revolta de amigos e familiares, aluno foi sepultado no Cemitério São João Batista

Dias imediatamente liberou o uso de telefones celulares para que os alunos pudessem falar com suas famílias. Emprestou seu aparelho para alguns, enquanto buscava assegurar que todos permanecessem à vista – e que nenhum saísse para as áreas abertas da escola, onde estariam mais vulneráveis a tiros.
Marcos Vinícius, de 14 anos, se apressava para a escola vestindo o uniforme da rede municipal de ensino quando foi atingido. Ele era aluno do 7º ano.
"Ele gosta de brincar, conversar, é bem humorado", descreveu Klaus Grunwald, professor de música do Ciep, enquanto todos ainda aguardavam, apreensivos, notícias sobre sua recuperação. "Gosta daquela turma da bagunça, sabe? Aquela galera do fundão (da sala). Quando tem educação física, então, é uma festa. É um moleque, como outro qualquer."
O jovem morreu na noite de quarta-feira, depois de passar por uma cirurgia no Hospital Getúlio Vargas. A prefeitura decretou luto oficial de três dias e decidiu abrir as portas do Palácio da Cidade para o seu velório. Sob forte comoção e revolta de amigos e familiares, ele foi sepultado no Cemitério São João Batista, na tarde de quinta-feira.

35 dias sem aulas em 2017

Quando os tiros começaram, Alexandre Dias tinha acabado de começar uma aula sobre a Revolução Francesa e estava introduzindo os alunos aos pilares da igualdade, fraternidade, liberdade.
"É muito difícil. Você está no meio do dia de aula, está tudo normal e de repente começa o desespero. Acho até que os alunos encararam bem", considera ele, que dá aula para jovens de entre 13 e 15 anos. "Alguns choraram, mas a maioria conseguiu ficar tranquila. Os professores também ficaram no chão, alguns em desespero, outros conseguindo se manter calmos para controlar os alunos."

Alunos após ação da políciaDireito de imagemALEXANDRE DIAS
Image captionDe acordo com levantamento da ONG Redes da Maré, em 2017, os alunos ficaram 35 sem aula por causa da violência

"Nessas horas, nós (professores) seguramos as emoções para mantê-los calmos. Não podemos demonstrar fraqueza para os alunos", diz Grunwald, de 34 anos.
Em março deste ano, o professor de música participou de um curso de capacitação e primeiros socorros com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, voltado para professores que dão aula em áreas conflagradas. Ele integra um grupo de WhatsApp chamado Acesso Mais Seguro, que junta professores para discutir e ajudar a implementar planos de emergência em diferentes escolas.

Defasagem

Aulas interrompidas e canceladas durante tiroteios ou confrontos em operações policiais estão longe de ser uma raridade no Complexo da Maré.
De acordo com levantamento da ONG Redes da Maré, em 2017, os alunos ficaram 35 sem aula por causa da violência, na maioria das vezes durante operações policiais. Em 2016, foram 18 dias.
No longo prazo, as interrupções constantes trazem prejuízos "gigantescos" à educação dos alunos, que sofrem com atrasos nas matérias, evasão de professores e os traumas gerados por estar na linha de tiros – ou ver amigos caírem vítima de bala perdida, como ocorreu com Marcos Vinícius.
"Os impactos sobre o ensino são terríveis", diz Dias. "Os professores não conseguem avançar na matéria, e as aulas perdidas atrasam o calendário. Semana que vem, por exemplo, seria semana de prova. Agora, as avaliações provavelmente vão ser adiadas."
"Essas coisas vão minando os alunos. E minando também quem quer dar aula. Como eu sou da Maré, não fui minado. Gosto de dar aula aqui", afirma o professor de História, que tem 42 anos e é nascido e criado ali.
Ele diz que a evasão no corpo docente é um problema sério nas escolas do complexo.
"Muitos professores pedem transferência para outras escolas porque não conseguem conviver com isso por muito tempo. Ficam um tempo e depois não aguentam. É um rodízio constante de professores", afirma Dias.
Na quarta-feira, uma nova professora tinha acabado de chegar para o seu primeiro dia na escola, interrompido pelo tiroteio. "Sinceramente, não se ela vai voltar", afirma Dias.

'Sou aluno, não suje minha blusa de sangue'

A Polícia Civil afirma que a operação de quarta, realizada com apoio do Exército e da Força Nacional, foi uma força-tarefa para cumprir 23 mandados de prisão e "checar informações obtidas através do setor de inteligência".
Seis homens foram mortos pela polícia na operação. Segundo nota enviada à imprensa, policiais teriam sido recebidos com "intenso disparo de armas de fogo" durante cumprimento de mandados em duas residências.

Menina com cartaz em atoDireito de imagemNALDINHO LOURENÇO
Image caption'Sou aluno, não suje minha blusa de sangue', disseram estudantes durante protesto

"No confronto, seis criminosos foram feridos e socorridos, mas acabaram morrendo", diz a nota, acrescentando que a operação resultou na apreensão de oito fuzis e granadas e de uma "farta quantidade" de munição e de drogas.
No dia seguinte, o Ciep se manteve de luto. O dia letivo dos alunos foi substituído por protestos e pelo enterro de um colega.
De manhã, os estudantes marcharam do Ciep à Linha Amarela. Vestiam o uniforme escolar com manchas vermelhas pintadas na barriga, e a palavra "paz" pintada no peito. Faixas diziam: "Sou aluno, não suje minha blusa de sangue."
"O clima é de revolta", conta Dias, que acompanhou o protesto na Maré de manhã. "O ato foi muito forte, com alunos e professores chorando. Os alunos estão revoltadíssimos com a situação. Não sei como serão os próximos dias."
Na Linha Amarela, os estudantes tentaram interromper o trânsito para estender faixas, mas foram repreendidos por policiais militares. Segundo relatos e vídeos do local, PMs foram truculentos e intimidaram alunos e professores.
Um vídeo recebido pela BBC News Brasil mostra um PM dando uma paulada na perna de uma aluna no protesto, aumentando a revolta dos alunos.

'Qualquer um pode ser alvo'

Embora confrontos ocorram reiteradamente no complexo, a diretora da Redes da Maré Eliana Sousa e Silva diz que a "novidade" desta vez foi o uso de um helicóptero, conhecido como "Caveirão aéreo", como plataforma de tiro – o que já havia sido feito em outra operação na segunda-feira da semana passada.
A ONG contou 100 disparos feitos do helicóptero, numerados e circulados com tinta colorida por colaboradores na comunidade.
Para Silva, dar tiros do alto em uma área com 140 mil moradores significa aceitar que qualquer um pode ser alvo, em uma prática ilegal e "completamente inaceitável".

Estudantes com cartazes durante protestoDireito de imagemWL/CLUBE DO JORNAL DO OPERÁRIO VICENTE MARIANO
Image captionONG contou 100 disparos feitos do helicóptero, numerados e circulados com tinta colorida por colaboradores na comunidade

"Isso mostra um entendimento de que estamos em situação de guerra. Não conseguimos entender como o Estado se coloca de maneira tão violadora de direitos", condena. "Será que fariam isso no Leblon ou Ipanema?"
O Rio está sob intervenção na área de segurança pública desde fevereiro. O Gabinete da Intervenção Federal (GIF), procurado pela BBC News Brasil, não quis se pronunciar.
A Polícia Civil não comentou as denúncias de violações de direitos humanos, nem respondeu às críticas sobre os tiros dados do helicóptero.
A Delegacia de Homicídios da Capital abriu inquérito para apurar as circunstâncias de morte do rapaz. Questionada, a Secretaria de Segurança afirmou que não comentaria as críticas.
O professor Klaus Grunwald diz que os últimos três meses haviam sido mais calmos na comunidade. "Estávamos até surpresos."
Ele lamenta que as operações policiais acabem sendo a face mais visível do Estado na Maré, quando a comunidade e as escolas têm tantas carências.
"Faltam recursos humanos, faltam materiais, falta verba. O Estado não faz nada aqui dentro. Entrar para atacar a violência com mais violência não vai resolver os problemas", considera.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Crianças traumatizadas:EUA detêm pelo menos 49 crianças brasileiras em abrigos


Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP
Pelo menos 49 crianças brasileiras foram separadas dos pais depois de entrarem nos Estados Unidos de maneira ilegal a partir do México. Enviadas a abrigos, elas estão detidas em diferentes Estados norte-americanos. O maior número, 29, está concentrado em Chicago, cidade que está a quase 2,5 mil km da divisa com o México. A criança brasileira mais nova é um menino de 5 anos, que está no Texas.

Segundo informações do Consulado do Brasil em Houston, um garoto de 8 anos tentou fugir ontem de um abrigo em Nova York, mas não teve sucesso. "Nós sabemos que as crianças estão traumatizadas", disse o cônsul adjunto na cidade texana, Felipe Santarosa. "Elas foram separadas dos pais e colocadas em um lugar no qual não conhecem a língua. Por mais que sejam bem tratadas, é uma situação muito difícil."

Além dos que estão em abrigos, há outros 25 menores brasileiros em um centro de detenção em San Antonio, no Texas, que estão acompanhados de suas mães - 21 no total. Santarosa disse que diplomatas brasileiros visitarão o local na próxima semana.

A informação sobre as 49 crianças que foram separadas dos pais foi enviada ao Consulado do Brasil em Houston na sexta-feira pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo dos EUA. A separação familiar é fruto da política de "tolerância zero" adotada em abril pelo governo do presidente Donald Trump, pela qual todos os que tentavam cruzar a fronteira de maneira ilegal são processados criminalmente. Com isso, os pais passaram a ser enviados a prisões federais, que não têm acomodações para menores. Na quarta-feira, (20) o presidente norte-americano assinou um decreto que acaba com a política. 

Reação

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota na qual afirmou que a separação familiar é uma "prática cruel e em clara dissonância com instrumentos internacionais de proteção aos direitos da criança". O governo brasileiro disse esperar que o decreto de Trump leve à "efetiva revogação" da separação familiar.

Depois de Chicago, o maior número de crianças brasileiras detidas está em Phoenix, no Arizona. No abrigo Estrella del Norte há sete menores. Três são irmãos, de 8, 10 e 16 anos, cuja mãe está presa em uma cidade a 90 km de distância. 

Também há quatro adolescentes, um de 14 anos e três de 17 anos. O mais velho deles completará 18 anos no dia 24 e será transferido para um centro de detenção de adultos. 

O Consulado do Brasil em Miami, na Flórida, informou que há pelo menos um menor separado da família em um abrigo na cidade. 

A maioria dos pais está presa no Texas, um dos Estados preferidos pelos imigrantes que cruzam a fronteira de maneira ilegal. Santarosa disse que o consulado está tentando identificar todas as crianças e determinar o paradeiro de seus pais. O segundo passo é estabelecer contato entre eles.

A diretora do Departamento Consular de Brasileiros no Exterior do Itamaraty, Luiza Lopes, disse que uma das garantias que o governo brasileiro tem é o livre acesso às crianças que estão nos abrigos. 

"Nossa cônsul em Chicago visitou os menores várias vezes e fez a ponte deles com seus pais", afirmou. "Mas, por mais que se tente amenizar a situação, ela trará consequências psicológicas para as crianças, principalmente as que são mais novas", disse Lopes.
Com informações do Diario de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Brasileiros chateados com o "Cai, Cai de Neymar "e os comentários da Globo

O torcedor esperava mais empenho, brilho e garra da seleção brasileira no jogo contra a Suíça.  O empate por 1 X 1 não era esperado por muitos. Os fãs do jogador Neymar  e torcedores de modo geral ficaram chateados com tanto cai, cai do jogador. Nas redes sociais virou chacota.

Outra situação que deixa a torcida brasileira irritada, são certos comentários feitos pela equipe da Rede Globo, em relação ao mimo dada a seleção e ao "astro Neymar". Percebe-se comentários tendenciosos ao se falar da Rússia, país sede da Copa 2018. 

A verdade é que a Copa já não empolga a população que vive uma situação de muita dificuldade, opressão e sem esperança na classe política que governa o país.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 17 de junho de 2018

Futebol: mercadorias na vitrine


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A Copa tem data marcada. A histeria começa a se ampliar. A mídia cuida de sacralizar algumas figuras. Tite se torna um pensador, divulgador de universidade e mentor do Itaú. O civismo ganha um corpo especial. Os tempos  mudam, não estamos na época de Garrincha. As mercadorias valorizam os artilheiros ou os artilheiros são ídolos de gerações entusiasmadas com um sucesso gigante ? Gosto de futebol. Não vejo como não torcer pela seleção. Sinto, contudo uma certa nostalgia e fico perplexo com a agilidade do capitalismo. Aqui, há muita ligação com a bola, ela distrai , faz esquecer desavenças e misérias.
As ameaças de um mundo cercado de vitrines comprometem a lucidez. Neymar mora em palácios, segue uma assessoria milionária. Possui o vírus do seu tempo. Ela não é o único. A Copa é espetáculo que inquieta multidões e transforma o calendário. O governo carimba sua fatura. Os feriados mostram que o ritual não se foi. É preciso quo mundo tenha alguns encantos, que a vida fuja da monotonia. O futebol é festa, hipnotiza muita gente. Na Europa, os estádios se enchem, a lavagem de dinheiro garante disputas, deixa a imprensa acelerada. Falam de uma modernidade esportiva , de uma globalização assustadora. A televisão se torna um altar.
Não sacudamos o peso no Brasil. Passamo por crises constantes, uma sucessão de quadrilhas bem montadas dirigem nossa economia. Há decepções quase fatais. Difícil compreender como a história se constrói com tantos conflitos e dissabores. Mas a camisa amarela provoca alegria. É um símbolo, apesar do uso fascista que alguns grupos fizeram. Há quem desista de vesti-la diante das amarguras políticas. Tudo amplia sentimentos, distorce valores, arruína tradições. Uma mistura diferente denuncia que a sociedade salva objetos e aniquila pessoas. Sem exageros, as identidades flutuam como tapetes nada mágicos.
Não jogo fora os entrelaçamentos históricos. O presente se mexe, porém o passado possui seus movimentos. Quem rejeita a história, procura fadas e bruxas. O futebol está na história. Significou angústias e celebrações. O manto da política é perverso. Em 1970, a Copa foi ganha em plena época da ditadura militar. A ambiguidade desfilou e estragou corações. Hoje, as temeridades são outras. Gilmar ataca as dúvidas jurídicas, Sérgio Cabral lamenta seus erros. Ciro parece um acadêmico em campanha. As eleições se aproximam com pesquisas e incertezas. Muita emoção para poucos lugares. As questões ousam perturbar os espetáculos. Quem perde, quem vibra, quem se descaminha? A farsa da paz é um reflexo de uma grana avassaladora. Ela nem existe nos tiros de cada dia.
Paulo Rezende
astuciadeulisses.com
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Os namoros do consumo de Narciso


Resultado de imagem para Narciso
Quem é lúcido não deve ficar atrás de verdades absolutas. A sociedade exige que as convivências se multipliquem e surjam surpresas. Não dá para formular regras definitivas. A história caminha com vacilações. Muitos aprendem com os deuses , outros ficam envolvidos com a arte. Há quem siga as travessuras dos demônios. Ficar extático causa desgovernos interiores, Não acredite em fantasias que são vendidas como dogmas. Inventa-se tudo, inclusive dias das mães, das secretárias, dos amigos. O afeto se transforma num calendário comercial. Há quem delire, perplexo.
As artificialidades tomam conta do cotidiano. Buscam seduções, na sua maioria, passageiras. Corre-se com presentes coloridos e dívidas pesadas. Trata-se de uma estratégia para aliviar os desenganos. A solidão também agita e incomoda. Os festivais dos afetos fabricados não cessam e animam. Tudo depende do sucesso. Estamos na sociedade do desempenho. Quem não quer ganhar loteria ou ser diretor de uma multinacional? Os desejos são alucinações. Poucos resistem e acompanham as rebeldias. A grana enfeitiça.
Não é sem motivo que as depressões se ampliam e invadem moradias subjetivas. Os desconsolos existem quando se pensa que a felicidade se ganha num paraíso de compras. Quem não reflete se frustra, joga fora a sensibilidade e faz do outro um objeto flexível. Portanto, não mergulhe nos pântanos escondidos e nas emoções conquistadas com cartões de crédito. Compreenda que o mundo gira, sem certezas de que, um dia, haverá uma harmonia. Os labirintos são construídos com arquiteturas frágeis. Balançam-se e não garantem nada.
Feche-se contra as artimanhas do sucesso. O afeto é desenhado na sinceridade, com perdas e encontros. Os calendários programados são traiçoeiros, mascaram, deixam espantos. Lembre-se dos mitos. Narciso não conseguiu superar-se. A sociedade do consumo atrai sensações que, apenas, sopram instantes e celebrações. Não se abrace com os anúncios e as mensagens que nada falam das suas emoções. Os limites podem nos tornar sábios e os excessos, bestializados. Olhe-se, não seja um embrulho esquecido na avenida central.
Por Paulo Rezende
A astúcia de Ulisses
Professor Edgar Bom Jardim - PE

O agente congolês na cracolândia, a boliviana no SUS, o angolano no 'rapa' e outras histórias de recomeço no Brasil

O estudante angolano Antonio Coteo, agente da prefeitura de SP
Image captionO estudante angolano Antonio Coteo trabalha como agente de apoio na fiscalização de comércio ambulante | Foto: Gui Christ
A médica boliviana Lourdes Ojeda procurava um emprego no Brasil. O angolano Antonio Coteo queria terminar a faculdade. Promessa do futebol boliviano, Jorge Lopez decidiu morar em São Paulo após encerrar sua carreira nos gramados. Já o congolês Kanga Heroult tinha só a roupa do corpo ao desembarcar, pois havia acabado de sobreviver a um fuzilamento.
De origens e histórias diferentes, esses quatro imigrantes hoje têm algo em comum: trabalham no serviço público em São Paulo. Eles estão nas áreas da saúde, atendimento aos trabalhadores, fiscalização do comércio ambulante e até no auxílio a dependentes de crack.
Segundo um relatório do Observatório das Migrações Internacionais (Obmigra), órgão ligado ao Ministério do Trabalho, o Brasil tem cerca de 130 mil imigrantes no mercado de trabalho formal. O Haiti é a nação mais representativa nesse cenário, com 25,7 mil pessoas empregadas, seguido por Portugal (8.000) e Paraguai (7.700).
No serviço público paulistano, quem contrata não é a prefeitura diretamente, pois estrangeiros são proibidos de prestar concurso no Brasil - essa situação se inverte em caso de naturalização. Os imigrantes trabalham para empresas terceirizadas ou organizações que prestam serviços para a administração municipal.
Uma delas é a Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), entidade social que administra unidades de saúde no centro e na zona norte da cidade. Segundo a organização, 50 dos seus 3.078 funcionários são estrangeiros, entre médicos, agentes de saúde e de administração.
O agente de saúde Jorge Lopez, imigrante boliviano em São Paulo
Image captionO agente de saúde Jorge Lopez trabalha na região do Bom Retiro, bairro de São Paulo com milhares de imigrantes | Foto: Gui Christ
Um deles é o boliviano Jorge Lopez, de 62 anos. Ele percorre diariamente as ruas do Bom Retiro para checar como anda a saúde de milhares de estrangeiros que povoam o tradicional bairro do centro da cidade.
Natural de La Paz, Lopez veio para o Brasil no final dos anos 1980, desiludido com a diverticulite que pôs um fim precoce a sua carreira de jogador de futebol. Trabalhou em oficinas de costura enquanto estudava modelagem em uma universidade particular.
A boliviana Jeanneth Orozco, em Unidade
Image captionA boliviana Jeanneth Orozco trabalha no Sistema Único de Saúde desde 2009 | Foto: Gui Christ
O trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS) chegou em 2005 depois de várias tentativas frustradas. "Fiz três provas e cinco entrevistas para entrar", conta.
Lopez foi um dos primeiros estrangeiros na unidade de saúde que fica no coração do Bom Retiro, local conhecido por historicamente abrigar imigrantes judeus, bolivianos e coreanos. Cerca de 40% dos pacientes do posto são estrangeiros, segundo o Iabas.
O boliviano foi escolhido para facilitar a entrada de seus compatriotas no SUS, movimento às vezes complicado pelo medo. "Os bolivianos são tímidos, têm receio de sair de casa e, muitas vezes, medo de serem deportados por falta de documentos", conta.
Sua colega Jeanneth Orozco afirma que os colegas bolivianos se sentem mais à vontade quando conversam com agentes do país deles. "Os brasileiros visitavam as casas e as pessoas abriam só uma frestinha da porta", diz a agente, que chegou no Brasil em 2004 e está no SUS desde 2009. Ela já foi responsável pelo auxílio de saúde de 25 grávidas no Bom Retiro.
Para Lopez, os agentes estrangeiros acabam funcionando como uma espécie de conselheiros dos recém-chegados. "Explicamos que o SUS é gratuito, porque muita gente acha que precisa pagar. Também falamos onde dá para tirar os documentos, onde tem posto da Polícia Federal, escola, hospital", afirma.
No mesmo posto, trabalha a médica Lourdes Ojeda, boliviana de 27 anos. Sua trajetória de imigração foi um pouco diferente dos colegas de unidade: formada em uma universidade pública, Ojeda teve dificuldade em encontrar emprego em seu país. "Há muitos médicos na Bolívia e os salários são ruins. Por isso, decidi viver no Brasil", conta.
Médica Lourdes Ojeda atende paciente brasileiro pelo SUS, no Bom Retiro
Image captionA médica Lourdes Ojeda, que atende pacientes no Bom Retiro, migrou para o Brasil porque não conseguia emprego na Bolívia | Foto: Gui Christ
Para revalidar seu diploma de Medicina, ela precisou fazer duas provas - oral e escrita, em português. "Tive de vir antes para aprender e me acostumar com a língua", diz.
Segundo Marcelo Haydu, coordenador do Instituto de Reintegração do Refugiado, uma das principais dificuldades para estrangeiros conseguirem emprego no Brasil é a burocracia para a revalidação dos diplomas universitários.
"Algumas provas de proficiência em português, como a da USP, são muito complicadas. Desconfio que até brasileiros teriam dificuldade em passar", diz Haydu.
Para Leonardo Cavalcanti, professor da Universidade de Brasília e coordenador do Obmigra, imigrantes enfrentam um fenômeno conhecido como "inconsistência de status", ou seja, quando chegam ao Brasil, eles não conseguem trabalhar em suas áreas de formação.
"Normalmente, os imigrantes têm formação média ou superior, pois os pobres sem estudo nem conseguem migrar", explica. "Porém, quando chegam aqui, enfrentam as dificuldades burocráticas de revalidação dos diplomas, um processo que exige uma série de documentos. Tem muito imigrante com formação superior trabalhando de auxiliar de pedreiro."
Haydu conta um caso de um refugiado sírio que não consegue revalidar seu curso de engenheiro porque a USP exige um documento que sequer existe na Síria. "Não há normas claras reguladas pelo Ministério da Educação, cada universidade tem sua regra", diz.

'Como uma criança'

O congolês Tresor Balingi, em atendimento no CAT (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo)
Image captionO advogado congolês Tresor Balingi chegou ao Brasil em 2013 e conseguiu emprego de atendente na prefeitura | Foto: Gui Christ
Um desses casos é o do refugiado Tresor Balingi, congolês de 30 anos. Formado em Direito mas sem conseguir revalidar o diploma no Brasil, ele trabalha de atendente no CAT (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo), órgão da prefeitura de São Paulo.
O problema, no entanto, não o incomoda: ele gosta do serviço. Balingi chegou ao Brasil em 2013 sem falar sequer uma palavra de português. "Quando você chega num país diferente, começa tudo de novo, como uma criança", explica sobre seu período de adaptação.
Ele trabalha ao lado de dois compatriotas, os atendentes Hidras Tuala e Mabiala Nkombo. Segundo a prefeitura, eles foram contratados para atender refugiados e imigrantes africanos, cada vez mais numerosos na cidade. O trio faz carteiras de trabalho, habilitação de seguro desemprego e auxílio de contratações.
Os refugiados congoleses Hidras Tuala, Mabiala Nkombo e Tresor Balingi
Image captionOs refugiados congoleses Hidras Tuala, Mabiala Nkombo e Tresor Balingi auxiliam trabalhadores estrangeiros | Foto: Gui Christ
Nkombo, de 23 anos, explica que a facilidade com várias línguas foi determinante para sua contratação. "O CAT percebeu que havia muita dificuldade de comunicação com os estrangeiros. Nós falamos seis línguas fluentemente", diz ele, citando português, inglês, francês, espanhol, lingala e criolo. "Os africanos acabam naturalmente confiando mais em nós."
Seu colega Tuala, de 24 anos, não esconde a vontade de voltar ao Congo um dia. "A gente sempre pensa que amanhã vai ser melhor. Esse dia ainda não chegou", diz ele, que melhorou sua formação cursando comunicação visual em uma universidade do Brasil.

'Terminar os estudos'

Estudar no Brasil foi o que motivou a vinda do angolano Antonio Coteo, de 21 anos. "Sempre gostei do Brasil e queria muito terminar a faculdade de engenharia elétrica", conta. Ele estuda em uma faculdade particular em São Paulo com bolsa integral.
Enquanto finaliza seu curso, Coteo trabalha como assistente de fiscalização do comércio ambulante, serviço popularmente conhecido como "rapa". Vários funcionários dessa área no centro da cidade são imigrantes africanos.
Por outro lado, em ruas com forte comércio ambulantes, como a 25 de Março, a presença de africanos como camelôs é bastante alta. Quando um comerciante é irregular, seus produtos são apreendidos pelo "rapa".
Coteo diz que nunca houve conflito com colegas africanos por causa de seu trabalho. "Minha relação com meus 'irmãos' é muito boa, não trato ninguém mal. Explico o que eles precisam fazer para regularizar a situação e conseguir os documentos. Sou uma espécie de tradutor", diz.

Os refugiados

Segundo a Coordenação Nacional de Imigração, órgão do Ministério do Trabalho, o Brasil deu 311 mil autorizações para estrangeiros trabalharem no país entre 2011 e 2016. Pouco mais de 200 mil carteiras de trabalho foram emitidas nesse período.
Por outro lado, a autorização de vistos de refúgio continua um processo lento - em média, ela demora dois anos. A fila chega a 86 mil pessoas e tende a crescer por causa da massa de venezuelanos que diariamente chega ao Brasil.
Quando pousou em São Paulo, o congolês Kanga Heroult, de 38 anos, já tinha o documento que autorizava seu refúgio político no país. Era uma outra época, em 2008, quando o número de pedidos de refúgio era bem menor.
Hoje, Heroult trabalha como agente de saúde na região da cracolândia, área de consumo e venda de crack no centro da cidade. Ele auxilia dependentes químicos a entrar no serviço municipal de recuperação, o Redenção.
O agente de saúde Kanga Heroult, na praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo
Image captionO agente de saúde Kanga Heroult fugiu da morte no Congo e hoje trabalha com dependentes químicos na região da cracolândia | Foto: Gui Christ
Ele fez três provas para entrar no serviço público. "A gente cuida e orienta (os usuários de crack), me dou bem com todos", conta ele. "Muitas pessoas que estão na rua hoje são da Nigéria, Tanzânia, Congo..."
A trajetória de Heroult até o Brasil é dramática. Em 2007, ele se filiou em um partido de oposição à ditadura que governa o Congo. Acabou preso depois de participar de algumas manifestações contra o assassinato de um líder estudantil. "Por um mês e 15 dias eu fui torturado", diz, emocionado.
Heroult conta que, naqueles dias na prisão, dez pessoas eram levadas todos os dias em uma van. Nunca mais eram vistas. Um dia, chegou a sua vez.
"Eu sabia que iria morrer. Então comecei a cantar uma música sobre Deus. Um dos soldados ouviu e reconheceu a letra. Ele se aproximou e disse que sua família era da mesma igreja que a minha", conta.
O congolês foi levado na van com outros nove prisioneiros. "O carro parou ao lado de um rio. As outras pessoas foram retiradas, mas eu fiquei. Ouvi o barulho delas sendo mortas e jogadas no rio. O motorista abriu a porta do carro e disse que nunca mais queria me ver. Eu estava livre."
Heroult escapou da morte e, dias depois, embarcou para o Brasil.
Professor Edgar Bom Jardim - PE