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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pedido de fechamento da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, é cogitado por delegados e promotores, mas medida só deve acontecer após coleta de provas e depoimentos


Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press
A Polícia Civil e o Ministério Público de Goiás não descartam a possibilidade de pedir o fechamento da Casa Dom Inácio de Loyola, centro erguido pelo médium João de Deus em Abadiânia (GO). O religioso é acusado de cometer diferentes crimes de violência sexual contra mulheres que o visitaram em busca de ajuda espiritual. O fechamento, no entanto, se efetivado, só acontecerá após a coleta de depoimentos de vítimas e de provas dos crimes.
"Enquanto não tivermos algo concreto, por cautela, não poderemos interditar o estabelecimento. Fatalmente, (um pedido desse tipo) vai ser negado (se for feito agora). Tomaremos todas as providências, de forma célere, mas não atabalhoada", afirmou o promotor Luciano Miranda Meireles. Já a delegada responsável pela Coordenadoria de Comunicação da PCGO, Marcela Orçai, disse que uma decisão desse tipo será tomada ao longo das investigações. "Só a força-tarefa poderá decidir", afirmou.

A delegada explicou que as denúncias serão investigadas por duas forças-tarefas, uma coordenada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e outra pela Polícia Civil do estado. "As investigações que chegaram à Polícia Civil serão investigadas pelo (Departamento de Investigações Criminais), com auxílio do Ministério Público. O MP não pode avocar nossas investigações. Eles podem requisitar que nós restauremos procedimentos. Pegar nossos procedimentos, só depois de finalizados", afirmou.

O grupo de policiais civis que atuará no caso se reúne pela primeira vez às 16h30, em Goiânia. Além do delegado-geral, André Fernandes, participam agentes e psicólogos do Departamento de Investigações Criminais (Deic); da Delegacia da Mulher e da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). 

Dois inquéritos instaurados
Marcella afirmou que a polícia goiana já havia instaurado dois inquéritos para apurar denúncias de abusos cometidos por João de Deus. Um, em 2016, que está em estágio mais avançado, e outro este ano, cuja denunciante é uma moradora de São Paulo. "Antes disso, o João já tem três processos no poder judiciário. Sendo que dois desses foram arquivados e no outro ele foi absolvido."

Depois da veiculação das matérias em rede nacional, outras duas mulheres procuraram as delegacias em Goiânia e também relataram o mesmo tipo de crime, que também serão investigados na força-tarefa. Já o Ministério Público deverá coletar denúncias em todo o país. Segundo a delegada, não há previsão para que João de Deus seja ouvido. "A força-tarefa que definirá isso", disse.
Correio Brasiliemse/Diario de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 9 de dezembro de 2018

Golpe no golpe do golpe:Diante de escândalo da família Bolsonaro, Moro se finge de morto

O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz Sérgio Moro, não respondeu a questionamento feito pela imprensa, nesta sexta-feira, 7, sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que revelou movimentação atípica no valor de R$ 1,2 milhão na conta de um assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Em anúncio na sede da transição de governo, Moro indicou os futuros chefes da Polícia Rodoviária Federal, o policial rodoviário federal Adriano Marcos Furtado, e da Secrataria Nacional do Consumidor, o advogado Luciano Benetti Timm, mas deixou o local sem responder à pergunta sobre o documento do Coaf.

Foi o primeiro contato com a imprensa após o Estado revelar, na quinta-feira, 6, o relatório sobre transações de Fabrício José Carlos de Queiroz. Policial militar, Queiroz era registrado como assessor parlamentar, mas também atuava como motorista e segurança de Flávio Bolsonaro. Foi exonerado do gabinete do senador eleito no dia 15 de outubro deste ano.
Uma das transações na conta de Queiroz citadas no relatório do Coaf é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama Michele Bolsonaro. A compensação do cheque em favor da mulher do presidente eleito Jair Bolsonaro aparece na lista sobre valores pagos pelo PM.
“Dentre eles constam como favorecidos a ex-secretária parlamentar e atual esposa de pessoa com foro por prerrogativa de função – Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil”, diz o documento do Coaf, órgão de inteligência financeira que tem como principal missão o combate da lavagem de dinheiro.
Nesta sexta-feira, o Estado revelou que o mesmo relatório cita movimentações entre contas de Fabrício Queiroz e de sua filha, Nathalia Melo de Queiroz, que era até o mês passado assessora lotada no gabinete do deputado federal e agora presidente eleito, Jair Bolsonaro.
O caso. O documento do Coaf foi anexado pelo Ministério Público Federal (MPF) à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, realizada no mês passado e que levou à prisão dez deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Nem Flávio Bolsonaro nem o seu ex-motorista foram alvo da operação que prendeu dez deputados fluminenses, deflagrada no dia 8 de novembro. O MPF investiga o envolvimento dos parlamentares estaduais em um esquema de pagamento de “mensalinho” na Assembleia.
O Coaf informou que foi comunicado das movimentações de Queiroz pelo banco porque elas são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar.O relatório também cita que foram encontradas na conta transações envolvendo dinheiro em espécie, embora Queiroz exercesse uma atividade cuja “característica é a utilização de outros instrumentos de transferência de recurso”.
Queiroz foi citado na investigação porque o Coaf mapeou, a pedido dos procuradores da República, todos os funcionários e ex-servidores da Alerj citados em comunicados sobre transações financeiras suspeitas.
Procurado pelo Estado para se manifestar sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão em sua conta, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor parlamentar do deputado Flávio Bolsonaro, respondeu que não sabe “nada sobre o assunto”.
A chefia de gabinete de Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo PSL-RJ, afirmou que Queiroz trabalhou por mais de dez anos como segurança e motorista do deputado, “com quem construiu uma relação de amizade e confiança”.
A assessoria afirmou ainda que o filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro não tem “informação de qualquer fato que desabone” a conduta do ex-assessor parlamentar.
“No dia 16 de outubro de 2018, a pedido, ele foi exonerado do gabinete para tratar de sua passagem para a inatividade”, informou o gabinete, por meio de nota.
Procurada pelo Estado, a assessoria do presidente eleito Jair Bolsonaro não respondeu sobre o assunto, nem sobre o cheque no valor de R$ 24 mil que teria sido destinado a Michelle Bolsonaro. O espaço está aberto para manifestações.
A futura primeira-dama não foi localizada. O espaço está aberto para manifestações.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Educação:Índios pataxó se formam médicos, vestidos a caráter


Amaynara Silva Souza e Vazigton Guedes Oliveira, ambos de 27 anos, são dois jovens que pertencem a etnia pataxó, formaram-se  médicos pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Detalhe: eles  foram receber os diplomas a caráter, rostos pintados, cocar com grandes penas e muitos adereços coloridos.
Na tradição indigena, as pinturas nos rostos são comuns entre as tribos em datas festivas. E na colação de grau não poderia ser diferente:
“Esperei por esse dia minha vida toda”, diz Amaynara.
Ela veio das terras indígenas de Carmésia, no Vale do Rio de Doce mineiro, e ele de Cumuruxatiba, no Sul da Bahia, para se juntarem à turma com 130 alunos.
Ela relata que o desejo em fazer medicina, que é um dos cursos mais concorridos, nasceu da necessidade de melhorar a qualidade de vida das tribos.
A intenção dos novos médicos é se especializar em medicina de família e comunidade e retornar os conhecimentos obtidos na universidade para as aldeias indígenas.
Vazigton, mais conhecido como Zig na classe, afirma que os médicos que atendem nessas áreas costumam se deslocar de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Eles ficam muito pouco tempo. Tem um rodízio muito grande e, consequentemente, não há o acompanhamento do paciente. Quando você se acostuma, ele já vai sair”, conta Zig.
Os colegas da  faculdade disseram que a troca de experiências também foi muito importante.
“Assim como vamos levar o conhecimento para as nossas comunidades, nós trouxemos também informação sobre o nosso povo, que ainda é muito desconhecido, para as salas de aula. Acho que essa troca é muito enriquecedora para a universidade. Se você conhece uma cultura, você aprende a respeitá-la”, afirma Amaynara, exaltando o orgulho por sua origem.

Cotas

Tanto Amaynara quanto Vazigton, entraram para o curso por meio de um  programa da universidade federal que integra as ações afirmativas para indígenas. Assim como as cotas e a formação de educadores indígenas, abrindo vagas adicionais a integrantes
Informações: Só Noticia Boa
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Telhado: Bolsonaro diz que cheque do ex-assessor foi pagamento de dívida

Jair Bolsonaro
Jair BolsonaroFoto: José Cruz/Agência Brasil

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta sexta (7) que os R$ 24 mil pagos em cheque pelo ex-assessor de seu filho à mulher do presidente eleito, Michelle, se referem ao pagamento de uma dívida.

"Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai chegar nos R$ 40 mil", disse Bolsonaro ao site O Antagonista.

Segundo Bolsonaro, os recursos foram para a conta de Michelle porque ele não tem "tempo de sair". "Essa é a história, nada além disso. Não quero esconder nada, não é nossa intenção."

O presidente eleito disse que Fabrício José Carlos de Queiroz é seu amigo e que os dois se conheceram em 1984, quando estavam no Exército.

Ele afirmou ao site que se surpreendeu com a citação de Queiroz em um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) por movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão. Bolsonaro disse que cortou contato com o amigo até que ele se explique aos investigadores.
Com informações de Folha de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Brasil: a miséria aumentou no Governo Temer

Favela em Santos (SP)Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDados do IBGE apontam aumento da pobreza no país
Mais pessoas ficaram pobres e desassistidas no Brasil entre 2016 e 2017. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira uma série de indicadores sociais sobre pobreza, detalhando renda, moradia e educação dessa população. Quase todos os números pioraram.
Em 2016, o Brasil tinha 52,8 milhões de pessoas pobres (25,7% da população). Em 2017, esse número cresceu para 54,8 milhões (26,5%).
A economia brasileira viveu altos e baixos desde o último levantamento, em 2014. Passou por baixo crescimento, desaceleração, recessão até atingir uma lenta recuperação em 2017. Por consequência, o mercado de trabalho registrou cortes de vagas, aumento da informalidade e queda do rendimento de assalariados e autônomos.
Para Manuel Thedim, economista e pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), o principal desafio do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para alavancar a economia do país a partir de 2019 é a insegurança jurídica.
"A economia não consegue em hipótese alguma se divorciar da política. Então, é preciso saber se o presidente eleito vai de fato abraçar e fortalecer a segurança jurídica do país, fazer com que acordos e contratos passem a ser respeitados no médio e no longo prazo. Como alguém já falou, no Brasil hoje até a história é incerta", afirmou à BBC News Brasil.
Investidores temem, por exemplo, que regras e políticas públicas acertadas no presente com uma autoridade sejam desfeitas pelos sucessores. É preciso também, diz Thedim, aguardar o entendimento que a Justiça terá da reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer (MDB), com a criação, por exemplo, de jornadas de trabalho intermitentes.
O levantamento aponta também as desigualdades socioeconômicas entre pessoas de diferentes cores ou raças. Pretos e pardos enfrentam muito mais dificuldade para encontrar empregos, vagas em creches e moradias em condições adequadas.
"Ter ensino superior é um fator que contribui para o acesso ao mercado de trabalho com mais intensidade para as pessoas pretas ou pardas, mas não o suficiente para colocá-las em igualdade com as pessoas brancas", afirmou o IBGE sobre os resultados.
Em 2017, trabalhadores brancos ganhavam, em média, R$ 2.615. Ou seja, 72,5% mais que os pretos ou pardos (R$ 1.516). Na diferença de gênero, a diferença entre homens e mulheres era de 29,7%, ou R$ 2.261 e R$ 1.743 respectivamente.

Taxa de desocupação crescente em todo o território

Tabela do IBGE mostra taxa de desocupação por Estado no Brasil em 2014 e 2017Direito de imagemIBGE
Image captionTaxa de desocupação no Brasil subiu de 6,9% para 12,5%
Desde a pesquisa de 2014 até a atual, apurada em 2017, o mercado de trabalho do país registrou um grande corte de vagas, subutilização da força de trabalho (menos de 40 horas semanais), aumento da informalidade (característica de parte das retomadas econômicas) e aumento da desigualdade de renda.
A taxa de desocupação, que era de 6,9% em 2014, aumentou continuamente até atingir 12,5% em 2017. No período, 6,2 milhões de pessoas ficaram desempregadas e outras 5,2 milhões passaram a procurar emprego (a exemplo daqueles que só estudavam ou viviam da renda do cônjuge). Os jovens sofreram mais. Entre pessoas com 14 a 29 anos de idade, a taxa de desocupação passou de 13% para 22,6% em 2017.
Com as idas e vindas da economia, inicialmente, houve uma queda na diferença salarial, que, segundo o IBGE, se deu por causa de ganhos reais concedidos a quem recebia esse valor ou tinha seu rendimento influenciado por ele.
A partir de 2016, o cenário se inverteu, com o aumento do desemprego e da informalidade. Dois em cada cinco trabalhadores não tinham carteira assinada em 2017, um aumento de 1,2 milhão de informais desde 2014.
Para Thiago Xavier, economista e responsável pela área de monitoramento da atividade econômica na Tendências Consultoria, a recuperação consistente do mercado de trabalho depende principalmente da retomada do crescimento do país e da melhora nas expectativas econômicas.
O primeiro ponto passa em essência pela reforma da Previdência. Sem ela, a fatia de recursos destinados a essa área paralisaria o governo, tendo em vista o teto de gastos públicos e seus gatilhos punitivos em caso de descumprimento dos limites fiscais adotados durante o governo Michel Temer (MDB).
Uma eventual melhora do quadro fiscal teria efeito positivo, segundo Xavier, sobre as perspectivas de gastos e investimentos dos principais agentes econômicos: famílias, empresários e Estado. Com a crise de 2014, o endividamento generalizado reduziu a velocidade e mesmo a capacidade de retomada - em crises anteriores, o governo federal conseguiu investir em infraestrutura e expansão do crédito sem perspectiva de descontrole inflacionário, por exemplo.

Crianças e adolescentes na pobreza

Linhas de pobreza monetária e características da populaçãoDireito de imagemIBGE
Image captionNova pesquisa mostra que fatia de crianças e adolescentes na faixa de pobreza passou de 42,9% para 43,4%
O IBGE identificou um aumento da pobreza entre 2016 e 2017, tendo como referência a linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial (rendimento de até US$ 5,5 por dia, ou R$ 406 por mês). Por exemplo, 54,1% da população do Maranhão (taxa mais alta) e 8,5% de Santa Catarina (a mais baixa) estão nessa faixa de renda.
No período, o número de pessoas pobres passou de 52,8 milhões (25,7% da população) para 54,8 milhões (ou 26,5%). A parcela mais vulnerável é composta por domicílios comandados por mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos de até 14 anos - 64,4% desse grupo vivem nessa situação. A fatia de crianças e adolescentes na faixa da pobreza passou de 42,9% para 43,4%.
Nesse mesmo período, outras 2 milhões de pessoas adentraram a faixa daqueles que vivem em situação de extrema pobreza, com renda em torno de R$ 140 por mês. A situação piorou em todas regiões do país, exceto no Norte. Essa proporção passou de 6,6% para 7,4%, ou, em números absolutos, de 13,5 milhões de pessoas para 15,2 milhões de pessoas. A meta global de erradicação da pobreza extrema é 2030.
Em 2017, o rendimento médio mensal per capita domiciliar no país foi de R$ 1.511, mas quase metade da população das regiões Norte e Nordeste ganhava até meio salário mínimo per capita (cerca de R$ 470); no Sul, essa parcela representa 15,6% do total. Esse cenário tende a acentuar a desigualdade social.
Segundo os dados mais recentes, a renda somada dos 10% com maiores rendimentos do país era 3,5 vezes maior que o total recebido pelos 40% com menores rendimentos. O tamanho do abismo varia a depender da região.
O Distrito Federal era líder nesse quesito. Os 10% do topo concentravam 46,5%, e os 40% com menores rendimentos, 8,4%.

27 milhões de pessoas vivem em moradias inadequadas

Tabela do IBGE mostra proporção da população residindo em domicílios com presença de inadequações e ausência de serviços de saneamento básico, por cor ou raçaDireito de imagemIBGE
Image caption15% da população preta ou parda tem ao menos uma inadequação no domicílio; 43,4% dessa população também tem ausência de esgoto sanitário
A pesquisa do IBGE examinou a situação da moradia no país a partir de quatro tipos de inadequações em domicílios. O resultado: 27 milhões de pessoas, ou 13% da população, vivem em casas com ao menos uma dessas quatro inadequações. São elas:
- adensamento excessivo: casas com mais de três moradores por dormitório, a campeã das inadequações, atingindo 12,2 milhões de pessoas (5,9% da população)
- ônus excessivo com aluguel: quando o aluguel supera 30% do rendimento domiciliar, algo que afeta 10,1 milhões de pessoas (4,9% da pessoas); a inadequação foi mais presente no Distrito Federal e em São Paulo
- ausência de banheiro de uso exclusivo do domicílio: um total de 5,4 milhões de pessoas (2,6% da população) vivem nessa condição
- paredes externas construídas com materiais não duráveis: 1,3% da população vivem em residências assim
A pesquisa também analisou a ausência de serviços de saneamento. Mais de um terço da população não tem ao menos um dos três serviços de saneamento básico analisado (esgoto sanitário, abastecimento de água ou coleta direta ou indireta de lixo).
Todos os indicadores de inadequação na moradia e ausência de serviços de saneamento crescem em relação a pretos ou pardos em comparação com brancos. 43,4% das pessoas pretas ou pardas, por exemplo, não têm esgoto sanitário ou rede coletora ou pluvial. O número cai para 26,6% quando a análise foca pessoas brancas.
Houve uma "evolução mais rápida", segundo o texto do relatório, "no acesso domiciliar à internet". Em 2016, 67,9% da população residia em casas com acesso à internet. O número passou para 74.8% em 2017.
Para Naercio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, "parece bastante claro" que o governo federal precisa agir nos municípios onde as pessoas enfrentam essa escassez de serviços básicos. A solução, diz, é trabalhar junto com municípios para fornecer saneamento e aumentar a ação de programas sociais ali.
"O Bolsa Família e outros programas sociais precisam chegar nessas pessoas", afirma. Segundo o estudo, quase metade das mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos de até 14 anos, por exemplo, tem restrição de acesso à proteção social.
Uma das definições de falta de proteção social, segundo a pesquisa, é quando um domicílio tem rendimento per capita inferior a meio salário mínimo e não recebe rendimentos de outras fontes, como programas sociais.

Crianças de 4 e 5 anos fora da escola

Tabela do IBGE mostra proporção de crianças de 0 a 5 anos de idade que frequentavam escola ou creche, por cor ou raça e situação do domicílio, segundo grupos etáriosDireito de imagemIBGE
Image captionAcesso a creche e escola é desigual: crianças pretas ou pardas ou de domicílios rurais têm menos acesso
"Nenhuma das grandes regiões ou unidades da federação atingiu a meta da universalização" do acesso à pré-escola, mostra o estudo, citando objetivo estabelecido pelo Plano Nacional de Educação, criado por lei aprovada em 2014, que prevê a meta de que 100% das crianças de 4 e 5 anos têm de estar matriculadas.
O percentual de crianças de 4 e 5 anos que frequentam a escola ou creche passou de 90,2%, em 2016, para 91,7%, em 2017. A frequência a escola ou creche nessa idade é obrigatória desde 2016.
Os Estados que chegaram mais perto de atingir a universalização foram o Ceará e o Piauí, com 97,8% e 97,6%, respectivamente. As taxas do Amapá, Amazonas e Acre ficaram abaixo de 80%.
"A pré-escola é uma etapa super importante porque é ali que a criança vai começar a desenvolver as bases para ser alfabetizada, vai ter desenvolvimento emocional e cognitivo", diz Thaiane Pereira, coordenadora de projetos da organização sem fins lucrativos Todos Pela Educação. Para ela, colocar o restante das crianças na escola é "urgente" para a próxima gestão.
O acesso à escola ou creche é menor nas áreas rurais, segundo o estudo do IBGE. Crianças que vivem em zonas rurais têm frequência escolar de 43,4%; esse número sobe para 54,7% quando o estudo leva em conta as crianças que vivem em domicílios urbanos. O acesso de pretos ou pardos a escolas ou creches também é menor que o acesso de crianças brancas.
Nas zonas rurais, 43,9% das crianças de 0 a 5 anos não frequentavam a escola ou creche por ausência de vaga. Nos domicílios urbanos, a proporção é de 23,3%.
Pereira, do Todos Pela Educação, cita duas medidas que o próximo governo deve adotar para chegar à meta de 50% de crianças de 0 a 3 anos em creches, objetivo estabelecido no Plano Nacional de Educação para 2024. Hoje, um terço das crianças nessa faixa etária estão em creches, uma etapa que não é obrigatória.
A primeira delas: dar acesso a creche com equidade, combatendo o desequilíbrio evidenciado pela pesquisa, que mostra que crianças negras têm menos acesso a creches do que crianças brancas, por exemplo.
A segunda medida: reinterpretar a meta de 50% de acesso a creches por municípios. Ela explica: "Muitos dos municípios replicaram a meta federal. Mas não necessariamente esses municípios precisam atingir os 50%. E há outros para os quais a meta de 50% não é suficiente. Em São Paulo, por exemplo, há muitas famílias com apenas um dos pais e famílias economicamente ativas que precisam mais de creches".
Ou seja, "antes de atender toda a demanda, é preciso atender as famílias que mais necessitam, que só tem um responsável ou que tem um responsável que precise trabalhar", diz ela. É preciso construir creches e abrir vagas, mas não sem planejamento.

Abismo entre alunos da rede particular e da pública

Tabela do IBGE mostra taxa de ingresso no ensino superior da população com ensino médio completo, por idade, cor ou raça, segundo rede do ensino médio concluídoDireito de imagemIBGE
Image captionPesquisa mostra desigualdade em taxa de acesso a ensino superior; mais que o dobro dos alunos que ingressam no ensino superior vêm da rede privada, em relação a rede pública
O estudo mostrou profunda desigualdade no acesso ao ensino superior. Das pessoas que concluíram o ensino médio na rede pública, 35,9% ingressaram no ensino superior, ante 79,2% dos que cursaram a rede privada.
Ou seja, a taxa de acesso ao ensino superior dos alunos da rede privada foi mais que o dobro dos alunos que cursaram a rede pública.
Cor ou raça também desempenham um papel na desigualdade evidenciada pela pesquisa. No ano passado, pouco mais da metade das pessoas brancas (51,5%) com ensino médio completo seguiram para cursar o ensino superior. Esse número cai para 33,4% quando a análise foca pretos ou pardos nas mesmas condições.
No total, em 2017, 43,2% da população com ensino médio completo entraram no ensino superior.
A pesquisa também analisou a proporção de matrículas por cotas no ensino superior público. De 2009 a 2016, esse número cresceu 3,5 vezes, passando de 1,5% para 5,2%. A proporção de matrículas com PROUNI (Programa Universidade para Todos, do governo federal, que concede bolsas de estudo parciais ou integrais) nas instituições privadas - de 5,7% para 7,3%.
"É importante dizer que, apesar de termos muito o que melhorar ainda, houve um avanço muito grande nos últimos 20 anos em relação à educação", diz Naercio Menezes, do Insper.
O problema do acesso ao ensino superior está no Ensino Médio - ele destaca que é preciso melhorar a qualidade e taxa de evasão.
Para ele, há problemas de priorização e gestão. Ele defende, por exemplo, a descentralização da gestão do Ensino médio, administrada pelos Estados. "É impossível gerir a partir de uma secretaria só. Deveria haver consórcios de municípios, com autonomia administrativa. As redes são muito grandes", afirma.
Com informações da BBC Brasil
Professor Edgar Bom Jardim - PE

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Ambiente:Por que um casal brasileiro deixa seu filho brincar com onças-pintadas


A imagem do garoto foi publicada, inicialmente, pelo próprio pai, o biólogo Leandro Silveira, de 49 anos. Depois, a fotografia foi compartilhada em páginas de Facebook e perfis do Instagram.
Em uma publicação feita no dia 23, um usuário do Facebook compartilhou a imagem de Tiago com as onças. A fotografia teve mais de 2 mil compartilhamentos e 22 mil reações, sendo as mais comuns delas o "amei" e o "uau". Na postagem, não há explicação sobre a origem do registro. Nos comentários, alguns disseram tratar-se de montagem, enquanto outros elogiaram a coragem do jovem.
Para Tiago, a repercussão da foto foi uma surpresa, pois considera se tratar de uma situação comum em seu cotidiano. O garoto frisa que muitas pessoas se surpreendam com o fato de ele conviver com onças-pintadas.
"Eu tenho alguns amigos que não acreditam nisso, acham que é 'fake'. Mas a maioria dos meus conhecidos acha isso muito legal e tem vontade de conhecê-las. Eu acho muito bom poder levar um pouquinho dessa experiência de vida que tenho para outras pessoas que não tiveram a mesma sorte que eu", afirma à BBC News Brasil.
Além do pai do garoto, a mãe, Anah Tereza Jácomo, de 49 anos, também é bióloga. Os dois coordenam o Instituto Onça-Pintada (IOP), que tem o objetivo de preservar e estudar o maior felino das Américas.
"O meu filho nasceu em um ambiente com onças-pintadas. Então, ele convive bem com elas desde a infância e sabe como lidar. Logicamente, a gente o instrui e impõe limites, mas hoje ele já sabe o que fazer ou não. É uma questão muito natural para ele", diz Leandro.

Crescendo com as onças-pintadas

Tiago bebê com onça no coloDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionTiago é filho de biólogos que trabalham com a preservação das onças-pintadas
O nascimento de Tiago foi planejado desde o início do relacionamento de Anah e Leandro, que estão juntos há 28 anos. Os biólogos esperaram a conclusão do doutorado para que tivessem um filho.
"Tinha certeza de que ser mãe me privaria, de certa forma, da minha carreira. Meu marido sempre foi muito companheiro e pediu que concluíssemos os estudos primeiro, porque, na visão dele, não seria justo eu me afastar da carreira durante a maternidade, ao passo que a dele estaria em plena ascensão", diz.
Após o doutorado, Anah e Leandro decidiram que era o momento de ter um filho. Na época, eles já haviam criado o Instituto Onça-Pintada e passavam o dia lidando com estudos sobre felinos. Quando Tiago nasceu, o casal cuidava de três onças-pintadas recém-nascidas.
"Nessa época, íamos viajar de caminhonete, para resolver questões do instituto, e levávamos o nosso filho e as onças juntos. Ele ia no colo da minha esposa e elas iam perto da gente, para não se machucar. No trajeto, muitas vezes parávamos para dar mamadeira para ele e para as onças. Isso aconteceu muitas vezes", relata Leandro.
Em razão do convívio que teve com os animais desde pequeno, Tiago sempre considerou natural a proximidade com onças-pintadas. "O referencial dele é baseado na gente. Ele foi crescendo e aprendendo os limites, vendo o que poderia ou não fazer. Mas, para ele, é algo muito comum esse relacionamento, porque foi criado em um ambiente rural. Esse é o cotidiano dele. Não há nada de absurdo", afirma Leandro.
O garoto se considera privilegiado por ter se relacionado com as onças-pintadas desde pequeno. "Sempre foi uma relação de amor e respeito. Sempre gostei muito disso e sempre ajudei a cuidar dos animais", comenta.
Tiago ressalta que segue as instruções dos pais para lidar com os bichos. "Eles me ensinaram que o medo e o respeito são sentimentos importante e inteligentes. Porque quando você não tem medo e não respeita o animal, você não respeita o limite dele e, por isso, ele também acaba não te respeitando", pontua.
Tiago, os pais e a onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionOs pais de Tiago o ensinaram desde pequeno como deveria se comportar perto das onças

Limites do convívio

Desde que o filho era menor, Leandro ensinava ao garoto sobre a conduta que ele deveria ter com as onças-pintadas. O biólogo costuma passar os mesmos ensinamentos a pessoas que desconhecem informações sobre o felino.
"Esses animais não agem contra o ser humano, no sentido de nos ver como presas. Eles reagem às nossas ações. Então, é importante respeitá-los. Por exemplo, se ele está comendo ou nervoso, ele avisa que não quer proximidade, pela linguagem corporal, então é importante respeitar", diz.
"É fundamental entender os limites e não mexer com o animal quando ele não está bem. Não há como forçar algo com a onça-pintada. É importante compreender o momento em que ela quer ficar sozinha e se afastar. Quando ela quiser proximidade, se aproximará. Isso é uma regra fundamental para a convivência. Onça não é um animal social, mas cria laços para a vida inteira", acrescenta.
Segundo a bióloga, nunca houve incidente entre o garoto e as onças - e ela comenta que nunca deixou o filho sozinho com os animais.
"Sempre tivemos muitos cuidados. Não somente com as onças, mas com qualquer outro animal. Mas o mais importante é que o meu filho aprendeu muito cedo como conhecer cada um. Em nosso sítio, as regras de segurança sempre foram muito determinadas, claras e obedecidas", diz.
Tiago com onça filhoteDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image caption'É fundamental entender os limites e não mexer com o animal quando ele não está bem', explicam Leandro e Anah
Na imagem que repercutiu nas redes sociais, uma cadela da raça blue heeler aparece próxima aos felinos. Os bichos mantêm uma relação de proximidade. Na Organização Não-Governamental (ONG), há outros animais, normalmente encaminhados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), como veados, macacos e lobos-guará,. Segundo Leandro, todos vivem em harmonia.
O IOP está localizado na região rural de Mineiros, no interior de Goiás, em uma propriedade de 50 hectares, pertencente ao casal de biólogos. O instituto não é aberto a visitação, para evitar incômodo aos animais ou prejuízo aos estudos realizados no lugar.

Amor por onças-pintadas levou à criação de instituto

Leandro se encantou pelas onças-pintadas ainda na infância, quando assistiu a um documentário sobre os felinos. Anos depois, a paixão pela espécie o levou a cursar biologia. O primeiro estágio dele foi em um projeto que lidava com onças-pintadas. "Foi a primeira vez em que tive contato com a espécie. Depois, nunca mais parei de trabalhar com ela", relata.
Na universidade, ele conheceu Anah, que também cursava biologia. Os dois são de Goiás. Desde a época em que eram estudantes, desenvolvem atividades com o maior felino das Américas. Em junho de 2002, criaram o Instituto Onça-Pintada. O principal objetivo deles era estudar a espécie e ajudar a preservá-la.
Anos após a criação do instituto, uma equipe do Ibama perguntou se Leandro e Anah tinham interesse em receber onças-pintadas recém-nascidas, que eram órfãs e haviam sido resgatadas da natureza. O casal, que não tinha a criação dos felinos como objetivo inicial, aceitou. Para acolhê-los, elaborou um criadouro científico, que hoje ocupa metade da propriedade rural.
Anah, Leandro e Tiago com uma onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionOnças e outros animais convivem em harmonia numa propriedade de 50 hectares pertencentes aos dois biólogos
O IOP está localizado dentro do sítio. Além de 25 hectares para o criadouro, o lugar também é dividido entre a parte destinada aos animais de outras espécies, a área utilizada para os estudos desenvolvidos por profissionais que atuam no instituto e a residência da família.
O instituto é mantido com doações de empresários ou pessoas físicas e por meio de recursos particulares do casal de biólogos. "É uma eterna busca por recursos. Nunca são valores governamentais, porque o poder público nunca nos ajudou. Ultimamente, temos apoio de empresas. Mas 95% dos recursos têm sido particulares, meus e da Anah, por meio de assessorias que fazemos", diz Leandro.
No IOP, atualmente há 14 onças-pintadas. Destas, quatro são filhotes, dois são jovens e há oito adultos. Na última década, 35 felinos passaram pelo lugar. Normalmente, os que deixam o instituto são encaminhados para outros criadouros, para auxiliar na reprodução e preservação da espécie.
As onças-pintadas que chegam recém-nascidas ao criadouro não retornam à natureza porque a principal ameaça a elas, segundo pesquisas do IOP, são os pecuaristas.
"Nesse sentido, consideramos um contrassenso devolver à natureza um animal que já veio para o cativeiro fruto desse conflito", explica Anah. Outro motivo que faz com que os felinos sejam encaminhados a outro criadouro é a necessidade de contato com humanos, que eles desenvolvem no início da vida, por meio da alimentação ou de outros cuidados básicos, em razão da ausência da mãe.
"Esses animais dificilmente perdem o elo com a presença humana e, se soltos, muito fatalmente, caso se aproximem de locais com a presença humana, podem acabar sendo abatidos", acrescenta a bióloga.

Ameaça de extinção

A onça-pintada está presente em 21 países, entre eles Argentina e Estados Unidos. Em alguns, como Uruguai e El Salvador, ela foi extinta. O Brasil concentra a maior parte delas, abrigando 48% da espécie de todo o mundo. No país, o animal também está ameaçado de extinção.
"Temos de 20 mil a 30 mil onças-pintadas no Brasil. Elas são consideradas ameaçadas porque, ao longo dos anos, perdemos mais de 50% da distribuição original delas. A tendência é que, como todos os grandes predadores mundo afora, caso não haja política de conservação, ela seja extinta."
"É um animal que compete com condições humanas, tem riscos aos seres humanos. Então, a tendência do homem é eliminar. Tudo o que gera riscos, gera prejuízo. Se não criarmos uma política direta de compensação aos prejuízos que esses animais causam, ele vai ser eliminado", pontua. Segundo o biólogo, não há nenhum tipo de ação do poder público para a preservação dos felinos.
Tiago e onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionSegundo os biólogos, se as onças-pintadas correm o risco de serem extintas no futuro, se políticas públicas de preservação não forem adotadas
Muitos dos filhotes que chegam ao IOP se tornaram órfãos após as mães serem mortas por produtores rurais, enquanto saíam em busca de alimentos para os filhos. "Há inúmeros filhotes que morrem depois da perda da mãe, por não conseguirem se manter sozinhos. Infelizmente, o número de órfãos que chegam para a gente é muito pequeno, perto do total que fica abandonado", explica Leandro.
Um dos principais trabalhos do IOP é conscientizar a população sobre a preservação das onças-pintadas. Os principais alvos da iniciativa são os produtores rurais. Para auxiliar no diálogo com eles, o instituto criou o Certificado Onça-Pintada. "Propomos valorizar os produtos de proprietários que se comprometem a tolerar os prejuízos causados por onças e jamais abatê-las", diz Anah. Segundo ela, 170 mil hectares de fazendas já aderiram ao selo. "O nosso objetivo é atingir 1 milhão de hectares em 10 anos", revela.
Anah explica que a importância da conscientização dos produtores rurais ocorre porque, no Brasil, 70% das terras estão em áreas privadas. "As unidades de conservação, sozinhas e isoladas, não têm tamanho e não asseguram a conservação da onça-pintada em longo prazo. Dessa forma, ela precisa do proprietário rural para ter a chance de sobreviver", pontua a bióloga.

Preocupação com o futuro

Tiago e filhote de onçaDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionMuitos dos filhotes que chegam ao IOP se tornaram órfãos após as mães serem mortas por produtores rurais, enquanto saíam em busca de alimentos para os filhos
A luta pela preservação das onças-pintadas é conhecida por Tiago desde a mais tenra idade. Há um ano, ele deixou o sítio onde morava com os pais, na sede do IOP, para se mudar para Goiânia, para estudar. O garoto, que está no oitavo ano do ensino fundamental, sente saudades da convivência diária com os bichos.
"Está sendo muito difícil ficar longe dos animais, porque convivi com eles desde pequeno. Toda vez que volto para a casa dos meus pais, sinto que os animais também sentem saudade de mim. Eles me reconhecem e brincam comigo de uma maneira diferente. Isso é muito gratificante, porque vejo que o amor e o carinho que dei para eles anos atrás está sendo retribuído", diz o estudante.
Tiago visita os pais a cada três meses. A foto que viralizou na internet foi tirada durante o feriado da Proclamação da República, em 15 de novembro. No futuro, ele não quer continuar distante do lugar onde nasceu. O garoto planeja cursar biologia e retornar para o sítio da família, onde quer dar continuidade à iniciativa desenvolvida pelos pais.
"Quero fazer biologia, mas não para ser professor. Quero trabalhar com os animais, na prática. Pretendo dar continuidade ao instituto e ajudar meus pais, porque essa é uma causa muito nobre. A gente está tentando salvar uma espécie de extinção e realmente quero continuar com essa luta", declara.
Professor Edgar Bom Jardim - PE