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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Professora de Limoeiro denuncia desmandos, barganha e exploração dos políticos do município

"É uma pouca vergonha", diz professora.

A Professora Roseane Travassos, da rede Municipal,além de estudante de direito na Facju, fez um vídeo em rede social onde a mesma cobra dos vereadores a não aprovação do parcelamento da divida do Limoprev.


No vídeo ela avisa que se o projeto passar, ira  acontecer a terceira guerra civil em Limoeiro, pois ela vai passar 15 dias com um megafone, em frente a prefeitura falando tudo que segundo ela sabe.

A professora Roseane Travassos, inclusive denuncia mais de 1000 cargos comissionado com altos salários, e chama os funcionários e os limoeirenses, ou seja, o povo, a irem a luta contra este parcelamento.

No vídeo ela e bastante enérgica e dura com os vereadores e com os gestores do passado e o atual. Segundo a professora, os vereadores e o prefeito devem os baixar seus salários, e passarem a ganhar no máximo 3000 reais e o prefeito no Maximo 4mil, já que o servidor além de terem baixos salários não tem aumento com o percentual que eles têm.

E segundo ela os cargos passaram a terem um aumento de 100% em seus vencimentos. Fonte: folhadelimoeiro.com
Professor Edgar Bom Jardim - PE

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Como celulares roubados no Carnaval são desbloqueados e desovados em ‘feiras do rolo’ no Facebook

Celulares apreendidos com porteiro durante carnaval em São Paulo
Image captionDelegado do Deic diz que brasileiros viajam ao Paraguai para comprar aparelho que desbloqueia celular roubado | Foto: Divulgação/Deic
Os blocos de Carnaval se tornaram um sucesso de público e arrastaram milhões de pessoas pelas ruas de diversas cidades brasileiras neste ano, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Mas em meio à euforia dos foliões, milhares de celulares foram roubados e furtados.
Mas o que os assaltantes fazem com esses aparelhos, já que a polícia bloqueia o IMEI (número de identificação) assim que o boletim de ocorrência é registrado?
Em 2015, o então secretário da Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, anunciou que esse bloqueio do registro do celular faria o smartphone perder todas as suas funções "e virar uma pedra" na mão dos criminosos. Mas não é o que acontece.
O bloqueio até ocorre de forma efetiva, mas os criminosos descobriram um aparelho capaz de trocar o IMEI bloqueado por outro antigo em uso - o que pode levar a dois celulares a terem o mesmo código. Depois, os assaltantes encontraram nas "feiras do rolo" do Facebook um caminho fácil para desová-los. Alguns grupos do tipo têm mais de 300 mil participantes.
Nesta terça-feira, uma mulher ofereceu 14 celulares "semi-novos" em um grupo fechado para venda e troca de celulares no Facebook, com 248 mil membros.

Desbloqueio

Mas, antes de tudo, o aparelho precisa estar funcionando plenamente.
Fabricado na China e na Coreia do Sul, o desbloqueador de IMEI apaga a identificação do aparelho registrado no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (Cime), da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Isso "engana" o sistema das empresas de telefonia e faz o aparelho ser reconhecido como válido e efetuar ligações e acessar a internet normalmente.
Venda de celulares em grupo fechado
Image captionMulher vende 14 celulares "semi-novos" em grupo fechado no Facebook após Carnaval | Foto: Reprodução
Esse desbloqueador foi proibido no Estado de São Paulo há três anos. Mas, em entrevista à BBC Brasil, o delegado titular da Delegacia de Cybercrimes do Departamento de Investigações Criminais (Deic), José Mariano de Araújo, disse que os criminosos brasileiros passaram a compram o aparelho no Paraguai. Cada um custa cerca de US$ 350 - o equivalente a R$ 1150.
O delegado do Deic diz que hoje apenas dois modelos de celular são imunes ao desbloqueio do IMEI: o iPhone X, fabricado pela Apple, e o Galaxy S8, da Samsung. Com um aparelho desses em mãos, só resta aos assaltantes tentar desmontá-lo e vender suas peças.
José Araújo, que também é professor de cybercrimes e Direito Eletrônico da Academia da Polícia Civil de SP, diz que essa barreira é apenas uma questão de tempo para os criminosos. Como a atualização do desbloqueador é feita online, quando um hacker de qualquer parte do mundo conseguir quebrar o código para destravar o IMEI do iPhone X, por exemplo, todos os desbloqueadores do mundo também poderão ter acesso à função.
Questionada pela BBC Brasil, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não informou quantos celulares foram roubados durante o carnaval. Mas segundo o delegado, o número de ocorrências cresceu.
"Estamos vendo uma reedição do roubo e furto de automóveis. É como pegar uma BMW novinha, descobrir uma que deu perda total, implantar o chassi dela na roubada e está lá a mesma situação (legal). Tem celular roubado, com IMEI de celulares antiguíssimos, rodando normal", explica o delegado.
No dia 12 deste mês, a polícia prendeu um porteiro de 45 anos e uma moradora do prédio onde ele trabalha, de 27 anos, sob suspeita de participarem de um esquema de roubo de celulares no Carnaval de São Paulo. Com eles, foram apreendidos 300 aparelhos. Na semana anterior, outro grupo fora detido com 32 smartphones.
Em São Paulo, a Polícia Militar reforçou a segurança com 7.504 policiais a mais nas ruas durante o Carnaval. No período, 8.843 pessoas foram abordadas, 31 presas e 4 menores apreendidos na capital. Em 2017, 4.127 celulares foram recuperados em ocorrências de receptação.

Por que não bloquear dois celulares com o mesmo IMEI?

A Anatel já fez anúncios de que bloquearia o IMEI de celulares piratas - sem o registro ou com a numeração repetida. A mais nova previsão é que a medida seja adotada a partir de maio de 2018, no Distrito Federal e Goiás.
Para o delegado do Deic, essa é uma das medidas mais importantes para evitar os roubos de celulares.
O delegado explica que o Brasil não exigiu que cada celular tivesse um IMEI diferente quando começou a registrar os aparelhos roubados no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (Cime). Isso possibilitou que um registro fosse usado em diferentes celulares.
"Chega um aparelho da China aqui com um IMEI que nem existe e funciona. Fora isso, existe também uma configuração padrão de IMEI para testes de operadoras, que são usadas pelos fraudadores e aparecem dezenas de vezes", conta José Araújo.
Celular desmontado
Image captionNúmero de IMEI, gravado na bateria e na caixa do celular, é usado para bloquear as funções do aparelho
Segundo ele, a Anatel tem quer permitir que apenas aparelhos homologados funcionem nas redes de telefonia o mais rápido possível. "Mas as operadoras não têm nenhum interesse nisso porque o que elas querem é aumentar a sua massa de assinantes", diz.
Ele diz isso porque, caso os IMEIs piratas ou duplicados fossem bloqueados, a maior parte dos celulares importados da China deixaria de funcionar no Brasil por conta das identificações repetidas. Isso forçaria todos os brasileiros a usarem aparelhos nacionais e afetaria diretamente a quantidade de assinantes das operadoras.
O delegado do Deic ainda sugere que todos os celulares fabricados tenham um número de fábrica cravado em suas peças, como nos chassis de carros.
"Isso viabilizaria a gente saber a origem das peças de cada aparelho ao analisá-lo, além de evitar a venda das peças. Mas as fabricantes também não estão interessadas porque isso aumenta o custo de produção", explica Araújo.
Procurada pela reportagem da BBC Brasil, a Anatel não disse por que ainda não bloqueia IMEIs repetidos nem confirma quando adotará a medida.

Desova no Facebook

As "feiras do rolo", como são conhecidos os comércios ilegais de rua onde são vendidos produtos falsos ou roubados, agora migraram para a internet.
A maior parte desses grupos fechados e secretos está no Facebook e alguns são destinados exclusivamente ao comércio de celulares. A ideia inicial era de que os usuários pudessem vender aparelhos antigos ou com pequenos defeitos, mas criminosos estão aproveitando a plataforma para desovar os aparelhos roubados.
Celulares apreendidos com porteiro durante carnaval em São Paulo
Image captionCelulares apreendidos com porteiro durante carnaval em São Paulo | Foto: Divulgação/Deic
A reportagem da BBC Brasil teve acesso a mais de 10 grupos de troca e venda de celulares na rede social. Em alguns deles, pessoas vendiam até cinco aparelhos diferentes e faziam pacotes - um usuário vendia três celulares por R$ 800. Um sinal forte de irregularidade, segundo o delegado.
José Araújo e sua equipe do Deic investigam há mais de um ano os grupos criminosos que desovam celulares nas redes sociais. Diversos suspeitos foram identificados, mas nenhum foi preso.
"A infiltração virtual é muito complexa. Os criminosos agem como um exército e se blindam. É muito difícil conquistar a confiança de alguém pela internet. Assim que o cara desconfia de você, bloqueia na hora", diz o delegado.
Ele culpa redes sociais como o Facebook por dificultar o trabalho policial.
"Se nos mostrarem uma feira do rolo, eu mando uma equipe e a gente combate, mas na internet eu não tenho informação. As empresas que deveriam ajudar não vão porque elas têm que provar que possuem um ambiente seguro, não importa se o usuário é um criminoso ou não. Elas deveriam me dar acesso para trabalhar e investigar, mas não dão. Quer uma polícia eficiente que trabalhe com segurança ou preservar o anonimato de criminosos?", afirma o delegado.
Procurado, o Facebook informou que os "padrões da comunidade proíbem o uso do Facebook para praticar atividades criminosas, como as que causem danos financeiros a pessoas ou negócios". Diz ainda que "remove qualquer conteúdo desse tipo assim que fica ciente e fornece às autoridades os dados requisitados seguindo a legislação".

Como sei que um celular é roubado?

O delegado do Deic aponta a receptação como o principal combustível que impulsiona os roubos e furtos de celulares. Mas muitas vezes o comprador tem boas intenções ao participar de um grupo de trocas nas redes sociais e não sabe identificar se um aparelho é roubado.
O delegado do Deic diz que a principal dica para não colaborar com crime é aplicar os mesmos conhecimentos usados ao comprar um carro quando adquirir um celular de outra pessoa.
"O produto tem documentação ou nota fiscal? O aparelho tem o IMEI bloqueado? Eu recomendo que ainda que marque um encontro com o vendedor num local público de grande movimentação para avaliar o aparelho pessoalmente. Vá acompanhado, ligue o aparelho, veja se a conta do iTunes da Play Store estão bloqueadas, leve um chip para testá-lo e coisa do tipo", recomenda o delegado.
Mas para ele, enquanto IMEIs repetidos forem permitidos e a comercialização indevida for possível por meio das redes sociais e até mesmo em lojas que fazem manutenção de aparelhos, todas as outras ações serão apenas para "enxugar gelo".
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Cidadania:STF decide se grávidas e mães presas provisórias podem ir pra casa; entenda o que está em jogo

Mãe com filho no Complexo Penitenciário de Bangu, em foto de arquivo
Image captionMãe com filho no Complexo Penitenciário de Bangu; proteção à criança depende da proteção à presa, diz advogado | Foto: Tânia Rêgo/Ag. Brasil
O Supremo Tribunal Federal (STF) pode decidir nesta terça-feira se mulheres grávidas e mães de crianças de até 12 anos que estejam em prisão provisória (ou seja, que não foram condenadas) terão o direito de deixar a cadeia e ficar em prisão domiciliar até seu caso ser julgado.
A Segunda Turma da corte, composta pelos ministros Edson Fachin, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, vai votar um habeas corpus coletivo em nome dessas detentas e de seus filhos, sob o argumento de que "confinar mulheres grávidas em estabelecimentos prisionais precários, subtraindo-lhes o acesso a programas de saúde pré-natais, assistência regular no parte e pós-parto, e ainda privando as crianças de condições adequadas a seu desenvolvimento, constitui tratamento desumano, cruel e degradante".
Não há dados oficiais a respeito, mas estima-se que um terço da população carcerária feminina (hoje composta de mais de 42 mil mulheres) se enquadre na categoria de gestantes ou mães de crianças pequenas, segundo o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu), que está entre os impetrantes do habeas corpus no Supremo.
Ou seja, é possível que até 14 mil detentas sejam autorizadas a ficar em prisão domiciliar. No entanto, não se sabe de antemão se o habeas corpus, caso acatado, teria efeito imediato ou não.
Uma lei de 2016 já determina que presas grávidas ou com filhos de até 12 anos possam pedir substituição da prisão preventiva pela domiciliar dentro da justificativa de "assegurar os direitos da criança, do adolescente e do jovem como prioridade absoluta". Mas há uma resistência entre juízes de primeira instância em conceder esse benefício, segundo advogados.
"Hoje, os juízes argumentam que não ficou comprovado (pela defesa dessas mulheres) que a mãe é insubstituível, o que é infundado. A mãe é sempre insubstituível, e esperamos que isso não precise ser comprovado caso a caso", diz Nathalie Fragoso, advogada do CADHu, à BBC Brasil.
"Outro argumento é de que a defesa não conseguiu comprovar que a mãe está em situação degradante na cadeia, quando sabemos que o sistema penitenciário inteiro está em absoluta calamidade no Brasil."

'Forma seletiva'

O tema ganhou destaque no noticiário recente com dois casos ocorridos em São Paulo. Neste mês, um bebê recém-nascido foi levado com a mãe à penitenciária após ela ter sido detida sob a acusação de tráfico de drogas, e no mês passado, a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Laurita Vaz, negou habeas corpus à mãe de uma criança de um mês de vida, impedindo-a de cumprir pena domiciliar.
A mãe havia sido presa com 8,5 g de maconha encontradas dentro de um bolo que ela levava ao marido na prisão. Na decisão, Vaz afirmou que "a simples existência de filhos menores não enseja a concessão automática da benesse (da prisão domiciliar)".
Para críticos, decisões do tipo contrastam com o benefício concedido a Adriana Ancelmo, ex-primeira-dama do Rio, presa no âmbito da Operação Calicute (desmembramento da Lava Jato).
Ela, que é mãe de crianças de 11 e 15 anos, recebeu o direito a prisão domiciliar em dezembro, por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que afirmou que a prisão de mães e grávidas é "absolutamente preocupante" e defendeu alternativas ao encarceramento, para não haver "punição excessiva" à mulher ou a seus filhos.
"O habeas corpus (em votação nesta terça) ressalta a forma seletiva como a Justiça trata as mulheres presas (...) e o quão constratantes são as decisões envolvendo mulheres de diferentes classes sociais", diz o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos. "Por essa perspectiva, oferece uma oportunidade para que o STF corrija injustiças e revogue a prisão de todas, e não apenas de um grupo seleto de mulheres."

Proteção à infância

O impacto da prisão repentina de uma mãe é "desvastador" para famílias carentes, explica à BBC Brasil Maria do Carmo Leal, médica e pesquisadora da Fiocruz e coordenadora de uma pesquisa chamada "Nascer nas Prisões", cujos dados serão apresentados ao STF durante a votação desta terça.
"Ocorre uma desestruturação completa, porque a mãe em geral era o arrimo da família e ela desaparece repentinamente (da vida familiar)", relata.
Detenta grávida
Image captionLevantamento recente do Conselho Nacional de Justiça diz que há no Brasil 622 mulheres presas grávidas ou lactantes | Foto: Fiocruz
Entre 2011 e 2014, a pesquisa da Fiocruz mapeou detentas gestantes ou mães de bebês pequenos em penitenciárias de 24 Estados brasileiros.
"A maioria tem entre 20 e 29 anos, é pretas ou parda, de baixa escolaridade e muita vulnerabilidade social. E 62% delas já tinham de dois a quatro filhos", diz a médica.
"Mais da metade delas não tinha companheiros e um terço se declarou chefe de família. A maioria foi presa por delitos menores, como levar drogas para o marido na cadeia, vender pequenas quantidades da droga ou envolver-se em brigas. É a baixa democracia brasileira: prender mães pobres, (impondo-lhes) um castigo desse tamanho."
A mulher não perde a guarda dos filhos ao ser presa, mas essa guarda fica suspensa até o julgamento definitivo do processo, suspensão que persiste se houver condenação a pena superior a dois anos.
"Os irmãos são separados para viver em abrigos ou serem cuidados por parentes ou vizinhos. E bebês de até seis meses ficam com as mães na prisão na maioria dos Estados, enquanto são amamentados. Mas é um período de grande sofrimento, porque a mãe não sabe o que vai acontecer com a criança em seguida. Daí, de um dia para o outro esse bebê simplesmente deixa de ver a mãe, algo inominável para o desenvolvimento e a saúde infantil", prossegue Leal.
Os filhos das detentas são citados como parte interessada no habeas corpus porque o encarceramento de suas mães "viola massivamente direitos constitucionais das crianças, como saúde, alimentação (por conta da amamentação) e convivência com a família e a comunidade", diz Pedro Hartung, advogado do Alana, grupo de defesa dos direitos infantis.
"Pesquisas mostram que crianças expostas a estresse, inclusive o afastamento da mãe e da família, levam essa marca para toda a vida em atraso cognitivo, problemas de saúde e estresse tóxico. É um impacto social muito grave. Todos nos beneficiamos como sociedade que as crianças tenham um desenvolvimento sadio. E para proteger essas crianças precisamos proteger suas mães."
Mas o fato de essas mães serem potencialmente criminosas não configura um perigo a esses filhos? Para Hartung, os dispositivos legais já preveem que essas crianças sejam acompanhadas pelo Conselho Tutelar, que pode intervir caso o convívio com a mãe se converta em um risco. "Abusos ou violência podem resultar na perda do benefício da prisão domiciliar para a mãe", diz ele.

'Absoluta indignidade'

Mãe amamentando na prisão
Image captionMãe pode amamentar filho na cadeia, dependendo do Estado onde está presa, mas condições 'violam direitos constitucionais das crianças' | Foto: Reprodução Nascer nas Prisões/Fiocruz
Levantamento recente do Conselho Nacional de Justiça diz que há no Brasil 622 mulheres presas grávidas ou lactantes.
O cadastro foi solicitado pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, que afirmou em janeiro que não quer que "nenhum brasileirinho nasça dentro de uma penitenciária. Isso não é condição precária, é de absoluta indignidade".
Hartung, do Alana, afirma que há também 1,8 mil bebês vivendo com suas mães no cárcere, "em situação degradante" por causa da falta de estrutura, higiene e garantias de proteção à infância nos presídios.
Não se sabe ao certo, porém, qual o número de detentas que têm filhos de até 12 anos. O Departamento Penitenciário Nacional tem informações a respeito dos filhos de apenas 9% da população carcerária total do Brasil. Nesse universo, 74% das mulheres detidas até 2016 têm ao menos um filho, de idade não determinada.
Nesse universo, outro fator preocupante é a explosão da população carcerária feminina no Brasil: o número de mulheres presas aumentou quase 600% entre 2000 e 2015. Segundo dados oficiais, 80% delas são as responsáveis principais (ou únicas) pelos cuidados com os filhos.
Paula Adamo Idoeta. BBC
Professor Edgar Bom Jardim - PE

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Brasil:ato contra a reforma da Previdência

Ato reúne centenas de trabalhadores nas principais ruas do Centro do Recife. Foto: Sávio Gabriel/DP (Ato reúne centenas de trabalhadores nas principais ruas do Centro do Recife. Foto: Sávio Gabriel/DP)
Ato reúne centenas de trabalhadores nas principais ruas do Centro do Recife. Foto: Sávio Gabriel/DP


Após a manhã de protestos contra a reforma da Previdência, as centrais sindicais de Pernambuco se reúnem, na tarde desta segunda-feira, no Parque 13 de Maio, no bairro da Boa Vista, para mais um ato contra a votação. Ao longo do dia, os postos de atendimento do INSS e escolas fecharam as portas, houve bloqueios nas principais rodovias federais que cortam o estado e, agora, os trabalhadores saem em caminhada para manter a pressão sobre os deputados federais.

O ato é endossado por faixas e dois trios elétricos. Depois da concentração, que começou por volta das 15h, os trabalhadores saíram em caminhada pela Rua do Hospício em direção à Avenida Conde da Boa Vista. Os organizadores adiantaram que a mobilização deve seguir até a Praça da Independência, mais conhecida como Pracinha do Diario.

"Desde o início da manhã, teve ação no estado todo e paralisação de diversas categorias. É preciso lembrar que a reforma da Previdência não está sendo votada, porque Temer não tem maioria. O povo está na rua, está pressionando os deputados nas suas bases eleitorais, e ele não tem os 308 votos. A intervenção no Rio de Janeiro é apenas uma desculpa para ele não votar. E, pode ter certeza, todas as vezes que anunciarem a votação da reforma da Previdência nós vamos parar o Brasil", adiantou o presidente da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE), Carlos Veras.

Durante o ato, houve uma peça teatral explicando os danos da reforma aos trabalhadores. Foto: Sávio Gabriel/DP (Durante o ato, houve uma peça teatral explicando os danos da reforma aos trabalhadores. Foto: Sávio Gabriel/DP)
Durante o ato, houve uma peça teatral explicando os danos da reforma aos trabalhadores. Foto: Sávio Gabriel/DP


Segundo a liderança sindical, não haverá trégua. "Vamos fazer muitas manifestações, muitos atos, vamos continuar denunciando nas bases eleitorais de cada deputado federal. A população vai continuar informada sobre quais são os parlamentares que estão em Brasília assaltando os direitos da classe trabalhadora", advertiu. "A principal ação agora é manter o que os trabalhadores têm feito nas bases eleitorais. Essa pressão tem gerado medo neles no ano eleitoral. A nossa estratégia é a mesma do Temer, que ameaça não apoiar os candidatos caso não votem a favor da reforma", explicou Veras.

Caminhada começou por volta das 17h. Foto: Sávio Gabriel/DP (Caminhada começou por volta das 17h. Foto: Sávio Gabriel/DP)
Caminhada começou por volta das 17h. Foto: Sávio Gabriel/DP


As centrais denunciam que a reforma não acaba com privilégios. "A superaposentadoria continua, a exemplo do próprio Temer, que se aposentou com 55 anos recebendo mais de R$ 30 mil. Na CPI da Previdência, R$ 4,7 trilhões deixaram de ser arrecadados por conta das dívidas de empresas públicas e privadas. O trabalhador tem o valor descontado, mas as empresas não repassam para o governo, o que gera a dívida. É preciso combater a sonegação e cobrar a dívida, não penalizar os trabalhadores", continuou o sindicalista. 

Além da CUT-PE, outras oito centrais sindicais participam do ato, entre elas, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central Sindical e Popular/Conlutas (CSP/Conlutas), a Intersindical e também a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo. "Não podemos ter tranqulidade com um governo golpista como esse cheio de artifícios. Essa reforma crimonosa só privilegia os banqueiros e acaba com o direito a aposentadoria de todos os homens e mulheres do país. Não vamos deixar isso acontecer", concluiu. 


Com informações do repórter Sávio Gabriel
Diário de Pernambuco
Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O povo brasileiro quer saber da Justiça


Professor Edgar Bom Jardim - PE

"Quem não é branco nas noites da Baixada corre risco de vida",diz Dom Mauro Morelli,

 A intervenção militar de Michel Temer afirmando que se trata de uma ação contra os pobres do Rio de Janeiro.

"Trabalhei 24 anos na Baixada Fluminense como primeiro bispo da Diocese de Duque de Caxias. Discordo de intervenções que aviltam militares e trazem angústia e sofrimento aos pobres, em sua maioria de origem africana. A tarefa constitucional dos militares é outra, também a solução!”, escreveu o religioso, indicando que os negros são os principais alvos da repressão.
“Quem não é branco nas noites da Baixada corre risco de vida, tamanho o preconceito da sociedade escravocrata e racista. Se houvesse raça superior, seria a raça negra. Com 300 anos de escravidão e tantos séculos de discriminação, seu gingado é insuperável”, disse o bispo católico.
Dom Mauro ainda se dispôs a debater seu ponto de vista no Twitter: “Alguém contesta meu tweet afirmando que somente os bandidos sofrem com intervenção…santa ingenuidade ou malícia refinada! Não faço discurso teórico ou demagógico. Se o problema do Brasil fosse bandido ou marginal das favelas ou “comunidade”…até que o bicho não seria tão feio!”
Portanto, o bispo da Igreja Católica reafirma que o problema da segurança pública no Rio e no Brasil não se resolve metralhando pobres dos morros. Pelo contrário. A solução seria ampliar a presença do Estado com políticas públicas de acesso à saúde, educação, moradia, emprego, salário digno, aposentadoria, lazer… Tudo que o Vampiro Neoliberalista, isto é, o governo Michel Temer, não deseja.
“Favelas remontam à abolição da escravatura por razões de natureza econômica. Aos ‘libertos’ nada foi oferecido, sua opção ocupar morros, alagados e debaixo das pontes. O inchaço das periferias metropolitanas fruto do modelo de desenvolvimento do Golpe de 1964. O que virá agora?”, questiona Dom Mauro Morelli.
Agora só falta os fundamentalistas de direita acusarem o santo bispo de comunista..
Fonte: Blogesmaelmorais
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Análises:Temer vai à guerra para se manter no poder e perpetuar o golpe


Michel Temer abraçou a frase atribuída a Washington Luís, segundo a qual “a questão social é um caso de polícia”.
O golpe, que retirou direitos e arrochou os mais pobres, quer se perpetuar explorando os efeitos daquilo que promoveu.
E Temer tem um plano: continuar no Planalto quando seu mandato acabar.
Através de eleições ou, melhor ainda — do ponto-de-vista dele –, de forma indireta, para “pacificar” o País.
A intervenção militar no Rio de Janeiro é o primeiro passo.
Como advertiu a deputada federal Jandira Feghali no vídeo acima, o Carnaval cristalizou a insatisfação com os governos municipal, estadual e federal na cidade.
E os bumbos da TV Globo se encarregaram de focá-la, a insatisfação, exclusivamente nas questões de segurança — gravíssimas, sim, mas não de hoje.
A falta de um candidato conservador às eleições de 2018 deixa aberta a fresta para o “ruim com Temer, pior sem ele”.
Temer passou a ser incentivado a disputar um novo mandato por um grupo que reúne acólitos, marqueteiros em busca de emprego e parlamentares enrolados na Lava Jato.
O discurso com que tentam convencer o chefe tem vários argumentos: o de que a melhora na economia se fará sentir aos poucos, e mais fortemente próximo à eleição, que ninguém melhor para defender seu legado que ele próprio —se não for para ganhar, algo cuja possibilidade é hoje para lá de remota, ao menos para ter um palanque para elencar suas realizações—, que uma eleição sem Lula torna o resultado imprevisível e, por fim, que ainda não surgiu um nome fora das franjas de polarização da sociedade para galvanizar os votos do chamado centro moderado.
E mais:
Auxiliares do presidente com os quais conversei pela manhã reconhecem a impossibilidade prática de se decretar uma medida de tamanha magnitude para, poucos dias depois, suspendê-la para votar a reforma da Previdência.
Portanto, a morte que já estava anunciada agora ganha uma justificativa de “força maior”.
Quase uma saída honrosa para o fato de que o governo não tinha os votos para aprovar a mudança no regime de aposentadorias e pensões.
Para robustecer a pauta da segurança e dar um novo norte político ao governo, entra ainda a discussão sobre a criação do Ministério (que pode ser extraordinário) da Segurança.
Algo que vem bem a calhar, inclusive, para trocar de mãos o comando da Polícia Federal, que tem irritado o governo pela contundência, por exemplo, nas perguntas dirigidas a Temer no inquérito que investiga se houve favorecimento político a empresas do setor portuário quando da edição de um decreto na área.
E, assim, voltamos à Lava Jato: por trás do súbito entusiasmo com a candidatura Temer está um grupo (composto por ministros e parlamentares) que quer um biombo para as investigações.
Ou “estancar a sangria”, em termos romerojucaanos.
Isso entra no cálculo do próprio Temer para cogitar a candidatura: um eventual novo mandato lhe daria a prorrogação da prerrogativa de ter processos sustados enquanto ocupa a Presidência.
O que ela não disse é que o quadro social tende a se deteriorar com as medidas concentradoras de renda de Temer. E a violência, portanto, pode recrudescer, com a possível convocação das Forças Armadas para intervenções em outras cidades.
É a tal “intervenção constitucional” clamada pela extrema-direita nas ruas, mas feita aos poucos.
Temer vai à TV esta noite para anunciar a intervenção no Rio, parte de sua “campanha do Fico”. Enquanto ela durar, não podem ser feitas mudanças na Constituição.
E, a partir dela, é possível imaginar muitos cenários que desemboquem no adiamento das eleições de 2018:
A morte de militares por traficantes, por exemplo.
A reação popular a uma possível prisão de Lula.
Uma reação à “ameaça” sentida pelos militares de uma investigação sobre os crimes da ditadura — exemplificada pela publicação, no site do Exército, de críticas ao Ministério Público, que abriu a possibilidade de investigar.
O crescimento, para além da esquerda, do Fora Temer, que os radares da Paraíso do Tuiuti captaram e colocaram na Marquês de Sapucaí.
Em outras palavras, como no pré-golpe de 1964, o “caos” joga no time deles. E a agenda neoliberal bateu na trave, com o enterro da reforma da Previdência. A partir de agora, só à força.
Num grupo de whats app, já está circulando a imagem de um homem de boina preta, com uma estrela vermelha na cabeça, prometendo ‘sangue nas canelas’ se Lula for preso. O vídeo é acompanhado por fotos de armamento pesado.
Tudo indica que seja algo plantado, como está escrito nos manuais de guerra psicológica.
Em 1962, Wanderley Guilherme dos Santos produziu um texto, hoje clássico, Quem dará o golpe no Brasil, prevendo o que aconteceria dois anos depois. É ele quem escreve, hoje, que é preciso apostar nas eleições.
À esquerda o recomendável é que reformulasse sua pauta tendo a defesa das eleições de 2018 como ponto prioritário. Se possível, com um candidato único já no primeiro turno.
Nunca é demais relembrar o que disse o general Hamilton Mourão: “Os Poderes terão que buscar uma solução, se não conseguirem, chegará a hora em que teremos que impor uma solução… e essa imposição não será fácil, ela trará problemas”.
Acrescentou que os militares têm “compromisso com a Pátria, independente de sermos aplaudidos ou não”.
E mais: “O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos, de qualquer maneira, atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver [intervenção] haverá”.
Michel Temer acredita que a solução passa por ele — uma ideia que pode levar ao caos, “justificando” assim a manutenção indefinida do golpe que derrubou Dilma Rousseff, com ou sem Temer.
Como escreveu Marcelo Zero, reproduzido nesta página, “o golpe cruzou o Rubicão da democracia. Entrou em sua terceira e mais obscura fase. A fase do não-retorno, a fase da extirpação definitiva da soberania popular”.
por Luiz Carlos Azenha
DE: viomundo.com
Professor Edgar Bom Jardim - PE