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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Brasileiros chateados com o "Cai, Cai de Neymar "e os comentários da Globo

O torcedor esperava mais empenho, brilho e garra da seleção brasileira no jogo contra a Suíça.  O empate por 1 X 1 não era esperado por muitos. Os fãs do jogador Neymar  e torcedores de modo geral ficaram chateados com tanto cai, cai do jogador. Nas redes sociais virou chacota.

Outra situação que deixa a torcida brasileira irritada, são certos comentários feitos pela equipe da Rede Globo, em relação ao mimo dada a seleção e ao "astro Neymar". Percebe-se comentários tendenciosos ao se falar da Rússia, país sede da Copa 2018. 

A verdade é que a Copa já não empolga a população que vive uma situação de muita dificuldade, opressão e sem esperança na classe política que governa o país.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

domingo, 17 de junho de 2018

Futebol: mercadorias na vitrine


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A Copa tem data marcada. A histeria começa a se ampliar. A mídia cuida de sacralizar algumas figuras. Tite se torna um pensador, divulgador de universidade e mentor do Itaú. O civismo ganha um corpo especial. Os tempos  mudam, não estamos na época de Garrincha. As mercadorias valorizam os artilheiros ou os artilheiros são ídolos de gerações entusiasmadas com um sucesso gigante ? Gosto de futebol. Não vejo como não torcer pela seleção. Sinto, contudo uma certa nostalgia e fico perplexo com a agilidade do capitalismo. Aqui, há muita ligação com a bola, ela distrai , faz esquecer desavenças e misérias.
As ameaças de um mundo cercado de vitrines comprometem a lucidez. Neymar mora em palácios, segue uma assessoria milionária. Possui o vírus do seu tempo. Ela não é o único. A Copa é espetáculo que inquieta multidões e transforma o calendário. O governo carimba sua fatura. Os feriados mostram que o ritual não se foi. É preciso quo mundo tenha alguns encantos, que a vida fuja da monotonia. O futebol é festa, hipnotiza muita gente. Na Europa, os estádios se enchem, a lavagem de dinheiro garante disputas, deixa a imprensa acelerada. Falam de uma modernidade esportiva , de uma globalização assustadora. A televisão se torna um altar.
Não sacudamos o peso no Brasil. Passamo por crises constantes, uma sucessão de quadrilhas bem montadas dirigem nossa economia. Há decepções quase fatais. Difícil compreender como a história se constrói com tantos conflitos e dissabores. Mas a camisa amarela provoca alegria. É um símbolo, apesar do uso fascista que alguns grupos fizeram. Há quem desista de vesti-la diante das amarguras políticas. Tudo amplia sentimentos, distorce valores, arruína tradições. Uma mistura diferente denuncia que a sociedade salva objetos e aniquila pessoas. Sem exageros, as identidades flutuam como tapetes nada mágicos.
Não jogo fora os entrelaçamentos históricos. O presente se mexe, porém o passado possui seus movimentos. Quem rejeita a história, procura fadas e bruxas. O futebol está na história. Significou angústias e celebrações. O manto da política é perverso. Em 1970, a Copa foi ganha em plena época da ditadura militar. A ambiguidade desfilou e estragou corações. Hoje, as temeridades são outras. Gilmar ataca as dúvidas jurídicas, Sérgio Cabral lamenta seus erros. Ciro parece um acadêmico em campanha. As eleições se aproximam com pesquisas e incertezas. Muita emoção para poucos lugares. As questões ousam perturbar os espetáculos. Quem perde, quem vibra, quem se descaminha? A farsa da paz é um reflexo de uma grana avassaladora. Ela nem existe nos tiros de cada dia.
Paulo Rezende
astuciadeulisses.com
Professor Edgar Bom Jardim - PE

Os namoros do consumo de Narciso


Resultado de imagem para Narciso
Quem é lúcido não deve ficar atrás de verdades absolutas. A sociedade exige que as convivências se multipliquem e surjam surpresas. Não dá para formular regras definitivas. A história caminha com vacilações. Muitos aprendem com os deuses , outros ficam envolvidos com a arte. Há quem siga as travessuras dos demônios. Ficar extático causa desgovernos interiores, Não acredite em fantasias que são vendidas como dogmas. Inventa-se tudo, inclusive dias das mães, das secretárias, dos amigos. O afeto se transforma num calendário comercial. Há quem delire, perplexo.
As artificialidades tomam conta do cotidiano. Buscam seduções, na sua maioria, passageiras. Corre-se com presentes coloridos e dívidas pesadas. Trata-se de uma estratégia para aliviar os desenganos. A solidão também agita e incomoda. Os festivais dos afetos fabricados não cessam e animam. Tudo depende do sucesso. Estamos na sociedade do desempenho. Quem não quer ganhar loteria ou ser diretor de uma multinacional? Os desejos são alucinações. Poucos resistem e acompanham as rebeldias. A grana enfeitiça.
Não é sem motivo que as depressões se ampliam e invadem moradias subjetivas. Os desconsolos existem quando se pensa que a felicidade se ganha num paraíso de compras. Quem não reflete se frustra, joga fora a sensibilidade e faz do outro um objeto flexível. Portanto, não mergulhe nos pântanos escondidos e nas emoções conquistadas com cartões de crédito. Compreenda que o mundo gira, sem certezas de que, um dia, haverá uma harmonia. Os labirintos são construídos com arquiteturas frágeis. Balançam-se e não garantem nada.
Feche-se contra as artimanhas do sucesso. O afeto é desenhado na sinceridade, com perdas e encontros. Os calendários programados são traiçoeiros, mascaram, deixam espantos. Lembre-se dos mitos. Narciso não conseguiu superar-se. A sociedade do consumo atrai sensações que, apenas, sopram instantes e celebrações. Não se abrace com os anúncios e as mensagens que nada falam das suas emoções. Os limites podem nos tornar sábios e os excessos, bestializados. Olhe-se, não seja um embrulho esquecido na avenida central.
Por Paulo Rezende
A astúcia de Ulisses
Professor Edgar Bom Jardim - PE

O agente congolês na cracolândia, a boliviana no SUS, o angolano no 'rapa' e outras histórias de recomeço no Brasil

O estudante angolano Antonio Coteo, agente da prefeitura de SP
Image captionO estudante angolano Antonio Coteo trabalha como agente de apoio na fiscalização de comércio ambulante | Foto: Gui Christ
A médica boliviana Lourdes Ojeda procurava um emprego no Brasil. O angolano Antonio Coteo queria terminar a faculdade. Promessa do futebol boliviano, Jorge Lopez decidiu morar em São Paulo após encerrar sua carreira nos gramados. Já o congolês Kanga Heroult tinha só a roupa do corpo ao desembarcar, pois havia acabado de sobreviver a um fuzilamento.
De origens e histórias diferentes, esses quatro imigrantes hoje têm algo em comum: trabalham no serviço público em São Paulo. Eles estão nas áreas da saúde, atendimento aos trabalhadores, fiscalização do comércio ambulante e até no auxílio a dependentes de crack.
Segundo um relatório do Observatório das Migrações Internacionais (Obmigra), órgão ligado ao Ministério do Trabalho, o Brasil tem cerca de 130 mil imigrantes no mercado de trabalho formal. O Haiti é a nação mais representativa nesse cenário, com 25,7 mil pessoas empregadas, seguido por Portugal (8.000) e Paraguai (7.700).
No serviço público paulistano, quem contrata não é a prefeitura diretamente, pois estrangeiros são proibidos de prestar concurso no Brasil - essa situação se inverte em caso de naturalização. Os imigrantes trabalham para empresas terceirizadas ou organizações que prestam serviços para a administração municipal.
Uma delas é a Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), entidade social que administra unidades de saúde no centro e na zona norte da cidade. Segundo a organização, 50 dos seus 3.078 funcionários são estrangeiros, entre médicos, agentes de saúde e de administração.
O agente de saúde Jorge Lopez, imigrante boliviano em São Paulo
Image captionO agente de saúde Jorge Lopez trabalha na região do Bom Retiro, bairro de São Paulo com milhares de imigrantes | Foto: Gui Christ
Um deles é o boliviano Jorge Lopez, de 62 anos. Ele percorre diariamente as ruas do Bom Retiro para checar como anda a saúde de milhares de estrangeiros que povoam o tradicional bairro do centro da cidade.
Natural de La Paz, Lopez veio para o Brasil no final dos anos 1980, desiludido com a diverticulite que pôs um fim precoce a sua carreira de jogador de futebol. Trabalhou em oficinas de costura enquanto estudava modelagem em uma universidade particular.
A boliviana Jeanneth Orozco, em Unidade
Image captionA boliviana Jeanneth Orozco trabalha no Sistema Único de Saúde desde 2009 | Foto: Gui Christ
O trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS) chegou em 2005 depois de várias tentativas frustradas. "Fiz três provas e cinco entrevistas para entrar", conta.
Lopez foi um dos primeiros estrangeiros na unidade de saúde que fica no coração do Bom Retiro, local conhecido por historicamente abrigar imigrantes judeus, bolivianos e coreanos. Cerca de 40% dos pacientes do posto são estrangeiros, segundo o Iabas.
O boliviano foi escolhido para facilitar a entrada de seus compatriotas no SUS, movimento às vezes complicado pelo medo. "Os bolivianos são tímidos, têm receio de sair de casa e, muitas vezes, medo de serem deportados por falta de documentos", conta.
Sua colega Jeanneth Orozco afirma que os colegas bolivianos se sentem mais à vontade quando conversam com agentes do país deles. "Os brasileiros visitavam as casas e as pessoas abriam só uma frestinha da porta", diz a agente, que chegou no Brasil em 2004 e está no SUS desde 2009. Ela já foi responsável pelo auxílio de saúde de 25 grávidas no Bom Retiro.
Para Lopez, os agentes estrangeiros acabam funcionando como uma espécie de conselheiros dos recém-chegados. "Explicamos que o SUS é gratuito, porque muita gente acha que precisa pagar. Também falamos onde dá para tirar os documentos, onde tem posto da Polícia Federal, escola, hospital", afirma.
No mesmo posto, trabalha a médica Lourdes Ojeda, boliviana de 27 anos. Sua trajetória de imigração foi um pouco diferente dos colegas de unidade: formada em uma universidade pública, Ojeda teve dificuldade em encontrar emprego em seu país. "Há muitos médicos na Bolívia e os salários são ruins. Por isso, decidi viver no Brasil", conta.
Médica Lourdes Ojeda atende paciente brasileiro pelo SUS, no Bom Retiro
Image captionA médica Lourdes Ojeda, que atende pacientes no Bom Retiro, migrou para o Brasil porque não conseguia emprego na Bolívia | Foto: Gui Christ
Para revalidar seu diploma de Medicina, ela precisou fazer duas provas - oral e escrita, em português. "Tive de vir antes para aprender e me acostumar com a língua", diz.
Segundo Marcelo Haydu, coordenador do Instituto de Reintegração do Refugiado, uma das principais dificuldades para estrangeiros conseguirem emprego no Brasil é a burocracia para a revalidação dos diplomas universitários.
"Algumas provas de proficiência em português, como a da USP, são muito complicadas. Desconfio que até brasileiros teriam dificuldade em passar", diz Haydu.
Para Leonardo Cavalcanti, professor da Universidade de Brasília e coordenador do Obmigra, imigrantes enfrentam um fenômeno conhecido como "inconsistência de status", ou seja, quando chegam ao Brasil, eles não conseguem trabalhar em suas áreas de formação.
"Normalmente, os imigrantes têm formação média ou superior, pois os pobres sem estudo nem conseguem migrar", explica. "Porém, quando chegam aqui, enfrentam as dificuldades burocráticas de revalidação dos diplomas, um processo que exige uma série de documentos. Tem muito imigrante com formação superior trabalhando de auxiliar de pedreiro."
Haydu conta um caso de um refugiado sírio que não consegue revalidar seu curso de engenheiro porque a USP exige um documento que sequer existe na Síria. "Não há normas claras reguladas pelo Ministério da Educação, cada universidade tem sua regra", diz.

'Como uma criança'

O congolês Tresor Balingi, em atendimento no CAT (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo)
Image captionO advogado congolês Tresor Balingi chegou ao Brasil em 2013 e conseguiu emprego de atendente na prefeitura | Foto: Gui Christ
Um desses casos é o do refugiado Tresor Balingi, congolês de 30 anos. Formado em Direito mas sem conseguir revalidar o diploma no Brasil, ele trabalha de atendente no CAT (Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo), órgão da prefeitura de São Paulo.
O problema, no entanto, não o incomoda: ele gosta do serviço. Balingi chegou ao Brasil em 2013 sem falar sequer uma palavra de português. "Quando você chega num país diferente, começa tudo de novo, como uma criança", explica sobre seu período de adaptação.
Ele trabalha ao lado de dois compatriotas, os atendentes Hidras Tuala e Mabiala Nkombo. Segundo a prefeitura, eles foram contratados para atender refugiados e imigrantes africanos, cada vez mais numerosos na cidade. O trio faz carteiras de trabalho, habilitação de seguro desemprego e auxílio de contratações.
Os refugiados congoleses Hidras Tuala, Mabiala Nkombo e Tresor Balingi
Image captionOs refugiados congoleses Hidras Tuala, Mabiala Nkombo e Tresor Balingi auxiliam trabalhadores estrangeiros | Foto: Gui Christ
Nkombo, de 23 anos, explica que a facilidade com várias línguas foi determinante para sua contratação. "O CAT percebeu que havia muita dificuldade de comunicação com os estrangeiros. Nós falamos seis línguas fluentemente", diz ele, citando português, inglês, francês, espanhol, lingala e criolo. "Os africanos acabam naturalmente confiando mais em nós."
Seu colega Tuala, de 24 anos, não esconde a vontade de voltar ao Congo um dia. "A gente sempre pensa que amanhã vai ser melhor. Esse dia ainda não chegou", diz ele, que melhorou sua formação cursando comunicação visual em uma universidade do Brasil.

'Terminar os estudos'

Estudar no Brasil foi o que motivou a vinda do angolano Antonio Coteo, de 21 anos. "Sempre gostei do Brasil e queria muito terminar a faculdade de engenharia elétrica", conta. Ele estuda em uma faculdade particular em São Paulo com bolsa integral.
Enquanto finaliza seu curso, Coteo trabalha como assistente de fiscalização do comércio ambulante, serviço popularmente conhecido como "rapa". Vários funcionários dessa área no centro da cidade são imigrantes africanos.
Por outro lado, em ruas com forte comércio ambulantes, como a 25 de Março, a presença de africanos como camelôs é bastante alta. Quando um comerciante é irregular, seus produtos são apreendidos pelo "rapa".
Coteo diz que nunca houve conflito com colegas africanos por causa de seu trabalho. "Minha relação com meus 'irmãos' é muito boa, não trato ninguém mal. Explico o que eles precisam fazer para regularizar a situação e conseguir os documentos. Sou uma espécie de tradutor", diz.

Os refugiados

Segundo a Coordenação Nacional de Imigração, órgão do Ministério do Trabalho, o Brasil deu 311 mil autorizações para estrangeiros trabalharem no país entre 2011 e 2016. Pouco mais de 200 mil carteiras de trabalho foram emitidas nesse período.
Por outro lado, a autorização de vistos de refúgio continua um processo lento - em média, ela demora dois anos. A fila chega a 86 mil pessoas e tende a crescer por causa da massa de venezuelanos que diariamente chega ao Brasil.
Quando pousou em São Paulo, o congolês Kanga Heroult, de 38 anos, já tinha o documento que autorizava seu refúgio político no país. Era uma outra época, em 2008, quando o número de pedidos de refúgio era bem menor.
Hoje, Heroult trabalha como agente de saúde na região da cracolândia, área de consumo e venda de crack no centro da cidade. Ele auxilia dependentes químicos a entrar no serviço municipal de recuperação, o Redenção.
O agente de saúde Kanga Heroult, na praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo
Image captionO agente de saúde Kanga Heroult fugiu da morte no Congo e hoje trabalha com dependentes químicos na região da cracolândia | Foto: Gui Christ
Ele fez três provas para entrar no serviço público. "A gente cuida e orienta (os usuários de crack), me dou bem com todos", conta ele. "Muitas pessoas que estão na rua hoje são da Nigéria, Tanzânia, Congo..."
A trajetória de Heroult até o Brasil é dramática. Em 2007, ele se filiou em um partido de oposição à ditadura que governa o Congo. Acabou preso depois de participar de algumas manifestações contra o assassinato de um líder estudantil. "Por um mês e 15 dias eu fui torturado", diz, emocionado.
Heroult conta que, naqueles dias na prisão, dez pessoas eram levadas todos os dias em uma van. Nunca mais eram vistas. Um dia, chegou a sua vez.
"Eu sabia que iria morrer. Então comecei a cantar uma música sobre Deus. Um dos soldados ouviu e reconheceu a letra. Ele se aproximou e disse que sua família era da mesma igreja que a minha", conta.
O congolês foi levado na van com outros nove prisioneiros. "O carro parou ao lado de um rio. As outras pessoas foram retiradas, mas eu fiquei. Ouvi o barulho delas sendo mortas e jogadas no rio. O motorista abriu a porta do carro e disse que nunca mais queria me ver. Eu estava livre."
Heroult escapou da morte e, dias depois, embarcou para o Brasil.
Professor Edgar Bom Jardim - PE

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Brasil é o segundo pior em mobilidade social em ranking de 30 países

Rio de JaneiroDireito de imagemDABLDY/GETTY
Image captionDesempenho do Brasil só é pior que o da Colômbia em estudo sobre mobilidade social da OCDE
A chance de uma criança de baixa renda de ter um futuro melhor que a realidade em que nasceu está, em maior ou menor grau, relacionada à escolaridade e ao nível de renda de seus pais. Nos países ricos, o "elevador social" anda mais rápido. Nos emergentes, mais devagar - no Brasil, ainda mais lentamente.
O país ocupa a segunda pior posição em um estudo sobre mobilidade social feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com dados de 30 países e divulgado nesta sexta-feira.
De acordo com o estudo O elevador social está quebrado? Como promover mobilidade social, seriam necessárias nove gerações para que os descendentes de um brasileiro entre os 10% mais pobres atingissem o nível médio de rendimento do país. A estimativa é a mesma para a África do Sul e só perde para a Colômbia, onde o período de ascensão levaria 11 gerações.
O indicador da OCDE foi construído levando em consideração a "elasticidade intergeracional de renda". Ou seja, quanto o nível de rendimento dos filhos é determinado pelo dos pais. A instituição ressalta no estudo que a simulação tem finalidade ilustrativa - para dar dimensão da dificuldade de ascensão social - e que não deve ser interpretada como o tempo preciso para que um domicílio de baixa renda atinja a renda média.
Na média entre os países membros da OCDE, a chamada "persistência" da renda intergeracional é de 40%. Isso significa que, se uma família tem rendimento duas vezes maior o que de outra, o filho terá, em média, renda 40% mais alta que a da criança que veio da família de menor renda.
Garoto ao lado de escadaDireito de imagemRICHVINTAGE
Image captionBrasil ocupa segunda pior posição em estudo sobre mobilidade social feito pela OCDE com dados de 30 países
Nos países nórdicos, a persistência é de 20%. No Brasil, de 70%, conforme a pesquisa.
Mais de um terço daqueles que nascem entre os 20% mais pobres no Brasil permanece na base da pirâmide, enquanto apenas 7% consegue chegar aos 20% mais ricos. Na média da OCDE, 31% dos filhos que crescem entre 20% mais pobres permanecem nesse grupo e 17% ascendem ao topo da pirâmide.

Pai pobre, filho pobre

Isso é o que o estudo chama de "chão pegajoso" (sticky floor): a dificuldade das famílias de baixa renda de sair da pobreza.
Filhos de pais na base da pirâmide têm dificuldade de acesso à saúde e maior probabilidade de frequentar uma escola com ensino de baixa qualidade.
A educação precária, em geral, limita as opções para esses jovens no mercado de trabalho. Sobram-lhes empregos de baixa remuneração, em que a possibilidade de crescimento salarial para quem tem pouca qualificação é pequena - e a chance de perpetuação do ciclo de pobreza, grande.
Cartão Bolsa FamíliaDireito de imagemJEFFERSON RUDY/AG. SENADO
Image caption'O Brasil fez um bom trabalho tirando milhões de famílias da extrema pobreza, com o Bolsa Família, por exemplo. Falta agora fazer a 'segunda geração' de políticas', diz diretor da OCDE
Nesse sentido, a desigualdade social e de renda, destaca o levantamento, é definidora do acesso às oportunidades que podem fazer com que alguém consiga ascender socialmente.
"Além do chão pegajoso, países como o Brasil têm também tetos pegajosos (sticky ceilings)", acrescenta Stefano Scarpetta, diretor de emprego, trabalho e assuntos sociais da OCDE, referindo-se às famílias de alta renda.
O nível elevado de desigualdade também se manifesta sobre a mobilidade no topo da pirâmide. Aqui, é pequena a probabilidade de que as crianças mais abastadas eventualmente se tornem adultos de classes sociais mais baixas que a dos pais.
Scarpetta pondera que, ao contrário da tendência global de aumento da desigualdade, o Brasil conseguiu reduzir suas disparidades na última década, até o início da recessão. O país fez pouco, entretanto, para corrigir os problemas estruturais que mantêm em movimento o ciclo da pobreza - a qualidade precária da educação e da saúde e a falta de treinamento para os milhões de trabalhadores de baixa qualificação.
"O Brasil fez um bom trabalho tirando milhões de famílias da extrema pobreza, com o Bolsa Família, por exemplo. Falta agora fazer a 'segunda geração' de políticas", disse o economista à BBC News Brasil.

A classe média

Quando se analisa a mobilidade apenas do indivíduo, e não de uma geração a outra, o estudo da OCDE verifica que, de forma geral, a classe média é o estamento com maior flexibilidade - para cima e para baixo.
No Brasil, a mobilidade da base da pirâmide para a classe média é maior do que em vários emergentes. Essa ascensão, contudo, é frágil.
A estrutura do mercado de trabalho, com uma participação elevada do emprego informal, intensifica os efeitos negativos das crises sobre a população mais vulnerável. Como aconteceu com parte da "nova classe média" durante a última recessão, o desemprego pode ser um caminho de retorno à pobreza.

Mobilidade social e crescimento econômico

O nível baixo de mobilidade social tem implicações negativas sobre o crescimento da economia como um todo, diz o estudo da OCDE. Talentos em potencial podem ser perdidos ou subaproveitados, com menos iniciativas na área de negócios e menos investimentos.
Favela de Paraisópolis, em São PauloDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDesigualdade social e de renda é definidora do acesso às oportunidades que podem fazer com que alguém consiga ascender socialmente, diz estudo
"Isso debilita a produtividade e crescimento econômico potencial em nível nacional", ressalta o texto.
Um elevador social "quebrado" também se manifesta sobre o bem-estar social.
A percepção de que a oportunidade de ascensão depende de fatores que estão fora do alcance - como a renda dos pais ou o acesso a educação - gera desesperança e sentimento de exclusão. Isso aumenta a probabilidade de conflitos sociais, diz a pesquisa.

Tendência global

O problema não é exclusivo dos países emergentes. Mesmo países ricos, com desempenho expressivamente superiores ao do Brasil nos indicadores de educação - França, Alemanha - estão acima da média da OCDE entre as estimativas do número de gerações necessário para que os 10% mais pobres atinjam a renda média.
"Por mais que esses países tenham bom desempenho no PISA (avaliação global do desempenho escolar), esses índices são uma média. Países como a França, por exemplo, são bastante heterogêneos", ressalta Scarpetta.

Professor Edgar Bom Jardim - PE

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Copa da Rússia chegou e Brasil ainda não terminou 41 obras de 2014


Canteiro de obras do VLT, previsto para a Copa 2014, mais ainda longe da conclusão na véspera da Copa da RússiaDireito de imagemEMANOELE DAIANE/BBC BRASIL
Image captionCanteiros abandonados ficam em avenidas importantes da região metropolitana de Cuiabá.
Em dezembro de 2013, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) lançou um apelido que acabou pegando: o Brasil realizaria a "Copa das Copas" em 2014, disse a petista. Torcedora do Atlético Mineiro, Rousseff também elogiou o escrete canarinho, que seria "forte" e "cheio de novos craques geniais". O fim da história dentro de campo é conhecido: no dia 8 de julho, a Seleção Brasileira sofreu a famosa derrota de 7 a 1 para o time da Alemanha, em Belo Horizonte.
A derrota no estádio do Mineirão ficou na memória coletiva dos brasileiros. Mas há um outro "7 a 1" cujos efeitos são sentidos até hoje: a um dia do início da Copa da Rússia, dezenas de obras planejadas para o mundial de futebol de 2014 continuam inconclusas em 10 das 12 cidades que sediaram jogos naquele ano. Baseada em dados de governos estaduais, prefeituras e da Controladoria-Geral da União (CGU), a BBC News Brasil encontrou pelo menos 41 obras ainda inacabadas, paralisadas ou mesmo abandonadas.
Na maioria, são obras viárias e de mobilidade urbana: viadutos, ampliação de avenidas, trens de superfície (VLTs) e corredores de ônibus (BRTs). Há também três aeroportos cujas obras de ampliação ainda não foram concluídas, nas cidades de Salvador (BA), Cuiabá (MT) e Belo Horizonte (MG).
As obras inconclusas da Copa de 2014 vivem várias realidades diferentes. A maior parte foi interrompida ou está em andamento. Algumas foram totalmente abandonadas e não há previsão de quando (e se) serão retomadas.
Jogador Fernandinho, durante derrota do Brasil na Copa de 2014Direito de imagemREUTERS
Image captionQuatro anos depois de perder da Alemanha por 7 a 1, Brasil ainda tem obras atrasadas
Há construções nos quais o dinheiro público já foi gasto em estudos e primeiras instalações, antes de a ideia ser completamente abandonada. Em Brasília, a construção de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) chegou a ser iniciada, ligando o aeroporto ao centro da cidade. R$ 20 milhões foram investidos, mas o projeto acabou deixado de lado (leia mais detalhes abaixo).
Não dá para dizer que as cidades não tiveram tempo para planejar e executar as demandas: em 13 de janeiro de 2010, o então ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB) assinou a primeira versão da Matriz de Responsabilidade da Copa - o documento também foi subscrito pelos prefeitos das 12 cidades que sediaram o evento, além dos governadores. A Matriz trazia a relação das principais obras: estádios, reforma de aeroportos, etc., além do montante a ser investido pelas esferas de governo (prefeituras, Estados e União).
O levantamento da BBC News Brasil leva em conta tanto as obras que estavam na Matriz quanto aquelas que foram prometidas por prefeituras e governos para a Copa - mesmo as que não integraram o documento, ou foram removidas da versão final.
Para tentar agilizar as obras da Copa, o governo também criou o chamado "Regime Diferenciado de Contratação", o RDC. Polêmica, a medida reduzia as regras e diminuía o rigor exigido no processo de licitação de uma obra pública. Por exemplo: em vez de ter de entregar às empresas que disputariam a licitação um projeto detalhado, com todos os custos, o governo passou a poder entregar só um "anteprojeto de engenharia".
A maioria dos projetos era de responsabilidade das prefeituras e governos estaduais - alguns deles com financiamento do governo federal. As administrações alegam uma série de problemas que atrapalharam a conclusão como falta de dinheiro, interdições da Justiça, problemas de licitação e abandono das obras por parte das construtoras.
Abaixo, um resumo das obras da Copa de 2014 inconclusas ou abandonadas, em cada uma das 12 cidades-sede do evento.

Belo Horizonte

Canteiro de obras em vias principais de Belo HorizonteDireito de imagemPREFEITURA DE BELO HORIZONTE
Image captionObra de corredor de ônibus que passa pelas avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Vilarinho não foram concluídas (Imagem de 2012)
Na capital mineira, ficaram inconclusas as obras de reforma e ampliação do aeroporto internacional de Confins, o principal do Estado, e a construção de um corredor de ônibus (do tipo BRT).
Desde 2014, Confins recebeu uma série de obras que ampliaram sua capacidade em 5,3 milhões de passageiros por ano (hoje, o aeroporto tem capacidade de receber até 17,1 milhões de pessoas a cada ano). Mesmo assim, estão inconclusas a ampliação da pista de pouso (que deve ficar pronta até o fim deste ano), e a reforma de um dos terminais de passageiros. No caso do terminal, as obras foram suspensas por decisão da Justiça Federal de Brasília, ainda no começo de 2015, e a Infraero, responsável pelas obras, agora aguarda a solução do caso na Justiça.
Em Belo Horizonte, a prefeitura ainda não conseguiu concluir o corredor de ônibus que passa pelas avenidas Antônio Carlos, Pedro I e Vilarinho, embora a maior parte da estrutura já esteja em operação.
Os corredores de ônibus do tipo BRT (sigla para Bus Rapid Transport, ou Transporte Rápido por Ônibus) são chamados na capital mineira de "Move". O corredor inconcluso tem 14,7 quilômetros de extensão, e liga o estádio do Mineirão ao aeroporto de Confins. O trecho que falta é justamente o da avenida Pedro I. Em junho de 2014, durante os jogos, um trecho de viaduto caiu no local e matou duas pessoas.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, devido à finalização do contrato com a empresa Cowan, estão pendentes alguns serviços complementares, como sinalização, paisagismo e obras na via no entorno. A previsão de novas licitações para a conclusão dos trabalhos está prevista para 2018.
O custo total da obra é de R$ 685,12 milhões.

Brasília

Estádio Mané Garrincha, uma das sedes da Copa de 2014, não saíram do papelDireito de imagemAGÊNCIA BRASÍLIA
Image captionObras de urbanização no entorno do estádio Mané Garrincha não saíram do papel
Na capital federal, são quatro obras previstas para a Copa de 2014 que nunca saíram do papel: a urbanização do entorno do estádio Mané Garrincha; um jardim projetado pelo paisagista Burle Marx, no centro da capital; a reforma do calçamento dos setores hoteleiros da cidade; e um trem de superfície (do tipo VLT), ligando o aeroporto ao centro.
O caso mais importante é o do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O projeto custaria R$ 1,5 bilhão (valores de 2010), e teria extensão de 22,6 quilômetros. As obras começaram a ser feitas, e pelo menos R$ 20 milhões foram investidos. O trabalho foi suspenso diversas vezes pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e em abril de 2011, pela Justiça Federal. O consórcio responsável acabou mencionado no escândalo da Caixa de Pandora, que resultou na queda do ex-governador José Roberto Arruda (PR).
Em 2012, o VLT de Brasília se tornou a primeira obra da Copa oficialmente cancelada. Em nota à BBC News Brasil, o governo de Brasília disse que um novo projeto de VLT fará parte do "Plano de Desenvolvimento do Transporte Público sobre Trilhos do Distrito Federal", o PDTT/DF, que está "em fase final de elaboração".
Brasília também desistiu de outra obra prevista para a Copa: a urbanização do entorno do estádio Mané Garrincha e a construção de túneis por baixo do Eixo Monumental, ligando o estádio a espaços culturais da cidade, como o Clube do Choro. O investimento previsto era de R$ 285 milhões, mas a obra foi cancelada no fim de 2014, após a Copa do Mundo. O governo local, então sob Agnelo Queiroz (PT) não viu mais necessidade de concluir a melhoria. Em 2017, o atual governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), decidiu arquivar o projeto.

Cuiabá

Veículos do VLTDireito de imagemEMANOELE DAIANE/BBC BRASIL
Image captionVagões do VLT estão parados em estacionamento desde novembro de 2013
A capital de Mato Grosso é uma das cidades com mais obras da Copa inconclusas: nove.
E também ostenta um dos piores exemplos do "legado" do torneio: o VLT da cidade é hoje a obra inacabada da Copa mais cara do país. A obra já consumiu R$ 1,06 bilhão de reais, mas só 30% do projeto está pronto (inicialmente, a previsão era de que o projeto todo custasse R$ 1,4 bilhão). A construção foi alvo de uma operação da Polícia Federal (Descarrilho, em agosto passado).
Segundo o governo do Estado, o contrato com Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande foi rescindido após instalação de processo administrativo pelo Governo do Estado para apurar infrações contratuais.
Ainda de acordo com as autoridades, uma nova licitação está em andamento. Os valores para a conclusão das obras ainda estão sendo calculados.
Cuiabá também deixou pelo caminho as obras de dois Centros de Treinamento (COTs). Um deles, o COT Professor João Batista Jaudy, na Universidade Federal de Mato Grosso, está 82% construído. As obras estão em andamento (foram retomadas em abril passado, segundo o governo do Estado, com um orçamento estimado em R$ 17,25 milhões). O outro, na Barra do Pari, está paralisado, Até agora, 69,2% da construção está concluída.
O Estado diz que reiniciará as tratativas com a construtora para que ela retome os trabalhos ou para que haja uma rescisão contratual.
Além disso, também não estão concluídas a reforma do aeroporto Marechal Rondon (sob responsabilidade da Infraero), uma via elevada (a Trincheira Jurumirim), as ampliações de três avenidas (Parque do Barbado, 8 de Abril e Estrada do Moinho). Por fim, ainda há pendências na Arena Pantanal, embora o estádio tenha recebido quatro jogos da Copa de 2014. O Estado não respondeu sobre o motivo dos problemas no estádio.

Curitiba

Terminal de Santa Cândida, previsto para a Copa 2014, ainda não foi finalizadoDireito de imagemPREFEITURA DE CURITIBA
Image captionRecentemente, a Prefeitura de Curitiba abriu licitação para terminar as obras do terminal Santa Cândida
Na capital do Paraná, as pendências se referem à mobilidade urbana: três ampliações de vias, sob responsabilidade do governo do Estado, e a reforma de um terminal de ônibus, a cargo da prefeitura da capital.
A principal obra viária é um corredor de ônibus ligando o aeroporto mais importante do Estado, no município vizinho de São José dos Pinhais, à rodoferroviária de Curitiba. Segundo o governo do Estado, 70% da obra está pronta, e a previsão é de que o trabalho seja concluído no fim deste ano. Até o momento, a obra já consumiu R$ 44,4 milhões (a previsão inicial, na Matriz de Responsabilidade, era de R$ 65,2 milhões).
Outras duas obras sob responsabilidade do governo estadual também estão inconclusas: a ampliação do corredor Marechal Floriano Peixoto, e a implementação de um sistema de monitoramento de trânsito.
A prefeitura de Curitiba, por sua vez, ainda não concluiu as melhorias no Terminal Santa Cândida, que foi entregue incompleto em fevereiro de 2016, ano de eleições municipais. À BBC News Brasil, a prefeitura disse que fechou em maio um novo contrato para a conclusão do projeto, previsto agora para novembro.

Fortaleza

VLT Parangaba-Mucuripe, previsto para a Copa de 2014, inicia a Copa da Rússia com funcionamento parcialDireito de imagemGOVERNO DO CEARÁ
Image captionPrevisto para a Copa de 2014, o VLT Parangaba-Mucuripe ainda não saiu da fase de "operação assistida"
Assim como Brasília e Cuiabá, a capital do Ceará também teve problemas para tirar do papel a obra de um VLT, uma espécie de metrô de superfície. Além do VLT, Fortaleza também não concluiu a ampliação do aeroporto Pinto Martins - a empresa que administra o terminal, a francesa Fraport, diz que investirá R$ 800 milhões para terminar tudo.
O ramal Parangaba-Mucuripe do VLT de Fortaleza está hoje 75% concluído, mas ainda não opera em sua capacidade máxima. De dez estações previstas, só quatro estão em "operação assistida", transportando pessoas no período da manhã e de forma gratuita.
À BBC News Brasil, a Secretaria de Infraestrutura do Governo do Ceará informou que outras quatro estações devem começar a operar de forma experimental no início de julho deste ano. E o restante da obra deve ser concluído até o fim do segundo semestre.

Manaus

Arena Amazônia, uma das sedes da Copa 2014Direito de imagemREUTERS
Image captionObra que ligaria a Arena Amazônia ao centro de Manaus sequer saiu do papel
Na capital do Amazonas, dois projetos da Copa de 2014 sequer começaram a ser construídos: um corredor de ônibus (BRT) ligando a Arena da Amazônia até o centro da cidade e dois Centros de Atendimento ao Turista (CATs).
Alegando que os recursos do governo federal não foram liberados a tempo, a prefeitura de Manaus desistiu da obra do BRT ainda em 2012. O investimento previsto era de R$ 1,2 bilhão, mas o dinheiro não foi aplicado.
A justificativa é a mesma para a não construção dos CATs: o dinheiro oferecido pelo Ministério do Turismo não foi utilizado porque "não houve tempo hábil" de aprontar as estruturas para a Copa do Mundo, disse a prefeitura à BBC News Brasil.

Natal

Arena das Dunas, em Natal, sede da Copa de 2014Direito de imagemREUTERS
Image captionProjeto de drenagem na Arena das Dunas, em Natal, continua incompleto quatro anos depois da Copa de 2014
Sede do estádio Arena das Dunas, Natal tem três obras programadas para a Copa ainda inacabadas.
Estava prevista uma reforma de 55 quilômetros de calçadas para torná-las acessíveis para cadeirantes, por exemplo. Só 5% foram concluídos.
Um projeto de drenagem no entorno da Arena das Dunas segue incompleto, com 80% das obras feitas, a um custo de R$ 194 milhões.
A construção de um corredor de ônibus foi abandonada.
Procurada, a Prefeitura de Natal não se pronunciou até a publicação deste texto.

Porto Alegre

Obras do viaduto Ceará, em Porto AlegreDireito de imagemPREFEITURA DE PORTO ALEGRE
Image captionTrabalhos no viaduto da avenida Ceará, obra em Porto Alegre prevista para Copa de 2014, foram retomados neste ano
Em Porto Alegre, os atrasos se concentram na construção, reforma ou ampliação de vias públicas, como viadutos e avenidas. Ao todo, são nove vias em obras - e o valor total a ser investido é de R$ 1 bilhão, segundo informou a prefeitura da capital gaúcha à BBC News Brasil. Deste total, a prefeitura já investiu pouco mais da metade (R$ 525 milhões). Outros R$ 475 milhões devem ser gastos antes de que todas as obras sejam concluídas.
Das nove obras paradas, três já foram retomadas. A mais adiantada, um viaduto na avenida Ceará, deve ficar pronta em setembro. As outras seis obras ainda estão paradas, segundo a prefeitura, mas todas já têm ao menos uma previsão de quando voltarão a ser tocadas. A mais atrasada é o corredor de ônibus da avenida João Pessoa: só 50% da obra física está pronta, e a previsão de conclusão é para dezembro de 2019.
"As obras de mobilidade de Porto Alegre foram impactadas pela grave crise financeira enfrentada pela Prefeitura", disse a administração municipal em nota à BBC News Brasil. Para dar seguimento, o município conseguiu um financiamento de R$ 120 milhões com o banco estatal gaúcho, o Banrisul, além de remanejar verbas de outras áreas.

Recife

Pernambuco tem obras da Copa 2014 ainda incompletasDireito de imagemREUTERS
Image captionObra viária que liga Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, a um terminal de ônibus no Recife
A capital de Pernambuco tem quatro projetos viários previstos para 2014 ainda inconclusos.
Dois ramais de BRTs (corredores de ônibus), que ligam todas as regiões da cidade, ainda não foram finalizados. Na linha Norte-Sul, foram entregues 26 estações, mas duas ainda estão em construção e devem ser entregues em 2019. No trecho Leste-Oeste, 16 das 22 paradas previstas estão operando. Segundo o governo estadual, as restantes estão em obras ou ainda em fase de projetos. Para o governo, o atraso ocorreu porque o consórcio construtor abandonou as obras.
A estrutura viária Ramal da Copa, que liga o estádio Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, e o terminal de Camaragibe, no Recife, ainda não está completa. Segundo o governo, as empresas construtoras também abandonaram as obras, que foram retomadas recentemente.
Já a ampliação do terminal de Camaragibe também foi abandonada pelo consórcio. O governo pernambucano afirma que uma nova licitação está sendo preparada, mas não deu prazo para a conclusão do projeto.

Salvador

Imagem ilustrativa do BRT de SalvadorDireito de imagemDIVULGAÇÃO
Image captionÓbras do BRT de Salvador, previsto para a Copa de 2014, devem demorar mais de dois anos para serem concluídas
A capital baiana ainda tem algumas intervenções pendentes no aeroporto internacional Luís Eduardo Magalhães, e a construção de um corredor de ônibus (BRT) - que acabou retirado da Matriz de Responsabilidade da Copa, depois de ficar claro que não estaria pronta a tempo do mundial.
No aeroporto, ainda faltam obras na área de check-in dos passageiros e na fachada, segundo a Infraero. Ficaram prontas intervenções no pátio de manobra das aeronaves e uma nova torre de controle, entregues em 2013 e 2014, respectivamente. No começo deste ano, o controle do aeroporto passou a ser de uma empresa francesa, a Vinci Airports.
Depois de excluir o BRT da lista de obras para a Copa, a Prefeitura de Salvador acabou concluindo a contratação do primeiro trecho de obras em março deste ano. São 2,9 quilômetros de extensão, ao custo de R$ 212 milhões para os cofres públicos. Segundo a previsão das autoridades, o BRT terá capacidade de transportar 31 mil pessoas quando estiver pronto, o que deve demorar mais dois anos e quatro meses.
Procurada, a Prefeitura de Salvador não se pronunciou até a publicação deste texto.
Professor Edgar Bom Jardim - PE